quarta-feira, 12 de novembro de 2008

SINOPSE:Marcos escreve o seu evangelho por volta do ano 60 d.C. Acredita-se que o escritor, ao preparar o seu livro, teve em mente os cristãos gentios. O evangelista tem com preocupação primeira mostrar que Jesus é o Filho de Deus. Esse é a sua grande tese verificada a partir do primeiro versículo:"Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus." . Um Filho de Deus que é confirmado pelos discípulos, através da pessoa de Pedro (Mc 8,29) e testemunhado pelo centurião na morte de Jesus (Mc 15,39); um Filho de Deus que se deixa reconhecer na medida que se caminha ao seu lado assumindo o seu projeto de vida.O Evangelho de Marcos está tecido em duas grandes partes:- Primeira parte: (Mc 1,1 - 8,26). Neste primeiro bloco Jesus aparece na Galiléia inaugurando o Reino de Deus que vem com toda força. A prática de Jesus é contestada pelos escribas e fariseus. Diante da sua proposta vão se formando dois grupos: os que seguem Jesus (discípulos e multidão) e os que não aceitam a proposta de Jesus.- A segunda parte (restante do evangelho) apresenta as condições e os elementos necessários para seguir Jesus. Seguimento que não significa "ir atrás" mas entrar no caminho de sua vida, identificar-se com ele, deixar tocar pela sua pessoa, fazer parte de sua missão de inaugurar o Reino e vencer as forças do anti-reino.Maria aparece duas vezes durante todo o seu relato. As citações são poucas, mas muito significativas onde ela é apresentada como a discípula fiel que faz parte essencial da família de Jesus porque cumpre a vontade do Pai e a mulher que acolhe a todos como filhos e irmãos de Jesus.I - Textos marianos:1)) Mc 3, 20-21. 31-35: A FAMÍLIA DE JESUS.20 Depois entrou numa casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal modo que nem podiam comer21 Quando os seus ouviram isso, saíram para o prender; porque diziam: Ele está fora de si.31 Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo.32 E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram.33 Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos!34 E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos!35 Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.Contexto: No tempo de Jesus, a estrutura familiar exercia importante influência na definição dos papéis e no lugar social ocupado pelo individuo. No judaísmo, as famílias eram classificadas conforme seu grau de pureza de origem, ou seja, se eram imaculadas cruzamento com sangues de estrangeiros ou atingidas por mancha de mistura étnica.A cena bíblica é a seguinte: Jesus e os Doze, recém eleitos, vão a uma casa em Cafarnaum. Havia uma multidão acirrada, a tal ponto que eles nem podiam e não tinham tempo nem para alimentar-se. E quando os "seus" ficaram sabendo disso, saíram para proteger Jesus, porque diziam que Ele tinha "perdido o juízo" . E neste grupo que vai até Jesus, está a figura de Maria, sua mãe.Os parentes de Jesus consideram que Ele estava exagerando no modo como se dedicava à sua missão, porque Jesus desleixa até as suas necessidades mais elementares, como a de comer (v.20)Marcos mostra aqui o caminho progressivo de Maria na fé. O evangelista revela o traço tão humano de Maria de Nazaré que se preocupa pelo Filho, o que denota uma preocupação normal.Num olhar mais profundo, Marcos quer mostrar que o seguimento de Jesus (para fazer parte de sua família) ultrapassa os laços de parentesco.Jesus inaugura uma NOVA FAMÍLIA constituída não mais do sangue e dos laços de parentesco (valor absoluto nas sociedades antigas) e sim daqueles que se juntam ao redor de Jesus para fazer a vontade do Pai.Marcos ensina que até Maria, a criatura mais estreitamente ligada a Jesus pelos laços de sangue (maternidade) teve que elevar a ordem mais alta dos seus valores.Depois de ter levado Jesus no seu ventre, era preciso que Ela o gerasse no coração, cumprindo a vontade de Deus. Uma vontade que se torna manifesta naquilo que Jesus dizia e realizava.Assim, a figura de Maria "mãe" se harmoniza e se completa com a figura de "discípula" e "primeira cristã".2)Mc 6, 1-6: JESUS DE NAZARÉ ( O SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRES)1 Saiu Jesus dali, e foi para a sua terra, e os seus discípulos o seguiam.2 Ora, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ao ouví-lo, se maravilhavam, dizendo: Donde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe é dada? e como se fazem tais milagres por suas mãos?3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele.4 Então Jesus lhes dizia: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua própria casa.5 E não podia fazer ali nenhum milagre, a não ser curar alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.6 E admirou-se da incredulidade deles. Em seguida percorria as aldeias circunvizinhas, ensinando.Contexto: O texto de Marcos refere-se a um acontecimento concreto: a rejeição dos Moradores de Nazaré ao anúncio de Jesus e à sua pessoa. Eles não se colocam como inimigos de Jesus, mas se escandalizam dele por sua incredulidade. A fé é um grande requisito para o seguimento de Jesus.a)Mc 6, 3: O "Filho de Maria"3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele.4 Então Jesus lhes dizia: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua própria casa.No costume judeu, o nome da pessoa era conferido ou vinha relacionado por referência ao Pai. Temos alguns exemplos:- Simão, filho de Jonas (Mt 16,13)- Tiago, filho de Zebedeu (Mt 4,21)- Levi, filho de Alfeu (Mc 2,13)Sendo assim, surge a grande pergunta: por que Jesus não é chamado "filho de José"?. Para esta pergunta há quatro tipos de respostas:- Marcos queria enfatizar os traços humanos de Jesus;- É uma referência à concepção virginal de Jesus (obra do Espírito Santo);- Foi um intento de difamação contra Jesus (desvalorizar a sua pessoa pela profissão humilde de José);- José não é citado porque já havia morrido.b) "Os irmãos e as irmãs de Jesus" (v3):Versículo de caráter polêmico principalmente entre os "evangélicos" onde se afirma a existência de outros filhos de Maria.A verdade é que para os conceitos orientais tradicionais, não se define a família como pequeno núcleo "pai-mãe-filhos", como conhecemos hoje, mas num amplo leque no qual se incluem tanto os parentes próximos como os distantes.No aramaico falado, usado por Jesus e seu povo, não havia uma diferenciação nos conceitos de parentesco (primo, tio, tia, irmão, sobrinho, etc...). A palavra que exprimia e englobava todo este parentesco era "irmãos", que os gregos traduziram por "adelfos". Assim, quando ouvimos falar que "tua mãe e teus irmãos estão lá fora..." significa que Maria e os parentes de Jesus queriam protegê-lo um pouco da multidão.Não podemos confundir: "irmãos" de Jesus significa "parentes próximos" dele. Tiago e Joset, chamados de "irmãos de Jesus" são considerandos, dentro desta lógica explicativa, de "parentes próximos" de Jesus e não "irmãos carnais" dele.Se assim não fosse, qual seria a necessidade de Jesus, no alto da cruz, entregar a João, o discípulo a quem amava, os cuidados de Maria quando disse: " Filho, eis aí a tua mãe" (Jo 19,27)? Não seria mais comum, Tiago e José, se fossem realmente filhos carnais de Maria, tomar conta de sua "mãe" após a morte do "irmão" Jesus?Quando estudarmos o dogma da Virgindade de Maria entenderemos mais esta questão.Com isso, o evangelista quer mostrar a necessidade da fé no ato do seguimento de Jesus. Condição indispensável para reconhecer a sua presença e caminhar com Ele.

Deixe um Comentário

- Copyright © Meu Imaculado Coração Triunfará -