terça-feira, 25 de novembro de 2008

Apesar de não se falar muito dela nos Evangelhos, Maria é o tecido vivo da Igreja Católica romana. E, para compreender seu mistério, é preciso que se compreenda quem foi Eva, nossa primeira mãe, de quem Maria é a réplica celestial. E pode-se compreender Maria sem compreender a Igreja? Tudo o que é dito de Maria se aplica à Igreja e, por trás de Maria e da Igreja, está, misteriosamente, esta sabedoria dançante, rejubilando-se ante o Criador, a "Sophia", a "Sapientia" de que fala o Antigo Testamento.
A maternidade encerra "algo" que vem de baixo, da terra, da matéria, para se sublimar, se abrir, caminhar ao encontro da Graça, como um cálice recebendo a vida. Este "algo", canta a Igreja, sobe mais alto do que os Querubins, incomparavelmente superior aos Serafins. A mulher em sua profundidade metafísica é, na verdade, a junção de Deus com nada, um nada que, por obediência à vontade de Deus, responde-lhe. Ou melhor, um vazio que pede e que ecoa à Palavra.
Pode-se ter uma visão completa das coisas se o elemento feminino foi eliminado? É verdade que S. Paulo diz que "não há homem, nem mulher, nem grego, nem judeu", porém, o Cristo que tudo recapitulou era, apesar de tudo, um homem. Era necessário um complemento fêmea. Onde está a consciência da Igreja, o sentimento de unidade cósmica do mundo que será salvo. É claro que o lugar de Maria é diferente do lugar de Cristo, que Ele é Deus encarnado e ela é o ser humano divinizado; mas quando Cristo sobe ao Pai, Ele não nos deixa somente a Igreja, através da pessoa de João; Ele nos dá uma mãe: "Eis aqui Tua Mãe".

E. Kovalevsky

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