Archive for Dezembro 2008

FELIZ 2009


Um Ano Novo vai chegar a esta estação.
Se não puder ser o maquinista,
seja o seu mais divertido passageiro.
Procure um lugar próximo à janela desfrute cada uma das paisagens que o tempo lhe oferecer, com o prazer de quem realiza a primeira viagem.
Não se assuste com os abismos, nem com as curvas que não lhe deixam ver os caminhos que estão por vir.
Procure curtir a viagem da vida, observando cada arbusto, cada riacho, beirais de estrada e tons mutantes de paisagem. Desdobre o mapa e planeje roteiros.
Preste atenção em cada ponto de parada, e fique atento ao apito da partida. E quando decidir descer na estação onde a esperança lhe acenou não hesite.
Desembarque nela os seus sonhos…
Desejo que a sua viagem pelos dias desse novo ano seja de PRIMEIRA CLASSE !!!!!
Autoria : desconhecida

A Synaxe de Nossa Soberana, a Santíssima Mãe de Deus




A Synaxe da Mãe de Deus caracteriza-se, provavelmente, como a mais antiga das festas marianas (século V) e celebra Maria como "Paraíso espiritual do 'Segundo Adão', Templo da Divindade, Ponto que religa a Terra ao Céu, Escada por meio da qual Deus desce à Terra e o homem sobe ao Céu, a Mãe de Deus que se tornou mais venerada que os Querubins, os Serafins e todas as outras Potestades celestes; tendo abrigado o Cristo, seu seio tornou-se mais vasto do que o Céu", pois, a partir de então, ele tornou-se o Trono de Deus. Graças a Maria, o homem foi elevado a um posto mais alto que o dos Anjos e a glória da Divindade resplandeceu no corpo.

Diante de tal mistério, o espírito humano, enleado, prefere prosternar-se no silêncio e na fé, "pois, onde quer que seja, onde Deus quiser, a ordem da natureza perde a sua força e torna-se vencida". José, o Silencioso, iluminado pela estranha luz que brilhava nas trevas da gruta, contempla a Virgem Santíssima, tranqüila e radiante, sentada junto à Criança, que ela mesma envolvera em faixas e colocara no presépio.

Um novo modo de existência se abre para a natureza humana, porquanto Deus escolheu a virgindade para nascer corporalmente neste mundo, assim também, foi por meio da virgindade que Ele quis aparecer, nascer e crescer de forma espiritual, na alma de cada cristão que seguirá em sua vida o modelo da conduta da Mãe de Deus." "Maria, Tu, que maravilhosamente criaste o homem, mais maravilhosamente, ainda, restabeleceste a sua dignidade"

Segundo São Gregório o Teólogo
Discurso 38 sobre a Natividade

Papa oferece Nossa Senhora como modelo para jovens


ROMA, terça-feira, 9 de dezembro de 2008 (ZENIT.org).- Nesta segunda-feira, o Papa Bento XVI ofereceu Nossa Senhora como modelo para os jovens, durante o tradicional ato de veneração que a Cidade de Roma celebra todos os anos diante do monumento dedicado à Virgem na Praça da Espanha.

O Papa propôs Maria como «mãe amorosa para os jovens», e pediu sua intercessão para que estes «tenham o valor de ser ‘sentinelas da manhã’, assim como para «todos os cristãos, para que sejam alma do mundo nesta época difícil da nossa história».

A Virgem, acrescentou, «é para todos um sinal de segura esperança e consolo», pois «nos ajuda a crer com mais confiança no bem, a apostar na gratidão, no serviço, na não-violência, na força da verdade; Ela nos anima a permanecer acordados, a não ceder à tentação de evasões fáceis, a enfrentar a realidade, com seus problemas, com valor e responsabilidade».

Bento XVI se referiu a esta invocação da Virgem tão querida para os católicos e especialmente tão venerada em Roma, e recordou que ainda que o dogma não tenha sido proclamado até 1854, «a convicção sobre a imaculada conceição de Maria existia já muitos séculos antes».

Recordou também, por ocasião do encerramento do 150º aniversário das aparições de Lourdes, que esse foi o título com o qual a «bela Senhora» se deu a conhecer a Santa Bernadete, confirmando o conteúdo do dogma proclamado alguns anos antes por Pio IX.

Em referência à tradicional entrega, nesse dia, de um cesto de rosas brancas por parte do Papa a Nossa Senhora, Bento XVI explicou que essas rosas simbolizam não só «o belo», mas também «os espinhos, que para nós representam as dificuldades, os sofrimentos, os males que marcam a vida das pessoas e de nossas comunidades».

À Mãe «se apresentam as alegrias, mas se confiam também as preocupações, seguros de encontrar nela conforto para não nos abatermos e apoio para seguir adiante».

«Como um filho eleva os olhos ao rosto de sua mãe e, vendo-o sorridente, esquece todo medo e dor, assim nós, dirigindo o olhar a Maria, reconhecemos nela o ‘sorriso de Deus’, o reflexo imaculado da luz divina; encontramos nela nova esperança, inclusive em meio aos problemas e dramas do mundo», acrescentou.

Finalmente, o Papa ofereceu a Nossa Senhora a cidade de Roma, «especialmente as crianças, sobretudo aquelas gravemente doentes, os jovens desfavorecidos e quem sofre as consequências de situações familiares duras».

Conheça Maria Santíssima, nossa Mãe,

Conheça Maria Santíssima, nossa Mãe,
e a ame verdadeiramente

“…a devoção à Santíssima Virgem é necessária à salvação, e que é um sinal infalível de condenação não ter estima e amor à Santíssima Virgem” (São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Capítulo I, Art. II, 1).

Quem navega por mares tempestuosos precisa de uma estrela que lhe sirva de guia por entre as ondas, a fim de por ela dirigir seu navio para o desejado porto.

És navegante no mar da vida, tantas vezes agitado por ventos contrários, por ondas violentas. Qual a estrela que, por entre as nuvens sombrias, te envie um raio de luz para te desviares dos escolhos, para te dirigires ao porto da salvação? A Estrela é Nossa Senhora.

Quem pensa salvar-se sem a proteção da Virgem Maria, engana-se! Deus fê-la Mãe dos homens, e para isso deu-lhe o poder necessário para velar sobre a salvação de seus filhos, e, portanto, quer que a ela recorramos em nossas necessidades.

Leia com atenção esse Questionário sobre a Santíssima Virgem, a Mãe de Nosso Senhor, e decida imitar-lhe o exemplo.

É preciso conhecer Nossa Senhora

Quem é a Virgem Maria?

R= A Virgem Maria é a mulher escolhida por Deus para tornar-se a Mãe do Verbo Encarnado, nosso Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Jesus Cristo: “Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus” (Lc 1,31).


“Para dar ao redentor uma natureza humana, Deus escolheu uma donzela judia de quinze anos, chamada Maria, descendente do grande rei Davi, que vivia obscuramente com seus pais na aldeia de Nazaré. Maria, sob o impulso da graça, havia oferecido a Deus a sua virgindade, coisa que fazia parte do desígnio divino sobre ela.

Era uma nova prenda para a alma que havia recebido uma graça maior já no seu começo. Quando Deus criou a alma de Maria, eximiu-a da lei universal do pecado original no mesmo instante em que a Virgem foi concebida no seio de Ana. Maria recebeu a herança perdida por Adão: desde o início do seu ser, esteve unida a Deus. Nem por um momento se encontrou sob o domínio de Satã aquela cujo Filho lhe esmagaria a cabeça” (Pe. Leo J. Trese, A Fé Explicada, Capítulo VII).

Quem foram os pais de Nossa Senhora?

R= São Joaquim e Santa Ana.

“Porque a virgem Mãe de Deus iria nascer de Ana, a natureza não ousou antecipar o germe da graça; mas permaneceu estéril até que a graça produzisse fruto… Ó casal feliz, Joaquim e Ana! A vós toda a criação se sente obrigada. Pois por vós ofereceu a mais valiosa dádiva das dádivas ao Criador, a mãe pura, única digna do Criador… Ó castíssimo casal, Joaquim e Ana! Conservando a castidade prescrita pela lei da natureza, alcançastes de Deus aquilo que supera a natureza: gerastes para o mundo a mãe de Deus… Ó filha de Adão e mãe de Deus! Felizes as entranhas donde saíste! Felizes os braços que te carregaram; e lábios que consentiste beijar-te; somente estes de seus pais para que sempre e em tudo fosses a virgem!” (Dos Sermões de São João Damasceno, bispo).

Maria Santíssima teve o uso da razão desde o primeiro instante de sua Imaculada Conceição?

R= Sim.

“Ao mesmo tempo que a menina recebia no seio de Santa Ana a graça santificante, era-lhe dado também o perfeito uso da razão. A ele se uniu uma grande luz divina, correspondente à graça com que fora enriquecida. O exposto aqui não é já uma opinião isolada, mas um parecer universal, na frase do venerável autor La Colombiére. Por conseguinte bem poderemos crer que, desde o primeiro instante da união da sua bela alma ao seu corpo puríssimo, foi Maria iluminada com todas as luzes da divina sabedoria, para bem conhecer as verdades eternas, a beleza das virtudes e sobretudo a infinita bondade de seu Criador e os direitos dele aos afetos do coração, e ao seu em particular. Eram disso razões os singulares dons com que ele a adornou e distinguiu entre todas as criaturas. Pois não a preservara da culpa original? Não lhe dera tão imensa graça? Não a destinara para Mãe do Verbo e Rainha do universo?” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, II, Ponto Segundo, 1).

Nossa Senhora esteve livre de toda inclinação desordenada e de toda distração?

R= Sim.

“Gratíssima a seu Deus, a partir desse primeiro instante, empenhou-se a Virgem em aproveitar fielmente aquele grande cabedal de graças de que era senhora. Aplicou-se toda em amar a Divina Bondade. Desde então amou a Deus com todas as suas forças e continuou amando-o com os nove meses anteriores a seu nascimento. Não cessou, com efeito, um só momento de unir-se a Deus cada vez mais, com ferventes atos de amor. Estava livre não só da culpa original, mas de todo movimento desordenado, de toda distração, de toda rebelião dos sentidos, de tudo enfim que lhe pudesse impedir o adiantamento no divino amor. Todos os seus sentidos estavam igualmente de acordo com seu bendito espírito na tendência para Deus. Por isso, desvencilhada de todo impedimento, voava-lhe a formosa alma para Deus, incessantemente. Amava-o sempre, e cada vez mais crescia em seu amor” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, II, Ponto Segundo, 2).

Quantos anos tinha a Virgem Maria quando foi apresentada no Templo?

R= Três anos.

“Aos três anos de idade foi esta apresentada no Templo, para que, juntamente com as outras virgens, no exercício da piedade e do trabalho se preparasse desde então para ser digna mãe do Salvador do mundo” (São João Damasceno).

Como se realizou a viagem da Imaculada Virgenzinha até o Templo?

“Generosamente, portanto, Joaquim e Ana sacrificaram a Deus o que lhes era mais caro ao coração. Eis que partem de Nazaré, levando nos braços, ora um, ora outro, a diletíssima filha, que, sozinha, não teria podido fazer a pé uma viagem tão longa, como a de Nazaré a Jerusalém. De um lugar a outro vai a distância de 80 milhas (mais ou menos 30 horas de viagem). Acompanhavam-nos poucos parentes. Mas os anjos – observa Jorge de Nicomédia – em revoadas rodeavam e serviam nessa viagem a imaculada virgenzinha, que se ia consagrar a Deus…

Chegada que foi a santa comitiva ao templo, a amável menina voltou-se a seus pais e de joelhos, beijando-lhes as mãos, lhes pede a bênção. E depois, sem mais se voltar para trás, sobe os degraus do templo (eram 15, como refere Árias Montano, apoiado em Josefo), e apresenta-se ao sacerdote São Zacarias, como o nomeia São Germano. Despedindo-se então do mundo, e renunciando a todos os bens que ele promete aos seus amigos, se oferece e consagra ao seu Criador” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2,Tratado I, Capítulo II, III, Ponto Primeiro, 3).

O que fazia a Doce Virgenzinha no Templo?

“Bem sabia a iluminada menina que Deus não aceita um coração dividido, mas o quer todo consagrado ao seu amor, conforme o preceito dado: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração! Começou por isso, desde o primeiro instante de sua vida, a amá-lo com todas as forças, e toda a ele se deu… vendo-se já encerrada naquele lugar santo, primeiro prostrou-se para beijar aquela terra como casa do Senhor. Em seguida adorou a infinita Majestade do Altíssimo e lhe deu graças pelo favor de tê-la recebido tão cedo a habitar na sua casa… para agradar a Deus, fez voto de sua virgindade, voto que Maria foi a primeira a fazer, segundo diz Roberto, abade… era sua intenção servir a Divina Majestade no templo, por toda a sua vida, se assim fosse do agrado de Deus, sem mais sair daquele lugar!

Consideremos aqui quanto foi santa a vida de Maria no templo. Como cresce na sua luz a aurora, assim ia a Virgem crescendo sempre em perfeição… a caridade, a modéstia, a humildade, a mortificação, o silêncio e a mansidão. Sobre ela diz São João Damasceno: Plantada na casa de Deus, esta bela oliveira regada pelo Espírito Santo se fez habitação de todas as virtudes. E em outro lugar: O semblante da Virgem era modesto, o ânimo humilde, as palavras amorosas, saindo de um interior bem composto…

Fala também Santo Anselmo da vida de Nossa Senhora no templo e diz: Maria era dócil, pouco falava, estava sempre composta, sempre séria, e sem jamais se perturbar. Perseverança na oração, na leitura dos Livros Santos, nos jejuns, em toda sorte, de obras virtuosas” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capitulo I, III, Ponto Segundo, 1, 2 e3).

Maria Santíssima observava alguma ordem durante o dia?

R= Sim.

Boaventura Baduário escreve: “Desde o amanhecer até a hora da Terça (9 horas), dava-se à oração; de Terça até a Nona, ocupava-se em algum trabalho; a hora Nona tornava à oração, até que o anjo lhe trazia a comida, como era de costume. Procurava ser a primeira nas vigílias, a mais exata na divina Lei, a mais profunda na humildade, e em toda a virtude a mais perfeita. Ninguém jamais a viu irada; pelo contrário, tão repassadas de doçura lhe eram as palavras, que se reconhecia o Espírito Santo em sua boca”.

Como se realizou a Encarnação do Filho de Deus?

R= A Encarnação do Filho de Deus realizou-se com o Espírito Santo formando nas entranhas da Virgem Maria um corpo perfeitíssimo e criando uma alma nobilíssima que se uniu ao corpo; no mesmo instante, uniu-se a este corpo e alma o próprio Filho de Deus; e desta maneira, aquele que era só Deus, sem deixar de sê-lo, ficou sendo também homem.

“No dia da Anunciação, Deus eliminou a infinita distância que havia entre Ele é nós. Por um ato de seu poder infinito, Deus fez o que à nossa mente humana parece impossível: uniu a sua própria natureza divina a uma verdadeira natureza humana, a um corpo e alma como os nossos. E o que nos deixa ainda mais admirados é que desta união não resultou um ser com duas personalidades, a de Deus e a de homem. Ao contrário, as duas naturezas se uniram numa só Pessoa, a de Jesus Cristo, Deus e homem.

Esta união do divino e do humano numa Pessoa é tão singular, tão especial, e, portanto, está fora da nossa capacidade de compreensão. Como a Santíssima Trindade, é um dos grandes mistérios da nossa fé, a que chamamos o mistério da Encarnação.

Lemos no Evangelho de São João que “o Verbo se fez carne”, ou seja, que a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Deus Filho, se encarnou, se fez homem. Esta união de duas naturezas numa só Pessoa recebe um nome especial, e chama-se UNIÃO HIPOSTÁTICA (do grego hipóstasis, que significa “o que está debaixo”)” (Pe. Leo J. Trese, A Fé Explicada, Capítulo VII).

Qual anjo foi enviado à Virgem Maria?

R= O arcanjo Gabriel: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria” (Lc 1,26-27).

“… à Virgem Maria não foi enviado um anjo qualquer, mas o arcanjo Gabriel; para esta missão, era justo que viesse o máximo anjo para anunciar a máxima notícia” (Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa).
Como se comportou a Virgem Maria ao ser saudada pelo anjo?

R= Com humildade.

“Falando o Senhor, no Cântico dos Cânticos, precisamente da HUMILDADE desta HUMILÍSSIMA Virgem, disse: Enquanto o rei está no seu repouso, exalou o meu nardo a sua fragrância (1, 12). Comenta Santo Antonino as citadas palavras deste modo: O nardo, planta pequena e baixa, é figura da HUMILDADE de Maria, cujo odor subiu ao céu e atraiu o Verbo do seio do Eterno Pai ao seu seio virginal. De modo que o Senhor, atraído pela fragrância desta HUMILDE virgenzinha, a escolheu para sua Mãe, querendo fazer-se homem, para remir o mundo… Eis que enquanto a HUMILDE virgem suspirava em sua cela, com mais fervor que nunca, pela vinda do Redentor – conforme uma revelação a Santa Isabel de Turíngia – vem o arcanjo Gabriel com a grande embaixada. Entra e saúda-a dizendo: Ave, Maria, cheia de graça; o Senhor é convosco… (Lc 1,28). Deus vos saúda, ó Virgem cheia de graça, pois fostes sempre rica da graça, acima de todos os santos. O Senhor é convosco, porque sois tão HUMILDE. Bendita sois entre as mulheres, porquanto as outras incorrem na maldição da culpa; mas vós, porque havíeis de ser Mãe do Bendito, sois e sereis sempre bendita e isenta de toda a mácula” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, IV, Ponto Primeiro, I).

O que respondeu Nossa Senhora a esta saudação toda cheia de louvores?

R= Nada: “Ela ficou intrigada com esta palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação” (Lc 1,29).

“… não respondeu, mas pensando na saudação perturbou-se… E por que se assustou? Acaso por temor de ilusão, ou por modéstia, vendo um homem, como quer alguém, pensando que o anjo lhe apareceu em forma humana? Não; o texto é claro: turbou-se com o seu dizer, mas não com a sua aparição, observa São Bruno de Segni. Essa perturbação foi causada unicamente por sua HUMILDADE, que absolutamente não podia compreender semelhantes louvores” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, IV, Ponto Primeiro, I).

O que fez o arcanjo Gabriel diante do silêncio da Virgem Santíssima?

R= Ele disse-lhe: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus” (Lc 1,30).

“À semelhança do Salvador que foi confortado por um anjo, se tornou preciso que São Gabriel, vendo Maria tão assustada com aquela saudação, a animasse, dizendo: não temais, ó Maria, porque achastes graça diante de Deus! Aos vossos olhos, é verdade, sois tão pequena e insignificante; mas Deus, que exalta os humildes, vos fez digna de achar a graça perdida pelos homens. Por isso vos preservou da mácula, comum a todos os filhos de Adão; por isso, desde a vossa Conceição vos ornou de uma graça maior que a de todos os santos. Por isso, finalmente, agora vos exalta a ser sua Mãe: Eis, concebereis em vosso seio e dareis à luz um filho, e pôr-lhe-eis o nome de Jesus”(Lc 1,31) (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, IV, Ponto Primeiro, I).

O que Nossa Senhora disse ao arcanjo Gabriel?

R= “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

“Eis a resposta mais bela, mais humilde e mais prudente, que nem toda a sabedoria dos homens e dos anjos juntamente teria podido inventar, se nela pensassem por um milhão de anos! Ó resposta poderosa que alegraste o céu e trouxeste à terra um mar imenso de graças e de bens! Resposta que, apenas saída do humilde coração de Maria, atraíste do seio do Eterno Pai o Unigênito Filho, para fazê-lo homem no seio puríssimo da Virgem” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, IV, Ponto Primeiro, 2).

Quem foi o jovem escolhido por Deus para ser esposo de Nossa Senhora?
R= São José.

“O Evangelho no-lo descreve dizendo simplesmente que era um “varão justo”. O vocábulo “justo” significa, em sua conotação hebraica, um homem cheio de todas as virtudes. É o equivalente à nossa palavra atual “santo”.

Não nos surpreende, pois, que José, a pedido dos pais de Maria, aceitasse gozosamente ser o esposo legal e verdadeiro de Maria, ainda que conhecesse a sua promessa de virgindade e soubesse que o matrimônio nunca seria consumado. Maria permaneceu virgem não só ao dar à luz Jesus, mas durante toda a sua vida. Quando o Evangelho menciona “os irmãos e irmãs” de Jesus, devemos recordar que é uma tradução grega do original hebraico, e que neste caso essas palavras significam simplesmente “parentes consangüíneos”, mais ou menos o mesmo que a nossa palavra “primo” (Pe. Leo J. Trese, A Fé Explicada, Capítulo VII).

Quem recebeu a visita de Nossa Senhora?

R= Santa Isabel “El é plenitude”.

“Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel” (Lc 1,39-40).
“Do arcanjo São Gabriel ouviu a Santíssima Virgem que Isabel, sua prima, estava grávida de seis meses. Iluminada interiormente pelo Espírito Santo, conheceu que o Verbo humanado, e já feito seu Filho, queria começar a manifestação ao mundo as riquezas de sua misericórdia… Levantando-se da tranqüilidade de sua contemplação, a que estava sempre aplicada, e deixando a sua cara solidão, com grande pressa partiu para a casa de Isabel… pôs-se a tenra e delicada donzela a caminho, sem se atemorizar com as fadigas da viagem” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, V, Ponto Primeiro, 1).

Foi uma simples visita?

R= Não.

“Como reflete Santo Ambrósio, foi Maria a primeira a saudar Isabel. Mas não foi a visita de Nossa Senhora como são as visitas dos mundanos, que pela maior parte se reduzem a cerimônias e falsas exibições. Sua visita trouxe àquela casa um cúmulo de graças. Com efeito, mal entrara e saudara seus habitantes, ficou Isabel cheia do Espírito Santo, e João livre da culpa e santificado. Por isso deu aquele sinal de júbilo, exultando no ventre de sua mãe. Queria com isso manifestar as graças recebidas por meio de Maria, como declarou a mesma Isabel: Porque assim que chegou a voz da tua saudação aos meus ouvidos, logo o menino exultou de prazer em minhas entranhas (Lc 1,44). Em virtude desta saudação, observa Bernardino de Busti, recebeu João a graça do Divino Espírito Santo, que o santificou” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, V, Primeiro Ponto, 1).

Onde morava Santa Isabel?

R= Em Ain Karin, 6 Km a oeste de Jerusalém. Trata-se de um pequeno vale, ao pé de verdes colinas. Deve o seu nome à sua fonte (Ain) e aos vinhedos que a circundam (Keren em hebraico, Karm em árabe, significa vinha). Nossa Senhora percorreu uma distância de quase 150 Km.

Qual foi o cântico cantado por Nossa Senhora na casa de Isabel?

R= O Magnificat (Lc 1, 46-55).

“Diante destes prodígios, Maria sente-se arrastada a descobrir os pensamentos que lhe serviram de alimento desde o instante da Anunciação. Não eram raros os improvisos poéticos entre os hebreus. O Magnificat é o espelho da sua alma, reflete o que há nela. Neste belíssimo cântico evoca algumas passagens do Antigo Testamento que Ela conhecia bem. Tinham sido — tantas vezes! — matéria da sua oração. A maior parte dos conceitos são tomados dos profetas e dos salmos, mas adquirem um sentido completamente novo nos seus lábios. Duas ou três expressões recordam especialmente o canto de gratidão de Ana (1 Sm 2, 1-10), mãe de Samuel, e o grito de gozo de Lia (Gn 30, 12), mãe adotiva de Aser” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal, Vida de Jesus, III).

Quantos dias Maria Santíssima permaneceu na casa de Isabel?

R= Noventa dias: “Maria permaneceu com ela mais ou menos três meses e voltou para sua casa” (Lc 1,56). Ela voltou para Nazaré
São José ficou surpreso com a gravidez de Nossa Senhora?

R= Sim: “Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, seu esposo, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo. Enquanto assim decidia, eis que o Anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo…” (Mt 1,18-20).


“Depois daqueles meses acompanhando e prestando ajuda a Isabel, Maria voltou a Nazaré. Foi então que José pôde dar-se conta da gravidez de sua esposa. O Filho de Deus encarnado amoldava-se aos ritmos da natureza, e crescia no seu seio. Foi para José uma enorme surpresa, uma descoberta que o sumiu numa grande confusão. Aquilo não encaixava de nenhum modo. Isto não quer dizer que José não suspeitasse o caminho da verdade, que não entrevisse entre névoas a sombra do mistério. Ele nunca pensou mal de Maria. O conhecimento que tinha d’Ele, as suas conversas íntimas, a graça refletida no seu rosto, a sua alegria… não permitiam nem um longínquo mau pensamento.

Por seu lado, Maria não se comportava como uma mulher culpável, não se envergonhava como se tivesse feito algo mal. O seu olhar era claro, limpo, sereno, como sempre, ainda que às vezes olhasse para ele, para José, com uma especial compaixão. O seu semblante era inclusive mais radiante que em meses anteriores… Mas o anjo disse-lhe ainda mais: Ela dará à luz um filho, a quem porás (tu, José, pai dele diante da lei) o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. E José tomou Maria com todo o mistério da sua maternidade; tomou-a juntamente com o Filho que chegaria ao mundo por obra do Espírito Santo, demonstrando assim uma disponibilidade, uma grande abertura para os planos de Deus, semelhante à de Maria” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal, Vida de Jesus, III).

Em qual cidade Nossa Senhora deu a luz o Menino Jesus?

R= Na cidade de Belém: “Também José subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, para a Judéia, na cidade de Davi, chamada Belém, por ser da casa e da família de Davi, para se inscrever com Maria, sua mulher, que estava grávida. Enquanto lá estavam, completaram-se os dias para o parto, e ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa manjedoura, porque não havia um lugar para eles na sala” (Lc 2, 4-7).

“Belém era a terra de Davi (Belém “Beth-Lehem”, significa CASA DO PÃO. Encontra-se a uns cento e cinqüenta quilômetros de Nazaré, e a uns sete de Jerusalém). Ali estava a sua parentela. Situada ao sul de Jerusalém, em tempos de Jesus não era mais que uma aldeia avançada no deserto, fortificada com muros e torres. Os filisteus tinham-na convertido em praça forte e o rei Toboão, filho de Salomão, tinha aumentado consideravelmente as suas defesas (Cfr. 2 Cr 10, 6). A sua importância, porém, era puramente estratégica. A modesta população vivia uma vida sossegada, dedicada quase exclusivamente ao pastoreio e ao cultivo das poucas terras de labor que, em forma de terraços escalonados, a rodeavam e que com muito trabalho, sobretudo na época das chuvas, conseguiam defender dos desabamentos constantes. Nestes terraços cresciam romãzeiras, amendoeiras, macieiras, algumas vides e, sobretudo, figueiras e oliveiras.

Contudo, Belém era chamada a frutífera, Éfrata, nome patronímico da região. A sua situação, não longe do caminho de montanha entre Hebron e Jerusalém, constituía um bom albergue de fim de etapa para os viajantes.

Era realmente a mais pequena das cidades de Israel, mas, apesar da sua insignificância, era ilustre na história do povo escolhido. É mencionada pela primeira vez nos Livros Sagrados com motivo da morte de Raquel, mulher de Jacó, que foi sepultada no caminho de Éfrata, que é Belém, como diz o Gênesis 35, 19. Mas a sua glória principal era a de ter sido a pátria de Davi, o glorioso chefe de que haveria de descender o Messias.

Maria sabia que o seu Filho era também Filho de Davi. Este apelativo converteu-se no mais popular dos títulos messiânicos. Os doentes e as multidões repeti-lo-ão com freqüência no curso da vida pública de Jesus. E Ele aceita-lo-á; unicamente acrescentará que é também o Filho de Alguém maior que Davi” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal, Vida de Jesus, IV).

Nossa Senhora foi bem recebida em Belém?

R= Não.

“Eis que já entram em Belém esses dois excelsos viajantes, José e Maria, que traz no seio o Salvador do mundo. Entram na cidade, dirigem-se para a casa do ministro imperial, afim de pagarem o tributo e serem alistados nos registros dos súditos do César. Mas quem os reconhece? Quem lhes vai ao encontro? Quem lhes oferece agasalho? Eles são pobres, e como pobres são desprezados; são tratados ainda pior do que os outros pobres, e até repelidos.

Chegada a Belém, Maria entendeu que se aproximava a hora de seu parto. Avisou a São José, e este diligenciou achar agasalho em uma casa dos habitantes de Belém, afim de não ter de levar sua esposa à hospedaria, lugar pouco conveniente para uma tenra donzela. Ninguém quis atender-lhe o pedido, e é bem verossímil que da parte de alguém fosse taxado de insensato por trazer consigo a esposa próxima ao parto em tempo noturno e de tanta afluência de povo. — Para não ficar durante a noite no meio da rua, viu-se afinal obrigado a levar a Virgem Maria à hospedaria pública, onde já muitos pobres se tinham alojado para a noite. Mas como? Também dali foram repelidos e foi-lhes respondido que não havia lugar para eles. Havia ali lugar para todos, também para os mais desprezível, mas não para Jesus Cristo” (Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações).

Em qual lugar então a Virgem Santíssima deu a luz ao Menino Jesus?

R= Em uma gruta, aos arredores de Belém.

“Vendo-se repelidos de toda parte, São José e a Bem-aventurada Virgem saem da cidade afim de achar fora dela ao menos algum abrigo. Os pobres viandantes caminham na escuridão, errando e espreitando; afinal depara-se-lhes ao pé dos muros de Belém uma rocha escavada em forma de gruta, que servia de estábulo para os animais. Disse então Maria: José, meu Esposo, não precisamos ir mais longe; entremos nesta gruta e fiquemos aqui” (Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações).

Nossa Senhora encontrou uma gruta limpa, aquecida e aconchegante?

R= Não.

“Mas como ? Respondeu-lhe São José; não vês, minha Esposa, que esta gruta é tão fria e úmida, que a água escorre em toda parte? Não vês que não é uma morada para homens, senão uma estribaria para animais? É verdade, tornou Maria, que este estábulo é o palácio real onde quer nascer o Filho eterno de Deus” (Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações).


Como Maria Santíssima deu a luz ao Menino Jesus?

R= “Quando Maria Santíssima entrou na gruta, pôs-se logo em oração. De súbito vê uma refulgente luz, sente no coração um gozo celestial, abaixa os olhos, e, ó Deus! Que vê? Vê já diante de si o Menino Jesus, tão belo e tão amável, que enleva os corações. Mas treme e chora; segundo a revelação feita a Santa Brígida, estende as mãozinhas para dar a entender que deseja que Maria o tome nos braços” (Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações).

Maria Santíssima é Mãe de Deus?

R= Sim.

“1. Para poder entender esta sublime verdade é necessário fixar claramente alguns pontos certos, aceitos por todos.

A- Quando dizemos: “Maria é Mãe de Deus”, devemos entender que Maria é mãe do FILHO DE DEUS, Jesus Cristo, o qual é Deus como o Pai e como o Espírito Santo.

B- Quando dizemos: “Maria é Mãe de Deus”, não devemos entender que Maria tenha GERADO em seu seio A DIVINDADE de Jesus Cristo.

C- Quando dizemos: “Maria é Mãe de Deus”, não devemos entender que Maria tenha dado INÍCIO à vida do Filho de Deus.

D- Quando dizemos: “Maria é Mãe de Deus”, não devemos entender que o Filho de Deus tenha começado a existir no seio de Maria.

Nada disso.

E- Vamos pela ordem. O Filho de Deus é PESSOA DIVINA, própria e individua.

O Filho de Deus é igual ao Pai e ao Espírito Santo na natureza divina.

Antes de se ENCARNAR no seio de Maria, o Filho de Deus era PURÍSSIMO ESPÍRITO.

Antes de se ENCARNAR, NÃO EXISTIA JESUS CRISTO, como HOMEM-DEUS, mas só existia o Filho de Deus, puríssimo espírito.

JESUS CRISTO, HOMEM E DEUS, UNIDOS NA MESMA PESSOA DIVINA, começou a existir no seio de Maria, pela AÇÃO do Espírito Santo.

No seio de Maria, a PESSOA DO FILHO DE DEUS ASSUMIU A CARNE HUMANA e se tornou JESUS CRISTO, totalmente DEUS e totalmente HOMEM.

Mas a PESSOA DE JESUS CRISTO ficou exclusivamente PESSOA DIVINA.

De modo tal que, todas as ações de Jesus Cristo, todos os milagres, todas as ofensas, todas as dores e sofrimentos, etc., eram atribuídas exclusivamente à ÚNICA PESSOA DE JESUS CRISTO, QUE ERA PESSOA DIVINA.

Maria, gerando e dando à luz Jesus Cristo, gerou e deu à luz o Filho de Deus feito CARNE, unido substancialmente à natureza humana.

Noutras palavras, Maria deu à luz não uma natureza humana, mas a PESSOA do FILHO de Deus, unida substancialmente à natureza humana de Cristo.

Por isso, Maria é mãe do Filho de Deus, feito homem.

Pelo motivo que Jesus Cristo é DEUS, é lógico que Maria é MÃE DE DEUS.


PROVA NA SAGRADA ESCRITURA

A- Já no Antigo Testamento, o profeta Isaías assim declarava: “Eis que a Virgem concebe e dá à luz um Filho e lhe será dado o nome de Emanuel” (Is 7, 14). Emanuel significa DEUS CONOSCO. Esta profecia se refere diretamente a Cristo, Filho de Deus.

B- O anjo disse a Maria: “Por isso, o Menino que nascer de ti será chamado FILHO DE DEUS” (Lc 1, 35).

C- O apóstolo Paulo também declara: “Deus mandou seu Filho ao mundo, nascido de MULHER” (Gl 4, 4).

D- Isabel, REPLETA DO ESPÍRITO SANTO, ao ver Maria em sua casa, assim a saúda: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. DONDE ME VEM QUE A MÃE DO MEU SENHOR ME VISITE? (Lc 1, 41-42).

E- “Celebravam-se núpcias em Caná da Galiléia e estava lá a Mãe de Jesus” (Jo 2, 1-12)” (Frei Battistini, Maria nosso sim a Deus, Capítulo 8).


Em qual cidade Nossa Senhora levou o Menino Jesus a fim de apresentá-lo ao Senhor?

R= Em Jerusalém: “Quando se completaram os dias para a purificação deles, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém a fim de apresentá-lo ao Senhor” (Lc 2, 22).


“Depois da circuncisão havia que cumprir duas cerimônias, segundo o disposto: a mãe devia purificar-se da impureza legal contraída; e o filho primogênito devia ser apresentado, entregue, ao Senhor e depois resgatado.

Empreenderam o caminho para Jerusalém. Desde Belém, a viagem de ida e vinda fazia-se com comodidade numa jornada.

A Virgem, acompanhada por São José e levando Jesus nos seus braços, apresentou-se no Templo confundida entre o resto das mulheres, como uma mais. Cumpre-se a antiga profecia: Virá o Desejado de todas as gentes e encherá de glória este templo (Ag 2, 7).

A Lei de Moisés prescrevia em primeiro lugar a purificação da mãe de uma impureza que a impedia de tocar qualquer objeto sagrado ou de entrar num lugar de culto.

Em virtude desta lei, quarenta ou oitenta dias depois do parto, segundo se tratasse de um filho ou de uma filha, estavam obrigadas as mães a apresentar-se no Templo de Jerusalém (Lv 12, 1-8). Podia atrasar-se a viagem se existiam razões de certo peso; por exemplo, se a mulher que acabava de ser mãe devia ir dentro dum breve prazo à cidade santa para celebrar alguma das grandes festas religiosas, ou se habitava muito longe de Jerusalém. Neste caso, outra pessoa podia em seu nome oferecer os sacrifícios prescritos. Não obstante, as mães israelitas procuravam com empenho cumprir pessoalmente a lei. Aproveitaram além disso esta ocasião para levar consigo o seu primogênito, cujo resgate associavam à cerimônia da sua purificação. A Virgem fez aquela curta viagem de Belém a Jerusalém com gozo, e apresentou-se no Templo com o seu Filho de poucos dias nos braços.

Este preceito, na realidade, não obrigava Maria. Assim pensavam os primeiros escritores (Ver especialmente Santo Hilário, Hom. 18, sobre los Evangelios), pois Ela era puríssima e concebeu e deu à luz o seu Filho miraculosamente. Por outro lado, a Virgem não buscou nunca ao longo da sua vida razões que a eximissem das normas comuns do seu tempo. Como em tantas ocasiões, a Mãe de Deus comportou-se como qualquer judia da sua época. Quis ser exemplo de obediência e de humildade (Cfr. Suma Teológica, 1-2, q. 1, a. 2): uma humildade que a levava a não querer distinguir-se das outras mães pelas graças com que Deus a tinha adornado. Como uma jovem mãe se apresentou naquele dia, acompanhada de José, no Templo. A purificação das mães tinha lugar pela manhã, a seguir ao rito da incensação e da oferenda chamada do sacrifício perpétuo. Situavam-se no átrio das mulheres, no estrado mais elevado da escalinata que conduzia desde este átrio ao de Israel. O sacerdote aspergia-as com água lustral e recitava sobre elas umas orações. Mas a parte principal do rito consistia na oblação de dois sacrifícios. O primeiro era o expiatório pelos pecados: uma rola ou um pombo constituíam a sua matéria. O segundo era um holocausto, que para os que podiam consistia num cordeiro de um ano e, para os pobres, numa rola ou num pombo. Maria ofereceu o sacrifício das famílias modestas” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal, Vida de Jesus, IV).


Por que Nossa Senhora teve que fugir para o Egito?

R= Porque o rei Herodes queria matar o Menino Jesus: “O Anjo do Senhor manifestou-se em sonho a José e lhe disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito. Fica lá até que eu avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar” (Mt 2, 13).


“Bem pode cada qual adivinhar o que padeceu Maria nessa viagem. Da Judéia ao Egito era muito longe a jornada. Com Sebastião Barradas, fala-se, geralmente, em mais de cem horas de caminho. Por isso a viagem durou pelo menos trinta dias. Além disso, como descreve Boaventura Barrádio, era o caminho desconhecido e péssimo, cortado de carrascais e pouco freqüentado. Estava-se no inverno e a Sagrada Família teve de viajar debaixo de aguaceiros, neves e ventos, por estradas alagadas e lamacentas. Quinze anos tinha então Maria; era uma donzela delicada, nada afeita a semelhantes viagens. Finalmente não tinham os fugitivos quem lhes servisse. José e Maria, na frase de São Pedro Crisólogo, não tinham nem criados nem criadas; eram senhores e criados ao mesmo tempo. Meu Deus! Como excita a compaixão ver essa tenra virgenzinha, com esse Menino recém-nascido ao colo, fugindo por este mundo! Boaventura Baduário pergunta: Aonde iam comer e dormir? Em que hospedagem ficariam? Qual podia ser o alimento deles, senão um pedaço de pão duro trazido por São José ou recebido como esmola? Onde hão de ter dormido durante a viagem, especialmente durante as 50 horas da travessia do deserto, sem casas e hospedaria? Onde, senão a areia ou debaixo de alguma árvore do bosque, ao relento, expostos aos ladrões e às feras, tão abundantes no Egito? Oh! Quem encontrasse então esses três grandes personagens, tê-los-ia certamente tomado por ciganos e mendigos” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).


Maria Santíssima teve uma vida confortável no Egito?
R= Não.

“No Egito Maria habitou em um lugar chamado Matarieh, conforme afirmam Burcardo de Saxônia e Jansênio Gandense, embora Strabo diga que moravam na cidade de Heliópolis. Aí sofreram extrema pobreza, durante sete anos que permaneceram escondidos, segundo Santo Antonino e Santo Tomás e outros autores. Eram estrangeiros, desconhecidos, sem rendimentos, sem dinheiro e sem parentes. A muito custo conseguiam sustentar-se com o fruto de suas fadigas. Por serem pobres, escreve São Basílio, era-lhes bem penoso conseguir o indispensável para passar a vida” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).
A viagem que Nossa Senhora fez de volta para a terra de Israel foi tranqüila?

R= Não.

“Depois da morte de Herodes e depois de um exílio de sete anos, que na opinião de Santa Madalena de Pazzi Jesus passou no Egito, aparece novamente o Anjo a São José e manda-lhe que tome o santo Menino e a Mãe, e volte para a Palestina. Com grande satisfação pela notícia recebida, São José vai comunicá-la a Maria. Antes de partirem os santos Esposos, vão levar as despedidas aos amigos que tinham granjeado naquela terra. Depois José ajunta de novo a pouca ferramenta do seu ofício, Maria fez uma trouxa da roupa que possui, e tomando o divino Menino pela mão, empreendem, com Jesus no meio, a viagem de volta.

Reflete São Boaventura que esta viagem foi mais penosa para Jesus do que a fuga; porquanto já estava mais crescido, pelo que Maria e José não podiam carregá-lo longo tempo nos braços; por outro lado o santo Menino pela sua idade não podia ainda fazer tão grande viagem a pé; de sorte que Jesus se via obrigado muitas vezes a parar e a descansar por falta de forças” (Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações).


Em que cidade Nossa Senhora foi morar assim que chegou do Egito?

R= Em Nazaré: “Tendo recebido um aviso em sonho, partiu para a região da Galiléia e foi morar numa cidade chamada Nazaré…” (Mt 2, 22-23).

“Herodes morreu no seu palácio de inverno de Jericó, na Primavera do ano 750 da fundação de Roma. Segundo conta Flávio Josefo, que escreve em fins do século I, uma cláusula do testamento real dispunha que à sua morte se convocasse no estádio de Jerusalém os principais do país para lhes comunicar oficialmente o acontecimento. Mas nesse momento deviam irromper os soldados e matar os convidados; assim, a morte do tirano não seria objeto de alegria, mas dia obrigatório de luto para todo o país. A cláusula não foi respeitada. O corpo do rei foi levado para Belém e sepultado solenemente próximo da fortaleza-palácio chamada Horodium (Flávio Josefo, Antiguidades Judias, XVIII, VI, 5). Muitos autores pensam que a morte de Herodes deve ter acontecido não muito depois da vinda dos Magos.

O reino ficava entre três dos seus filhos: Arquelau, que levou a melhor parte com a Judéia e Samaria; Herodes Antipas, a quem tocaram a Galiléia e a Peréia; e Filipe, que ficou com outras regiões de menor importância. Salomé, irmã de Herodes, recebeu em posse os enclaves de Yamnia e Azoto na costa mediterrânea, assim como Fasael no vale do Jordão.

Também sabemos por Flávio Josefo que Arquelau, depois da morte de seu pai e de ter sufocado em sangue uma sedição de judeus, partiu para Roma pouco depois da Páscoa para que o imperador confirmasse o testamento de Herodes. Voltou pelo Outono do ano 750 com o título de enarca, “chefe do povo”, da Judéia, Samaria e Uduméia.

Então, reinando já Arquelau, José recebeu um novo aviso do anjo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e volta para a terra de Israel; pois já morreram os que atentavam contra a vida do menino (Mt 2, 20).

José levantou uma vez mais o seu lar e teve a intenção de se dirigir à Judéia, a Belém, donde partiram para o Egito. Mas pelo caminho deve ter tido conhecimento do caráter do novo governante da Judéia. De fato, Arquelau era um homem despótico como seu pai, e foi mal recebido pelo povo. A situação chegou a ser tão conflitiva que se tornou precisa a intervenção das tropas romanas, para o qual o governador da Síria, Quintílio Varo, se pôs à frente de três legiões e penetrou na Judéia, conseguindo por fim, depois de não poucos esforços, devolver a paz ao país. Por sua vez, uma legação de notáveis judeus enviada a Roma conseguiu que o imperador depusesse o novo monarca. Este dirigia-se então à capital do Império para receber oficialmente a confirmação do seu título real. É possível que uma das parábolas evangélicas esteja precisamente inspirada nesse fato (Lc 19, 12-14).

Ali, na Galiléia, governava Herodes Antipas, com muitos erros, mas era menos sanguinário que seu pai. É de notar que Nazaré distava somente cinco quilômetros de Séforis, onde tinha a sua corte o rei Antipas, até que se transferiu para Tiberíades no ano 18. Foram, pois, vizinhos durante um bom número de anos.

E para Nazaré se dirigiu José, com um ânimo que rondava entre a inquietação pela segurança de Jesus e a alegria de se achar de novo em terra conhecida. Ali encontrou antigos amigos e parentes. Sem dúvida lhe faziam perguntas de não fácil resposta: donde vinha, que tinha acontecido em todo esse tempo… Reatou amizades e depressa se adaptou a uma nova terra, a sua, e viveu com Jesus e Maria uns anos de felicidade e de paz até à morte” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal, Vida de Jesus, V).

Como foi a vida da Santíssima Virgem em Nazaré?

R=“José começaria por acondicionar de novo a casa que… estaria em más condições. Mas esse era o seu trabalho. Ajudá-lo-iam os vizinhos e parentes, que se alegrava, com seu regresso à povoação. Instalaria a sua pequena oficina e chegar-lhe-iam depressa os primeiros encargos…

Na casa, limpa e alegre, refletir-se-ia a alma de Maria; os modestos adornos, a ordem, a limpeza, faziam com que Jesus e José, depois de uma jornada de trabalho, encontrassem o descanso junto de Nossa Senhora. Ali preparou Ela a comida muitas vezes, remendou a roupa e procurou que aquele lar estivesse sempre acolhedor. E estaria pendente desses momentos do meio dia, quando se costuma fazer uma paragem no trabalho, ou ao entardecer, ao dar por concluída a tarefa. Naquela casa foi crescendo o Filho de Deus… A Virgem deixou uma profunda marca no seu Filho: na sua forma de ser humana, em ditos e maneiras de dizer, nas próprias orações que os judeus ensinavam aos seus filhos. Jesus aprendeu dela a sua língua materna, o aramaico, e recebeu a educação mais santa que podia receber um menino israelita… De sua Mãe lhe veio o encanto, a graça, a doçura esmagadora e compassiva. Também aprenderia Jesus dos vizinhos, daquelas conversas que José mantinha com os clientes que iam encarregar-lhe alguma coisa, e que logo derivava para a boa ou a má colheita daquele ano, para as chuvas, para a próxima peregrinação a Jerusalém…” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal, Vida de Jesus, VI).


Nossa Senhora sofreu quando o Menino Jesus ficara entre os doutores no Templo?

R= Sim: “… e sua mãe lhe disse: ‘Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos” (Lc 2, 48).


“Estava acostumada à contínua alegria da dulcíssima presença de seu Jesus, e eis que agora o perde em Jerusalém e dele se vê longe, durante três dias. Conforme São Lucas, costumava a bem-aventurada Virgem ir com José, seu esposo, e com Jesus visitar todos os anos o templo, por ocasião da festa da Páscoa. Foi então que Jesus, já na idade de doze anos, ficou-se em Jerusalém sem que Maria o percebesse. Julgava-o na companhia de outras pessoas, mas, não o encontrando à tarde do primeiro dia de jornada, depois de haver perguntado por ele, voltou imediatamente à cidade para procurá-lo. Finalmente, depois de três dias de ansiedade, o encontrou no templo. Meditemos qual deve ter sido a aflição dessa atribulada Mãe durante esses três dias. Em toda parte perguntava por ele, com as palavras dos Cânticos: Vós porventura não vistes aquele a quem ama a minha alma? (3, 3). Mas perguntava em vão. Rubem lastimava-se por causa de seu irmão José: O menino não está mais aqui e para onde irei agora? (Gn 37, 30). Exausta de fadiga, sem encontrar seu amado Filho, com quanto maior ternura Maria tinha de se lastimar: Meu Jesus não aparece, e eu não sei mais o que fazer para o encontrar; aonde irei sem o meu tesouro?

Das lágrimas que derramou durante esses três dias, podia então dizer o mesmo que Davi dizia das suas: Minhas lágrimas foram para mim o pão, dia e noite; enquanto se me diz todos os dias: Onde está o teu Deus? (Sl 41, 4).

Mui judiciosamente Pelbarto faz observar que a aflita Mãe não dormiu naquelas noites, passando-as em pranto e rogos para que Deus a fizesse achar o Filho. Freqüentemente dirigia-se ao Filho, diz Vulgato Bernardo, e gemia com as palavras dos Cânticos: Dize-me onde descansas pelo meio-dia, para que eu não ande como uma desnorteada (1, 6). Meu Filho, dize-me onde estás, a fim de que eu cesse de errar à tua procura, em vão” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).

Como se deu o encontro de Nossa Senhora com Jesus Cristo no caminho do Calvário?

“Partiu Maria com São João. Da passagem do Filho lhe faltavam os rastos de sangue pelo caminho, conforme ela mesma o disse a Santa Brígida. Boaventura Baduário fala de um atalho que a Mãe aflita tomou para ficar depois esperando numa esquina pelo Filho atribulado. Aí estava à espera dele, quando foi reconhecida pelos judeus e deles teve de ouvir injúrias contra seu amantíssimo Jesus. Talvez tivesse de escutar até motejos contra si mesma. E ai! Que martírio lhe não causou a vista dos cravos, dos martelos, das cordas, funestos instrumentos da morte do Filho! Em lúgubre desfile, passavam eles diante da Mãe de Jesus. De repente, fere seus ouvidos um estridente som de trombeta; vão ler a sentença de morte lavrada contra Jesus. Meu Deus! Que espada de dor transpassou então a alma dessa Mãe dolorosa! Mas já desfilaram o arauto, e os instrumentos do martírio, os oficiais da justiça. Maria ergue os olhos e vê… ó Deus, um homem, na flor dos anos, todo coberto de sangue e de chagas, da cabeça aos pés, coroado de espinhos, carregando às costas um pesado madeiro… Fitaram-se finalmente. Como se lê em Santa Brígida, o filho afastou dos olhos o sangue coalhado que lhe impedia a vista, então Mãe e Filho fitaram-se! Ó céus, que olhares cheios de dor! Transpassaram, como setas, esses dois corações que tanto se amavam e queriam… Queria a Mãe abraçar o Filho, mas os algozes injuriosamente a repeliam, e empurraram para diante o acabrunhado Salvador” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).

A Virgem Maria acompanhou Jesus Cristo até ao Calvário?
R= Sim.

“Ah! Virgem Santíssima, aonde ides? Ao Calvário? Tereis ânimo de ver pregado à cruz Aquele que é a vossa vida? Moisés falou como um profeta: E a tua vida estará como suspensa diante de ti (Dt 28, 66).

Faz São Lourenço Justiniano dizer a Jesus: Ó minha Mãe, não venhas comigo; aonde vais? Aonde pretendes ir? Se me acompanhares, serás atormentada pelo meu, e eu pelo teu suplício! Entretanto, a amorosa Mãe não quer abandonar a seu Jesus, embora vê-lo morrer lhe deve causar acerbíssima dor. Adiante vai o Filho, e atrás segue a Mãe para ser crucificada com ele, diz Guilherme, abade.

Escreve São João Crisóstomo: Até das feras nós nos compadecemos. Víssemos uma leoa acompanhando seus leõezinhos à morte, e mesmo dessa fera teríamos compaixão. E não nos apiedaremos de Maria, que vai seguindo o Cordeiro Imaculado, levado ao suplício? Participemos, pois, de sua dor; com ela acompanharemos seu Divino Filho, levando pacientemente as cruzes que nos manda o Senhor” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).


Nossa Senhora assistiu a morte de Jesus Cristo no Calvário?

R= Sim: “Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena” (Jo 19, 25).

“Aqui temos a contemplar uma nova espécie de martírio. Trata-se de uma mãe condenada a ver morrer diante de seus olhos, no meios de bárbaros tormentos, um Filho inocente e diletíssimo. É desnecessário dizer outra coisa do martírio de Maria, quer com isso declarar São João; contemplai-a junto da cruz, ao lado de seu Filho moribundo e vede se há dor semelhante à sua dor.

Quando nosso extenuado Redentor chegou ao alto do Calvário, despojaram-no os algozes de suas vestes, transpassaram-lhes as mãos e os pés com cravos, não agudos, mas obtusos (segundo a observação de um autor), para maior aumento de suas dores, e pregaram-no à cruz. Tendo-o crucificado, elevaram e fixaram a cruz e o abandonaram à morte. Abandonaram-no os algozes, mas não o abandonou Maria. Antes ficou mais perto da cruz para lhe assistir à morte, como ela mesma revelou a Santa Brígida. Mas de que servia, ó Senhora minha, irdes presenciar no Calvário a morte de vosso Filho? Pergunta São Boaventura. Não vos deveria reter o vexame, já que o opróbrio dele era também o vosso, que lhe éreis a Mãe? Pelo menos não deveria reter-vos então o horror ao delito de criaturas que crucificavam o seu próprio Deus? Mas, ah! O vosso coração não cuidava então da própria, e sim da dor e da morte do Filho querido. Por isso quisestes assisti-lo e acompanhá-lo com vossa compaixão. Ó Mãe verdadeira, diz o Vulgato Boaventura, Ó mãe amante, que nem o horror da morte pode separar do Filho amado!

Mas, ó meu Deus, que doloroso espetáculo! Na cruz, agonizando, está o Filho e junto à cruz a Mãe agoniza também, toda compadecida das penas desse Filho. O lastimoso estado em que viu seu Jesus moribundo na cruz, revelou-o Maria a Santa Brígida, dizendo: “Estava meu Jesus pregado ao madeiro, saturado de tormentos e agonizante. Seus olhos encovados estavam quase cerrados e extintos, afilado o nariz, triste o semblante. Pendia-lhe a cabeça sobre o peito; seus cabelos estavam negros de sangue, o ventre unido aos rins, os braços e as pernas inteiriçados, e todo o resto do corpo coalhado de chagas e sangue” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).

A Virgem Maria recebeu Jesus Cristo morto em seus braços?
R= Sim.

“A atribulada Senhora receava, entretanto, que fizessem outras injúrias a seu amado Filho. Pediu a José de Arimatéia lhe obtivesse, por isso, de Pilatos o corpo de Jesus, para que ao menos depois de morto o pudesse preservar dos ultrajes dos judeus. Foi José ter com Pilatos, expôs-lhe a dor e o desejo da aflita Mãe. Segundo o Pseudo-Anselmo, Pilatos, compadecendo-se da Mãe, lhe concedeu o corpo do Redentor. Eis que descem o Salvador da cruz em que morrera!

Conforme as revelações de Santa Brígida, encostaram três escadas para descerem o corpo de Jesus. Primeiro desprenderam os santos discípulos as mãos, depois os pés e entregaram os cravos a Maria, como refere Metafrastres. Segurando o corpo de Jesus, um por cima e outro por baixo, o desceram da cruz.

Ergue-se a Mãe, relata Bernardino de Busti, estende os braços para o Filho, abraça-o e senta-se aos pés da cruz. Comtempla-lhe a boca aberta e os olhos obscurecidos; examina seu corpo rasgado pelas chagas e os ossos descobertos. Tira-lhe a coroa, e vê que horríveis chagas os espinhos fizeram naquela sagrada cabeça. Olha finalmente as mãos e os pés transpassados pelos cravos” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).


A Virgem Maria acompanhou Jesus Cristo à sepultura?
R= Sim.


“Deste modo expandia a Mãe a sua dor, abraçada ao Filho sem vida. Mas os santos discípulos receavam que expirasse de dor a pobre Mãe, e por isso se apressam em tirar-lhe do regaço o Filho sem vida. Fazendo-lhe, pois, respeitosa violência, tiram-lhe dos braços, o embalsamam com aromas, envolvem-no numa mortalha, preparada de propósito para ele. Nela quis o Senhor deixar impressa sua imagem…

Levam o Sagrado Corpo à sepultura. Forma-se o cortejo fúnebre e os discípulos acompanham-no, juntamente com as santas mulheres. Entre as últimas, caminha a Mãe dolorosa, levando também ela o Filho à sepultura. Ter-se-ia a Senhora de boa mente sepultado viva com o Filho, como reza uma sua revelação a Santa Brígida. Mas, esta não sendo a divina vontade, acompanhou resignada o sacrossanto corpo de Jesus ao sepulcro, no qual, como refere Barônio, depositaram também os cravos e a coroa de espinhos…

Tais foram as despedidas de Maria junto ao sepulcro do Filho, de onde depois voltou a casa. Triste e aflita ia a pobre Mãe, diz Pseudo-Bernardo, despertando lágrimas em quantos a viam passar. Acrescenta também que os santos discípulos e as santas mulheres choravam mais por causa de Maria do que sobre a perda do Mestre” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).


No Calvário, a qual apóstolo Jesus Cristo confiou Nossa Senhora?

R= A São João Evangelista: “Jesus, então, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’ E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19, 26- 27).

“Ora, se Maria tivesse filhos, ou se seu esposo ainda estivesse vivo, por que o Senhor a confiaria a João, ou João a ela? Mas, e também por que não a confiou a Pedro, a André, a Mateus, a Bartolomeu? Fê-lo a João, por causa de sua virgindade. A ele foi que disse: “Eis aí tua mãe”… Ora, se ela tivesse esposo, casa e filhos, iria para o que era seu, não para o alheio” (Santo Epifânio, Os últimos tempos da Virgem Maria, P. G. 42, 714ss).
-Maria Santíssima morreu?
R= “A morte de Maria não foi castigo do pecado (cf. Dz 1073), porque ela carecia de pecado original e de todo pecado pessoal. Porém era conveniente que o corpo de Maria, mortal por natureza, se submetesse à lei universal da morte, conformando-se assim totalmente a seu Filho divino” (Ludwig Ott, Manual de Teologia Dogmática, Livro Terceiro, Parte Terceira, Capítulo Segundo, 6).

“Se alguém julgar que estamos laborando em erro, pode consultar a Sagrada Escritura, onde não achará a morte de Maria, nem se foi morta ou não, se foi sepultada ou não. E quando João partiu para a Ásia, em parte alguma está dito que tenha levado consigo a Santa Virgem: sobre isso a Escritura silencia totalmente, o que penso ocorrer por causa da grandeza transcendente do prodígio, a fim de não induzir maior assombro às mentes” (Santo Epifânio, Os últimos tempos da Virgem Maria, P. G. 42, 714ss).

-A Santíssima Virgem foi assunta de corpo e alma à glória celestial?
R= Sim: “Pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o decurso da vida terrestre, foi assunta de corpo e alma à glória celestial” (Pio XII, Bula “Munificentissimus Deus”: AAS 42 (1º de novembro de 1950) 770).

“… para honrar o triunfo de Maria, veio do paraíso o próprio Jesus Cristo; desceu para encontrá-la e acompanhá-la. E Eádmero diz: O Salvador quis subir ao céu antes de Maria, não só para preparar-lhe o trono, mas também para tornar-lhe mais gloriosa a entrada no céu, pela sua presença e pelo luminoso séqüito dos espíritos bem-aventurados. Nicolau monge, vê mais fulgores na Assunção de Maria, que na Ascensão de Jesus Cristo. Porque, ao Redentor, somente vieram encontrá-lo os anjos, enquanto que a Santíssima Virgem subiu à glória, saindo-lhe ao encontro, e acompanhando-a o mesmo Senhor da glória e toda a bem-aventurada companhia dos santos e anjos…
Consideremos como, descendo o Salvador do céu para encontrar a Mãe, lhe disse, consolando-a: Levanta-te, apressa-te, amiga minha; pomba minha, formosa minha, e vem. Porque já passou o inverno, já se foram e cessaram de todo as chuvas (Ct 2, 10). Vamos, minha cara Mãe, minha bela e pura pomba, deixa este vale de lágrimas, onde tens sofrido tanto por meu amor. “Vem do Líbano, esposa minha, vem do Líbano e serás coroada” (Ct 4, 8). Vem com alma e corpo, gozar o prêmio de tua santa vida. Se tens padecido muito no mundo, maior é a glória que te darei de Rainha do universo.
Eis que Maria já deixa a terra. Vêm-lhe à memória as muitas graças que aí recebera de seu Senhor. Olha-a por isso com afeto e juntamente com compaixão, recordando-se dos pobres que deixa expostos a tantas misérias e a tantos perigos. Jesus lhe estende a mão, e a Santa Mãe já se eleva no ar, já passa as nuvens e as esferas. E chega enfim às portas do céu… Já entra na celeste pátria. Mas, à sua entrada, vêem-na aqueles espíritos celestes tão bela e tão gloriosa, que perguntam aos anjos que chegaram de fora, como contempla Vulgato Orígines: Quem é esta que sobe do deserto inundando delícias e firmando sobre o seu amado? (Ct 8, 5). E quem é esta criatura tão formosa que vem do deserto da terra, lugar de espinhos e abrolhos? Vem tão pura e rica de virtudes, com o seu amado Senhor, que se digna ele mesmo acompanhá-la com tanta honra? Quem é? Respondem os anjos que a acompanham: Esta é a Mãe do nosso Rei; é a bendita entre as mulheres, a cheia de graça, a Santa dos santos, a amada de Deus, a Imaculada, a mais formosa de todas as criaturas…
Vieram depois dar-lhe boas-vindas, e saudá-la como sua Rainha, todos os santos que então estavam no paraíso” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, VIII, Ponto Primeiro).

-Nossa Senhora foi coroada no Céu?
R= “… de joelhos, a humilde e santa Virgem adora a majestade divina e abisma-se no conhecimento do seu nada. Agradece a Deus todas as graças que por mera bondade lhe havia concedido, especialmente de a ter feito Mãe do Verbo Eterno. Imagine e compreenda agora, quem o puder, com que amor a Santíssima Trindade a abençoou! Quem nos descreverá o afável e afetuoso acolhimento que fez o Pai Eterno à sua Filha, o Filho à sua Mãe, o Espírito Santo à sua Esposa! O Pai a coroa, participando-lhe o seu poder, o Filho a sabedoria, o Espírito Santo o amor. As Três Pessoas divinas, colocando-lhe o trono à direita de Jesus, a declaram Rainha universal do céu e da terra. Aos Anjos também ordenam, e a todas as criaturas, que a reconheçam por sua Rainha e como tal a sirvam e lhe obedeçam” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado I, Capítulo II, VIII, Ponto Primeiro).

Fonte-www.filhosdapaixao.org.br/catequese_nossa_senhora_01.htm

Deus tem tempo para nós

CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de novembro de 2008 (ZENIT.org).-

«Deus tem tempo para nós», assegurou Bento XVI neste domingo ao explicar o sentido do período litúrgico de preparação ao Natal, o Advento, que iniciava nesse dia.
É a «boa notícia» que a Igreja oferece, disse --ao rezar a oração mariana do Ângelus junto a milhares de peregrinos congregados na praça de São Pedro, no Vaticano--, em um mundo caracterizado pelo estresse.
Comentando o Evangelho da liturgia dominical, que convida a velar em espera pelo Senhor que vem, o Santo Padre propôs uma original reflexão «sobre a dimensão do tempo, que sempre exerce sobre nós uma grande fascinação».
Começou «com uma constatação muito concreta: todos dizemos “nos falta tempo”, pois o ritmo da vida cotidiana se fez para todos frenético».
«Também nesse sentido a Igreja tem uma “boa notícia” a oferecer – declarou. Deus nos dá seu tempo. Nós temos sempre pouco tempo, especialmente para o Senhor, não sabemos ou, às vezes, não queremos encontrar esse tempo. Pois Deus tem tempo para nós!».
«Esta é a primeira coisa que o início de um ano litúrgico nos faz redescobrir com uma emoção sempre nova», confessou o pontífice, falando da janela de seu apartamento.
«Se – sublinhou – Deus nos dá seu tempo, pois entrou na história com sua palavra e suas obras de salvação para abri-la à eternidade, para convertê-la em história de aliança».
Desde esta perspectiva, indicou, «o tempo é já em si mesmo um sinal fundamental do amor de Deus: um dom que o homem, assim como sucede com os demais, é capaz de valorizar ou de estragar; de acolher seu significado ou de descuidar com superficialidade obtusa».
O bispo de Roma explicou que para os olhos de Deus o tempo tem três pontos cardeais que marcam o ritmo da história da salvação: «ao início está a criação, no centro da encarnação-redenção, e ao final a «parusia», a vinda final, que compreende também o juízo universal».
Agora, alertou, «estes três momentos não devem ser compreendidos simplesmente como uma sucessão cronológica».
«De fato, a criação se encontra certamente na origem de tudo, mas é também contínua e acontece durante todo o desenvolvimento do porvir cósmico até o final dos tempos».
Do mesmo modo, continuou esclarecendo, «ainda que a encarnação-redenção tenha ocorrido em um determinado momento histórico, o período da passagem de Jesus sobre a terra, continua estendendo seu raio de ação a todo o tempo precedente e ao posterior».
Por sua vez, «a última vinda e o juízo final, que precisamente tiveram na cruz de Cristo uma decisiva antecipação, exercem seu influxo sobre a conduta dos homens de todas as épocas», afirmou.
De fato, como ele mesmo constatou, «cada um, na hora que apenas Deus sabe, será chamado a prestar contas de sua própria existência».
«Isto implica um justo desapego dos bens terrenos, um sincero arrependimento dos próprios erros, uma caridade efetiva com o próximo e, sobretudo, uma humilde confiança nas mãos de Deus, nosso Pai, terno e misericordioso», assegurou.
Bento XVI havia dado início ao Advento, que apresentou como momento privilegiado de esperança, ao presidir as vésperas na tarde do sábado, na Basílica Vaticana.

Redescobrir o tempo à luz de Deus

Ângelus no primeiro domingo do Advento -Bento XVI

CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de novembro de 2008 (ZENIT.org).-

Queridos irmãos e irmãs:
Começamos hoje, com o primeiro domingo do Advento, um novo ano litúrgico. Este fato nos convida a refletir sobre a dimensão do tempo, que sempre exerce sobre nós uma grande fascinação. Seguindo o exemplo do que Jesus gostava de fazer, desejaria começar com uma constatação muito concreta: todos dizemos “nos falta tempo”, pois o ritmo da vida cotidiana se fez para todos frenético.
Também neste sentido a Igreja tem uma “boa notícia” a oferecer – declarou. Deus nos dá seu tempo. Nós temos sempre pouco tempo, especialmente para o Senhor, não sabemos ou, às vezes, não queremos encontrar esse tempo. Pois Deus tem tempo para nós! Esta é a primeira coisa que o início de um ano litúrgico nos faz redescobrir com uma emoção sempre nova.Se Deus nos dá seu tempo, pois entrou na história com sua palavra e suas obras de salvação para abri-la à eternidade, para convertê-la em história de aliança. Desde esta perspectiva, indicou, «o tempo é já em si mesmo um sinal fundamental do amor de Deus: um dom que o homem, assim como sucede com os demais, é capaz de valorizar ou de estragar; de acolher seu significado ou de descuidar com superficialidade obtusa.
O tempo tem três pilares que marcam o ritmo da história da salvação: ao início está a criação, no centro da encarnação-redenção, e ao final a «parusia», a vinda final, que compreende também o juízo universal.
Agora, estes três momentos não devem ser compreendidos simplesmente como uma sucessão cronológica. De fato, a criação se encontra certamente na origem de tudo, mas é também contínua e acontece durante todo o desenvolvimento do porvir cósmico até o final dos tempos.
Do mesmo modo, ainda que a encarnação-redenção tenha ocorrido em um determinado momento histórico, o período da passagem de Jesus sobre a terra, continua estendendo seu raio de ação a todo o tempo precedente e ao posterior.
Por sua vez, a última vinda e o juízo final, que precisamente tiveram na cruz de Cristo uma decisiva antecipação, exercem seu influxo sobre a conduta dos homens de todas as épocas.
O tempo litúrgico do Advento celebra a vinda de Deus em seus dois momentos: em primeiro lugar, nos convida a depositar a esperança no regresso glorioso de Cristo; logo, ao aproximar-se o Natal, nos chama a acolher o Verbo feito homem por nossa salvação. Mas o Senhor vem continuamente a nossa vida.
Que oportuno é, portanto, o chamado de Jesus, que neste primeiro domingo se nos propõe com força: «Vigiai!» (Marcos 13, 33.35.37). Se dirige aos discípulos, mas também «a todos», pois cada um, na hora que só Deus sabe, será chamado a prestar contas de sua própria existência. Isto implica um justo desapego dos bens terrenos, um sincero arrependimento dos próprios erros, uma caridade efetiva com o próximo e, sobretudo, uma humilde confiança nas mãos de Deus, nosso Pai, terno e misericordioso.
A Virgem Maria, Mãe de Jesus, é imagem do Advento. Invoquemo-la para que nos ajude a nos converter em prolongamento de humanidade para o Senhor que chega.

A espera de Maria

Ninguém esperou mais pelo Menino que Sua mãe. Durante nove meses, Maria carregou dentro de si o Salvador e viveu o mistério da maternidade: gerou vida dentro de si, ao mesmo tempo em que gestava a Vida. A gravidez de Maria foi o advento plenamente vivido, e podemos, hoje, vivê-lo em companhia da Mãe de Deus.
Advento, tempo de conversão. Mas, como falar em conversão naquela que é toda pura e cheia de graça? Em Maria não havia pecado. Foi concebida imaculada para que seu ventre pudesse abrigar aquele que trazia em si todo o Bem e todo Amor.
A conversão não está, pois, só no pedido de perdão dos pecados. Se a entendermos assim, não poderemos jamais aplicá-la à Maria. A conversão está, também, no sentido de busca do entendimento contínuo da vontade de Deus.
Na Anunciação, fica claro que Maria não entendia como a vontade de seu Senhor se concretizaria: questiona o anjo, tenta entender o que aos olhos humanos era incompreensível – como gerar vida, se ela não conhecia homem, se era virgem? E o anjo lhe explica como, soprando sobre Ela o Espírito de Deus que a cobriria de entendimento e adoração, reverenciando desde já a Vida que nascia dentro de si.
O acompanhar dos episódios que se seguirão a partir daquele momento de Nazaré é revelador desse desejo de Maria. Ela irá meditar em seu coração sobre os acontecimentos que marcarão o nascimento do Menino. Irá acompanhá-Lo em sua caminhada terrena, ajudando-o a crescer em estatura, conhecimento e graça. E, espantada e sofrida, o assistirá morrer na cruz, tentando entender a vontade do mundo que matava aquele só havia lhe dado amor. E entender um Deus que silenciava para depois explodir em glória com o Ressuscitado.
Observar Maria ao longo da vida de Jesus Cristo nos fará entender como fazer para entendermos a história de um Deus que caminha com a humanidade. O Criador conhece pelo nome cada uma de suas criaturas. Mas, às criaturas não é dado todo o conhecimento de seu Criador. Por isso, a necessidade de saber enxergá-Lo na escuridão, escutá-Lo na turbulência e senti-Lo quando parece estar longe. E este é também um caminho de conversão: aquele que nos conduzirá ao encontro do Senhor, através do sair de nós mesmos para o encontro com aquele que só pode ser visto através do amor e serviço ao outro. Tal como a Virgem de Nazaré o fez.

O Advento de Maria

Estamos iniciando o Tempo Litúrgico do Advento. Tempo de espera, de renovação, de reconciliação, de esperança. O primeiro advento foi vivido por Maria, que durante nove meses esperou pela chegada de seu filho, grávida de Deus.

Maria carregou em seu ventre, aquele que seria o Salvador dos homens. Gestou-o observando as modificações de seu corpo, apreciando a maravilha de um Deus que se encarna e, ao tomar a forma humana, quer passar por toda a nossa experiência: desde o útero materno, Jesus Cristo é essencialmente humano e como homem crescerá em estatura, sabedoria e graça, até revelar-se como o Messias.

A espera de Maria não foi maior nem menor que a das demais mulheres; talvez, tenha sido diferente, mas que pode trazer-nos um grande ensinamento. Maria trazia em seu ventre um mistério que seria aos poucos revelado à humanidade, e ao gestar esse mistério, aprendeu a ouvir a Deus, a encontrar Suas respostas através do que lhe acontecia, a entender Seus desígnios e Seus desejos para Seu povo.

Sabemos, nós, ouvir, encontrar e entender a Deus? Sabemos viver um advento digno daqueles que desejam realmente ver-se frente a frente com o Pai e descobrir-Lhe no simples, no pequeno?

Que o Advento de Maria nos ensine a viver a espera desejada por Deus: diferente da que viverá um mundo ávido pelo consumo, mas aberta à experiência do encontro com o Menino, que nos exigirá conversão, silêncio e simplicidade. (Para rezar: Lc 1, 26-38)

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