Archive for 2009

ESTATUTO DO NATAL


Estatuto de Natal

Art. I: Que a estrela que guiou os Reis Magos para o caminho de Belém, guie-nos também nos caminhos difíceis da vida.

Art. II: Que o Natal não seja somente um dia, mas 365 dias.

Art. III: Que o Natal seja um nascer de esperança, de fé e de fraternidade.

Parágrafo único: Fica decretado que o Natal não é comercial e sim, espiritual.

Art. IV: Que os homens, ao falarem em crise, lembrem-se de uma manjedoura e uma estrela, que como bússola, apontem para o Norte da Salvação.

Art. V: Que no Natal, os homens façam como as crianças: dêem-se as mãos e tentem promover a paz.

Art. VI: Que haja menos desânimos, desconfianças, desamores, tristezas. E mais confiança no Menino Jesus.

Parágrafo único: Fica decretado que o nascimento de Deus Menino é para todos: pobres e ricos, negros e brancos.

Art. VII: Que os homens não sigam a corrida consumista de "ter", mas voltem-se para o "ser", louvando o Seu Criador.

Art. VIII: Que os canhões silenciem, que as bombas fiquem eternamente guardadas nos arsenais, que se ouça os anjos cantarem Glória a Deus no mais alto dos céus.

Parágrafo único: Fica decretado que o Menino de Belém deve ser reconhecido por todos os homens como Filho de Deus, irmão de todos!

Art. IX: Que o Natal não seja somente um momento de festas, presentes.

Art. X: Que o Natal dê a todos um coração puro, livre, alegre, cheio de fé e de amor.

Art. XI: Que o Natal seja um corte no egoísmo. Que os homens de boa vontade comecem a compartilhar, cada um no seu nível, em seu lugar, os bens e conquistas da civilização e cultura da humildade.

Art. XII: Que a manjedoura seja a convergência de todas as coordenadas das idéias, das invenções, das ações e esperanças dos homens para a concretização da paz universal.

Parágrafo único: Fica decretado que todos devem poder dizer, ao se darem as mãos: - FELIZ NATAL!!!

A Imaculada Conceição e o Advento


A Imaculada Conceição e o Advento

Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.

“Fiat Mihi secundum Verbum Tuum”
“Faça-se em mim segundo a tua Palavra!”.(Cf. Lc 1,37)

A Solenidade da Imaculada Conceição se celebra no “coração” do Advento. O tempo do Advento é o tempo de Maria por excelência, mais do que qualquer outro tempo litúrgico, pois é nele que a vemos em mais íntima relação com seu Filho.

O amor de Mãe é, sem dúvida alguma, o mais forte, o mais pleno modo de se relacionar, de “ser para”(esse ad).

É o amor que gesta, gera, nutre e cuida. Maria, desde o início da criação, é Aquela que foi “concebida”, no projeto de Deus, para realizar esta missão de amor, missão paradigmática para todas as mães, de todas as épocas e idades. Maria é plenamente Mãe porque é a nova Eva, a mãe de todos os que estão vivos. Aquela que se encontra unida ao Filho de Deus “por vínculo estreito e indissolúvel”(Cf. LG 53) e, por isso mesmo, sem o pecado original.

Se o Senhor veio no primeiro Natal, por meio de Maria, o mesmo Senhor vem, ainda hoje, nos nossos natais litúrgicos, também através d’Ela. Em Maria, se cumpre, então, o mistério do Advento. Ela é a aurora que precede, que anuncia, que traz em seu seio o Dia Novo que está para surgir.

Assim como na aurora se projeta a luz do Sol, de onde surge a vida, assim também, em Maria Imaculada, se reflete o poder da Redenção, do Sol da Justiça, do Salvador que está para vir. A Solenidade da Imaculada Conceição, no tempo do Advento, constitui desta forma, a mais profunda preparação para o Natal.

“Fiat Mihi secundum Verbum Tuum”
“Faça-se em mim segundo a tua Palavra!” (Cf. Lc 1,37).

Maria nos mostra, pela vinda do Verbo a seu corpo, através de sua humildade radical, como nós, seus filhos, podemos também nos tornar sinais desta presença, deste amor, desta misericórdia infinita de Deus, em nossas ações. O Verbo Eterno pode também estar vivo dentro de nós, pela graça. Somos habitados por Deus.

Maria nos ensina ainda como devemos ser quando hospedamos, pela graça, o Filho de Deus em nós.

A primeira resposta de Maria ao dom da maternidade divina foi sair de si mesma e servir. Ela vai logo ver sua prima Isabel que está esperando um bebê e precisa de ajuda. Ela foi socorrer alguém em necessidade, não com palavras bonitas, mas com ações, com atos concretos de ajuda, de serviço, de amor. Maria nos ensina, pois, que fazer a vontade de Deus e não a nossa, é viver o nosso agora histórico na forma mais prática e simples possível, em extrema doação. Deus se nos manifesta sem que façamos nada de espetacular.

Quanto mais nos doamos mais recebemos. Se formos transformados pela vinda do Filho de Deus, todos, em torno de nós, também o serão.

Que como Maria, nesta Sua Solenidade da Imaculada Conceição, em pleno Advento, possamos também nós exclamar:

“Non volumptas mea, sed Tua, Fiat!”
“Seja feita a Tua Vontade”.

E, assim, o Fiat de Maria na Encarnação e o nosso se unem ao FIAT de Jesus na Cruz, em uma só oração, em uma só ação. Eis o sentido pleno da Liturgia do dia 08 de Dezembro!

MEDITANDO O NATAL COM SÃO JOSEMARIA

ALGUNS TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA, SELECCIONADOS ENTRE MUITOS

Chega o Natal

O Natal mostra-nos onde se esconde a grandeza da Deus: num estábulo, numa gruta. "Deus humilha-Se para que possamos aproximar-nos d'Ele, para que possamos corresponder ao seu Amor com o nosso amor"
(S. Josemaria, Cristo que passa, 18).
É Natal
"Um ano que termina"
Quando recordares a tua vida passada, passada sem pena nem glória, considera quanto tempo perdeste, e como podes recuperá-lo: com penitência e com maior entrega.
(Sulco, 996).
"Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário..."

Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário... Porém, mais humilhação e mais aniquilamento na Hóstia Santíssima; mais que no estábulo, e que em Nazaré, e que na Cruz. Por isso, que obrigação tenho de amar a Missa! (A "nossa" Missa, Jesus...)
(Caminho, 533).
"Diante de Deus tu és uma criança"

Diante de Deus, que é Eterno, tu és uma criança mais pequena do que, diante de ti, um miúdo de dois anos. E, além de criança, és filho de Deus. – Não o esqueças.
(Caminho, 860).
"Servir o Senhor no mundo"

Repara bem: há muitos homens e mulheres no mundo, e nem a um só deles o Mestre deixa de chamar. Chama-os a uma vida cristã, a uma vida de santidade, a uma vida de eleição, a uma vida eterna.
(Forja, 13).
"Jesus ainda está à procura de pousada"

Jesus nasceu numa gruta em Belém, diz a Escritura, "porque não havia lugar para eles na estalagem". Não me afasto da verdade teológica, se te disser que Jesus ainda está à procura de pousada no teu coração.
(Forja, 274).
"Ele já nasceu"

Natal. Cantam: "venite, venite...". – Vamos, que Ele já nasceu. E, depois de contemplar como Maria e José cuidam do Menino, atrevo-me a sugerir-te: – Olha-o de novo, olha-o sem descanso.
(Forja, 549).
"Deus humilha-se"

E, em Belém, nasce o nosso Deus: Jesus Cristo! Não há lugar na pousada: num estábulo. – E Sua Mãe envolve-O em paninhos e reclina-O no presépio (Lc 11, 7) . Frio. – Pobreza. – Sou um escravozito de José. – Que bom é José! Trata-me como um pai a seu filho. – Até me perdoa, se estreito o Menino entre os meus braços e fico, horas e horas, a dizer-Lhe coisas doces e ardentes!... E beijo-O – beija-O tu – e embalo-O e canto para Ele e chamo-Lhe Rei, Amor, meu Deus, meu Único, meu Tudo!... Que lindo é o Menino... e que curta a dezena! (Santo Rosário, Mistérios Gozosos, 3º).
"Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?"

A humildade é outro bom caminho para chegar à paz interior. – Foi Ele que o disse: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração... e encontrareis paz para as vossas almas".
(Caminho, 607).
"Devemos santificar todas as realidades"

A tua tarefa de apóstolo é grande e formosa. Estás no ponto de confluência da graça com a liberdade das almas; e assistes ao momento soleníssimo da vida de alguns homens: o seu encontro com Cristo.
(Sulco, 219).
"Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós"

Devoção de Natal. – Não sorrio quando te vejo fazer as montanhas de musgo do Presépio e dispor as ingénuas figuras de barro em volta da gruta. – Nunca me pareceste mais homem do que agora, que pareces uma criança.
(Caminho, 557).

Publicada por A Voz de Leça

Justo é denunciar as Injustiças


"Quem quiser ser meu discipulo
renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-me, diz o Senhor" (Mt 16,24)

A página do Livro da Sabedoria desta quinta-feira da XXXIIª Semana do Tempo comum, 7,22-8,1, dispensa qualquer comentário ou homilia, bem como o Evangelho de São Lucas 17,20-25, que nos afirmam ser "A sabedoria reflexo da luz eterna e espelho sem mancha da atividade de Deus. Ela nos ensina a entender a palavra de Jesus, afirmando que o o reino de Deus já se encontra entre nós" (Cfe. Liturgia Diária de Novembro da Paulus, p. 47). Gosto sempre de repetir para mim mesmo a diferença entre ser sábio e ser simplesmente sabido. Sábio é quem ouve, acolhe, tenta compreender e viver em suas relação a Palavra de Deus. Sabido é aquele que possui uma alavanhe de informações sem saber o que fazer com elas, ou as utiliza para tentar ser deus sobre a própria vida e sobre a vida dos outros.
Jesus é categórico: "... o reino de Deus está entre vós." E nós não nos damos conta disso. O Reino de Deus é um Reino de Justiça, de Amor gratuito, de Verdade, de Liberdade e de Paz. Onde esses valores essenciais e inerentes ao Reino de Deus deixam de respirar, as coisas não vão bem. Somos uma geração egoísta, mentirosa, avarenta, invejosa, arrogante, prepotente, correndo atrás de prestígio, de poder sem controlar nossa ganância de querer ter sempre mais e levar vantagem em cada situação. Somos uma geração tão cega, que não enxerga os "sinais dos tempos", a não ser quando vemos flagrados deputados passando a perna no painel de controle de presença: se um professor for à escola assinar o livro-ponto ou picar o cartão de entrada e voltar para sua casa sem nem ao menos passar pela sala de aula, é demitida por justa causa. E é justo. Mas quem paga os salários de nossos deputados? Quem são os patrões de nossos políticos e servidores públicos? Nós mesmos! Até quando os fortes serão fortes somente diante dos fracos, dos pobres, dos analfabetos, dos sem-consciência de cidadania... Então acontece um apagão e as pessoas tem uma noção de sua incapacidade, de sua impotência... A natureza reclama as surras que o homem vai lhe dando por conta do lucro imediato e injusto, com tempestades, enchentes, tornados, ciclones e as pessoas (muitas delas) ainda se perguntam que Deus é esse que permite tais catástrofes. Deus fez sua parte e tenta ensinar-nos a administrar bem a criação perfeita. Então lembramos do ditado popular que é bem oportuno para nossa reflexão: Deus perdoa sempre! O homem de vez enquando! A natureza jamais!
Nossa missão profética é anunciar um Deus Amor e Justo e denunciar as Injustiças que impedem a sobrevivência deste mesmo reino entre nós. Se o Reino de Deus é um Reino de Justiça, não há reino e nem Deus, onde a injustiça toma a última palavra. Só acreditarei em político honesto e preocupado com o bem comum, quando conseguir sobreviver com o salário mínimo que impõe sobre seu povo; quando um político se contentar em viver com Bolsa Família, seus filhos com Bolsa Escola; quando os políticos utilizarem transporte público ao invés de carros de luxo; quando conviverem alegremente numa casinha de três ou quatro cômodos; quando também eles conseguirem almoçar arroz com feijão, utilizando um único celular pré-pago e assim por diante. Quando fizerem a experiência de aguardar nas demoradas filas dos bancos, do INSS que leva dez anos para constatar a cegueira de uma pessoa, como foi o caso do meu irmão, que contribuiu com a Previdência desde os 15 anos de idade e ao completar 43 anos ficando cego, teve a aposentaria por invalidez negada ao longo de dez anos, recebendo hoje um salário mínimo que não paga os remédios que precisa para manter-se vivo. Acreditarei nos políticos que se utilizarem dos Hospitais mantidos (ou não) pelo SUS ao invés de correr para o Sírio Libanez e Albert Einstein, onde as diárias custam em torno de cinco mil reais. Quando minha avó sofreu derrame, supliquei um desconto, porque a diária pelo SUS na UTI custava setecentos reais. As Irmãs que cuidam do Hospital conseguiram deixar a diária por trezentos reais, porque afirmaram que a parte do SUS não se pagava há mais três anos. No segundo dia de UTI minha avó faleceu, do contrário estaríamos endividados. O prato mais barato no Restaurante do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, sempre frequentando por nossos políticos em trânsito, custa cento e setenta reais. Essas diferenças e disparidades não podem ser sinônimos de Justiça!
Como seria bom se tivéssemos, TODOS, a começar de mim mesmo, a coragem que levou São Josafá, Bispo, ao martírio, justamente porque não era bem-aceito pelo povo de sua época na Ucrânia, entre 1580 e 1623 e não poupou os nobres, poderosos e políticos corruptos e injustos, que impediam a dignidade igual para todos! Celebrando sua memória hoje, renovemos nosso esforço pela dignidade de sermos cristãos. Se a cruz que nos colocam nos ombros pesar, abracêmo-la, como nos sugere Santa Terezinha do Menino Jesus.

"Eum tudo dai graças, pois esta é a vontade
de Deus para convosco, em Cristo, o Senhor" (1 Ts 5,18).

Desejando a todos um dia muito abençoado, com gratidão e ternura, nosso abraço,

Pe. Gilberto Kasper

Maria e a humanidade, hoje.


Parece tão distante o tempo que nos separa daquela jovem judia que vivia na pequena cidade Nazaré, noiva de um homem bom e justo e que certamente viveu sua dimensão de esposa, mulher, mãe... Dois mil e poucos anos, muitos avanços, muitas descobertas, o progresso, a cura de doenças, a exterminação de alguns males, a transformação das cidades, o aumento da expectativa de vida... Tantas coisas, tantas histórias e tanta História. Mas a jovem de Nazaré continua a nos interpelar. O que tem ela a nos dizer? Certamente nos diz o que já dizia à humanidade de seu tempo. Temos hoje apenas melhorias materiais, mas muito pouco a humanidade avançou em termos de valores, de crescimento espiritual e de adesão ao verdadeiro reino de Deus.

Poderia sua cidade – ou mesmo todo o povo judeu – acreditar que daquela jovem que não era rica, não era princesa, mas apenas uma jovem criada para ser simplesmente esposa e mãe, nasceria o Messias? O impacto disso em uma sociedade que esperava um Messias revolucionário, lutador, um rei que os salvaria pela espada, certamente não acreditaria – e, verdadeiramente, não acreditou – que no silêncio da manjedoura em Belém nos era chegado o Filho de Deus. Poderíamos hoje acreditar em tais acontecimentos? Provavelmente não. Poderíamos acreditar que uma virgem concebesse apenas por graça de Deus? Claro que não! Com tantos conhecimentos científicos que temos, somos até capazes de provar que isso é impossível.

Esses são apenas dois pequenos aspectos que podem nos mostrar o que Maria tem a dizer à humanidade hoje: Ela diz o que não pode ser dito senão através da fé incondicional em um Deus que tudo pode. Ela diz que é preciso olhar com olhos desejosos de servir a Deus e ao outro para podermos reconhecer os “anjos” que até hoje continuam a nos anunciar que no meio das condições mais difíceis, Deus faz brotar a vida. Ela diz que é preciso acreditar no humilde, no pequeno, porque é na humildade e na pequenez que Deus fala.

Os valores da sociedade contemporânea incorporam ainda aqueles que o povo judeu vivia à época de Maria: inveja, intriga, injustiças... o amor sufocado, o serviço ao outro ironizado. Tudo isso sob nova roupagem, alimentado por teorias filosóficas e antropológicas que tentam explicar por que caminhos a humanidade se enveredou.

Ainda assim, Ela continua a nos falar. E nos fala como mãe – aquela que muitas vezes não queremos ouvir porque nos repreende e tenta nos educar. Quer ver seus filhos irmãos, quer que todos tenham a mesma oportunidade e deseja, sobretudo, olhos atentos aos pedidos de Deus e corações disponíveis para o sim – como aquele que um dia Ela própria dera ao enviado do Pai.

Maria não é, pois, apenas um objeto de culto ou de veneração. Não é apenas a “resolvedora” de nossos problemas. É pessoa viva que conosco caminha, fala, acompanha. E como escutá-la? Lendo sua vida, percebendo que fora apenas uma mulher que, com a sensibilidade própria do gênero feminino, viveu sua vida: vida de afazeres domésticos, vida de oração, vida de esposa, vida de mãe. Uma vida que não foi fácil: cuidar da casa, ficar viúva, caminhar com seu Filho por aquelas estradas, ver seu Filho morrer. E, depois, construir uma Igreja, cuidar dos apóstolos, receber e dar carinho. Maria trabalhou e trabalha, pois continua – com sua vida – a nos mostrar que é possível fazermos o mesmo com as nossas.

Gilda Carvalho
gilda@puc-rio.br

Maria conhecia a misericórdia de Deus Pai


A humanidade deve exultar por poder caminhar junto com Deus Pai! Somos criaturas privilegiadas a quem foi dada a capacidade de experimentar Sua presença em nossas vidas, em todas as suas circunstâncias. E é pela intensidade dessa experiência que iremos reconhecer a face de Deus, quando por Ele formos salvos. E o seremos não por nossos méritos, mas pela misericórdia de Deus. E, por isso, devemos não só nos exultar, mas, sobretudo, transbordar de alegria por um Deus que habita em nós e que constantemente espera por nosso amor.

A mãe de Jesus conhecia a misericórdia de Deus Pai. Trazia desde sempre em seu coração as certezas inerentes ao amor com que o Senhor conduzia os passos de seus filhos e sabia ler Seus caminhos nos textos das Escrituras e nas histórias da tradição de seu povo.

Maria experimentou desde a sua tenra idade esse caminhar com o Pai e sabia que era Ele o seu verdadeiro Salvador, por isso desde sempre o seu espírito exultava. Por isso, reconhece a misericórdia de Deus “que olha a humildade de sua serva” (cf. Lc 1, 37) e tem certeza de que é essa mesma misericórdia que faz com que Deus deseje entrar no meio de humanidade como um de nós. Por isso, ao encontrar a prima Isabel, será capaz de proclamar o quanto exulta e o quanto Deus é bom.

Com seu Filho, caminhará encontrando Nele a misericórdia concreta, vivida de forma pura, ainda que um não fosse reconhecida pelos homens e mulheres de seu tempo. Como enxergar, então, a misericórdia de Deus diante da Cruz de Cristo?

Maria enxergou. E aos pés de Seu filho permaneceu, sabendo que o Pai sofria em silêncio, e conseguia perdoar a cada um daqueles algozes e que uma vez mais estenderia as mãos em sinal de fidelidade e aliança com seu povo: Jesus ressuscitaria! A morte não era o fim. Deus soube aproveitar da dor e da tristeza para fazer nascer vida e provar à humanidade que era, sim, o Pai de misericórdia e que sempre estaria presente, ainda que não fosse possível enxergá-lo.

A origem humana e o sofrimento de Maria fizeram com que Ela se aproximasse definitivamente da humanidade. Através dela somos capazes de compreender o coração amoroso de Deus e podemos descobrir seu poder restaurador de nossas dores.

Testemunhemos, pois, a certeza de que nosso coração está no coração do Pai. Testemunhemos que Ele é a única presença que nunca nos deixa. Testemunhemos que é Ele o nosso salvador, amparo e consolador. Desta forma, estaremos exaltando o espírito humano e o Espírito de Deus. Tal como Maria sejamos, pois, testemunhas vivas do Senhor que caminha conosco, ainda que estejamos a enfrentar tempestades ou quando o caminho não nos parece suficientemente seguro ou claro.

Texto para oração: Lc 1, 39-56

Gilda Carvalho
gilda@puc-rio.br

Maria conforme o calendário litúrgico


O Concílio Vaticano II exortou os filhos da Igreja ao culto da Virgem Santíssima, um culto que deve ser essencialmente litúrgico (Lumen Gentium, 67), quer dizer, associado à celebração das festas litúrgicas.

O Concílio Vaticano II lembrou que, ao celebrar o ciclo anual do Senhor, a Igreja, celebra Maria. Maria está, pois, inicialmente associada às festas do Senhor e as festas de Nossa Senhora são, igualmente, agregadas ao Senhor a quem Maria está unida com laços indissolúveis. (Vaticano II, Constituição sobre a liturgia § 103)

As diferentes festas marianas possuem 4 graus de importância:

1. Solenidade,

2. Festas,

3. Memórias (memórias obrigatórias / memórias facultativas),

4. Festas locais.

Em 1974, o Papa Paulo VI renovou o calendário das festas da Virgem Maria, por meio da sua exortação apostólica, Marialis cultus.

Maria está associada às festas do Senhor

Na celebração anual dos Mistérios de Cristo, a Santa Igreja venera, com intenso amor, a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, o mais excelso fruto da redenção, aquela que está unida a seu Filho na obra salutar por laços indissolúveis. (Vaticano II, Constituição sobre a santa liturgia)

O Tríduo Pascal
Natividade do Senhor
Epifania
Ascensão
Pentecostes
Domingo do Advento, da Quaresma e de Páscoa
Quarta-feira de Cinzas
O domingo
Solenidades e festas de Maria.

8 de setembro: Natividade da Virgem Maria: Festa
8 de dezembro: Imaculada Conceição: Solenidade
1º de janeiro: Santa Mãe de Deus: Solenidade
2 de fevereiro: Apresentação do Senhor: Festa
25 de março: Anunciação: Solenidade
Sábado, após o quarto domingo de Páscoa: Santa Maria, consoladora dos aflitos, principal padroeira de Luxemburgo (Luxemburgo: Solenidade)
31 de maio: Visitação da Virgem Maria: festa
Sant´Ana (Canadá): Festa
15 de agosto: Assunção: Solenidade
31 de agosto: Santíssima Virgem Maria Medianeira (na Bélgica). Na África do Norte, data celebrada como solenidade.
Memórias de Maria

Aos sábados: quando não se comemora uma solenidade, festa ou memória obrigatória, neste dia da semana, exalta-se a memória de Nossa Senhora.
Memórias ligadas a antigos relatos apócrifos, relatos que não possuem valor histórico, possuindo, entretanto, valor espiritual:
21 de novembro: Apresentação de Maria, no templo
26 de julho: Sant´Ana e São Joaquim
Memórias ligadas às aparições da Virgem Maria
11 de fevereiro (Nossa Senhora de Lourdes),
13 de maio (Nossa Senhora de Fátima),
12 de dezembro: (Nossa Senhora de Guadalupe)
27 de dezembro (rua du Bac)
Memórias ligadas à história da Igreja:
Após o Concílio de Éfeso (431), deseja-se honrar Maria como a Mãe da humanidade do Filho de Deus, Mãe de Deus. A Ela é dedicada a Basílica de Santa Maria Maior. Em seguida, cria-se a sua festa, consagrando-lhe o dia 5 de agosto.
O cisma de Avignon (1378), leva o Bispo de Praga, Bispo Jenstein, a introduzir a festa da Visitação.
O movimento herético de Huss provoca o sínodo de Colônia (1423) e suscita, em seguida, a festa de Nossa Senhora das Dores.

Memórias diocesanas, festas locais


Estas são inúmeras e marcam um acontecimento notável, numa diocese (fundação de um santuário após uma aparição ou revelações particulares, peregrinação regional etc.) ou um acontecimento importante para uma ordem religiosa.


Nesta categoria, destacam-se: Nossa Senhora da Salette (celebrada no dia 19 de setembro), Nossa Senhora de Banneux, Nossa Senhora de Beauraing, as aparições de Betânia, Nossa Senhora de Todos os Povos (Amsterdam), Nossa Senhora da Ilha Bouchard etc.

F.Breynaert

Por que Maria permaneceu aqui na Terra, após a Ascensão?

Este espaço de tempo não representou uma pequena consolação para os discípulos de Jesus Cristo. Este espaço de tempo nada tirou da mãe, mas trouxe ao mundo, remédios para a salvação.

O Senhor Jesus quis, efetivamente, que, após o seu retorno à Casa do pai, os Apóstolos pudessem usufruir da assistência e da educação maternas. Mesmo que já estivessem doutrinados pelo Espírito, eles tinham, ainda, muito que aprender daquela que deu ao mundo o Sol de Justiça e que fez com que jorrasse, do seio imaculado, tal campina virginal, a fonte da Sabedoria.

Enfim, em sua admirável bondade, quis, a Providência, que a Igreja primitiva, que já não tinha como ver a Deus, como presença humana, pudesse ver a sua mãe, e que fosse reconfortada por esta visão tão amável.

Oito homilias marianas - Fontes cristãs - Editions du Cerf 1960
Homilia 7: A morte da Virgem e sua Assunção

DIA DE TODOS OS SANTOS


A festa do dia de Todos-os-Santos é celebrada em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não. A Igreja Católica celebra a Festum omnium sanctorum a 1 de novembro seguido do dia dos fiéis defuntos a 2 de novembro. A Igreja Ortodoxa celebra esta festividade no primeiro domingo depois do Pentecostes, fechando a época litúrgica da Páscoa. Na Igreja Luterana o dia é celebrado principalmente para lembrar que todas as pessoas batizadas são santas e também aquelas pessoas que faleceram no ano que passou. Em Portugal, neste dia, as crianças costumam andar de porta em porta a pedir bolinhos, frutos secos e romãs.
O dia de todos os santos, no Brasil dito: dia de finados [errado porque a celebração é a mesma e com a mesma designação em toda a Igreja, com o objetivo de suprir quaisquer faltas dos fiéis em recordar os santos nas celebrações das festas ao longo do ano]. Esta tradição de recordar (fazer memória) os santos está na origem da composição do calendário litúrgico, em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados como testemunho pela sua fé, realizando-se nelas orações, missas e vigílias, habitualmente no mesmo local ou nas imediações de onde foram mortos, como acontecia em redor do Coliseu de Roma. Posteriormente tornou-se habitual erigirem-se igrejas e basílicas dedicadas em sua memória nesses mesmos locais.
O desenvolvimento da celebração conjunta de vários mártires, no mesmo dia e lugar, deveu-se ao facto frequente do martírio de grupos inteiros de cristãos e também devido ao intercâmbio e partilha das festividades entre as dioceses/eparquias por onde tinham passado e se tornaram conhecidos. A partir da perseguição de Diocleciano o número de mártires era tão grande que se tornou impossível designar um dia do ano separado para cada um. O primeiro registo (Século IV) de um dia comum para a celebração de todos eles aconteceu em Antioquia, no domingo seguinte ao de Pentecostes, tradição que se mantém nas igrejas orientais.
Com o avançar do tempo, mais homens e mulheres se sucederam como exemplos de santidade e foram com estas honras reconhecidos e divulgados por todo o mundo. Inicialmente apenas mártires (com a inclusão de São João Baptista), depressa se deu grande relevo a cristãos considerados heróicos nas suas virtudes, apesar de não terem sido mortos. O sentido do martírio que os cristãos respeitam alarga-se ao da entrega de toda a vida a Deus e assim a designação "todos os santos" visa celebrar conjuntamente todos os cristãos que se encontram na glória de Deus, tenham ou não sido canonizados (processo regularizado, iniciado no Século V, para o apuramento da heroicidade de vida cristã de alguém aclamado pelo povo e através do qual pode ser chamado universalmente de beato ou santo, e pelo qual se institui um dia e o tipo e lugar para as celebrações, normalmente com referência especial na missa).

Intenção catequética da festividade

Segundo o ensinamento da Igreja, a intenção catequética desta celebração que tem lugar em todo o mundo, ressalta o chamamento de Cristo a cada pessoa para o seguir e ser santo, à imagem de Deus, a imagem em que foi originalmente criada e para a qual deve continuar a caminhar em amor. Isto não só faz ver que existem santos vivos (não apenas os do passado) e que cada pessoa o pode ser, mas sobretudo faz entender que são inúmeros os potenciais santos que não são conhecidos, mas que da mesma forma que os canonizados igualmente vêem Deus face a face, têm plena felicidade e intercedem por nós. O Papa João Paulo II foi um grande impulsionador da "vocação universal à santidade", tema renovado com grande ênfase no Segundo Concílio do Vaticano.
Nesta celebração, o povo católico é conduzido à contemplação do que, por exemplo, dizia o Cardeal John Henry Newman (Venerável ainda não canonizado): não somos simplesmente pessoas imperfeitas em necessidade de melhoramentos, mas sim rebeldes pecadores que devem render-se, aceitando a vida com Deus, e realizar isso é a santidade aos olhos de Deus.

Citações do Catecismo da Igreja Católica

957. A comunhão com os santos. «Não é só por causa do seu exemplo que veneramos a memória dos bem-aventurados, mas ainda mais para que a união de toda a Igreja no Espírito aumente com o exercício da caridade fraterna. Pois, assim como a comunhão cristã entre os cristãos ainda peregrinos nos aproxima mais de Cristo, assim também a comunhão com os santos nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e Cabeça, toda a graça e a própria vida do Povo de Deus» [1].
«A Cristo, nós O adoramos, porque Ele é o Filho de Deus;
quanto aos mártires, nós os amamos como a discípulos e imitadores do Senhor;
e isso é justo, por causa da sua devoção incomparável para com o seu Rei e Mestre.
Assim nós possamos também ser seus companheiros e condiscípulos!».

Fonte: wikipedia

Quem é Maria ?


Quem é Maria ?

Criatura, como qualquer ser humano, Maria é, entretanto, Aquela que “todas as gerações chamarão de bem-aventurada” (Lc 1, 48)... De todas as criaturas, ela é Aquela que os Padres, apologistas e Doutores da Igreja nomeiam “a Obra-Prima de Deus” ou “O Segredo do Rei”... O seu “Sim” dado a Deus, mudou para sempre o curso da História da humanidade.

Para Deus Pai, ela é aquela, escolhida desde toda a eternidade, por meio da qual foi possível a realização plena da Aliança entre Ele, Deus, e sua criatura, e por meio dela o plano da salvação do mundo em Seu Verbo tornou-se exeqüível ...

Para o Verbo de Deus, ela é aquela que Lhe deu a Sua humanidade, aquela que envolveu toda a Sua vida terrestre, Aquela a quem Ele pôde chamar de Mamãe, Aquela, igualmente, que, poderosa e influente no coração de seu Filho, consegue d´Ele tudo o que deseja...

Para nós, Maria é a Mãe, Refúgio de ternura, de compaixão e misericórdia, que nos concebe para a vida divina; Maria é, também, nosso Modelo, pois ela é nossa irmã, conforme a condição humana; ela é a Estrela da manhã, na qual ganha vida toda a nossa Esperança...

A Doutrina Mariana

Para bem compreender Maria, a Igreja considera a maneira como Deus a vê. Ela é, de certa forma, “o Segredo do Rei”, no próprio coração da Trindade, sendo absolutamente a única, entre todas as criaturas, a ser, num só tempo, Filha do Pai, Mãe do Filho e “Esposa” do Espírito Santo. Por conseguinte, ela é a única a viver os três amores mais intensos e profundos (filiação / paternidade-maternidade / casamento) em plenitude com o próprio Deus.

Maria é a Nova Eva que partilhou a vida e a obra redentora do Novo Adão de forma ímpar (concepção virginal, a criança em seu seio durante nove meses; infância e vida oculta, durante trinta anos; comunhão permanente ao longo de sua vida pública; comunhão perfeita após a Ascensão). Ela passou – e só ela – mais tempo com Jesus do que todas as outras criaturas reunidas.

Mãe de Cristo, que é a Cabeça da Igreja, ela é, igualmente, Mãe do Seu Corpo, que é a Igreja, com inigualável vocação materna junto a todos os homens. Ao “Fiat” perfeito de Maria, iniciado com o “sim” da sua aceitação ao desígnio divino e vivenciado durante toda a sua vida, Deus correspondeu concedendo-lhe a glória excepcional que ultrapassa a de qualquer outra criatura: Rainha do Céu e da Terra, ela é, antes de tudo, Mãe de Deus e Mãe dos homens. Deus quer que nos unamos a Ele por meio dela, assim como Ele chegou até nós por seu intermédio. É muito difícil falar de Maria sem diminuir seu esplendor e sua grandeza. Eis o motivo pelo qual o Hino Acatista canta:


Alegra-te, Montanha, cuja grandeza ultrapassa o pensamento dos homens;

Alegra-te, Abismo de profundidade insondável, até mesmo para os Anjos;

Alegra-te, tu que conduzes os filósofos aos limites de sua sabedoria;

Alegra-te, tu que levas os sábios às fronteiras do raciocínio;

Alegra-te, tu, diante de quem os espíritos sutis tornam-se hesitantes;

Alegra-te, tu, diante de quem os literatos perdem suas palavras...

Fonte:www.mariedenazareth.com

A SAUDAÇÃO ANGÉLICA


1. — A saudação angélica é dividida em três partes: A primeira, composta pelo Anjo: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres. (Lc 1, 28).
A segunda é obra de Isabel, mãe de João Batista, que disse: Bendito é o fruto do teu ventre.
A terceira parte, a Igreja acrescentou: Maria
O Anjo não disse: Ave Maria e sim, Ave, Cheia de graça. Mas este nome de Maria, efetivamente, se harmoniza com as palavras do Anjo, como veremos mais adiante.
AVE
2. — Na antiguidade, a aparição dos Anjos aos homens era um acontecimento de grande importância e os homens sentiam-se extremamente honrados em poder testemunhar sua veneração aos Anjos.
A Sagrada Escritura louva Abraão por ter dado hospitalidade aos Anjos e por tê-los reverenciado.
Mas um Anjo se inclinar diante de uma criatura humana, nunca se tinha ouvido dizer antes que o Anjo tivesse saudado à Santíssima Virgem, reverenciando-a e dizendo: Ave.
3. — Sé na antiguidade o homem reverenciava o Anjo e o Anjo não reverenciava o homem, é porque o Anjo é maior que o homem e o é por três diferentes razões:
Primeiramente, o Anjo é superior ao homem por sua natureza espiritual.
Está escrito: Dos seres espirituais Deus fez seus Anjos. (Sl 103).
4. — O homem tem uma natureza corrutível e por isso Abraão dizia a Deus: (Gn 18, 27) Falarei a meu Senhor, eu que sou cinza e pó.
Não convém que a criatura espiritual e incorruptível renda homenagem à criatura corruptível.
Em segundo lugar, o Anjo ultrapassa o homem por sua familiaridade com Deus.
Com efeito, o Anjo pertence à família de Deus, mantendo-se a seus pés. Milhares de milhares de Anjos o serviam, e dez milhares de centenas de milhares mantinham-se em sua presença, está escrito em Daniel (7, 10).
Mas o homem é quase estranho a Deus, como um exilado longe de sua face pelo pecado, como diz o Salmista: (54, Fugindo, afastei-me de Deus.
Convém, pois, ao homem honrar o Anjo por causa de sua proximidade com a majestade divina e de sua intimidade com ela.
Em terceiro lugar, o Anjo foi elevado acima do homem, pela plenitude do esplendor da graça divina que possui. Os Anjos participam da própria luz divina em mais perfeita plenitude. Pode-se enumerar os soldados de Deus, diz Jó (25, 3) e haverá algum sobre quem não se levante a sua luz? Por isso os Anjos aparecem sempre luminosos. Mas os homens participam também desta luz, porém com parcimônia e como num claro-escuro.
Por conseguinte, não convinha ao Anjo inclinar-se diante do homem, até, o dia em que apareceu urna criatura humana que sobrepujava os Anjos por sua plenitude de graças (cf n° 5 a 10), por sua familiaridade com Deus (cf. n° 10) e por sua dignidade.
Esta criatura humana foi a bem-aventurada Virgem Maria. Para reconhecer esta superioridade, o Anjo lhe testemunhou sua veneração por esta palavra: Ave.
CHEIA DE GRAÇA

5. — Primeiramente, a bem-aventurada Virgem ultrapassou todos os Anjos por sua plenitude de graça, e para manifestar esta preeminência o Arcanjo Gabriel inclinou-se diante dela, dizendo: cheia de graça; o que quer dizer: a vós venero, porque me ultrapassais por vossa plenitude de graça.
6. — Diz-se também da Bem-aventurada Virgem que é cheia de graça, em três perspectivas:
Primeiro, sua alma possui toda a plenitude de graça. Deus dá a graça para fazer o bem e para evitar o mal. E sob esse duplo aspecto a Bem-aventurada Virgem possuía a graça perfeitissimamente, porque foi ela quem melhor evitou o pecado, depois de Cristo.
O pecado ou é original ou atual; mortal ou venial.
A Virgem foi preservada do pecado original, desde o primeiro instante de sua concepção e permaneceu sempre isenta de pecado mortal ou venial.
Também está escrito, no Cântico dos Cânticos: (4, 7) Tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula.
«Com exceção da Santa Virgem, diz Santo Agostinho, em seu livro sobre a natureza e a graça; todos os santos e santas, em sua vida terrena, diante da pergunta: «estais sem pecados?» teriam gritado a uma só voz: «Se disséssemos: estamos sem pecado (cf. 1, Jo 1, 6), estaríamos enganando-nos a nós mesmos e a verdade não estaria conosco».
«A Virgem santa é a única exceção. Para honrar o Senhor, quando se trata a respeito do pecado, não se faça nunca referência à Virgem Santa. Sabemos que a ela foi dada uma abundância de graças maior, para triunfar completamente do pecado. Ela mereceu conceber Aquele que não foi manchado por nenhuma falta».
Mas o Cristo ultrapassou a Bem-aventurada Virgem. Sem dúvida, um e outro foram concebidos e nasceram sem pecado original. Mas Maria, contrariamente a seu Filho, lhe é submissa de direito. E se ela foi, de fato, totalmente preservada, foi por uma graça e um privilégio singular de Deus Todo Poderoso que é devido aos méritos de seu Filho, Jesus Cristo, Salvador do gênero humano. (N.T.).
7. — A Virgem realizou também as obras de todas as virtudes. Os outros santos se destacam por algumas virtudes, dentre tantas. Este foi humilde, aquele foi casto, aquele outro, misericordioso, por isto são apresentados como modelo para esta ou aquela determinada virtude; como, por exemplo, se apresenta São Nicolau, como modelo de misericórdia.
Mas a Bem-aventurada Virgem é o modelo e o exemplo de todas as virtudes. Nela achareis o modelo da humildade. Escutai suas palavras: (Lc 1, 38) Eis a escrava do Senhor. E mais (Lc 1, 48): O Senhor olhou a humildade de sua serva. Ela é também o modelo da castidade: ela mesma confessa que não conheceu homem (cf. Lc 1, 43). Como é fácil constatar, Maria é o modelo de todas as virtudes.
A Bem-aventurada Virgem é pois cheia de graça, tanto porque faz o bem, como porque evita o mal.
8. — Em segundo lugar, a plenitude de graça da Virgem Santa se manifesta no reflexo da graça de sua alma, sobre sua carne e todo o seu corpo.
Já é uma grande felicidade que os santos gozem de graça suficiente, para a santificação de suas almas. Mas a alma da Bem-aventurada Virgem Maria possui uma tal plenitude de graça, que esta graça de sua alma reflete sobre sua carne, que, por sua vez, concebe o Filho de Deus.
Porque o amor do Espírito Santo, nos diz Hugo de São Vitor, arde no coração da Virgem com um ardor singular, Ele opera em sua carne maravilhas tão grandes, que dela nasceu um Homem Deus, como avisa o Anjo à Virgem santa: (Lc 1, 35) Um Filho santo nascerá de ti e será chamado Filho de Deus.
9. — Em terceiro lugar, a Bem-aventurada Virgem é cheia de graça, a ponto de espalhar sua plenitude de graça sobre todos os homens.
Que cada santo possua graça suficiente para a salvação de muitos homens é coisa considerável. Mas se um santo fosse dotado de uma graça capaz de salvar toda a humanidade, ele gozaria de uma abundância de graça insuperável. Ora, essa plenitude de graça existe no Cristo e na Bem-aventurada Virgem.
Em todos os perigos, podemos obter o auxílio desta gloriosa Virgem. Canta o esposo, no Cântico dos Cânticos: (4, 4) Teu pescoço é como a torre de Davi, edificada com seus baluartes. Dela estão pendentes mil escudos, quer dizer, mil remédios contra os perigos.
Também em todas as ações virtuosas podemos beneficiar-nos de sua ajuda. Em mim há toda a esperança da vida e da virtude (Ecl 24, 25).
MARIA

10. — A Virgem, cheia de graça, ultrapassou os Anjos, por sua plenitude de graça. E por isto é chamada Maria, que quer dizer, «iluminada interiormente», donde se aplica a Maria o que disse Isaias: (58, 11) O Senhor encherá tua alma de esplendores. Também quer dizer: «iluminadora dos outros», em todo o universo; por isso, Maria é comparada, com razão, ao sol e à lua.

O SENHOR É CONVOSCO
11. — Em segundo lugar, a Virgem ultrapassa os Anjos em sua intimidade com o Senhor. O arcanjo Gabriel reconhece esta superioridade, quando lhe dirige estas palavras: O Senhor é convosco, isto é, venero-vos e confesso que estais mais próxima de Deus do que eu mesmo estou. O Senhor está, efetivamente, convosco.
O Senhor Pai está com Maria, pois Ele não se separa de maneira nenhuma de seu Filho e Maria possui este Filho, como nenhuma outra criatura, até mesmo angélica. Deus mandou dizer a Maria, pelo Arcanjo Gabriel (Lc 1, 35) Uma criança santa nascerá de ti e será chamada Filho de Deus.
O Senhor está com Maria, pois repousa em seu seio. Melhor do que a qualquer outra criatura se aplicam a Maria estas palavras de Isaias: (12, 6) Exulta e louva, casa de Sião, porque o Grande, o Santo de Israel está no meio de ti.
O Senhor não habita da mesma maneira com a Bem-aventurada Virgem e com os Anjos. Deus está com Maria, como seu Filho; com os Anjos, Deus habita como Senhor.
O Espírito Santo está em Maria, como em seu templo, onde opera. O arcanjo lhe anunciou: (Lc 1, 35) O Espírito Santo virá sobre ti. Assim, pois, Maria concebeu por efeito do Espírito Santo e nós a chamamos «Templo do Senhor», «Santuário do Espírito Santo». (cf. liturgia das festas de Nossa Senhora).
Portanto, a Bem-aventurada Virgem goza de uma intimidade com Deus maior do que a criatura angélica.
Com ela está o Senhor Pai, o Senhor Filho, o Senhor Espírito Santo, a Santíssima Trindade inteira. Por isso canta a Igreja: «Sois digno trono de toda a Trindade».
É esta então a palavra mais nobre, a mais expressiva, como louvor, que podemos dirigir à Virgem.
MARIA
12. — Portanto o Anjo reverenciou a Bem-aventurada Virgem, como mãe do Soberano Senhor e, assim, ela mesma como Soberana. O nome de Maria, em siríaco significa soberana, o que lhe convém perfeitamente.
13. — Em terceiro lugar, a Virgem ultrapassou aos Anjos em pureza.
Não só possuía em si mesma a pureza, como procurava a pureza para os outros.
Ela foi puríssima de toda culpa, pois foi preservada do pecado original e não cometeu nenhum pecado mortal ou venial, como também foi livre de toda pena.
BENDITA SOIS VÓS ENTRE AS MULHERES
14. — Três maldições foram proferidas por Deus contra os homens, por causa do pecado original.
A primeira foi contra a mulher, que traria seu filho no sofrimento e daria à luz com dores.
Mas a Bem-aventurada Virgem não está submetida a estas penas. Ela concebeu o Salvador sem corrupção, trouxe-o alegremente em seu seio e o teve na alegria. A Ela se aplica a palavra de Isaias: (35, 2) A terra germinará, exultará, cantará louvores.
15. — A segunda maldição foi pronunciada contra o homem (Gn 3, 9): Comerás o teu pão com o suor de teu rosto.
A Bem-aventurada Virgem foi isenta desta pena. Como diz o Apóstolo (1 Cor 7, 32-34): Fiquem livres de cuidados as virgens e se ocupem só com o Senhor.
A terceira maldição foi comum ao homem e à mulher. Em razão dela devem ambos tornar ao pó.
A Bem-aventurada Virgem disto também foi preservada, pois foi, com o corpo, assunta aos céus. Cremos que, depois de morta, foi ressuscitada e elevada ao céu. Também se lhe aplicam muito apropriadamente as palavras do Salmo 131, 8: Levanta-te, Senhor, entra no teu repouso; tu e a arca da tua santificação.
MARIA

A Virgem foi pois isenta de toda maldição e bendita entre as mulheres. Ela é a única que suprime a maldição, traz a bênção e abre as portas do paraíso.
Também lhe convém, assim, o nome de Maria, que quer dizer, «Estrela do mar», Assim como os navegadores são conduzidos pela estrela do mar ao porto, assim, por Maria, são os cristãos conduzidos à Glória.
BENDITO É O FRUTO DE VOSSO VENTRE
18. — O pecador procura nas criaturas aquilo que não pode achar, mas o justo o obtém. A riqueza dos pecadores está reservada para os justos, dizem os Provérbios (13, 22). Assim Eva procurou o fruto, sem achar nele a satisfação de seus desejos. A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou em seu fruto tudo o que Eva desejou.
19. — Eva, com efeito, desejou de seu fruto três coisas:
Primeiro, a deificação de Adão e dela mesma e o conhecimento do bem e do mal, como lhe prometera falsamente o diabo: Sereis como deuses (Gn 3, 5), disse-lhes o mentiroso. O diabo mentiu, porque ele é mentiroso e o pai da mentira (cf. Jo 8, 44). E por ter comido do fruto, Eva, em vez de se tornar semelhante a Deus, tornou-se dessemelhante. Por seu pecado, afastou-se de Deus, sua salvação, e
foi expulsa do paraíso.
A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou sua deificação no fruto de suas entranhas. Por Cristo nos unimos a Deus e nos tornamos semelhantes a Ele. Diz-nos São João: (1 Jo 3, 2) Quando Deus se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é.
20. — Em segundo lugar, Eva desejava o deleite (cf. Gn 3, 6), mas não o encontrou no fruto e imediatamente conheceu que estava nua e a dor entrou em sua vida.
No fruto da Virgem, ao contrário, encontramos a suavidade e a salvação. Quem come minha carne tem a vida eterna (Jo 6, 55).
21. — Enfim, o fruto de Eva era sedutor no aspecto, mas quão mais belo é o fruto da Virgem que os próprios Anjos desejam contemplar (cf. 1 Pe 1, 12). É o mais belo dos filhos dos homens (Sl 44, 3), porque é o esplendor da glória de seu Pai (Heb 1, 3) como diz S. Paulo.
Portanto, Eva não pôde achar em seu fruto o que também nenhum pecador achará em seu pecado.
Acharemos, no entanto, tudo o que desejamos no fruto da Virgem. Busquemo-lo.
22. — O fruto da Virgem Maria é bendito por Deus, que de tal forma encheu-o de graças que sua simples vinda já nos faz render homenagem a Deus. Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, declara São Paulo (Ef 1, 3).
O fruto da Virgem é bendito pelos Anjos. O Apocalipse (7, 11) nos mostra os Anjos caindo com a face por terra e adorando o Cristo com seus cantos: O louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém
O fruto de Maria é também bendito pelos homens: Toda a língua confesse que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai, nos diz o Apóstolo (Fp 2, 11). E o Salmista (Sl 117, 26) o saúda assim: Bendito o que vem em nome do Senhor.
Assim, pois, a Virgem é bendita, porém, bem mais ainda, é o seu fruto.

De Santo Tomás de Aquino, Doutor Angélico.
Fonte: Pai Nosso e Ave Maria – Sermões de Santo Tomás de Aquino. Editora Permanência, Rio de Janeiro, 2003

As virtudes de Nossa Senhora


Profunda Humildade:
Na vida de Nossa Senhora:
Haverá alguém com mais motivo para aparecer do que Nossa Senhora ? Entretanto, a sua humildade se confunde ao próprio silêncio e escondi mento em todos os seus atos. Esta humildade, de querer apenas ser serva do Senhor esmaga a cabeça do demônio.

Maria Santíssima, nunca esqueceu que tudo nela era dom de Deus. Esperava em segredo, as incompreensões de São José. Guardava em seu coração as graças e favores divinos com que era agraciada por Deus. Ela oferecia ao Senhor os louvores que recebia. Ela se alegrava em servir ao próximo e a se colocava sempre em último lugar. Não teve medo de comparecer ao Calvário, onde foi reconhecida como a mãe de um condenado
Forma que devemos agir nesta virtude :
Mesmo sendo possuidor de múltiplas virtudes, o indivíduo deve pedir a graça sempre da humildade, para entender que as temos pela graça de Deus. Pois com nossos esforços só temos o pecado. Esta humildade significa modéstia, compostura, ausência de vaidade. Simplicidade na maneira de se apresentar. Comedimento na forma de referir-se a si próprio. A pessoa pode conhecer sua força e poder, e apesar disso, não precisa aparecer perante os outros. Devemos reprimir, os secretos impulsos e venenos do orgulho. Pense, você pode anular-se para resplandecer a glória de Deus.

Fé Viva:
Na vida de Nossa Senhora:
Foi pela sua fé que Maria foi proclamada bem-aventurada por sua prima Isabel. Na Paixão de Jesus, os discípulos foram tomados por dúvidas e somente a Virgem Maria se manteve firme na fé, diz Santo Alberto, o Grande. «A fé é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, uma virtude».
Nossa Senhora: Viu Jesus no estábulo de Belém e acreditou que era o Filho de Deus; Viu-O nascer no tempo e acreditou que Ele é eterno; Viu-O finalmente maltratado, crucificado e creu que Ele realmente tinha todo poder. Maria reconhecia acima de si Deus, como único incapaz de se enganar ou nos enganar.

Forma que devemos agir nesta virtude :
Compreendamos que o homem não pode de si mesmo crer e confiar em Deus. Isto é: por si só. O homem, sem o auxílio divino nunca terá fé, porque a fé é um Dom de Deus.

Somente quem conhece Jesus conhece também o Pai. Por isso devemos ouvir a palavra de Jesus Cristo, que é o Evangelho, e nas nossas orações sempre meditar e pensar na sua vida, paixão, morte e ressurreição. Foi a Santa Igreja Católica que recebeu de Deus autoridade para nos ensinar tudo aquilo que Deus nos revelou. Devemos obedecer à Igreja, seguir seus mandamentos, doutrina, no catecismo e nas leituras. Devemos participar de encontros, ouvindo atentamente o palestrante, como também participar da Santa Missa atentos a homília do padre.

Obediência Cega
Na vida de Nossa Senhora:
O Cristo nos deu este mandamento: amarás o Senhor Deus de todo o teu coração e a teu próximo como a ti mesmo. Maria, Mãe dos patriarcas, cumpriu plenamente este duplo preceito.

Santo Irineu dizia que a Virgem Maria , tornou-se através de sua obediência, a origem da salvação, tanto para si mesma quanto para toda a raça humana.

Durante toda a vida Nossa Mãezinha respeitava e obedecia as autoridades, pois sabia que toda a autoridade vem de Deus.
Forma que devemos agir nesta virtude :
O Catecismo da Igreja Católica indica que a obediência é a livre submissão à palavra escutada, cuja verdade está garantida por Deus, que é a Verdade em si mesma.
Esforcemos-nos para obedecer a requisitos ou a proibições. A subordinação da vontade a uma autoridade, o acatamento de uma instrução, o cumprimento de um pedido o a abstenção de algo que é proibido, nos faz crescer. A figura da autoridade que merece obediência pode ser, uma pessoa ou uma comunidade, mas também uma idéia convincente ou uma doutrina. É verdade que o superior deve exercer sua autoridades, apenas como um servo de Deus, não contrariando seus princípios em mentira, roubo ou blasfêmias. Que rezemos pelos superiores.

04- Contínua Oração

Na vida de Nossa Senhora:
Nossa Senhora em suas aparições sempre nos exortou a respeito da oração. As coisas irão bem se reza e irão mal se não se reza.
Maria de Deus engrandeceu ao Senhor não só com palavras, mas com a alma. Ora em espírito e em verdade no encontro com sua prima. Minha alma glorifica ao Senhor. Esta foi uma das frases de Nossa Senhora. Mas havia um sentido. Ela experimentou a presença do Altíssimo em seu interior. Ela reconhecia, era grata e queria retribuir tudo ao seu Senhor .
Nas Bodas, além Dela demonstrar sua confiança na oração de pedido, fez com que os discípulos também acreditassem. Estes discípulos no cenáculo também recorreram à oração de Maria na vinda do Espírito Santo.

Forma que devemos agir nesta virtude :
A Continua Oração vai desde uma oração ordinária, pouco exigente, como: as jaculatórias, oração ao se acordar e ao dormir, ainda quando se está na mesa, mas deve se estender em vida. Entenda como um “espírito de oração”. É uma vida interior no exercício da presença de Deus.
Jesus, no Evangelho, diz-nos que devemos rezar sempre; o que significa estarmos como que revestidos do espírito de oração, tal como o hábito reveste o corpo.
Saibamos cumprir a vontade de Deus a cada momento e aproveitar o nosso tempo, lembrando-nos das palavras de São Paulo:
"Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai". (Cl 3,17).

05- Mortificação Universal

Na vida de Nossa Senhora:
Muitos recorrem às mortificações, como uma virtude, que faz reparar uma ofensa feita a Deus com o pecado. Contudo atos penitencias, podem ser praticados em favor de si ou dos outros. Maria Santíssima teve uma vida de sacrifícios por nossas culpas, para que tivéssemos a salvação. Suas primeiras penitencias, era cumprir fielmente os próprios deveres de Mãe de Deus, já que, fazer outras omitindo estas, seria secundário, ignorando o principal .

Nossa Mãe revela em Fátima:

«Muitas almas vão para o inferno, porque não tem quem se sacrifique e ore por elas»

Haverá mãe, que amou a seu filho, mais que Maria amou a Jesus? Era-lhe Jesus, Filho e Deus ao mesmo tempo, e Ela na força divina foi capaz de entregá-lo aos braços do Espírito.

A Imaculada Conceição no caminho do calvário teve de ouvir injúrias contra seu Amadíssimo Jesus. Que martírio lhe não causou a vista dos cravos, dos martelos, das cordas, dos instrumentos da morte do Filho!

Forma que devemos agir nesta virtude :
A mortificação é uma antiga prática cristã que consiste em realizar um sacrifício mental, que é interior, quando se refere ao sacrifício no âmbito da inteligência e da vontade. Ou pode ser físico, que é corporal pois se refere ao sacrifício dos sentidos. Ambas as finalidades por amor a Deus com o objetivo de se unir à paixão e à cruz de Jesus Cristo e assim, participar da Redenção. São João da Cruz sobre isto escreveu: «Jamais, se queres chegar a possuir a Cristo, o busque sem a cruz.»

É um meio de ajudar as pessoas a levar vidas virtuosas e santas.

É necessário fugir do excesso de conforto e prazeres e, na medida do possível, oferecer alguns sacrifícios a Deus, seja no comer, (renunciar de algum alimento que se tenha preferência ou simplesmente esperar alguns instantes para beber água quando se tem sede), nas diversões (televisão principal¬men¬te), nos desconfortos que a vida oferece (calor, trabalho, etc.), sabendo suportar os outros, tendo paciência em tudo.

É indispensável sorrir quando se está cansado, terminar uma tarefa no horário previsto, ter presente na cabeça problemas ou necessidades daquelas pessoas que nos são caras e não só os próprios.

06- Pureza Divina

Na vida de Nossa Senhora:
Esta preciosa virtude leva o homem até o céu, pela semelhança que ela dá com os anjos, e com o próprio Jesus Cristo. Dizei-me, então, o que significa a Assunção de Nossa Senhora.
O esplendor da Virgindade da Mãe de Deus, fez dela a criatura mais radiosa que se possa imaginar. O dogma de fé na Virgindade Perpétua na alma e no corpo de Maria Santíssima, envolve a concepção Virginal de Jesus por obra do Espírito Santo, assim como sua maternidade virginal.
Para resgatar o mundo, Cristo tomou o corpo isento do pecado original, de Maria de Nazaré. Constatamos que, a Virgem Santa fazia tanto questão de sua pureza, que Ela não queria consentir em ser Mãe de Deus antes que o anjo lhe tivesse assegurado que Ela não a perderia. Mas, tendo lhe dito o anjo que, tornando-se Mãe de Deus, bem longe de perder , seria ainda mais pura e mais agradável a Deus.
Na aparição de Fátima, Nossa Senhora disse que os pecados que mais mandam almas para o inferno, são os pecados impuros. Não que estes sejam os mais graves, mais os mais freqüentes. Não imaginemos Nossa Senhora como uma «santinha ingênua e alienada», que não conhece nada da vida.

Forma que devemos agir nesta virtude :
Os olhos são os espelhos da alma. Quem usa seus olhos para explorar o corpo do outro com malícia perde a pureza. Assim, coloque seus olhos em contemplar os olhos de Deus, por exemplo na Eucaristia, e receba a luz que santifica.
Os casados são chamados a uma castidade conjugal que é um dever de todos os esposos cristãos. Nem tudo que um casal pode fazer, convêm! Satanás, vem entrando no lar, sem ser visto, como nos contraceptivos, nos abortos depois levando ao divórcio

"A pílula anticoncepcional vem do Inferno, dizia Pe. Pio, e quem usa comete pecado mortal". E ainda: "Para todo bom casamento o número dos filhos é estabelecido por Deus e não pela vontade dos esposos", e ainda: "Quem está na estrada do divórcio, está na estrada no Inferno". Pior ainda para quem cometer o crime do aborto!!! Que abram bem os olhos os esposos cristãos! Profanar o sacramento do matrimônio nunca acontecerá sem castigos e maldições sobre as famílias. Se lembrem bem que com Deus não se brinca! (cf. Gl 6,7).

07- Ardente Caridade

Na vida de Nossa Senhora:
Não devemos amar nossas fraquezas, nossos pecados, mas sim aquilo que em nós manifesta a grandeza e a bondade de Deus.

É claro que só coisas boas, brotavam no coração de Nossa Senhora. Isto a fez a mais recheada na virtude da caridade. A vida da Rainha dos Anjos, já refletia esta dom. Ela se entregou ao serviço do templo, desde aproximadamente seus três anos, e nesta ocasião, já estava pronta e sem reserva. Ela amou em intensidade e duração a Deus, e por Ele, nunca deixou de amar os filhos que recebera na cruz. O amor por Deus e pela humanidade traspassou de tal modo sua alma, que não ficou parte alguma em seu ser que não tivesse se doado inteiramente à causa divina. Sua caridade chegou ao ponto, de nos do ar Jesus, seu Divino Filho.

Forma que devemos agir nesta virtude :
A Caridade é um sentimento, mas também uma ação de ajudar o próximo sem buscar qualquer tipo de recompensa. Amor ao próximo; bondade; benevolência; compaixão. Não deixa de ser, dar esmola, mas deve ir muito além da esmola material. Deve-se dar atenção a família. Diz respeito ao trato com as pessoas da comunidade.

A caridade é doar-se, assim como Maria se doou, assim como Jesus, enquanto homem, entregou-se aos algozes para que se cumprisse o plano de Redenção. Daí a caridade ser a essência do cristianismo e deve ser, portanto, a marca de todo católico.

08- Paciência Heróica
Na vida de Nossa Senhora:
Paciência é a virtude que se busca manter o controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo.

É certo pedir a intercessão a Rainha dos Mártires para obter a paciência, pois Ela viveu com a espada transpassada em seu coração, mas soube aceitar com paciência heróica este punhal em sua alma. Nossa Mãe soube suportar, com resignação e tranqüilidade, todos os incômodos, sofrimentos e dores permitidas por Deus, durante sua vida.

Muitos momentos estressastes, de fadiga e de angústia, Ela passou como prova de seu abandono em Deus. Na gravidez, em Belém, no Egito, no momento que havia perdido Cristo aos 12 anos...Vendo Jesus, na cruz com sede, todo ensangüentado. A tolerância, de Nossa Senhora é surpreendente. Ela nunca perdeu o respeito, mesmo para quem confessava não acreditar no seu Filho.

A Nossa Mãe, que é a Mãe da Igreja tem a capacidade de persistir, de aguardar em paz aquilo, que ainda não se tenha obtido, acreditando que irá conseguir, pela espera em Deus.

Forma que devemos agir nesta virtude :
Temos a capacidade de ouvir alguém, com calma, com atenção, sem ter pressa?
Ser paciente não é só ser educado, é saber agir com calma, liberto da ansiedade. A paciência também é uma caridade quando praticada nos relacionamentos interpessoais.

Quando você percebe que a impaciência vem chegando, você procura falar primeiro com Deus, ou com as pessoas envolvidas na situação? Numa crise de impaciência, você grita, ou faz o esforço de se calar?

As vezes é melhor sair, de perto do atrito, e de rezar bem devagar alguma oração, como por exemplo o Pai-Nosso ...seja feita a vossa vontade..., perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...e já com a alma mais tranqüila, poderemos discernir o que nos convém fazer. Espere pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda.

Devemos nos propor, firmemente não nos queixarmos da saúde, do calor ou do frio, do abafamento no ônibus lotado, do tempo que levamos sem comer nada...
Temos que renunciar, frases típicas, que são ditas pelos impacientes: “Você sempre faz isso!”, “De novo, mulher, já é a terceira vez que você...!”, “Outra vez!”, “Já estou cansado”.
O transito é campeão onde as pessoas perdem a paciência. Por isto evite, buzinar na rua quando alguém reduz a marcha do veículo e estaciona inopinadamente; nunca olhe para a cara do “agressor”, do motorista “barbeiro”. Continue serenamente o seu percurso sem ficar sabendo se era homem ou mulher, jovem ou velho: vai ver que é difícil ficar com raiva de uma sombra indefinida; e se, além disso, passada a primeira reação, se lembra de rezar ao Anjo da Guarda por ele/ela, para que se torne mais prudente, mais hábil .

09-Doçura Angélica
Na vida de Nossa Senhora:
Se a doçura não tivesse feito parte da vida de Nossa Senhora, não poderíamos invocá-la como Augusta Rainha dos Anjos. Ser angélico, é uma característica própria do anjo, por ser puríssimo e imaculado. Contudo, a Virgem Maria, enquanto criatura, também foi constituída de tais graças. Ela recebeu o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás. Ela pode clamar as Legiões Celestes, que estão às Vossas ordens, para perseguirem e combaterem os demônios por toda a parte, precipitando-os no abismo.
A Mãe de Deus é para todos os homens a doçura. Com Ela e por Ela, não temos temor. Ela é nossa Mãe plena de doçura. Por isso São Luís de Montfort lembra que, se Jesus é nosso Redentor e nosso apoio, ela, por ser nossa mãe, será sempre nossa força. ( Vós sois, ó Virgem Mãe,. depois de Deus, o meu apoio).

Forma que devemos agir nesta virtude :
Entendamos a doçura é uma coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera. A doçura é antes de tudo uma paz, real ou desejada. É o contrário da guerra, da crueldade, da brutalidade, da agressividade, da violência… Mesmo havendo angústia e sofrimento, pode haver doçura. , mas sempre desprovida de ódio, de dureza, de insensibilidade…
Devemos então, por doçura, pregar a não violência. Entretanto, lembre-se..."Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares". (Ef 6,12)

Autoria: Mara Maria
Fundadora da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus

"AVE MARIA STELLA"

Nossa Senhora dos Bons Ares (Buenos Aires)

Hino “Ave Maris Stella” implora a Nossa Senhora nos levar a bom porto
O hino “Salve Estrela do Mar”, mais conhecido pelo seu nome em latim “Ave Maris Stella” tem uma origem difícil de precisar, como muitas orações medievais muito antigas.

A piedade medieval era extremadamente rica e fértil sendo que muitos contributos iam enriquecendo constantemente as fórmulas de piedade.

Isso se deu também com este hino. O “Ave Maris Stella” foi muitíssimo popular na Idade Média e foi objeto de muitas composições e variantes que foram se fecundando reciprocamente.

As primeiras notícias dele remontam ao século VIII. O criador da letra teria sido São Venâncio Fortunato (530-609), bispo de Poitiers, a quem atribui-se também o “Pange Lingua Gloriosi Proelium Certaminis” (“Canta, minha língua, o glorioso combate”) que serviu de inspiração para o hino eucarístico “Pange Lingua Gloriosi Corporis Mysterium” (“Canta, minha língua, o glorioso mistério da Hóstia”) de São Tomás de Aquino.

Reconhece-se a São Venâncio Fortunato a autoria do igualmente famoso “Vexilla Regis prodeunt” (“Os estandartes do rei avançam”).

A melodia do “Ave Maris Stella”, provém do cântico irlandês “Gabhaim Molta Bríde” composto em honra de Santa Brígida.

O “Salve Estrela do Mar” tem relevante importância na preparação da consagração à Santíssima Virgem como escravo de amor, segundo o inspirado método de São Luís Maria Grignion de Montfort.

A liturgia católica saúda com o poético “Ave Maris Stella” a Nossa Senhora como “Estrela do Mar”. Porque Nossa Senhora é a Estrela do Mar, quer dizer, a Estrela Polar, que é a mais brilhante, alta, e suprema das estrelas que guia os navegantes em meio à escuridão.

No “Ave Maris Stella” o fiel reza “mostrai que Vós sois Mãe”. Conta-se que na Idade Média um homem rezando aos pés de uma imagem de Nossa Senhora, quando chegou a estas palavras, a imagem se animou e respondeu a ele: “mostra que és filho”!

Na hora de nós nos dirigirmos a Nossa Senhora pedindo para Ela mostrar que é Mãe, pensemos que Ela tem o direito de nos dizer: “Meu filho, mostra que és filho!”
Não há nada melhor que pedir as luzes do Espírito Santo para que a Estrela do Mar nos ilumine no meio do mar agitado e da escuridão hodierna. Só assim nossa nau atingirá o verdadeiro porto, quer dizer, a via de Nossa Senhora e a graça dEla.

Ave, maris stella,
Ave estrela do mar,
Dei Mater alma,
Mãe de Deus sagrada,
Atque semper Virgo,
Quem sempre Virgem sois,
Felix cæli porta.
Porta feliz do Céu.

Sumens illud Ave
Tomando aquela Ave
Gabriélis ore,
Por voz de Gabriel,
Funda nos in pace,
Firmai-nos bem na paz,
Mutans Hevæ nomen.
Mudado o nome Eva.

Solve vincla reis,
Aos réos soltai prisões,
Profer lumen cæcis,
Aos cegos vista dai
Mala nostra pelle,
Nossos males tirai
Bona cuncta posce.
Todos os bens pedi.

Monstra te esse matrem,
Mostrai que Vós sois Mãe,
Sumat per te preces
Por Vós ouça os rogos,
Qui pro nobis natus
Quem por causa de nós,
Tulit esse tuus.
Quis vosso Filho ser.

Virgo singuláris,
Ó Virgem singular,
Inter omnes mitis,
Mais que todos branda,
Nos culpis solútos
Livres nós da culpa,
Mites fac et castos.
Brandos, castos fazei.

Vitam præsta puram,
Dai-nos vida pura,
Iter para tutum,
Os passos dirigi,
Ut vidéntes Jesum
Porque vendo a Jesus,
Semper collætémur.
Vivamos com prazer.

Sit laus Deo Patri,
Louve-se Deus Padre,
Summo Christo decus,
Honre-se o seu Filho,
Spirítui Sancto,
E seu divino Amor,
Tribus honor unus.
Aos três um só louvor.
Amen.

Doze Notáveis Privilégios de Maria Santíssima


Uma alma verdadeiramente católica deve exultar ao tomar conhecimento de dons especialíssimos concedidos por Deus a nossa Mãe celeste

Valdis Grinsteins
Extraído da Revista Catolicismo

Um dos temas que mais atrai a ira dos protestantes é a devoção devida a Nossa Senhora. Incompreensões e calúnias de todo gênero circulam a esse propósito.
Discutindo com protestantes, acabei constatando que, na raiz dessa posição, está sempre presente o orgulho. E este vício manifesta-se num ponto fundamental: o igualitarismo. Para uma pessoa orgulhosa, tudo aquilo que o outro possui, e ele não, é considerado um rebaixamento. Segundo tal mentalidade, para se evitar isso dever-se-iam suprimir todas as desigualdades. Aceitar-se-ia, quando muito, Deus como único ser diferente, mas nada de santos e criaturas privilegiadas.
Essa é uma mentalidade anti-católica. Para uma pessoa de mentalidade católica, o fato de outro possuir algo que ela não tem não representa uma afronta, não constitui uma agressão. Mas, pelo contrário, sentimo-nos felizes reconhecendo e amando a hierarquia estabelecida por Deus.
Arquitetonia da criação
Isto dito, compreende-se que um católico, quanto mais conheça privilégios de Nossa Senhora, sinta-se especialmente comprazido. E realmente Deus Nosso Senhor A cumulou com uma série de privilégios altíssimos. O que é perfeitamente arquitetônico no plano da criação.

O primeiro privilégio, do qual decorrem muitos outros, é a Imaculada Conceição, mediante a qual Nossa Senhora foi preservada do pecado original. Convinha que a Mãe de Deus fosse isenta de qualquer mancha de pecado.
Desse privilégio decorre a ausência da inclinação para praticar o mal. A Mãe de Deus não experimentava nenhuma das más inclinações que podem levar ao pecado, e, graças à sua fidelidade, não cometeu jamais a mínima imperfeição.

Igualmente — e este é o terceiro privilégio — Nossa Senhora teve um parto miraculoso e sem dor. Quando Adão e Eva pecaram, Deus disse a Eva: “Darás à luz com dor os filhos” (Gen 3,16). Sendo Nossa Senhora isenta do pecado original, compreende-se que o parto d´Ela não pagasse tributo à dor. O que é explicável, pois não convinha que a vinda do Salvador — alegria do Universo — ocorresse em meio à dor, mas sim numa atmosfera de júbilo.

Um quarto privilégio foi sua santa morte. A morte é fruto do pecado original. Disse Deus a Adão: “Tu és pó e em pó te hás de tornar” (Gen 3,19). Como a Virgem Santíssima foi concebida sem pecado original, não havia razão para Ela morrer. Poderia ir diretamente para o Céu, sem passar pela morte. Entretanto, Nossa Senhora desejou não ficar isenta dessa provação, pela qual até seu Divino Filho tinha passado. Por isso faleceu, mas de morte tão suave que, na linguagem católica, fala-se em Dormição da Beatíssima Virgem Maria. Sua morte não foi causada por doença ou velhice. Dominava-a tal amor de Deus, que Ela morreu mais propriamente devido a esse amor.

Um quinto privilégio: Seu corpo não se corrompeu no túmulo. A perda da vida acarreta a destruição da matéria, mas no caso d´Ela a morte não teve poder sobre a matéria. Nada se alterou, nada se perdeu. Por isso sua morte é comparada ao sono, à Dormição.
Obra-prima da criação

Um sexto privilégio é a plenitude das graças recebidas. Deus é grandioso, generoso, porquanto cria sem nenhuma necessidade de criar, fazendo-o porque assim o quer. E, ao criar, Deus decidiu que ao menos uma mera criatura recebesse tudo o que é possível a um ente criado receber. Assim, recebeu Ela já no primeiro instante de seu ser todas as graças possíveis.

Então manifesta-se um sétimo privilégio. Em tese, seria possível Ela a receber e rejeitar. Mas Nossa Senhora foi inteiramente fiel à graça, que A preservou de toda imperfeição.

Um oitavo privilégio foi a maternidade divina. Deus é a Sabedoria, e tudo o que faz decorre de uma razão altíssima. Qual seria o sentido de existir uma criatura a mais perfeita possível, isenta do pecado original e cheia de graça, e não lhe tocar uma vocação superior? Seria como uma obra de arte que não fosse exposta ao público e permanecesse fechada num cofre. Nossa Senhora é a obra-prima da criação, sendo lógico, portanto, que recebesse uma vocação proporcional à sua especialíssima situação. E que vocação pode haver mais alta do que a de ser Mãe de Deus?
Maternidade e virgindade

Tratemos de um nono privilégio. Deus quis que sua Mãe fosse Virgem. Por quê? Não é regra comum da vida que maternidade e virgindade sejam incompatíveis? A virgindade não é apenas algo físico, mas corresponde também a um estado de alma. Quis Deus que as mães votem um amor especial, do ponto de vista natural, pelos seres que geraram. Mas para Nossa Senhora Ele almejava mais. Ela devia ser dotada de todo o amor possível de Mãe, mas concomitantemente, de todo desapego das coisas do mundo que a virgindade produz nas almas. E Nossa Senhora, a mais perfeita das mães, devia ter alma de Virgem, a fim de fazer o mais perfeito sacrifício possível e praticar o supremo desapego: entregar seu próprio Filho para ser imolado, com vistas a redimir nossos pecados.

Um décimo privilégio de Nossa Senhora: sua Assunção aos céus, em corpo e alma. Compreende-se igualmente que, segundo o plano divino, um ser tão perfeito deveria receber um prêmio perfeito. Em contraste com os outros seres mortais, Ela está no Céu em corpo e alma.
Dispensadora das graças

Tendo-a chamado a Si, de forma tão privilegiada, compreende-se que Deus A tenha coroado como Rainha do Céu e da Terra. Este é o décimo-primeiro privilégio.

Finalmente, o décimo-segundo: a onipotência que Jesus Cristo lhe concedeu, estabelecendo-a como dispensadora de todas as graças. Tal privilégio, altíssimo sem dúvida alguma, é também um extraordinário prêmio para todos nós. Afinal, quem se beneficia dele? Nossa Senhora recebe todas as graças para as distribuir aos outros. Ela é a dispensadora, Aquela que entrega.
Voltamos ao início do artigo. Poderia alguém, com espírito de fé, lamentar tais privilégios? Posso eu sentir-me diminuído pelo fato de ser Ela a dispensadora de todas as graças? Como não ficar jubiloso ao saber que tão perfeita Mãe dispõe do poder de espargir entre seus filhos as graças divinas? Peçamos então o poderoso auxílio d’Ela. E rezemos pela conversão daqueles a quem o orgulho cega, não querendo entender a beleza de uma Mãe tão cheia de privilégios, que a todos eleva.

Excelências da Ladainha Lauretana


Artigo explicando várias das invocações da Ladainha de Nossa Senhora.

Muitos católicos costumam rezar, após o Rosário, a Ladainha de Nossa Senhora, mas poucos conhecem bem o grande valor teológico e simbólico de suas invocações

Várias das invocações são óbvias, nem precisariam de explicações. Por exemplo: "Santa Mãe de Deus, rogai por nós" ou "Mãe do Criador, rogai por nós". Se Nossa Senhora é Mãe de Jesus Cristo, e Ele é nosso Deus e Criador, é normal invocá-La desse modo.

Mas, confesso, eu passaria por um aperto se me perguntassem: por que Nossa Senhora é invocada como Torre de Davi ou Espelho de Justiça? Por que Torre de Davi e não Torre de Abraão ou de Moisés? Qual a origem dessas invocações? Não seria espiritualmente mais proveitoso repetir uma invocação sabendo seu significado?

Se amanhã, numa reunião com algum alto dignitário, eu tivesse que dizer algo, preparar-me-ia para não repetir mecanicamente coisas ouvidas sem conhecer bem seu sentido. Quando rezamos, em última análise dirigimo-nos a Deus, superior a qualquer dignitário deste mundo; portanto, devemos procurar entender razoavelmente o sentido das preces que fazemos.

É claro que Deus é misericordioso e aceita benignamente as orações feitas com devoção e desejo de agradá-Lo, mesmo se não compreendemos inteiramente o significado delas. Estamos certos de que, se a Santa Igreja colocou em nossos lábios pecadores aquelas orações, é porque elas são agradáveis a Deus.

Mas o próprio desejo de agradar a Deus deve levar-nos a procurar entender com profundidade o significado daquilo que Lhe dizemos, e com isso, também tornar mais eficaz o pedido que fazemos.

Assim sendo, vejamos a procedência de algumas invocações da Ladainha Lauretana, o que certamente resultará em aperfeiçoarmos nossa vida espiritual. Para isso ajudou-me muito o livro Na escola de Maria, de autoria de André Damino (*).

Origem das ladainhas

A palavra ladainha vem do grego e significa súplica. Mas desde o início da Igreja ela foi utilizada para indicar não quaisquer súplicas, mas as que eram rezadas em conjunto pelos fiéis que iam em procissão às diversas igrejas. Há, naturalmente, numerosas ladainhas, dependendo do que é pedido nas diversas procissões.

Quando a casa na qual morou Nossa Senhora na Palestina foi transportada milagrosamente para a cidade de Loreto (Itália), em 1291, a feliz novidade espalhou-se rapidamente, dando início a numerosas peregrinações. Com o correr do tempo, uma série de súplicas a Nossa Senhora foi sendo composta pelos peregrinos que ali iam, os quais A invocavam por seus principais títulos de glória. Posteriormente essa ladainha era cantada diariamente no Santuário, e os peregrinos que de lá voltavam a popularizaram em todo o orbe católico. Chama-se lauretana por ter sua origem em Loreto.

Algumas invocações têm sido acrescentadas pelos Papas ao longo dos tempos, outras são agregadas para honrar a proteção de Nossa Senhora a alguma Ordem religiosa, como fazem os carmelitas, os quais rezam a ladainha lauretana carmelitana, com quatro invocações a mais. Mas o corpo central das ladainhas permanece o mesmo.

Composição da Ladainha

No início da Ladainha Lauretana, as invocações não se dirigem a Nossa Senhora, mas a Nosso Senhor e à Santíssima Trindade, pois dizemos Senhor, tende piedade de nós, Jesus Cristo, ouvi-nos, etc. Depois invocamos o Padre Eterno, o Filho e o Espírito Santo. Por quê?

Tudo em Nossa Senhora nos conduz a seu divino Filho, e por meio dEle à Santíssima Trindade, que é nosso fim último. Isto é algo que os protestantes não entendem ou não querem entender: Maria Santíssima é o melhor caminho para se chegar a Deus.

Após essa introdução da ladainha, seguem-se três invocações, nas quais pronunciamos o nome da Virgem (Santa Maria) e lembramos dois de seus principais privilégios: o ser Mãe de Deus e Virgem das virgens. A seguir, há um grupo de 13 invocações para honrarmos a Maternidade de Nossa Senhora, e outras seis para honrar sua Virgindade. Em seguida, 13 figuras simbólicas; quatro invocações de sua misericórdia e, finalmente, 12 invocações dEla enquanto Rainha gloriosa e poderosa.

Em geral, é no grupo das 13 invocações com figuras simbólicas que surgem as maiores dificuldades de compreensão. Nossa civilização fechou-se para o simbolismo, e aquilo que poderia ser até evidente em outras épocas, hoje ficou obscurecido pelo exclusivismo concedido ao espírito prático. A própria vida contemporânea contribui para isto. Assim, por exemplo, como explicar ou ressaltar, a pessoas que ficam fechadas em cidades feias e perigosas, a beleza de uma estrela? Igualmente, o ritmo de vida corrida e excitante de hoje não favorece a meditação ou a contemplação das maravilhas da criação.

Alguns significados

Vejamos então o significado destas 13 invocações simbólicas.

Espelho de Justiça — Justiça, aqui, entende-se em seu sentido mais amplo de santidade. Nossa Senhora é chamada assim, porque Ela é um espelho da perfeição cristã. Toda perfeição pode ser admirada nEla, do mesmo modo como podemos admirar uma luz refletida na água.

Sede da Sabedoria — Nosso Senhor Jesus Cristo é a Sabedoria, pois, enquanto Deus, tudo sabe e tudo conhece. Ora, Nossa Senhora durante nove meses encerrou dentro de si seu divino Filho; Ela foi, portanto, a sede da Sabedoria. E continua a sê-lo, pois é nEla que encontramos infalivelmente a Nosso Senhor.

Causa de Nossa Alegria — a verdadeira alegria não é o riso. Rir muito nem sempre significa felicidade. É muito mais feliz a mãe carregando amorosamente seu filho do que um papalvo que ri à-toa. E a maior alegria que um homem pode ter é a de salvar-se e estar com Deus por toda a eternidade. Ora, antes da vinda de Nosso Senhor, o Céu estava fechado para nós. Foi o sacrifício do Calvário que nos reconciliou com o Criador e nos proporcionou a verdadeira e eterna felicidade. Como foi por meio de Nossa Senhora que o Redentor da humanidade veio à Terra, Maria Santíssima é, pois, a causa de nossa maior alegria.

Vaso Espiritual — Nada tem mais valor do que a verdadeira Fé. Na Paixão e Morte de Nosso Senhor, quando até os Apóstolos duvidaram e fugiram, foi Nossa Senhora quem recolheu e guardou, como num vaso sagrado, o tesouro da Fé inabalável.

Vaso Honorífico — Em nossa época, a honra quase não é considerada. Pelo contrário, muitas vezes a falta de caráter e a sem-vergonhice são louvadas. Mas a honra e a glória, na realidade, valem muito. E Nossa Senhora guardou cuidadosamente em sua alma todas a graças recebidas, e manteve a honra do gênero humano decaído. Se não tivesse existido Nossa Senhora, ficaria faltando na criação quem representasse a perfeição da criatura, fiel até o extremo heroísmo.

Vaso Insigne de Devoção — Devoto quer dizer dedicado a Deus. A criatura que mais se dedicou e viveu em função de Deus foi Nossa Senhora, tendo-o realizado de forma tal, que melhor é impossível.

Rosa Mística — A rosa é a rainha das flores. É aquela que possui de forma mais definida e esplêndida tudo quanto carateriza uma flor. Igualmente Nossa Senhora, no campo da vida espiritual ou mística, possui de forma mais primorosa tudo aquilo que representa a perfeição.

Torre de Davi — Lemos na Sagrada Escritura que o rei Davi tomou a fortaleza de Jerusalém dos jebuseus e edificou a cidade em torno dela. "E Davi habitou a fortaleza, e por isso se chamou cidade de Davi" (Paralipômenos, 11-7). Naturalmente, o rei Davi fortificou a cidade, para torná-la inexpugnável, e a dotou de forte guarnição. A Igreja Católica é a nova Jerusalém, e nela temos uma torre ou fortaleza que nenhum inimigo pode invadir ou destruir, que é Nossa Senhora. Ela constitui o ponto de maior resistência e melhor defesa. Por isso, nesta invocação honramos a Nossa Senhora reconhecendo que nunca houve, nem haverá, quem melhor proteja os fiéis e defenda a honra de Deus do que Ela.

Torre de Marfim — O marfim é um material que tem caraterísticas raras na natureza. Ele é ao mesmo tempo muito forte e muito claro. Igualmente Nossa Senhora é muito forte espiritualmente, a maior inimiga dos inimigos de Deus, e de uma pureza alvíssima. Assim Ela contraria a idéia falsa de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força têm-na os impuros.

Casa de Ouro — O ouro é o mais nobre dos metais. Por isso, sempre que desejamos dar alguma coisa que seja insuperável, a oferecemos em ouro — uma medalha de ouro numa competição, por exemplo. Se tivéssemos que receber o próprio Deus, procuraríamos fazê-lo numa casa que não fosse superável, neste sentido uma casa de ouro. E a Virgem Santíssima é a casa de ouro que acolheu Nosso Senhor quando veio ao mundo.

Arca da Aliança — No Antigo Testamento, na Arca da Aliança ficavam guardadas as tábuas da lei dadas por Deus a Moisés e um punhado do maná recebido milagrosamente no deserto. Por isso ela lembrava as promessas e a proteção de Deus. Nossa Senhora é, no Novo Testamento, a Arca da Aliança que protege o povo eleito da Igreja Católica e lembra as infinitas misericórdias de Deus.

Porta do Céu — Nossa Senhora é invocada desse modo, pois foi por meio dEla que Jesus Cristo veio à Terra, e é por Ela que nos vêm todas as graças, as quais têm como finalidade nos levar ao Céu, nossa morada eterna. Assim, Ela favorece nossa entrada no Céu, como a porta favorece a entrada num local.

Estrela da Manhã — Pouco antes de nascer o sol, quando a escuridão é maior e vai começar a clarear, aparece no horizonte uma estrela de maior luminosidade. Depois, quando as outras estrelas desaparecem na claridade nascente, ela ainda permanece. Assim foi Nossa Senhora, pois seu nascimento significava que logo nasceria o Sol de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo. E quando a Fé se perdia até entre o povo eleito, Ela continuava a acreditar e esperar. Ela é o modelo da perseverança na provação e o anúncio da Luz que virá.

Temos assim, resumidamente, algumas explicações das invocações da Ladainha Lauretana. Esperemos que a compreensão delas nos ajude a rezar com maior fervor tão meritória oração.

Fonte: André Damino, Na escola de Maria, Ed. Paulinas, 4ª edição, São Paulo, 1962.

- Copyright © Meu Imaculado Coração Triunfará -