segunda-feira, 17 de novembro de 2008



Na região de Jônia, Ásia Menor, imigrantes gregos construíram muitas cidades como Éfeso que existe ainda hoje. Famosa por causa do Concílio nela realizado de 22 de junho a 2 de julho de 431 (século V) pelo Papa Celestino I, que proclamou Maria como Mãe de Deus contra a heresia de Nestório que lhe negava essa prerrogativa. Na Espanha, para festejar este fato, um artista espanhol esculpiu uma imagem de Maria com o Menino Jesus nos braços. No pedestal estava escrito: Teotocos (Mãe de Deus). Era uma demonstração da grande alegria causada no povo espanhol pela declaração da maternidade divina, feita pelo Concílio de Éfeso. A Espanha sempre foi célebre pela devoção a Maria Mãe de Deus. Principalmente ao tempo da invasão dos Árabes, na batalha de Guadalete em 711, que dominaram a península Ibérica. No princípio permitiam que os espanhóis praticassem a religião, mas só dentro das igrejas. Entre os devotos de Maria, Mãe de Deus, havia um chamado Gracian Ramíres.

Certo dia, quando Gracian cumpria sua devoção costumeira, notou que a imagem não se encontrava no altar. Seu primeiro julgamento foi de que alguma outra pessoa teria escondido a imagem, para evitar que fosse profanada, mas ninguém sabia do paradeiro.
Gracian imaginou que teria chegado a hora em que os muçulmanos desencadeariam uma perseguição mais violenta aos cristãos e levaram a imagem para fins sacrílegos. Baseado em outras perseguições brutais contra o povo, resolveu matar a mulher e a filha, para livrá-las da selvageria dos invasores, sem antes pedir às duas que se encomendassem a Deus e à Virgem Maria. Ramíres pressionado pela situação de desespero e inconformado com o desaparecimento da imagem da Mãe de Deus, com outros fiéis, pôs-se a vasculhar todos os recantos onde alguém a poderia ter escondido. Confiando na mesma Senhora, excelsa, amável e poderosa, a cada passo renovava a intenção de proclamá-la rainha da Espanha se a encontrasse. Depois de muita procura encontraram a imagem no meio de uma plantação de "atochas" que em português significa "esparto" — gramínea medicinal e também muito utilizada no fabrico de cestas, esteiras e cordas. Encontrar a imagem provocou grande alegria no pessoal da região que foi se aglomerando em volta. Quiseram recolocá-la no altar da igreja de onde saiu, mas não houve como nem quem pudesse removê-la daquele lugar. Entenderam então que Maria desejava ficar no mesmo "atochal" e fosse construída uma nova igreja.
O chefe militar muçulmano, vendo aquela aglomeração, imaginou que haveria alguma revolta do povo e determinou que os soldados atacassem. Mas fracassou e foram rechaçados e vencidos. Gracian Ramírez e os demais entraram gloriosamente em Madri.
O povo não falava de outra coisa a não ser da espetacular vitória que, desde já, eles atribuíram a Nossa Senhora da Atocha — A Mãe de Deus, um novo título que Nossa Senhora recebia
Se por um lado Marcian Ramírez também podia se alegrar por ter contribuído para a derrota dos mouros, por outro, amargurava-lhe a alma lembrar que sua esposa e filha tinham sido degoladas por ele mesmo!... Chorando, dirige-se ao local do encontro da imagem, onde já se começava a construção da igreja em louvor à Mãe de Deus. Qual não foi seu espanto e alegria encontrar vivas sua esposa e filha, ambas de joelhos diante da imagem, rezando. Ramírez não podia crer no que via. Julgou ser ilusão. Foi necessário que as duas lhe falassem, agradecendo à Mãe de Deus o milagre que Jesus operava por intercessão de Maria! A devoção a N. Senhora da Atocha, se espalhou. Os reis da Espanha a escolheram por padroeira da nação depois que o rei Afonso VI reconquistou Madrid definitivamente.

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