domingo, 16 de novembro de 2008

Na onda das vicissitudes deste mundo, quando em vez de caminhar por terra, tens a impressão de ser agitado entre as marolas e as tempestades, não tires os olhos do resplendor desta estrela, se não queres que te traguem as ondas... Olha a estrela, invoca Maria... Se o orgulho, a ambição, o ciúme te arrastam nas vagas... Olha a estrela, invoca Maria... Se a raiva ou a avareza, se os sortilégios da carne balançam, abalam a barca de tua alma, olha para Maria.

Se a segues, não te equivocarás de caminho... Se ela te protege, não terás medo; se ela te guia, não te cansarás, se ela te é propícia, chegarás à meta.

Se fores arremessado pelas ondas da soberba, da ambição, da murmuração e da inveja, olha para a estrela, invoca Maria. Se a ira, a avareza ou as atrações da carne sacudirem a barquinha da alma, olha para Maria. Se, perturbado pela enormidade do pecado, cheio de confusão pela fealdade da consciência, cheio de medo pelo horror do juízo, começares a ser devorado pelos abismos da tristeza e do desespero, pensa em Maria. Nos perigos, nas aflições, nas incertezas, pensa em Maria, invoca Maria. Que ela não se afaste dos teus lábios nem do teu coração; e para obter o auxílio da sua oração, nunca deixes o exemplo da sua vida. Se a segues, não te podes perder; se a invocas, não podes desesperar; se pensas nela, é certo que não poderás te enganar. Se ela te ampara, não cais; se te protege, não tens o que temer; se te guia, não te cansas; se te é propícia, chegas ao fim...

São Bernardo de Claraval ("Homilia super Missus est", II, 17).

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