sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Quando missionário, Luis Maria Grignon de Montfort subia o rio Sena em uma embarcação cumulada de, pelo menos, umas duzentas pessoas a se acotovelarem, rindo grosseiramente, cantando canções lascivas. Engajado, havia pouco tempo, neste vaivém de comerciantes de gado e peixeiros, o senhor de Montfort começa por ajustar o seu crucifixo, na ponta do próprio bastão. Em seguida, prostrando-se, grita: "Aqueles que amam Jesus Cristo, juntem-se a mim, para adorá-Lo." Balançares desdenhosos de ombros, risadas e chacotas o acolheram. Então, voltando-se para Irmão Nicolas, disse: "De joelhos, recitemos o Rosário!" Sob uma avalanche de deboches, os dois homens, cabeças descobertas, rostos concentrados e tranqüilos, desfiavam as Ave-Marias. Assim que terminaram o primeiro terço do Rosário, o Santo se levantou e, com a voz doce, convidou a assistência a se unir a ele para invocar Maria. Ninguém se mexeu, mas as vaias serenaram no momento em que a oração recomeçava. À medida que as invocações "Santa Maria, rogai por nós, pobres pecadores" se sucediam, o rosto do Santo se transfigurava. Concluídas as cinco novas dezenas, notava-se em seu olhar tal súplica e, em sua voz, tanta unção e autoridade que, no momento em que conjurou a assistência a recitar com ele a terceira parte do Rosário, todos caíram de joelhos e repetiram docilmente suas palavras, para eles, esquecidas desde a infância. O santo sacerdote pôde então se alegrar: de um teatro de obscenidades, ele fez um santuário; aos lábios acostumados às blasfêmias, ele restituiu o nome de Maria.


São Luis de Monfort - Recueil Marial (Florilégio Mariano), 1975, p. 12

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