Archive for Novembro 2009

A Imaculada Conceição e o Advento


A Imaculada Conceição e o Advento

Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.

“Fiat Mihi secundum Verbum Tuum”
“Faça-se em mim segundo a tua Palavra!”.(Cf. Lc 1,37)

A Solenidade da Imaculada Conceição se celebra no “coração” do Advento. O tempo do Advento é o tempo de Maria por excelência, mais do que qualquer outro tempo litúrgico, pois é nele que a vemos em mais íntima relação com seu Filho.

O amor de Mãe é, sem dúvida alguma, o mais forte, o mais pleno modo de se relacionar, de “ser para”(esse ad).

É o amor que gesta, gera, nutre e cuida. Maria, desde o início da criação, é Aquela que foi “concebida”, no projeto de Deus, para realizar esta missão de amor, missão paradigmática para todas as mães, de todas as épocas e idades. Maria é plenamente Mãe porque é a nova Eva, a mãe de todos os que estão vivos. Aquela que se encontra unida ao Filho de Deus “por vínculo estreito e indissolúvel”(Cf. LG 53) e, por isso mesmo, sem o pecado original.

Se o Senhor veio no primeiro Natal, por meio de Maria, o mesmo Senhor vem, ainda hoje, nos nossos natais litúrgicos, também através d’Ela. Em Maria, se cumpre, então, o mistério do Advento. Ela é a aurora que precede, que anuncia, que traz em seu seio o Dia Novo que está para surgir.

Assim como na aurora se projeta a luz do Sol, de onde surge a vida, assim também, em Maria Imaculada, se reflete o poder da Redenção, do Sol da Justiça, do Salvador que está para vir. A Solenidade da Imaculada Conceição, no tempo do Advento, constitui desta forma, a mais profunda preparação para o Natal.

“Fiat Mihi secundum Verbum Tuum”
“Faça-se em mim segundo a tua Palavra!” (Cf. Lc 1,37).

Maria nos mostra, pela vinda do Verbo a seu corpo, através de sua humildade radical, como nós, seus filhos, podemos também nos tornar sinais desta presença, deste amor, desta misericórdia infinita de Deus, em nossas ações. O Verbo Eterno pode também estar vivo dentro de nós, pela graça. Somos habitados por Deus.

Maria nos ensina ainda como devemos ser quando hospedamos, pela graça, o Filho de Deus em nós.

A primeira resposta de Maria ao dom da maternidade divina foi sair de si mesma e servir. Ela vai logo ver sua prima Isabel que está esperando um bebê e precisa de ajuda. Ela foi socorrer alguém em necessidade, não com palavras bonitas, mas com ações, com atos concretos de ajuda, de serviço, de amor. Maria nos ensina, pois, que fazer a vontade de Deus e não a nossa, é viver o nosso agora histórico na forma mais prática e simples possível, em extrema doação. Deus se nos manifesta sem que façamos nada de espetacular.

Quanto mais nos doamos mais recebemos. Se formos transformados pela vinda do Filho de Deus, todos, em torno de nós, também o serão.

Que como Maria, nesta Sua Solenidade da Imaculada Conceição, em pleno Advento, possamos também nós exclamar:

“Non volumptas mea, sed Tua, Fiat!”
“Seja feita a Tua Vontade”.

E, assim, o Fiat de Maria na Encarnação e o nosso se unem ao FIAT de Jesus na Cruz, em uma só oração, em uma só ação. Eis o sentido pleno da Liturgia do dia 08 de Dezembro!

MEDITANDO O NATAL COM SÃO JOSEMARIA

ALGUNS TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA, SELECCIONADOS ENTRE MUITOS

Chega o Natal

O Natal mostra-nos onde se esconde a grandeza da Deus: num estábulo, numa gruta. "Deus humilha-Se para que possamos aproximar-nos d'Ele, para que possamos corresponder ao seu Amor com o nosso amor"
(S. Josemaria, Cristo que passa, 18).
É Natal
"Um ano que termina"
Quando recordares a tua vida passada, passada sem pena nem glória, considera quanto tempo perdeste, e como podes recuperá-lo: com penitência e com maior entrega.
(Sulco, 996).
"Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário..."

Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário... Porém, mais humilhação e mais aniquilamento na Hóstia Santíssima; mais que no estábulo, e que em Nazaré, e que na Cruz. Por isso, que obrigação tenho de amar a Missa! (A "nossa" Missa, Jesus...)
(Caminho, 533).
"Diante de Deus tu és uma criança"

Diante de Deus, que é Eterno, tu és uma criança mais pequena do que, diante de ti, um miúdo de dois anos. E, além de criança, és filho de Deus. – Não o esqueças.
(Caminho, 860).
"Servir o Senhor no mundo"

Repara bem: há muitos homens e mulheres no mundo, e nem a um só deles o Mestre deixa de chamar. Chama-os a uma vida cristã, a uma vida de santidade, a uma vida de eleição, a uma vida eterna.
(Forja, 13).
"Jesus ainda está à procura de pousada"

Jesus nasceu numa gruta em Belém, diz a Escritura, "porque não havia lugar para eles na estalagem". Não me afasto da verdade teológica, se te disser que Jesus ainda está à procura de pousada no teu coração.
(Forja, 274).
"Ele já nasceu"

Natal. Cantam: "venite, venite...". – Vamos, que Ele já nasceu. E, depois de contemplar como Maria e José cuidam do Menino, atrevo-me a sugerir-te: – Olha-o de novo, olha-o sem descanso.
(Forja, 549).
"Deus humilha-se"

E, em Belém, nasce o nosso Deus: Jesus Cristo! Não há lugar na pousada: num estábulo. – E Sua Mãe envolve-O em paninhos e reclina-O no presépio (Lc 11, 7) . Frio. – Pobreza. – Sou um escravozito de José. – Que bom é José! Trata-me como um pai a seu filho. – Até me perdoa, se estreito o Menino entre os meus braços e fico, horas e horas, a dizer-Lhe coisas doces e ardentes!... E beijo-O – beija-O tu – e embalo-O e canto para Ele e chamo-Lhe Rei, Amor, meu Deus, meu Único, meu Tudo!... Que lindo é o Menino... e que curta a dezena! (Santo Rosário, Mistérios Gozosos, 3º).
"Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?"

A humildade é outro bom caminho para chegar à paz interior. – Foi Ele que o disse: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração... e encontrareis paz para as vossas almas".
(Caminho, 607).
"Devemos santificar todas as realidades"

A tua tarefa de apóstolo é grande e formosa. Estás no ponto de confluência da graça com a liberdade das almas; e assistes ao momento soleníssimo da vida de alguns homens: o seu encontro com Cristo.
(Sulco, 219).
"Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós"

Devoção de Natal. – Não sorrio quando te vejo fazer as montanhas de musgo do Presépio e dispor as ingénuas figuras de barro em volta da gruta. – Nunca me pareceste mais homem do que agora, que pareces uma criança.
(Caminho, 557).

Publicada por A Voz de Leça

Justo é denunciar as Injustiças


"Quem quiser ser meu discipulo
renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-me, diz o Senhor" (Mt 16,24)

A página do Livro da Sabedoria desta quinta-feira da XXXIIª Semana do Tempo comum, 7,22-8,1, dispensa qualquer comentário ou homilia, bem como o Evangelho de São Lucas 17,20-25, que nos afirmam ser "A sabedoria reflexo da luz eterna e espelho sem mancha da atividade de Deus. Ela nos ensina a entender a palavra de Jesus, afirmando que o o reino de Deus já se encontra entre nós" (Cfe. Liturgia Diária de Novembro da Paulus, p. 47). Gosto sempre de repetir para mim mesmo a diferença entre ser sábio e ser simplesmente sabido. Sábio é quem ouve, acolhe, tenta compreender e viver em suas relação a Palavra de Deus. Sabido é aquele que possui uma alavanhe de informações sem saber o que fazer com elas, ou as utiliza para tentar ser deus sobre a própria vida e sobre a vida dos outros.
Jesus é categórico: "... o reino de Deus está entre vós." E nós não nos damos conta disso. O Reino de Deus é um Reino de Justiça, de Amor gratuito, de Verdade, de Liberdade e de Paz. Onde esses valores essenciais e inerentes ao Reino de Deus deixam de respirar, as coisas não vão bem. Somos uma geração egoísta, mentirosa, avarenta, invejosa, arrogante, prepotente, correndo atrás de prestígio, de poder sem controlar nossa ganância de querer ter sempre mais e levar vantagem em cada situação. Somos uma geração tão cega, que não enxerga os "sinais dos tempos", a não ser quando vemos flagrados deputados passando a perna no painel de controle de presença: se um professor for à escola assinar o livro-ponto ou picar o cartão de entrada e voltar para sua casa sem nem ao menos passar pela sala de aula, é demitida por justa causa. E é justo. Mas quem paga os salários de nossos deputados? Quem são os patrões de nossos políticos e servidores públicos? Nós mesmos! Até quando os fortes serão fortes somente diante dos fracos, dos pobres, dos analfabetos, dos sem-consciência de cidadania... Então acontece um apagão e as pessoas tem uma noção de sua incapacidade, de sua impotência... A natureza reclama as surras que o homem vai lhe dando por conta do lucro imediato e injusto, com tempestades, enchentes, tornados, ciclones e as pessoas (muitas delas) ainda se perguntam que Deus é esse que permite tais catástrofes. Deus fez sua parte e tenta ensinar-nos a administrar bem a criação perfeita. Então lembramos do ditado popular que é bem oportuno para nossa reflexão: Deus perdoa sempre! O homem de vez enquando! A natureza jamais!
Nossa missão profética é anunciar um Deus Amor e Justo e denunciar as Injustiças que impedem a sobrevivência deste mesmo reino entre nós. Se o Reino de Deus é um Reino de Justiça, não há reino e nem Deus, onde a injustiça toma a última palavra. Só acreditarei em político honesto e preocupado com o bem comum, quando conseguir sobreviver com o salário mínimo que impõe sobre seu povo; quando um político se contentar em viver com Bolsa Família, seus filhos com Bolsa Escola; quando os políticos utilizarem transporte público ao invés de carros de luxo; quando conviverem alegremente numa casinha de três ou quatro cômodos; quando também eles conseguirem almoçar arroz com feijão, utilizando um único celular pré-pago e assim por diante. Quando fizerem a experiência de aguardar nas demoradas filas dos bancos, do INSS que leva dez anos para constatar a cegueira de uma pessoa, como foi o caso do meu irmão, que contribuiu com a Previdência desde os 15 anos de idade e ao completar 43 anos ficando cego, teve a aposentaria por invalidez negada ao longo de dez anos, recebendo hoje um salário mínimo que não paga os remédios que precisa para manter-se vivo. Acreditarei nos políticos que se utilizarem dos Hospitais mantidos (ou não) pelo SUS ao invés de correr para o Sírio Libanez e Albert Einstein, onde as diárias custam em torno de cinco mil reais. Quando minha avó sofreu derrame, supliquei um desconto, porque a diária pelo SUS na UTI custava setecentos reais. As Irmãs que cuidam do Hospital conseguiram deixar a diária por trezentos reais, porque afirmaram que a parte do SUS não se pagava há mais três anos. No segundo dia de UTI minha avó faleceu, do contrário estaríamos endividados. O prato mais barato no Restaurante do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, sempre frequentando por nossos políticos em trânsito, custa cento e setenta reais. Essas diferenças e disparidades não podem ser sinônimos de Justiça!
Como seria bom se tivéssemos, TODOS, a começar de mim mesmo, a coragem que levou São Josafá, Bispo, ao martírio, justamente porque não era bem-aceito pelo povo de sua época na Ucrânia, entre 1580 e 1623 e não poupou os nobres, poderosos e políticos corruptos e injustos, que impediam a dignidade igual para todos! Celebrando sua memória hoje, renovemos nosso esforço pela dignidade de sermos cristãos. Se a cruz que nos colocam nos ombros pesar, abracêmo-la, como nos sugere Santa Terezinha do Menino Jesus.

"Eum tudo dai graças, pois esta é a vontade
de Deus para convosco, em Cristo, o Senhor" (1 Ts 5,18).

Desejando a todos um dia muito abençoado, com gratidão e ternura, nosso abraço,

Pe. Gilberto Kasper

Maria e a humanidade, hoje.


Parece tão distante o tempo que nos separa daquela jovem judia que vivia na pequena cidade Nazaré, noiva de um homem bom e justo e que certamente viveu sua dimensão de esposa, mulher, mãe... Dois mil e poucos anos, muitos avanços, muitas descobertas, o progresso, a cura de doenças, a exterminação de alguns males, a transformação das cidades, o aumento da expectativa de vida... Tantas coisas, tantas histórias e tanta História. Mas a jovem de Nazaré continua a nos interpelar. O que tem ela a nos dizer? Certamente nos diz o que já dizia à humanidade de seu tempo. Temos hoje apenas melhorias materiais, mas muito pouco a humanidade avançou em termos de valores, de crescimento espiritual e de adesão ao verdadeiro reino de Deus.

Poderia sua cidade – ou mesmo todo o povo judeu – acreditar que daquela jovem que não era rica, não era princesa, mas apenas uma jovem criada para ser simplesmente esposa e mãe, nasceria o Messias? O impacto disso em uma sociedade que esperava um Messias revolucionário, lutador, um rei que os salvaria pela espada, certamente não acreditaria – e, verdadeiramente, não acreditou – que no silêncio da manjedoura em Belém nos era chegado o Filho de Deus. Poderíamos hoje acreditar em tais acontecimentos? Provavelmente não. Poderíamos acreditar que uma virgem concebesse apenas por graça de Deus? Claro que não! Com tantos conhecimentos científicos que temos, somos até capazes de provar que isso é impossível.

Esses são apenas dois pequenos aspectos que podem nos mostrar o que Maria tem a dizer à humanidade hoje: Ela diz o que não pode ser dito senão através da fé incondicional em um Deus que tudo pode. Ela diz que é preciso olhar com olhos desejosos de servir a Deus e ao outro para podermos reconhecer os “anjos” que até hoje continuam a nos anunciar que no meio das condições mais difíceis, Deus faz brotar a vida. Ela diz que é preciso acreditar no humilde, no pequeno, porque é na humildade e na pequenez que Deus fala.

Os valores da sociedade contemporânea incorporam ainda aqueles que o povo judeu vivia à época de Maria: inveja, intriga, injustiças... o amor sufocado, o serviço ao outro ironizado. Tudo isso sob nova roupagem, alimentado por teorias filosóficas e antropológicas que tentam explicar por que caminhos a humanidade se enveredou.

Ainda assim, Ela continua a nos falar. E nos fala como mãe – aquela que muitas vezes não queremos ouvir porque nos repreende e tenta nos educar. Quer ver seus filhos irmãos, quer que todos tenham a mesma oportunidade e deseja, sobretudo, olhos atentos aos pedidos de Deus e corações disponíveis para o sim – como aquele que um dia Ela própria dera ao enviado do Pai.

Maria não é, pois, apenas um objeto de culto ou de veneração. Não é apenas a “resolvedora” de nossos problemas. É pessoa viva que conosco caminha, fala, acompanha. E como escutá-la? Lendo sua vida, percebendo que fora apenas uma mulher que, com a sensibilidade própria do gênero feminino, viveu sua vida: vida de afazeres domésticos, vida de oração, vida de esposa, vida de mãe. Uma vida que não foi fácil: cuidar da casa, ficar viúva, caminhar com seu Filho por aquelas estradas, ver seu Filho morrer. E, depois, construir uma Igreja, cuidar dos apóstolos, receber e dar carinho. Maria trabalhou e trabalha, pois continua – com sua vida – a nos mostrar que é possível fazermos o mesmo com as nossas.

Gilda Carvalho
gilda@puc-rio.br

Maria conhecia a misericórdia de Deus Pai


A humanidade deve exultar por poder caminhar junto com Deus Pai! Somos criaturas privilegiadas a quem foi dada a capacidade de experimentar Sua presença em nossas vidas, em todas as suas circunstâncias. E é pela intensidade dessa experiência que iremos reconhecer a face de Deus, quando por Ele formos salvos. E o seremos não por nossos méritos, mas pela misericórdia de Deus. E, por isso, devemos não só nos exultar, mas, sobretudo, transbordar de alegria por um Deus que habita em nós e que constantemente espera por nosso amor.

A mãe de Jesus conhecia a misericórdia de Deus Pai. Trazia desde sempre em seu coração as certezas inerentes ao amor com que o Senhor conduzia os passos de seus filhos e sabia ler Seus caminhos nos textos das Escrituras e nas histórias da tradição de seu povo.

Maria experimentou desde a sua tenra idade esse caminhar com o Pai e sabia que era Ele o seu verdadeiro Salvador, por isso desde sempre o seu espírito exultava. Por isso, reconhece a misericórdia de Deus “que olha a humildade de sua serva” (cf. Lc 1, 37) e tem certeza de que é essa mesma misericórdia que faz com que Deus deseje entrar no meio de humanidade como um de nós. Por isso, ao encontrar a prima Isabel, será capaz de proclamar o quanto exulta e o quanto Deus é bom.

Com seu Filho, caminhará encontrando Nele a misericórdia concreta, vivida de forma pura, ainda que um não fosse reconhecida pelos homens e mulheres de seu tempo. Como enxergar, então, a misericórdia de Deus diante da Cruz de Cristo?

Maria enxergou. E aos pés de Seu filho permaneceu, sabendo que o Pai sofria em silêncio, e conseguia perdoar a cada um daqueles algozes e que uma vez mais estenderia as mãos em sinal de fidelidade e aliança com seu povo: Jesus ressuscitaria! A morte não era o fim. Deus soube aproveitar da dor e da tristeza para fazer nascer vida e provar à humanidade que era, sim, o Pai de misericórdia e que sempre estaria presente, ainda que não fosse possível enxergá-lo.

A origem humana e o sofrimento de Maria fizeram com que Ela se aproximasse definitivamente da humanidade. Através dela somos capazes de compreender o coração amoroso de Deus e podemos descobrir seu poder restaurador de nossas dores.

Testemunhemos, pois, a certeza de que nosso coração está no coração do Pai. Testemunhemos que Ele é a única presença que nunca nos deixa. Testemunhemos que é Ele o nosso salvador, amparo e consolador. Desta forma, estaremos exaltando o espírito humano e o Espírito de Deus. Tal como Maria sejamos, pois, testemunhas vivas do Senhor que caminha conosco, ainda que estejamos a enfrentar tempestades ou quando o caminho não nos parece suficientemente seguro ou claro.

Texto para oração: Lc 1, 39-56

Gilda Carvalho
gilda@puc-rio.br

Maria conforme o calendário litúrgico


O Concílio Vaticano II exortou os filhos da Igreja ao culto da Virgem Santíssima, um culto que deve ser essencialmente litúrgico (Lumen Gentium, 67), quer dizer, associado à celebração das festas litúrgicas.

O Concílio Vaticano II lembrou que, ao celebrar o ciclo anual do Senhor, a Igreja, celebra Maria. Maria está, pois, inicialmente associada às festas do Senhor e as festas de Nossa Senhora são, igualmente, agregadas ao Senhor a quem Maria está unida com laços indissolúveis. (Vaticano II, Constituição sobre a liturgia § 103)

As diferentes festas marianas possuem 4 graus de importância:

1. Solenidade,

2. Festas,

3. Memórias (memórias obrigatórias / memórias facultativas),

4. Festas locais.

Em 1974, o Papa Paulo VI renovou o calendário das festas da Virgem Maria, por meio da sua exortação apostólica, Marialis cultus.

Maria está associada às festas do Senhor

Na celebração anual dos Mistérios de Cristo, a Santa Igreja venera, com intenso amor, a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, o mais excelso fruto da redenção, aquela que está unida a seu Filho na obra salutar por laços indissolúveis. (Vaticano II, Constituição sobre a santa liturgia)

O Tríduo Pascal
Natividade do Senhor
Epifania
Ascensão
Pentecostes
Domingo do Advento, da Quaresma e de Páscoa
Quarta-feira de Cinzas
O domingo
Solenidades e festas de Maria.

8 de setembro: Natividade da Virgem Maria: Festa
8 de dezembro: Imaculada Conceição: Solenidade
1º de janeiro: Santa Mãe de Deus: Solenidade
2 de fevereiro: Apresentação do Senhor: Festa
25 de março: Anunciação: Solenidade
Sábado, após o quarto domingo de Páscoa: Santa Maria, consoladora dos aflitos, principal padroeira de Luxemburgo (Luxemburgo: Solenidade)
31 de maio: Visitação da Virgem Maria: festa
Sant´Ana (Canadá): Festa
15 de agosto: Assunção: Solenidade
31 de agosto: Santíssima Virgem Maria Medianeira (na Bélgica). Na África do Norte, data celebrada como solenidade.
Memórias de Maria

Aos sábados: quando não se comemora uma solenidade, festa ou memória obrigatória, neste dia da semana, exalta-se a memória de Nossa Senhora.
Memórias ligadas a antigos relatos apócrifos, relatos que não possuem valor histórico, possuindo, entretanto, valor espiritual:
21 de novembro: Apresentação de Maria, no templo
26 de julho: Sant´Ana e São Joaquim
Memórias ligadas às aparições da Virgem Maria
11 de fevereiro (Nossa Senhora de Lourdes),
13 de maio (Nossa Senhora de Fátima),
12 de dezembro: (Nossa Senhora de Guadalupe)
27 de dezembro (rua du Bac)
Memórias ligadas à história da Igreja:
Após o Concílio de Éfeso (431), deseja-se honrar Maria como a Mãe da humanidade do Filho de Deus, Mãe de Deus. A Ela é dedicada a Basílica de Santa Maria Maior. Em seguida, cria-se a sua festa, consagrando-lhe o dia 5 de agosto.
O cisma de Avignon (1378), leva o Bispo de Praga, Bispo Jenstein, a introduzir a festa da Visitação.
O movimento herético de Huss provoca o sínodo de Colônia (1423) e suscita, em seguida, a festa de Nossa Senhora das Dores.

Memórias diocesanas, festas locais


Estas são inúmeras e marcam um acontecimento notável, numa diocese (fundação de um santuário após uma aparição ou revelações particulares, peregrinação regional etc.) ou um acontecimento importante para uma ordem religiosa.


Nesta categoria, destacam-se: Nossa Senhora da Salette (celebrada no dia 19 de setembro), Nossa Senhora de Banneux, Nossa Senhora de Beauraing, as aparições de Betânia, Nossa Senhora de Todos os Povos (Amsterdam), Nossa Senhora da Ilha Bouchard etc.

F.Breynaert

Por que Maria permaneceu aqui na Terra, após a Ascensão?

Este espaço de tempo não representou uma pequena consolação para os discípulos de Jesus Cristo. Este espaço de tempo nada tirou da mãe, mas trouxe ao mundo, remédios para a salvação.

O Senhor Jesus quis, efetivamente, que, após o seu retorno à Casa do pai, os Apóstolos pudessem usufruir da assistência e da educação maternas. Mesmo que já estivessem doutrinados pelo Espírito, eles tinham, ainda, muito que aprender daquela que deu ao mundo o Sol de Justiça e que fez com que jorrasse, do seio imaculado, tal campina virginal, a fonte da Sabedoria.

Enfim, em sua admirável bondade, quis, a Providência, que a Igreja primitiva, que já não tinha como ver a Deus, como presença humana, pudesse ver a sua mãe, e que fosse reconfortada por esta visão tão amável.

Oito homilias marianas - Fontes cristãs - Editions du Cerf 1960
Homilia 7: A morte da Virgem e sua Assunção

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