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Papa na Santa Missa de Natal de 2010




Deus não se limitou a inclinar o olhar para baixo

“Na verdade, as palavras do rito da coroação em Israel não passavam de palavras rituais de esperança, que de longe previam um futuro que haveria de ser dado por Deus. Nenhum dos reis, assim homenageados, correspondia à sublimidade de tais palavras. Neles, todas as expressões sobre a filiação de Deus, sobre a entronização na herança dos povos, sobre o domínio das terras distantes (Sal 2, 8 ) permaneciam apenas presságio de um futuro – como se fossem painéis sinalizadores da esperança, indicações apontando para um futuro que então era ainda inconcebível. Assim o cumprimento da palavra, que tem início na noite de Belém, é ao mesmo tempo imensamente maior e – do ponto de vista do mundo – mais humilde do que a palavra profética deixava intuir. É maior, porque este menino é verdadeiramente Filho de Deus, é verdadeiramente ‘Deus de Deus, Luz da Luz, gerado, não criado, consubstancial ao Pai’. Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele ‘desceu’ verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus conosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz. Em todo o lado onde ela é celebrada, temos uma ilha de paz, daquela paz que é própria de Deus. Este menino acendeu, nos homens, a luz da bondade e deu-lhes a força para resistir à tirania do poder. Em cada geração, Ele constrói o seu reino a partir de dentro, a partir do coração. Mas é verdade também que ‘o bastão do opressor’ não foi quebrado. Também hoje marcha o calçado ruidoso dos soldados e temos ainda incessantemente a ‘veste manchada de sangue’ (Is 9, 3-4). Assim faz parte desta noite o júbilo pela proximidade de Deus. Damos graças porque Deus, como menino, Se confia às nossas mãos, por assim dizer mendiga o nosso amor, infunde a sua paz no nosso coração. Mas este júbilo é também uma prece: Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de ‘uma paz sem fim’ (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o ‘reino da justiça, do amor e da paz’.”
“‘Maria deu à luz o seu filho primogênito’ (Lc 2, 7). Com esta frase, São Lucas narra, de modo absolutamente sóbrio, o grande acontecimento que as palavras proféticas, na história de Israel, tinham com antecedência vislumbrado. Lucas designa o menino como ‘primogênito’. Na linguagem que se foi formando na Sagrada Escritura da Antiga Aliança, ‘primogênito’ não significa o primeiro de uma série de outros filhos. A palavra ‘primogênito’ é um título de honra, independentemente do fato se depois se seguem outros irmãs e irmãs ou não. Assim, no Livro do Êxodo, Israel é chamado por Deus ‘o meu filho primogênito’ (Ex 4, 22), exprimindo-se deste modo a sua eleição, a sua dignidade única, o particular amor de Deus Pai. A Igreja nascente sabia que esta palavra ganhara uma nova profundidade em Jesus; que n’Ele estão compendiadas as promessas feitas a Israel. Assim a Carta aos Hebreus chama Jesus ‘o primogênito’ simplesmente para O qualificar, depois das preparações no Antigo Testamento, como o Filho que Deus manda ao mundo (cf. Heb 1, 5-7). O primogênito pertence de maneira especial a Deus, e por isso – como sucede em muitas religiões – devia ser entregue de modo particular a Deus e resgatado com um sacrifício de substituição, como São Lucas narra no episódio da apresentação de Jesus no templo. O primogênito pertence a Deus de modo particular, é por assim dizer destinado ao sacrifício. No sacrifício de Jesus na cruz, realiza-se de uma forma única o destino do primogênito. Em Si mesmo, Jesus oferece a humanidade a Deus, unindo o homem e Deus de uma maneira tal que Deus seja tudo em todos. Paulo, nas Cartas aos Colossenses e aos Efésios, ampliou e aprofundou a ideia de Jesus como primogênito: Jesus – dizem-nos as referidas Cartas – é o primogênito da criação, o verdadeiro arquétipo segundo o qual Deus formou a criatura-homem. O homem pode ser imagem de Deus, porque Jesus é Deus e Homem, a verdadeira imagem de Deus e do homem. Ele é o primogênito dos mortos: dizem-nos ainda aquelas Cartas. Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogênito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro de uma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rômulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus. Esta nova família de Deus começa no momento em que Maria envolve o “primogênito” em faixas e O reclina na manjedoura. Supliquemos-Lhe: Senhor Jesus, Vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família.”

- Bento XVI, Homilia na Santa Missa da Noite de Natal
24 de dezembro de 2010

Como a Igreja Católica canta o Natal




O Natal é cantado por todos os povos com seus estilos próprios, em Vladivostock, no Ceilão, no Pamir, ou em qualquer recanto do mundo. Porque a alma universal da Igreja Católica está em todas as latitudes.

Porém, a Igreja, Ela mesma, comemora o Natal com seu canto próprio: o cantochão, cantado a uma só voz, sem ritmo, sem acompanhamento, sem ornatos, aproveitando o som das palavras para sublinhar seu significado profundo.


Mas, transmitindo uma alegria serena que sobe diretamente ao Céu, um recolhimento que exclui todas as coisas da Terra, sem agitação nem folia, dizendo com toda naturalidade o que tem a dizer.

O cantochão é a voz da Igreja cantando o dom do Espírito Santo, que Deus a ela comunicou por meio de Nossa Senhora.

Na extrema simplicidade de cada uma das palavras cantadas está contida uma catedral de significados e imponderáveis.

O canto da “Ave Maria” é um sublime exemplo.

São Gabriel apresentou-se diante de uma Virgem, e disse que Ela conceberia do Divino Espírito Santo e seria a Mãe de Deus.

O Evangelho narra com toda simplicidade: “Ave Maria, cheia de graça...”

Com essa singeleza, o arcanjo transmite a mensagem aguardada durante milênios pelos Patriarcas e pelos Profetas.

A Santíssima Virgem ficou perplexa e o anjo lhe esclareceu.

Ela então deu a resposta mais dócil do mundo: “Eis aqui a Escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra” ‒ “Ecce Ancilae Domini, fiat mihi secundum verbum tuum”.

Serena, tranqüila, admiravelmente disse tudo. Tudo simples e inocente, mas com elevadíssimo significado.

Cada palavra reflete a ordem do universo como uma catedral sonora.

Ó serenidade, ó tranqüilidade, Ó dignidade e caráter profundamente religioso como o cantochão!

É a voz da Igreja cantando o dom que Deus concedeu a Nossa Senhora, ao sopro do Espírito Santo!

Assim a Igreja comemora o Natal, Ela, a alma dos tesouros de todos os Natais diferentes da Terra!

Fonte:Orações e milagres medievais

ORAÇÃO DE NATAL




Senhor, nesta Noite Santa,
depositamos diante de Tua manjedoura
todos os sonhos, todas as lágrimas e
esperanças contidos em nossos corações.

Pedimos por aqueles que choram
sem ter quem lhes enxugue uma lágrima.
Por aqueles que gemem
sem ter quem escute seu clamor.

Suplicamos por aqueles que Te buscam
sem saber ao certo onde Te encontrar.

Para tantos que gritam paz,
quando nada mais podem gritar.

Abençoa, Jesus-Menino,
cada pessoa do planeta Terra,
colocando em seu coração um pouco
da luz eterna que vieste acender
na noite escura de nossa fé.

Fica conosco, Senhor!

Assim seja!Amem

Coroa de Nossa Senhora


Discurso de S. Pio X sobre Nossa Senhora

"Deus pôs sobre a Cabeça de Maria uma coroa de preço infinito, ou, melhor pôr uma prerrogativa que lhe e própria, Maria tem direito a todas as coroas. A coroa do mérito e da virtude, laurea virtutis, porque é a única criatura humana que nunca contraiu e nem cometeu pecado, sobrepujando em santidade aos anjos e serafins. A coroa da ciência e da doutrina, laurea doctoralis, pôr que ela conheceu todos os segredos do verbo e o livro da vida lhe foi revelado. A coroa do combate e da vitoria, corona triunphalis, porque conquistou as falanges do inferno e exterminou todas as heresias. A coroa do mérito e da coragem, corona muralis, porque defendeu os muros da cidade santa contra o furor dos sitiantes, preservando da ruína os assediados e pôr ela conquistamos o direito de cidadão do céu. A coroa de núpcias e de esposa, corona nuptialis, porque, sem perder seu diadema de virgem, ela foi associada pôr um matrimonio inefável a fecundidade da divina natureza. A coroa real e sacerdotal, corona regni, infuia sacerdotii, porque, tendo dado a vida a quem é rei e sacerdote pôr excelência, participou e participará eternamente da autoridade do seu comando, do mérito da sua imolação. A coroa ... mas que profundezas nos metemos a sondar, ó filhos meus? Se tudo que da natureza passa às mãos de Deus, torna-se objeto da sua onipotência, se todos somos reis, e somos coroados, se em nós refulgem raios, em Maria descansa o sol. Se para uns correm as águas das fontes, em Maria se despeja o mar. Se alguns tem a participação medida, Maria tem a soberania absoluta, de tal modo que as coroas de graça que cingem a sua fronte correspondem à esplendida manifestação da coroa de gloria que a espera no céu".

PIO X -
(D.Frei Vitorino Facchinetti, O.F.M.)
Editora Vozes Petropólis - 1938
Pgs. 343,344

Mensagem de Natal do Papa Bento XVI




Para compreender melhor o significado do Natal do Senhor, gostaria de acenar brevemente à origem histórica desta solenidade.
O ano litúrgico da Igreja, de facto, não se desenvolveu inicialmente partindo do nascimento de Cristo, mas da fé na ressurreição. Por isso, a festa mais antiga do Cristianismo não é o Natal, mas a Páscoa: a ressurreição de Cristo funda a fé cristã, está na base do anúncio do Evangelho e faz nascer a Igreja. Por isso, ser cristão significa viver de maneira pascal, fazendo-se envolver pelo dinamismo que se originou no Baptismo e que leva a morrer para o pecado e a viver com Deus (cf Rm 6,4).

A primeira pessoa a afirmar com clareza que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro foi Hipólito de Roma, no seu comentário ao livro do profeta Daniel, escrito cerca de 204. Este exegeta nota, depois, que nesse dia se celebrava a Dedicação do Templo de Jerusalém, instituída por Judas Macabeu no ano 164 antes de Cristo. A coincidência de datas significaria, então, que com Jesus, aparecido como luz de Deus na noite, se realiza verdadeiramente a consagração do templo, o Advento de Deus nesta terra.
No Cristianismo, a festa do Natal assumiu uma forma definida no séc. IV, quando tomou o lugar da festa romana do “Sol invictus”, o sol invencível, colocando assim em evidência que o nascimento de Cristo é a vitória da verdadeira luz sobre as trevas do mal e do pecado.

Todavia, a particular e intensa atmosfera espiritual que rodeia o Natal desenvolveu-se na Idade Média graças a São Francisco de Assis, profundamente enamorado pelo homem Jesus, o Deus-Connosco. O seu primeiro biógrafo, Tomás de Celano, conta que São Francisco “acima de todas as outras solenidades, celebrava com inefável carinho o Natal do Menino Jesus, chamando festa das festas ao dia em que Deus, feito pequena criança, tinha surgido de um seio humano” (Fonti Francescane, n. 199, p. 492).
Desta devoção particular ao mistério da encarnação teve origem a famosa celebração do Natal em Grécio (1223, ndr). Ela foi provavelmente inspirada pela peregrinação de São Francisco à Terra Santa e pelo presépio de Santa Maria Maior, em Roma. O que animava o pequeno pobre de Assis era o desejo de experimentar de forma concreta, viva e actual a humilde grandeza do evento do nascimento do Menino Jesus e comunicar essa alegria a todos.
Na primeira biografia, Tomás de Celano fala da noite do presépio de Grécio de modo vivo e tocante, oferecendo um contributo decisivo para a difusão da tradição natalícia mais bela, a do presépio. A noite de Grécio, de facto, voltou a dar ao Cristianismo a intensidade e a beleza da festa do Natal, educando o Povo de Deus a colher a sua mensagem mais autêntica, o seu calor particular, e a amar e adorar a humanidade de Cristo.
Esta aproximação particular ao Natal ofereceu à fé cristã uma nova dimensão. A Páscoa tinha centrado a atenção sobre o poder de Deus que vence a morte, inaugura a vida nova e ensina a espera no mundo que virá. Com São Francisco e o seu presépio, eram colocados em evidência o amor indefeso de Deus, a sua humildade e benignidade, que na Incarnação do Verbo se manifesta aos homens para ensinar um novo modo de viver e de amar.

Ao aproximarmo-nos do Natal, recordou o papa, a Igreja convida a nos dispor com fervor e simplicidade à celebração do Nascimento do Salvador.

A liturgia desta festa foi se aprimorando com o passar do tempo. A primeira pessoa que afirmou que Jesus nasceu em 25 de dezembro foi Hipólito de Roma, por volta do terceiro século.

Porém, a atmosfera particular que se respira nesta celebração natalina foi favorecida sobretudo por São Francisco de Assis, devido ao especial amor e devoção que este santo professava ao mistério da encarnação do Filho de Deus.

Tomás de Celano, o biógrafo de São Francisco, narra a intensidade com que o pobrezinho de Assis vivia e celebrava a noite de Natal, a partir da maravilhosa experiência que teve diante do presépio de Greccio.

Eis a saudação do papa em português:

"Queridos irmãos e irmãs, a tradição natalícia mais bela, que é o presépio, foi criada por São Francisco de Assis, para recordar a todos como Deus Se revela nos ternos braços dum Menino. A sua condição de criança indica-nos como podemos encontrar Deus e gozar da sua presença. É à luz do Natal que melhor se compreendem estas palavras do Senhor: «Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus». Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos desejo um Santo Natal, portador das consolações e graças do Deus Menino, a quem vos encomendo ao dar-vos a minha Bênção".

UM MINUTO COM MARIA



Devoção pouco conhecida e divulgada, um minuto com Maria consiste em meditar durante um minuto em qualquer aspecto da vida de Nossa Senhora ou da doutrina mariana e em seguida rezar uma Ave Maria.

É uma devoção imensamente útil para os que trabalham muito e não têm tempo para dedicar mais tempo à oração, mas mesmo assim querem diariamente sentir a protecção desta tão querida e bondosa Mãe.

“Sois toda bela, ó Maria, e mancha não existe em Vós.
Como é bela, como é suave, nas delícias, a Vossa Imaculada Conceição!
Vinde, vinde do Líbano;
vinde, vinde, Vós sereis coroada!

Avançais como a aurora resplandecente,
Vós trazeis as alegrias da salvação.
Por meio de Vós, levantou-se o Cristo Deus,
Sol da Justiça, ó brilhante Porta da Luz!

Como o lírio entre os espinhos,
Assim, entre as jovens, Vós sois a Virgem abençoada.
As Vossas vestes brilham e são brancas como a neve,
O Vosso rosto é como o sol.
Jardim fechado, Fonte selada, Mãe de Deus
e Paraíso da Graça!

A chuva cessou e desapareceu,
o Inverno foi-se e as flores surgiram.
E Sobre a Terra uma voz se fez ouvir,
tão doce voz, voz das pombas.

Voai até nós, ó pomba infinitamente bela!
Levantai-vos, apressai-vos e vinde!”

(Oração do século XIV)

Fonte: Vida Espiritual Católica

Nos passos de Maria



“Vivemos uma época em que muitos personagens que se apresentam como modelos são, na verdade, figuras caricatas e que não acrescentam nada à vida. Maria Santíssima é o modelo mais bem acabado de como podemos viver realmente como filhos e filhas de Deus. Nela podemos repousar e sentir segurança diante das lutas diárias que temos pela frente tanto quanto o cuidado das mãos ternas da Boa Mãe quando diante de alguma aflição.” [Título do mais recente livro do Professor Luiz Alexandre Rossi, mestre e doutor em Teologia, professor e coordenador do mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Paraná: “Nos passos de Maria”].
Penso que “Nos passos de Maria” traz uma pergunta inevitável a todos nós: em meus passos que faria a Virgem Maria? Imagino que essa pergunta poderia modificar completamente o comportamento de cada um de nós porque, de uma certa forma, antecipa o que deveríamos fazer, pensar, sentir”. … Entre os muitos sons e vozes que escutamos no decorrer do dia, necessitamos, urgentemente, reservar tempo para ouvir a voz da Mãe de Deus.
Acredito que muitos se acostumaram com ruídos em suas vidas e, por causa disso, perderam a sensibilidade e não conseguem mais ouvir “as coisas do alto e do coração”.
Nesta perspectiva somos levados a considerar Nossa Senhora como modelo de vida, aquela que soube deixar-se modelar pelo Espírito Santo e dar ao mundo Aquele que mudaria os rumos da história e de cada um de nós.
Sendo-lhe devotos, Maria Santíssima quer que sejamos como ela, filhos e filhas que sabem viver como ela viveu. Ser como a mãe co-redentora é a sua maior alegria.
Assim nós brasileiros e brasileiras, tivemos no dia 12 de outubro uma data que nos leva a contemplar o olhar da Mãe, que intercede pelos seus filhos que vivem nesta terra de Santa Cruz. Ver e contemplar o olhar da Mãe que intercede junto a seu Filho: “eles não têm mais vinho”.
É a Mãe que na festa de núpcias percebe que está faltando um vinho diferente. É a Mãe que vê a necessidade de mudar a festa de casamento em uma festa de sabor diferente, de um vinho melhor.
É a Mãe que percebe a hora do Filho atuar, mudando o rumo dos acontecimentos, saindo da mesmice passageira do comer e beber a custa dos noivos.
Foi ali naquela festa que Nossa Mãe anunciou o início dos sinais de um tempo diferente dizendo “fazei tudo o que Ele disser”. O novo e definitivo caminho será o da obediência atenta ao Filho, o Mestre e Senhor.
Assim, nos “Passos de Maria” queremos continuar nossa vida, na certeza de que temos uma intercessora junto a Jesus Cristo e com ela pedimos a Deus que derrame sobre nosso querido Brasil, bênçãos e graças, especialmente sobre os políticos eleitos até agora.
Agradecer e suplicar as luzes, e levantar nosso olhar, firmando os passos na prática da justiça, da misericórdia e da paz, principalmente com as crianças inocentes.

Dom Anuar Battisti
Fonte: Arquidiocese de Campo Grande

Maria Arca da Aliança


Maria é contada em sua ladainha como a Arca da Aliança. Sabemos que os 10 mandamentos eram a aliança de Deus com seu povo escolhido.
No Antigo Testamento é comum observamos a veneração dos hebreus para com esta Arca da Lei do Senhor. Josué e seu povo, perdendo a coragem com tanta perseguição “prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da Arca do Senhor (Josué 7. 6a), mostrando todo o respeito ao objeto que guardava a misericórdia de Deus com eles e as futuras gerações.

A Arca da Aliança, nada mais é que a figura daquela que guardaria em seu ventre a própria Lei encarnada, Jesus Cristo, a Nova Aliança.

Devemos rezar com Maria, pois ela é o modelo perfeito da pureza e obediência à Deus. Temos o direito de assim proceder, pois não há pecado na Virgem Maria. Prosseguindo junto a Josué e os filhos de Israel, vamos constatar no passado que a Javé, nosso Deus, nenhuma coisa é impossível. Podemos afirmar que rezar com Maria é o modo mais puro de conversar com Nosso Senhor, pois ela é Imaculada Conceição. A torrente do pecado não poderia, pelos méritos de Jesus, inundar o corpo da genitora de Deus.

Alguns “cristãos” por aí não rezam pra e com Maria pois colocam-na ao nível dos pecadores, afirmando que segundo uma Lei Geral, todos os homens pecaram. Josué também achava ser uma Lei Geral, um rio manter o seu curso, até o Senhor de toda a terra manifestar Seu poder.

Estamos juntos aos hebreus, com a Arca da Aliança. Dobramos nossa tenda de ignorância e partimos afim de atravessar o Jordão. Os sacerdotes que levam a Arca do Senhor mergulharam seus pés na beira do rio e “as águas que desciam para o Mar da Planície, o Mar Salgado, foram completamente separadas” (Josué 3, 16b). Nós atravessamos defronte de Jericó a pé enxuto.

Mais tarde, rezando com Josué, prostrados por terra, podemos meditar e verificar que nenhuma Lei Geral é superior ao poder de Javé, “porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1, 37).

A oração é a via direta da intimidade de Deus e seus filhos. Foi através deste suporte que o Espírito Santo desceu sobre Maria e os Apóstolos reunidos com a primeira comunidade cristã na inauguração oficial da Igreja... no Cenáculo. A nossa Tradição guarda com carinho a presença de Maria neste momento tão importante para aqueles que viriam dar testemunho de Cristo, pois ela é a fonte de inspiração para a caminhada orante dos mesmos.

Se quisermos deixar Deus fazer em nossa vida um novo Pentecostes, é necessário a presença da Cheia de Graça, Virgem Maria, pois dela nos veio a maior prova de amor do Todo Poderoso, NSJC, e é por ela que virá sobre nós Aquele que a envolveu com a Sua sombra no momento da Encarnação do Verbo. Basta um pouco de boa vontade para saber que a única Mulher, a mais bendita entre todas e capaz de esmagar a cabeça da serpente infernal com seu “sim” de serva fiel, é a Virgem Maria, a nova Eva e Mãe do Deus vivo. Não devemos temer exaltá-la, pois quando louvamos a nossa Mãe Celestial, o Espírito Santo se manifesta trazendo Seus Dons, dando sentido à nossa existência. Um grande exemplo desta manifestação do Espírito por Maria está na Visitação à prima Isabel, que recebe o Esposo com uma simples saudação da Virgem Esposa.

“O Espírito e a Esposa dizem: vem! Possa aquele que ouve dizer também: vem! Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba gratuitamente, da água da vida! (Ap 22, 17). Com Maria vivamos uma vida de oração para recebermos do Espírito, por meio dela, a água da vida, seu Filho Cristo Jesus. Digamos com nossa Mãe: “Eis aqui os teus servos, Senhor, faça-se em nós segundo a Tua Palavra”. Amém.

Fernando Nogueira Filho – Vocacionado Carmelita.

Membro Auxiliar do Praesidium Mãe da Divina Graça – Pretrolina/ Pernambuco.

São Cirilo de Alexandria: Discurso pronunciado no Concílio de Éfeso sobre Maria




Salve, ó Maria, Mãe de Deus, virgem e mãe, estrela e vaso de eleição! Salve, Maria, virgem, mãe e serva: virgem, na verdade, por virtude daquele que nasceu de ti; mãe por virtude daquele que cobriste com panos e nutriste em teu seio; serva, por aquele que amou de servo a forma! Como Rei, quis entrar em tua cidade, em teu seio, e saiu quando lhe aprouve, cerrando para sempre sua porta, porque concebeste sem concurso de varão, e foi divino teu parto. Salve, Maria, templo onde mora Deus, templo santo, como o chama o profeta Davi, quando diz: “O teu templo é santo e admirável em sua justiça” (Sl 64). Salve, Maria, criatura mais preciosa da criação; salve, Maria, puríssima pomba; salve, Maria, lâmpada inextinguível; salve, porque de ti nasceu o sol da Justiça! Salve, Maria, morada da infinitude, que encerraste em teu seio o Deus infinito, o Verbo unigênito, produzindo sem arado e sem semente a espiga incorruptível! Salve, Maria, mãe de Deus, aclamada pelos profetas, bendita pelos pastores, quando com os anjos cantaram o sublime hino de Belém: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2,14). Salve, Maria, Mãe de Deus, alegria dos anjos, júbilo dos arcanjos que te glorificam no céu! Salve, Maria, Mãe de Deus: por ti adoraram a Cristo os Magos guiados pela estrela do Oriente; salve, Maria, Mãe de Deus, honra dos apóstolos! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem João Batista, ainda no seio de sua mãe exultou de alegria, adorando como luzeiro a perene luz! Salve, Maria, Mãe de Deus, que trouxeste ao mundo graça inefável, da qual diz são Paulo: “apareceu a todos os homens a graça de Deus salvador” (Tt 2,1). Salve, Maria, Mãe de Deus, que fizeste brilhar no mundo aquele que é luz verdadeira, a nosso Senhor Jesus Cristo, que diz em seu Evangelho: “eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). Deus te salve, Mãe de Deus, que iluminaste aos que estavam em trevas e sombras de morte; porque o povo que jazia nas trevas viu uma grande luz (Is 9, 2), uma luz não outra senão Jesus Cristo nosso Senhor, luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo (Jo 1,9). Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem se apregoa nos Evangelhos: “bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9), por quem se encheram de igrejas nossas cidades, campos e vilas ortodoxas! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o vencedor da morte e o destruidor do inferno! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o autor da criação e o restaurador das criaturas, o Rei dos céus! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem floresceu e refulgiu o brilho da ressurreição! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem luziu o sublime batismo de santidade no Jordão! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem o Jordão e o Batista foram santificados e o demônio foi destronado! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem é salvo todo espírito fiel! Salve, Maria, Mãe de Deus, – pois acalmaste e serenaste os mares para que pudessem nossos irmãos cooperadores e pais e defensores da fé, serem conduzidos, com alegria e júbilo espiritual, a esta assembléia de entusiásticos defensores de tua honra!
Também aquele que, levando cartas de perseguição, sendo derrubado pela luz do céu no caminho de Damasco, falou sobre ti e confirmou para o mundo a fé na Trindade consubstancial, de um só Senhor, de um só batismo; de um só Pai, um só Filho, um só Espírito Santo; da substância inseparável e simplicíssima; da divindade incompreensível do Senhor Deus de Deus, Luz de Luz, Esplendor da Glória, que nasceu de Maria Virgem, conforme o anúncio do Arcanjo: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, o Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, e por isso o santo que de ti nascer será chamado Filho de Deus vivo” (Lc 1,35). Não somente o sabemos pelo arcanjo Gabriel; também Davi, no vaticínio que canta diariamente a Igreja, nos diz: “O Senhor me disse: és meu filho; no dia de hoje te gerei” ( Sl 2,7). Já o sábio Isaías, filho do profeta Amós, profeta nascido de profeta, o predissera: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho e seu nome será Emanuel, que significa Deus conosco” (Mt 1,23).
Por isso todos os que formos fieis às Escrituras, seguindo os caminhos de Paulo, ouvindo as vozes dos profetas clamar-te-ão Bem aventurada.. Todos os que formos seguidores dos Evangelhos permaneceremos como disse o profeta: seremos como “oliveira fértil na casa de Deus” (Sl 51), glorificando a Deus Pai Todo Poderoso, a seu Filho UNIGÊNITO que nasceu de Maria e ao vivificante Espírito Santo, que se comunica a todos na vida; submissos aos fidelíssimos imperadores, honrando as rainhas, discretas e santas virgens, no seu amor à fé ortodoxa de Cristo de Jesus, nosso Senhor a quem se deve a glória pelos séculos dos séculos . Amém.

Fonte:http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_cirilo_de_alexandria_discurso_sobre_maria.html

Maria e o Perfil do Intercessor




Uma das mais belas heranças que recebemos de nossa fé é a certeza de que vivemos numa comunhão profunda no corpo de Cristo, que é a Igreja. Somos sustentados pelo amor e pela intercessão uns dos outros. Não só entre nós que estamos ainda peregrinando nesse mundo em direção à Casa do Pai, mas também com aqueles que nos precedem na glória e que já contemplam sua Santa Face e que, por isso, muito mais eficazmente podem interceder por nós.

O próprio Jesus insiste para que oremos uns pelos outros: "Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles" (Mt. 18, 19).

O intercessor é alguém que não só é aberto a essa consciência da força da oração, mas quer dar um passo a mais. Ele quer dar uma resposta ao apelo do Senhor que nos chega através do profeta Ezequiel: "Tenho procurado entre eles alguém que construísse o muro e se detivesse sobre a brecha diante de mim, a favor da terra, a fim de prevenir a sua destruição, mas não encontrei ninguém" (Ez. 22, 30). Esse ministério de colocar-se "na brecha" foi cumprido absolutamente em Jesus, como nos atesta a carta aos Hebreus: "É por isso que lhe é possível levar a termo a salvação daqueles que por ele vão a Deus, porque vive sempre para interceder em seu favor" (Hb. 7, 25). Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1Tim. 2, 5), mas somos chamados a nos unirmos ao Seu ministério, como intercessores.

Maria, intercessora, nos ensina a interceder

Maria ocupa um lugar único como intercessora, devido ao seu papel também único na história da salvação; por isso recorremos à sua intercessão. E quantas graças têm sido derramadas sobre nós pela intercessão de nossa doce Mãe.

Entretanto, Maria não só intercede por nós, como nos ensina por sua vida a sermos intercessores. Ela é o grande modelo do intercessor. Vejamos algumas características que marcam o perfil do intercessor:

a) O intercessor é alguém levantado por Deus
"Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus" (Lc. 1, 30). "Vai, porque este homem (Saulo) é para mim um instrumento escolhido..." (At. 9, 15a). "Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça..." (Jo. 15, 16). Assim como Deus escolheu Maria, Paulo e tantos outros, a iniciativa no chamado a interceder é do próprio Deus. Ele planta esse desejo no coração do servo como uma semente, mas toda semente precisa brotar e se desenvolver para dar frutos. Muitos cristãos não se tornam intercessores porque não cultivam a semente recebida.

b) O intercessor é alguém que cultiva o silêncio
"Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração" (Lc. 2, 19). "Permaneça só e em silêncio, quando Deus lho determinar" (Lam. 3, 28). O intercessor cultiva momentos de silêncio orante no seu dia-a-dia para que, mesmo em meio aos seus afazeres, esse espírito de recolhimento esteja em sua alma. Assim, ele estará atento aos sussurros do Espírito em seu interior. O silêncio tem aqui também o sentido de guardar sigilo. Quando o intercessor toma conhecimento direto ou indireto de uma determinada questão, ele guarda isso em seu coração. Desta forma, ele é sempre uma pessoa discreta e nunca dada a comentários ou fofocas.

c) O intercessor é alguém que se faz presente
"Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e a mãe de Jesus estava presente" (Jo. 2, 1). O intercessor não é alheio, ausente ou distante das realidades concretas da vida. Seu mund0 é o mundo de Deus e o mundo dos homens. O evangelista quando destaca a presença de Maria, não o faz aleatoriamente. Maria era alguém extremamente próxima da vida de seu povo. Assim, o intercessor participa de todos os momentos de alegria e pujança ao seu redor, como também sabe que as dores da humanidade são suas dores.

d) O intercessor é alguém que tem os olhos abertos para as situações, muitas vezes não aparentes
"Como viesse a faltar vinho, a Mãe de Jesus disse-lhe..." (Jo. 2, 3). Maria certamente percebeu a falta do vinho, antes que os convidados o percebessem. Seu olhar estava atento ao que se passava nos "bastidores" da festa. O intercessor desenvolve, pela ação do Espírito Santo, a sensibilidade diante do que acontece ao redor, mesmo que as pessoas ainda não percebam. Muitas dessas realidades são até mesmo sutis, no campo espiritual e exercem sua influência no campo físico-psíquico-social, como nos alerta São Paulo a respeito da batalha espiritual (cf. Ef. 6, 12; Dn. 10, 7). E o intercessor não só leva a Deus estas situações, mas também procura agir na prática para encaminhá-las.

e) O intercessor é alguém que fala com Jesus
"... a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho" (Jo. 2, 3) O intercessor sempre leva a Jesus todas as realidades. Tudo é motivo de oração para ele: tanto de louvor, gratidão, como também de súplica ou entrega. E ele faz isso porque é íntimo de seu Senhor e tudo é nEle, por Ele e para Ele. O "vinho" pode ser concretamente a saúde, o emprego, a falta de paz, os conflitos, as guerras, as dores todas pelas quais passa a humanidade. Sempre haverá alguma situação onde o vinho acabou ou está acabando.

f) O intercessor é alguém que não teme os aparentes "não" de Deus
"Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós?..." (Jo. 2, 4). À primeira vista, a resposta de Jesus foi mal educada e parece até desprezar sua mãe, mas "mulher" aqui é "ishah", a nova mulher (referência ao Gênesis), a nova Eva, não mais infiel e marcada pelo pecado, mas obediente aos planos de Deus. O intercessor não teme um não de Deus, pois mesmo quando Deus diz "não" é em vista de um sim, "porque todas as promessas de Deus são sim em Jesus" (2Cor. 1, 20).

g) O intercessor é alguém que sabe esperar o tempo de Deus
"... Minha hora ainda não chegou" (Jo. 2, 4). A hora de Deus pode ser agora ou depois. Naquele momento, Jesus realizou o seu primeiro milagre (v. 11), significando a união (bodas) de Deus com seu povo, aliança que seria concluída definitivamente nas Bodas da Cruz. O intercessor não focaliza sua atenção no imediato, como se Deus tivesse que realizar agora (na categoria do tempo) a sua obra. Por outro lado, ele sabe que tudo é agora em Deus, pois Ele é eterno e tudo é uma questão de tempo. Portanto, sabe que Deus sempre dará uma resposta e crê e espera por essa resposta.

h) O intercessor é alguém comprometido, antes de tudo, com a Vontade de Deus
"Disse, então, sua mãe aos servidores: Fazei tudo o Ele vos disser" (Jo. 2, 5). Esta é a palavra que Maria está dirigindo continuamente à Igreja: fazei tudo o que meu Filho vos disser! O intercessor está comprometido não com a urgência de uma determinada situação, mas com a Vontade de Deus. Ele não promete a alguém, em nome de Deus, que tudo se resolverá como se espera nem tampouco oferece um consolo vazio e sem sentido. Mais do que palavras, ele oferece sua presença e sabe que a Vontade de Deus é sempre o nosso bem e "que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm. 8, 28). Isso, por vezes, é vivido em meio à dor, como Jesus o viveu em sua agonia (Mt. 26, 36-46).

i) O intercessor é alguém que tudo coloca diante do Senhor
"Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima" (Jo. 2, 7). Eles poderiam ter enchido as talhas até um certo ponto, até mesmo por comodismo. Não era o patrão deles que estava mandando e, ainda por cima, cada talha era grande e pesada, quando muito cheia, pois comportava cerca de 100 litros. Se não tivessem enchido até o máximo, teriam perdido uma quantidade considerável de um vinho de altíssima qualidade. O intercessor leva tudo ao coração de seu Mestre. Não é colocar apenas uma parte da vida ou de nossas necessidades e sim o todo. E não é também colocar o que está fora, mas o que está dentro. A vida do intercessor é consagrada a Jesus. Ele deixa que o Senhor comece a obra sobretudo nele mesmo. Por apresentar sua vida inteira, o intercessor prova da excelência do vinho.

j) O intercessor é alguém que permanece de pé, mesmo diante da dor
"Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena" (Jo. 19, 25). Quando se enfrenta a dor, aí está o grande desafio e prova para a vida do cristão e, nisso, do intercessor. Ele aprende a transformar a dor em intercessão também. Nessa hora, as palavras podem não existir, mas persiste a postura de permanecer. Jesus mesmo insistiu sobre o permanecer (Jo. 15, 1-8). E é permanecendo nele que os frutos vêm. A dor torna-se assim o grande sacrifício de louvor, oferecido sobre o altar da cruz, como disse Paulo: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual" (Rm. 12, 1).

l) O intercessor é alguém que vive da esperança e é "memória viva da esperança"
"Quero trazer à memória aquilo que me dá esperança. É graças ao Senhor que não fomos aniquilados, porque não se esgotou sua piedade. Cada manhã ele se manifesta e grande é sua fidelidade. Disse-me a alma: o Senhor é minha partilha, e assim nele confio" (Lam. 3, 21-24). Maria diante da cruz vive intensamente a dor da perda de seu Filho, mas é alimentada pela esperança que sua fé lhe traz. O intercessor cultiva um espírito de esperança, mesmo diante das situações mais difíceis, pois sua alma contempla as promessas do Senhor. E ainda mais: ele procura ser memória viva de esperança no meio da comunidade cristã e daqueles que sofrem. Alimenta não o que causa desalento, mas o que projeta horizontes de esperança.

m) O intercessor é alguém que ora e vive como Igreja
"Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele" (At. 1, 14). Maria, a cheia do Espírito Santo, estava junto aos discípulos quando Pentecostes aconteceu. Ela que já havia experimentado a plenitude do Espírito, agora intercede pela Igreja que estava para viver seu primeiro Pentecostes. Assim é a presença de Maria junto à Igreja até a volta gloriosa de Jesus: intercedendo para que a Igreja experimente o poder de Pentecostes. O intercessor está no coração da Igreja. Mesmo orando no segredo de seu quarto, ele ora como parte do Corpo de Cristo e com a Igreja. Todas as intenções e necessidades da Igreja são suas necessidades. Mas ele não só ora como Igreja, como também vive profundamente unido à Comunidade de fé, no amor, na oração e na partilha da vida.

Maria seja exemplo da perfeita discípula, suscitando entre nós aqueles que queiram se colocar "na brecha". Nossa Senhora do Rosário, Mãe da Igreja, rogai por nós!

Autor: Pe. Sérgio Luiz e Silva

Padres da Igreja e a Mariologia


A Mariólogia¹ tem sua origem nas raízes do Cristianismo, o primeiro a mencionar aspectos mariológicos e pontos sob a figura de Maria no plano de Salvação em Cristo e a estudá-la foi Santo Ireneu de Lião (†202) Grande Pai Ocidental da Igreja em sua obra; “De Recapitulacionae” explica-nos; é o primeiro a declarar Maria como a nova Eva mãe do novo Adão;
mais tarde muitos outros Pais da Igreja, demostraram em suas obras a devoção e piedade cristã que deste dos primeiros crentes tinha-se por Nossa Senhora, fato que herdou a Teologia Católica com o estudo Mariológico fazendo compreender “A missão de Maria na História da Salvação” (BOFF, Clodovis. 2009, p.11).

“As etapas da salvação da humanidade são percorridas no sentido inverso ao da queda, desligando-se progressivamente, os laços das últimas até as primeiras [...] É assim que o laço da desobediência de Eva, sem pecado, mas que peca, é desligado pela obediência de Maria, [...]”.
Mais tarde os padres da Igreja o apoiarão como, por exemplo, no século II, poderíamos citar também S. Justino, (†165); Santo Ireneu (†202) ao qual relacionamos acima: Tertuliano de Cartago, (†220) S. Atanásio, (295-373) Santo Efrém (†373), Escreveu belos hinos de louvor a Maria São Cirilo de Jerusalém (†386); São Cirilo de Alexandria (†444) Doutor Mariano;
Dentre os decorreres dos séculos a figura Mariana entre os Padres da Igreja ficará cada vez mais forte;
Orígenes: afirma; (184-254)
“Maria tem dois filhos, um, homen-Deus e o outro puro homem; de um Maria é Mãe corporal, do outro, Mãe espiritual” (Speculum B.M.V., lect. III art. 1,2º )
Santo Agostinho (354-430) diz;
“A Santíssima Virgem é o meio de que Nosso Senhor se serviu para vir a nós; e é o meio de que nos devemos servir para ir a ele.” (Santo Agostinho Sermo 113 in Nativit. Domini).
São Leão Magno [Grande]:(400-461) diz;
“Digo com os Santos: Maria Santíssima é o paraíso terrestre” (S. Leão Grande; Sem. de Annuntiatione)
São Germano de Constantinopla - (610-733) Diz;
“Pois ninguém fica cheio do pensamento de Deus se não for por ela” (S. Germano de Constantinopla : Sermo 2 in Dormit.)
São Ildefonso de Sevilha (†636) diz;
“Eis por que, quanto mais, em uma alma, ele encontra Maria, sua querida e inseparável esposa, mais operante e poderoso se torna para produzir Jesus Cristo nessa Alma, e essa alma em Jesus Cristo.” (S. Ildefonso, Líber de Corona Virginis, cap. III).
S. João Damasceno (675-749) este que em suas inúmeras obras falou e ensinou muito a respeito de Nossa Senhora diz;
“Tudo que convém a Deus pela natureza, convém a Maria pela graça.” ( Sermo 2 in Dormitione B. M.).
“Prendemos, as almas à vossa esperança, como a uma âncora firme”: (S. João Damasceno; Sermo 1 in Dormitione B. M.V.)
“Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá, aqueles que quer salvar.” ( São João Damasceno).
“Os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça” (S. João Damasceno, Oratio I de Nativitati B. V.).
S. Gregório Palamás Padre oriental do séc. VIII, em uma de suas Homilia sobre a Mãe de Deus diz;
“Se por um lado, Maria concede a Deus entre os homens, por outro, o Senhor encarna numa virgem Imaculada que está acima de toda a pureza e de toda a santidade”.
A Santa Tradição Apostólica confirmada pelos Pais da Igreja reconhece em Maria, a nova Eva:
Eva foi causa de morte para si e Adão, e para todo homem ao olhar para traz e ouvir o tentador, introduzindo na humanidade o pecado pela desobediência e pelo orgulho as próximas gerações, a segunda Eva Maria, torna-se causa de salvação para si e para humanidade por causa do seu sim (obediência) a Deus, introduzindo a Redenção e a vida, ao homem, por que na sua humildade traz ao mundo a Graça que só ela tinha achado, volto-se e fincou os olhos em Deus. (Santo Ireneu de Lião. Séc. II).
Notas:
Mariologia¹: Matéria teológica pertencente à Teologia Dogmática, estudo dedicado ao estudo da pessoa, lugar e importância de Maria, em âmbitos teológicos como a encarnação do verbo e seu plano soteriológico e junto a Redenção operada por Cristo (Cristológico). Além do papel e devoção apresentada a Mãe de Jesus na Igreja desde seu inicio.
Referencias:
[1] BOFF, Clodovis. Introdução à mariologia. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2009
[2] São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. 19ª Edição. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1992.

Fonte: www.espacojames.com.br

Mulher sublime


A mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo foi a mulher que correspondeu em plenitude à expectativa da raça humana. Maria Santíssima é a “bendita entre todas as mulheres” (Lc 1, 42), mãe que mostrou coragem por “ficar de pé junto à cruz” (Lc 21, 36) e ser bendita “porque acreditou” (Lc 1, 45).

Duas razões comprovam a sublimidade dessa filha de Israel, que foi aquinhoada por Deus com favores não concedidos a mais ninguém neste mundo.

A primeira é de ordem biológica. Cada ser humano é proveniente da conjunção do homem e da mulher, cada um com sua carga genética específica. Dessa conjunção nasce um novo ser, parecido, mas diferente de seus genitores. Nosso Senhor Jesus Cristo, porém, “foi concebido pelo poder do Espírito Santo” (Lc 1, 35), e não teve concurso masculino. Na sua natureza humana, Jesus foi inteiramente, engendrado pela carga genética de Maria.

Por isso Ele deverá ter sido extremamente parecido com Ela, e herdado o seu jeito e suas características.

A segunda razão de sua importância excepcional é de ordem exemplar.

Dos lábios sacrossantos de Nosso Senhor jamais saiu qualquer consideração desairosa contra as mulheres. Suas parábolas nunca trataram as filhas de Deus com desdém. Nos seus ensinamentos elas são apresentadas de maneira simpática, e até grandiosa. Nem no trato com as pessoas, Jesus foi grosseiro para com qualquer mulher. Ele viu na sua mãe uma mulher extremamente querida, mas ao mesmo tempo objetiva, trabalhadora, firme e inteiramente volta para Deus.

É um modelo (exemplar) que nos proporciona facultar uma grande dignidade a todas as mulheres da terra.

(Fone: baseado em www.catequisar.com.br - Dom Aloísio Roque Oppermann, SCJ)

As mãos de MARIA

As mãos são, juntamente com a face, as únicas partes do corpo que normalmente não estão escondidas pelas roupas porque é nelas que se manifesta a pessoa humana, sua identidade, absolutamente única (veja as impressões digitais) e é através delas que nós entramos em contato uns com os outros.

A nudez do corpo focaliza a atenção não sobre a pessoa, mas sobre as características anônimas da espécie. Veja, por exemplo, as publicidades a nossa volta, que hoje são cada vez mais eróticas e agressivas. Elas mostram e focalizam, mais do que tudo, as formas do corpo; o que existe de atraente num corpo é que conta, porque não há vínculo algum com a interioridade, com verdadeira identidade do ser humano que está ali.

Cada posição da mão e dos dedos exprime uma atitude interior, põe em evidência algo particular, como se vê nas artes rítmicas (dança, teatro) e nas artes plásticas (pintura, escultura).

Olhemos agora a nossa liturgia cristã. E os ícones! As mãos dizem tudo: oração, ensinamentos, benção, autoridade, submissão, pacificação, suplica, unção... É extraordinário observamos, de modo particular, que em todas as manifestações da Virgem Maria, as suas mãos representam um papel primordial na sua mensagem: é manifestada, é mostrada através das mãos de nossa Mãe, o que o céu nos quer falar. Enfim, está colocada nas mãos de Maria Santíssima a essência de toda sua manifestação para com os seus filhos tão amados!



Observe Nossa Senhora (foto do mosaico da anunciação da Basílica de Notre Dame de La Garde - Marseille). Nossa Mãe Imaculada tem as mãos abaixadas, palmas abertas, dedos estendidos: é o gesto da oferta da amizade, do auxilio, do derramamento de graças. Por isso seu nome é Nossa Senhora das Graças. Assim disse Santa Catarina de Labourré ao vê-la em uma das suas aparições:

“A Senhora tinha os dedos cobertos de anéis e pedrarias preciosas, de indizível beleza, dos quais se desprendiam raios luminosos para todos os lados, envolvendo a Virgem de extraordinário esplendor”.

E Maria lhe disse: “Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem!”

Nossa Senhora das Graças, em sua aparição tinha as mãos abertas, estendidas sobre seu povo. Aí se inicia a manifestação do seu amor de Mãe. Os dedos abertos, numa atitude de derramamento abundante, estavam cobertos de anéis, provavelmente postos por seu próprio Filho, porque Ela é a Rainha do Paraíso, rica em misericórdia, rica como ninguém em virtudes, poderosa medianeira junto a Jesus. Desses anéis saiam extraordinários raios de luz, as graças oferecidas por Ela àqueles que lhe pedem.

Observemos também a simetria, o equilíbrio das duas mãos sobre a imagem da medalha: cada um tem sua posição própria. A mão direita é a mão de benção, da misericórdia. A mão esquerda, a mão do vigor, da justiça. E das duas se completam.

As mãos da Virgem Maria nos falam da sua maravilhosa mediação maternal: uma união perfeita, sobrenatural, da atividade e da receptividade, do poder e da obediência.

Ela é verdadeiramente a “toda poderosa suplicante” (Grignion de Montfort). Nada nos vem do céu sem passar por suas mãos. Ela é a medianeira de todas as graças e gostaria muito de o ser também daqueles que nós não lhe pedimos porque “parece muito”. Ela é também aquela que nos toma pela mão, Mãe em todos os momentos de nossa vida.



Observe agora as Mãos de Maria Porta do Céu, neste ícone ao lado. Com o braço e mão esquerda (lado da força e do vigor), ela sustenta o Vitorioso, Jesus, aquele que tudo venceu e vencerá por amor a cada um de nós. Assim ela revela a seu povo quem pode nos dar a vitória em nossas batalhas. A sua mão direita, porém, mostra algo de extraordinário. Ela aponta o Salvador para todos os seus filhos e tem umas características toda especial: seus dedos são anormalmente longos, revelando assim que sua misericórdia por nós ao tem fim.

Ah! As mãos de minha Mãe Celeste! Quanto me querem falar e dar, como desejam me embalar e sustentar.


Agora contemple as Mãos de Maria Desatadora dos Nós! O que estarão elas querendo dizer a você? Imagine-se, neste momento, chegando de repente e encontrando sua Mãe assim. Não há dúvida de que ela está trabalhando... E põe nisso toda a sua atenção. Mais que sua atenção Ela põe seu coração. Com os olhos voltados para ação de suas Mãos, esboçando um leve sorriso, ela parece lhe dizer: “Deixe-me desatar o seu nó, Eu sei como fazê-lo. Confia em Mim, meu filho!”

E suas Mãos não param porque se poder intercessor por você também não para, pelo contrario, se agiganta cada vez que você se aproxima ainda mais dela.

E neste trabalho correm os anjos para estar junto a sua Rainha e por ser do agrado do Pai, o Espírito Santo vem e participa!

Por esta razão, enxugue as suas lágrimas. È tempo de Esperança! Corra até Ela! Volte hoje seus olhos para as mãos de sua Mãe Maria Desatadora dos Nós, porque está posta sobre elas o que o céu lhe quer falar ao coração hoje e conceder em sua vida, o que você necessita. Vivemos uma era Mariana e você não pode deixar passar esta graça!


ALEGRE-SE! Maria vem para que você confie em suas Mãos o que parece impossível ter solução, as amarguras da sua vida, o que lhe faz tão infeliz, o seu nó.

E nas Mãos de Maria os nós se dissolvem porque caem no mar da sua misericórdia!

“Deixa-me desatar o nó da tua vida.”

Dra. Suzel Frem Bourgerie

Maria é o inimigo mais terrível que Deus criou contra Satanás


O grande apóstolo da devoção mariana, São Luís Maria Grignion de Montfort, em seu célebre livro “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, sintetiza de forma admirável, o papel único de Maria na luta contra Satanás:

“Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes, como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, porque o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques”.

“Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer.”

“É principalmente a estas últimas e cruéis perseguições do demônio, que se multiplicarão todos os dias até ao reino do Anticristo, que se refere aquela primeira e célebre predição e maldição que Deus lançou contra a serpente no paraíso terrestre. Vem a propósito explicá-la aqui, para glória da Santíssima Virgem, salvação de seus filhos e confusão do demônio”.

“Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar.” (Gn 3, 15).

“Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu – inimizade irreconciliável –, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe e o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes do Lúcifer; de modo que Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio.”

Fonte: America Needs Fatima

Faça- se .


A vida, a harmonia e a felicidade acontecem quando se busca levar a sério o único conselho que Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, nos deu: "Fazei tudo o que Ele vos disser". (Jo 2,5).

Foi o próprio Cristo Quem nos prometeu que, se buscarmos permanecer na fidelidade aos mandamentos do Pai, como Ele permaneceu, e se o convidarmos para fazer parte de nossa vida, a nossa alegria será completa. "Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa" (Jo 15,11).

A revelação cristã nos indica que todo segredo da nossa vida nova, trazida por Cristo, acontece no cumprimento e na realização da palavra "faça-se":

O primeiro faça-se foi proferido no livro do Gênesis, quando Deus disse: Faça-se a luz, o firmamento, os astros, a terra, os mares, os vegetais, os animais e por fim o homem e a mulher, (Gn 1,3s). A fé nos faz perceber que a Providência Criativa de Deus esteve na origem de toda criação, como está nos dias de hoje de modo continuado e permanente.

O segundo faça-se foi proferido por uma mulher, a Virgem de Nazaré: "Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra", (Lc 1,38). Com estas palavras, o Deus criador dos céus e da terra se tornou um de nós e veio morar e viver entre os homens.

O terceiro faça-se foi proferido na dor extrema da paixão no Monte das Oliveiras, onde a nossa salvação e redenção aconteceram e continuam a acontecer. "Pai, se queres, afasta de mim este cálice. Contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua" (Lc.22,42).

Resta, entretanto, um quarto faça-se para que todo projeto do amor de Deus possa acontecer, isto é, o meu "faça-se", o teu, o nosso, o de cada família, o "faça-se" da humanidade.

O cristianismo é a experiência viva de um encontro pessoal entre Deus e o homem, entre a vontade do Pai e a adesão livre do coração humano. A vida, a harmonia e a felicidade na relação: homem e mulher, esposo e esposa, pais e filhos, entre os irmãos e com toda comunidade acontecem quando a vontade de Deus e a vontade humana se encontram num compromisso de amor e de missão.

No encontro com a vontade de Deus, Maria se apresenta como o modelo e a figura viva da Igreja. Nela, o encontro da vontade do Pai com sua vontade se tornou uma norma de vida e para a vida. Em Maria a Palavra de Deus se tornou vida, se tornou carne em seu Filho amado, Jesus.

É um dado da própria ciência que a pessoa sem um projeto de vida se frustra na existência. Nós cristãos recebemos de Deus um projeto de vida que se fundamenta no amor a Deus e ao próximo. Nós da AIS Brasil encontramos em Jesus e no amor aos mais feridos do mundo a nossa razão de ser, de existir e de viver. É este o nosso caminho maior para a santificação e a vida eterna.

Fonte: www.ais.org.br/oratorio/item/248-faça-se

Maria, Mãe do sim .


Maria, Mãe do "sim",
tu ouviste Jesus e conheces o
timbre de sua voz e
as pulsações de Seu Coração.

Estrela da Manhã, fala-nos dEle
e conta-nos como é teu caminho
para segui-Lo pelas sendas da fé.
Maria, que em Nazaré
viveste com Jesus,
imprime em nossa vida
os teus sentimentos,
a tua docilidade,
o teu silêncio que escuta
e faz florescer a Palavra em
escolhas de verdadeira liberdade.
Maria, fala-nos de Jesus,
para que o frescor da nossa fé
brilhe nos nossos olhos e acenda
o coração daqueles que conosco
se encontrem,
como Tu fizeste visitando Isabel,
que em sua velhice se alegrou
contigo pelo dom da vida.
Maria, Virgem do Magnificat,
ajuda-nos a levar a alegria
ao mundo e, como em Caná,
incita cada jovem, empenhado
no serviço aos irmãos,
a fazer apenas aquilo que Jesus dirá.
Maria, Porta do Céu,
ajuda-nos a levantar o olhar.
Queremos ver Jesus. Falar com Ele.
Anunciar a todos o seu amor.

(Trechos da oração composta
por Bento XVI na Audiência Geral
de 14/2/2007)

Fonte: EspacoMaria

Explicação da Ave Maria por São Tomás de Aquino


PRÓLOGO

1. — A saudação angélica é dividida em três partes: A primeira, composta pelo Anjo: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres. (Lc 1, 28).

A segunda é obra de Isabel, mãe de João Batista, que disse: Bendito é o fruto do teu ventre.

A terceira parte, a Igreja acrescentou: Maria
O Anjo não disse: Ave Maria e sim, Ave, Cheia de graça. Mas este nome de Maria, efetivamente, se harmoniza com as palavras do Anjo, como veremos mais adiante.

AVE

2. — Na antiguidade, a aparição dos Anjos aos homens era um acontecimento de grande importância e os homens sentiam-se extremamente honrados em poder testemunhar sua veneração aos Anjos.
A Sagrada Escritura louva Abraão por ter dado hospitalidade aos Anjos e por tê-los reverenciado.

Mas um Anjo se inclinar diante de uma criatura humana, nunca se tinha ouvido dizer antes que o Anjo tivesse saudado à Santíssima Virgem, reverenciando-a e dizendo: Ave.

3. — Se na antiguidade o homem reverenciava o Anjo e o Anjo não reverenciava o homem, é porque o Anjo é maior que o homem e o é por três diferentes razões:

Primeiramente, o Anjo é superior ao homem por sua natureza espiritual.
Está escrito: Dos seres espirituais Deus fez seus Anjos. (Sl 103).

4. — O homem tem uma natureza corrutível e por isso Abraão dizia a Deus: (Gn 18, 27) Falarei a meu Senhor, eu que sou cinza e pó.
Não convém que a criatura espiritual e incorruptível renda homenagem à criatura corruptível.

Em segundo lugar, o Anjo ultrapassa o homem por sua familiaridade com Deus.
Com efeito, o Anjo pertence à família de Deus, mantendo-se a seus pés. Milhares de milhares de Anjos o serviam, e dez milhares de centenas de milhares mantinham-se em sua presença, está escrito em Daniel (7, 10).
Mas o homem é quase estranho a Deus, como um exilado longe de sua face pelo pecado, como diz o Salmista: (54, 8) Fugindo, afasteime de Deus.

Convém, pois, ao homem honrar o Anjo por causa de sua proximidade com a majestade divina e de sua intimidade com ela.

Em terceiro lugar, o Anjo foi elevado acima do homem, pela plenitude do esplendor da graça divina que possui. Os Anjos participam da própria luz divina em mais perfeita plenitude. Pode-se enumerar os soldados de Deus, diz Jó (25, 3) e haverá algum sobre quem não se levante a sua luz? Por isso os Anjos aparecem sempre luminosos. Mas os homens participam também desta luz, porém com parcimônia e como num claro-escuro.

Por conseguinte, não convinha ao Anjo inclinar-se diante do homem, até, o dia em que apareceu urna criatura humana que sobrepujava os Anjos por sua plenitude de graças (cf n° 5 a 10), por sua familiaridade com Deus (cf. n° 10) e por sua dignidade.

Esta criatura humana foi a bem-aventurada Virgem Maria. Para reconhecer esta superioridade, o Anjo lhe testemunhou sua veneração por esta palavra: Ave.

CHEIA DE GRAÇA

5. — Primeiramente, a bem-aventurada Virgem ultrapassou todos os Anjos por sua plenitude de graça, e para manifestar esta preeminência o Arcanjo Gabriel inclinou-se diante dela, dizendo: cheia de graça; o que quer dizer: a vós venero, porque me ultrapassais por vossa plenitude de graça.

6. — Diz-se também da Bem-aventurada Virgem que é cheia de graça, em três perspectivas:

Primeiro, sua alma possui toda a plenitude de graça. Deus dá a graça para fazer o bem e para evitar o mal. E sob esse duplo aspecto a Bem-aventurada Virgem possuía a graça perfeitissimamente, porque foi ela quem melhor evitou o pecado, depois de Cristo.

O pecado ou é original ou atual; mortal ou venial.

A Virgem foi preservada do pecado original, desde o primeiro instante de sua concepção e permaneceu sempre isenta de pecado mortal ou venial.
Também está escrito, no Cântico dos Cânticos: (4, 7) Tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula.

«Com exceção da Santa Virgem, diz Santo Agostinho, em seu livro sobre a natureza e a graça; todos os santos e santas, em sua vida terrena, diante da pergunta: «estais sem pecados?» teriam gritado a uma só voz: «Se disséssemos: estamos sem pecado (cf. 1, Jo 1, 6), estaríamos enganando-nos a nós mesmos e a verdade não estaria conosco».

«A Virgem santa é a única exceção. Para honrar o Senhor, quando se trata a respeito do pecado, não se faça nunca referência à Virgem Santa. Sabemos que a ela foi dada uma abundância de graças maior, para triunfar completamente do pecado. Ela mereceu conceber Aquele que não foi manchado por nenhuma falta».

Mas o Cristo ultrapassou a Bem-aventurada Virgem. Sem dúvida, um e outro foram concebidos e nasceram sem pecado original. Mas Maria, contrariamente a seu Filho, lhe é submissa de direito. E se ela foi, de fato, totalmente preservada, foi por uma graça e um privilégio singular de Deus Todo Poderoso que é devido aos méritos de seu Filho, Jesus Cristo, Salvador do gênero humano. (N.T.).

7. — A Virgem realizou também as obras de todas as virtudes. Os outros santos se destacam por algumas virtudes, dentre tantas. Este foi humilde, aquele foi casto, aquele outro, misericordioso, por isto são apresentados como modelo para esta ou aquela determinada virtude; como, por exemplo, se apresenta São Nicolau, como modelo de misericórdia.

Mas a Bem-aventurada Virgem é o modelo e o exemplo de todas as virtudes. Nela achareis o modelo da humildade. Escutai suas palavras: (Lc 1, 38) Eis a escrava do Senhor. E mais (Lc 1, 48): O Senhor olhou a humildade de sua serva. Ela é também o modelo da castidade: ela mesma confessa que não conheceu homem (cf. Lc 1, 43). Como é fácil constatar, Maria é o modelo de todas as virtudes.

A Bem-aventurada Virgem é pois cheia de graça, tanto porque faz o bem, como porque evita o mal.

8. — Em segundo lugar, a plenitude de graça da Virgem Santa se manifesta no reflexo da graça de sua alma, sobre sua carne e todo o seu corpo.

Já é uma grande felicidade que os santos gozem de graça suficiente, para a santificação de suas almas. Mas a alma da Bem-aventurada Virgem Maria possui uma tal plenitude de graça, que esta graça de sua alma reflete sobre sua carne, que, por sua vez, concebe o Filho de Deus.

Porque o amor do Espírito Santo, nos diz Hugo de São Vitor, arde no coração da Virgem com um ardor singular, Ele opera em sua carne maravilhas tão grandes, que dela nasceu um Homem Deus, como avisa o Anjo à Virgem santa: (Lc 1, 35) Um Filho santo nascerá de ti e será chamado Filho de Deus.

9. — Em terceiro lugar, a Bem-aventurada Virgem é cheia de graça, a ponto de espalhar sua plenitude de graça sobre todos os homens.

Que cada santo possua graça suficiente para a salvação de muitos homens é coisa considerável. Mas se um santo fosse dotado de uma graça capaz de salvar toda a humanidade, ele gozaria de uma abundância de graça insuperável. Ora, essa plenitude de graça existe no Cristo e na Bem-aventurada Virgem.

Em todos os perigos, podemos obter o auxílio desta gloriosa Virgem. Canta o esposo, no Cântico dos Cânticos: (4, 4) Teu pescoço é como a torre de Davi, edificada com seus baluartes. Dela estão pendentes mil escudos, quer dizer, mil remédios contra os perigos.
Também em todas as ações virtuosas podemos beneficiar-nos de sua ajuda. Em mim há toda a esperança da vida e da virtude (Ecl 24, 25).

MARIA

10. — A Virgem, cheia de graça, ultrapassou os Anjos, por sua plenitude de graça. E por isto é chamada Maria, que quer dizer, «iluminada interiormente», donde se aplica a Maria o que disse Isaias: (58, 11) O Senhor encherá tua alma de esplendores. Também quer dizer: «iluminadora dos outros», em todo o universo; por isso, Maria é comparada, com razão, ao sol e à lua.

O SENHOR É CONVOSCO

11. — Em segundo lugar, a Virgem ultrapassa os Anjos em sua intimidade com o Senhor. O arcanjo Gabriel reconhece esta superioridade, quando lhe dirige estas palavras: O Senhor é convosco, isto é, venero-vos e confesso que estais mais próxima de Deus do que eu mesmo estou. O Senhor está, efetivamente, convosco.

O Senhor Pai está com Maria, pois Ele não se separa de maneira nenhuma de seu Filho e Maria possui este Filho, como nenhuma outra criatura, até mesmo angélica. Deus mandou dizer a Maria, pelo Arcanjo Gabriel (Lc 1, 35) Uma criança santa nascerá de ti e será chamada Filho de Deus.
O Senhor está com Maria, pois repousa em seu seio. Melhor do que a qualquer outra criatura se aplicam a Maria estas palavras de Isaias: (12, 6) Exulta e louva, casa de Sião, porque o Grande, o Santo de Israel está no meio de ti.

O Senhor não habita da mesma maneira com a Bem-aventurada Virgem e com os Anjos. Deus está com Maria, como seu Filho; com os Anjos, Deus habita como Senhor.

O Espírito Santo está em Maria, como em seu templo, onde opera. O arcanjo lhe anunciou: (Lc 1, 35) O Espírito Santo virá sobre ti. Assim, pois, Maria concebeu por efeito do Espírito Santo e nós a chamamos «Templo do Senhor», «Santuário do Espírito Santo». (cf. liturgia das festas de Nossa Senhora).

Portanto, a Bem-aventurada Virgem goza de uma intimidade com Deus maior do que a criatura angélica.

Com ela está o Senhor Pai, o Senhor Filho, o Senhor Espírito Santo, a Santíssima Trindade inteira. Por isso canta a Igreja: «Sois digno trono de toda a Trindade».

É esta então a palavra mais nobre, a mais expressiva, como louvor, que podemos dirigir à Virgem.

MARIA

12. — Portanto o Anjo reverenciou a Bem-aventurada Virgem, como mãe do Soberano Senhor e, assim, ela mesma como Soberana. O nome de Maria, em siríaco significa soberana, o que lhe convém perfeitamente.

13. — Em terceiro lugar, a Virgem ultrapassou aos Anjos em pureza.
Não só possuía em si mesma a pureza, como procurava a pureza para os outros.

Ela foi puríssima de toda culpa, pois foi preservada do pecado original e não cometeu nenhum pecado mortal ou venial, como também foi livre de toda pena.

BENDITA SOIS VÓS ENTRE AS MULHERES

14. — Três maldições foram proferidas por Deus contra os homens, por causa do pecado original.

A primeira foi contra a mulher, que traria seu filho no sofrimento e daria à luz com dores.

Mas a Bem-aventurada Virgem não está submetida a estas penas. Ela concebeu o Salvador sem corrupção, trouxe-o alegremente em seu seio e o teve na alegria. A Ela se aplica a palavra de Isaias: (35, 2) A terra germinará, exultará, cantará louvores.

15. — A segunda maldição foi pronunciada contra o homem (Gn 3, 9): Comerás o teu pão com o suor de teu rosto.

A Bem-aventurada Virgem foi isenta desta pena. Como diz o Apóstolo (1 Cor 7, 32-34): Fiquem livres de cuidados as virgens e se ocupem só com o Senhor.

A terceira maldição foi comum ao homem e à mulher. Em razão dela devem ambos tornar ao pó.

A Bem-aventurada Virgem disto também foi preservada, pois foi, com o corpo, assunta aos céus. Cremos que, depois de morta, foi ressuscitada e elevada ao céu. Também se lhe aplicam muito apropriadamente as palavras do Salmo 131, 8: Levanta-te, Senhor, entra no teu repouso; tu e a arca da tua santificação.
MARIA

A Virgem foi pois isenta de toda maldição e bendita entre as mulheres. Ela é a única que suprime a maldição, traz a bênção e abre as portas do paraíso.

Também lhe convém, assim, o nome de Maria, que quer dizer, «Estrela do mar», Assim como os navegadores são conduzidos pela estrela do mar ao porto, assim, por Maria, são os cristãos conduzidos à Glória.

BENDITO É O FRUTO DE VOSSO VENTRE

18. — O pecador procura nas criaturas aquilo que não pode achar, mas o justo o obtém. A riqueza dos pecadores está reservada para os justos, dizem os Provérbios (13, 22). Assim Eva procurou o fruto, sem achar nele a satisfação de seus desejos. A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou em seu fruto tudo o que Eva desejou.

19. — Eva, com efeito, desejou de seu fruto três coisas:

Primeiro, a deificação de Adão e dela mesma e o conhecimento do bem e do mal, como lhe prometera falsamente o diabo: Sereis como deuses (Gn 3, 5), disse-lhes o mentiroso. O diabo mentiu, porque ele é mentiroso e o pai da mentira (cf. Jo 8, 44). E por ter comido do fruto, Eva, em vez de se tornar semelhante a Deus, tornou-se dessemelhante. Por seu pecado, afastou-se de Deus, sua salvação, e foi expulsa do paraíso.

A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou sua deificação no fruto de suas entranhas. Por Cristo nos unimos a Deus e nos tornamos semelhantes a Ele. Diz-nos São João: (1 Jo 3, 2) Quando Deus se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é.

20. — Em segundo lugar, Eva desejava o deleite (cf. Gn 3, 6), mas não o encontrou no fruto e imediatamente conheceu que estava nua e a dor entrou em sua vida.

No fruto da Virgem, ao contrário, encontramos a suavidade e a salvação. Quem come minha carne tem a vida eterna (Jo 6, 55).

21. — Enfim, o fruto de Eva era sedutor no aspecto, mas quão mais belo é o fruto da Virgem que os próprios Anjos desejam contemplar (cf. 1 Pe 1, 12). É o mais belo dos filhos dos homens (Sl 44, 3), porque é o esplendor da glória de seu Pai (Heb 1, 3) como diz S. Paulo.

Portanto, Eva não pôde achar em seu fruto o que também nenhum pecador achará em seu pecado.

Acharemos, no entanto, tudo o que desejamos no fruto da Virgem. Busquemo-lo.

22. — O fruto da Virgem Maria é bendito por Deus, que de tal forma encheu-o de graças que sua simples vinda já nos faz render homenagem a Deus. Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, declara São Paulo (Ef 1, 3).

O fruto da Virgem é bendito pelos Anjos. O Apocalipse (7, 11) nos mostra os Anjos caindo com a face por terra e adorando o Cristo com seus cantos: O louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém.

O fruto de Maria é também bendito pelos homens: Toda a língua confesse que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai, nos diz o Apóstolo (Fp 2, 11). E o Salmista (Sl 117, 26) o saúda assim: Bendito o que vem em nome do Senhor.
Assim, pois, a Virgem é bendita, porém, bem mais ainda, é o seu fruto.

Fonte: Pai Nosso e Ave Maria – Sermões de Santo Tomás de Aquino. Editora Permanência, Rio de Janeiro

Maria conforme o calendário litúrgico




O Concílio Vaticano II exortou os filhos da Igreja ao culto da Virgem Santíssima, um culto que deve ser essencialmente litúrgico (Lumen Gentium, 67), quer dizer, associado à celebração das festas litúrgicas.

O Concílio Vaticano II lembrou que, ao celebrar o ciclo anual do Senhor, a Igreja, celebra Maria. Maria está, pois, inicialmente associada às festas do Senhor e as festas de Nossa Senhora são, igualmente, agregadas ao Senhor a quem Maria está unida com laços indissolúveis. (Vaticano II, Constituição sobre a liturgia § 103)

As diferentes festas marianas possuem 4 graus de importância:

1. Solenidade,

2. Festas,

3. Memórias (memórias obrigatórias / memórias facultativas),

4. Festas locais.

Em 1974, o Papa Paulo VI renovou o calendário das festas da Virgem Maria, por meio da sua exortação apostólica, Marialis cultus.

Maria está associada às festas do Senhor

Na celebração anual dos Mistérios de Cristo, a Santa Igreja venera, com intenso amor, a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, o mais excelso fruto da redenção, aquela que está unida a seu Filho na obra salutar por laços indissolúveis. (Vaticano II, Constituição sobre a santa liturgia)

O Tríduo Pascal
Natividade do Senhor
Epifania
Ascensão
Pentecostes
Domingo do Advento, da Quaresma e de Páscoa
Quarta-feira de Cinzas
O domingo
Solenidades e festas de Maria.

8 de setembro: Natividade da Virgem Maria: Festa
8 de dezembro: Imaculada Conceição: Solenidade
1º de janeiro: Santa Mãe de Deus: Solenidade
2 de fevereiro: Apresentação do Senhor: Festa
25 de março: Anunciação: Solenidade
Sábado, após o quarto domingo de Páscoa: Santa Maria, consoladora dos aflitos, principal padroeira de Luxemburgo (Luxemburgo: Solenidade)
31 de maio: Visitação da Virgem Maria: festa
Sant´Ana (Canadá): Festa
15 de agosto: Assunção: Solenidade
31 de agosto: Santíssima Virgem Maria Medianeira (na Bélgica). Na África do Norte, data celebrada como solenidade.
Memórias de Maria

Aos sábados: quando não se comemora uma solenidade, festa ou memória obrigatória, neste dia da semana, exalta-se a memória de Nossa Senhora.
Memórias ligadas a antigos relatos apócrifos, relatos que não possuem valor histórico, possuindo, entretanto, valor espiritual:
21 de novembro: Apresentação de Maria, no templo
26 de julho: Sant´Ana e São Joaquim
Memórias ligadas às aparições da Virgem Maria
11 de fevereiro (Nossa Senhora de Lourdes),
13 de maio (Nossa Senhora de Fátima),
12 de dezembro: (Nossa Senhora de Guadalupe)
27 de dezembro (rua du Bac)
Memórias ligadas à história da Igreja:
Após o Concílio de Éfeso (431), deseja-se honrar Maria como a Mãe da humanidade do Filho de Deus, Mãe de Deus. A Ela é dedicada a Basílica de Santa Maria Maior. Em seguida, cria-se a sua festa, consagrando-lhe o dia 5 de agosto.
O cisma de Avignon (1378), leva o Bispo de Praga, Bispo Jenstein, a introduzir a festa da Visitação.
O movimento herético de Huss provoca o sínodo de Colônia (1423) e suscita, em seguida, a festa de Nossa Senhora das Dores.

Memórias diocesanas, festas locais

Estas são inúmeras e marcam um acontecimento notável, numa diocese (fundação de um santuário após uma aparição ou revelações particulares, peregrinação regional etc.) ou um acontecimento importante para uma ordem religiosa.

Nesta categoria, destacam-se: Nossa Senhora da Salette (celebrada no dia 19 de setembro), Nossa Senhora de Banneux, Nossa Senhora de Beauraing, as aparições de Betânia, Nossa Senhora de Todos os Povos (Amsterdam), Nossa Senhora da Ilha Bouchard etc.

F.Breynaert
Fonte: Marie de Nazareth

A necessidade que temos da intercessão de Nossa Senhora para nos salvarmos


“Gens et regnum, quod non servierit tibi, peribit” – “A gente e o reino que te não servir, perecerá” (Is. LX, 12).

I. Que a prática de invocar aos Santos, afim de nos alcançarem a divina graça, seja não somente lícita, mas também útil, é um ponto da fé. Entre os Santos, porém, que são amigos de Deus, e a Santíssima Virgem, que é Sua verdadeira Mãe, há esta diferença, que a intercessão de Maria não é só utilíssima, mas também moralmente necessária, de modo que o Bem-Aventurado Alberto Magno e São Boaventura chegam a afirmar que todos os que se descuidam da devoção a Nossa Senhora, não A servem, e consequentemente não são por ela protegidos, morrerão todos em pecado mortal e se condenarão: “A gente que te não servir, perecerá”. É esta, diz Soares, a opinião universal da Igreja. E com razão; porquanto, não sendo nós capazes de conceber um só bom pensamento em ordem à Vida Eterna, a graça divina nos é indispensável para a salvação.

Verdade é que só Jesus Cristo nos mereceu esta graça, por ser Medianeiro de justiça. Mas, para nos inspirar mais confiança de obtermos a graça, e ao mesmo tempo para exaltar Sua Mãe Santíssima, Jesus a depositou nas mãos de Maria, e, constituindo-a Medianeira de Graça, decretou que nenhuma graça fosse dispensada aos homens sem que passasse pelas mãos de Maria. Numa palavra, diz São Bernardo, Deus constituiu Nossa Senhora como que um “aqueduto” dos bens celestes que descem à terra, e determinou que por meio de Maria recebamos o Salvador que por Seu intermédio nos foi dado na Encarnação. Vede, pois, conclui o Santo, vede, ó homens, com que afecto de devoção quer o Senhor que honremos a nossa Rainha, refugiando-nos sempre a Ela e confiando em seu patrocínio!

II. Assim como Holofernes, para conquistar a cidade de Bethulia, ordenou que se cortassem os aquedutos, também o demónio faz quanto pode, afim de que as almas percam a devoção à Mãe de Deus. Pela experiência o espírito maligno sabe que, tapado este canal das graças, depois fácil ou, antes, certamente consegue conquista-las. Quantos cristãos estão agora no Inferno por se terem deixado iludir assim. Nós, portanto, demos graças à divina Mãe, por nos ter tomado debaixo de Seu santíssimo manto, como no-lo garantem as graças recebidas pela sua intercessão. Ao mesmo tempo, porém, examinemos se por ventura estamos resfriados na sua devoção, e renovemos nosso propósito de sermos para o futuro mais constantes.

Sim, eu Vos dou graças, ó minha Mãe amorosíssima, por todos os bens que tendes feito a este desgraçado réu do Inferno. Ó minha Rainha, de quantos perigos me tendes livrado! Quantas luzes e quantas misericórdias me tendes alcançado de Deus! Que grande bem, ou que grande honra recebestes de mim para Vos empenhardes tanto a meu favor? Foi só a Vossa bondade que a isso Vos moveu. Ah! Se eu pudesse dar por Vosso amor o sangue e a vida, ainda seria pouco, à vista da obrigação que Vos devo, pois que me livrastes da morte eterna e me fizestes recuperar, como espero, a graça divina; a Vós sou devedor de toda a minha felicidade.

Senhora minha amabilíssima, eu, miserável, não tenho que Vos dar senão os meus louvores e o meu amor. Ah, não desprezeis o afecto de um pobre pecador, abrasado em amor pela Vossa bondade. Se o meu coração é indigno de Vos amar, por estar imundo e cheio de afectos terrestres, Vós o podeis mudar: mudai-o, pois. Ah, minha Senhora prendei-me a meu Deus, e prendei-me de tal modo que nunca mais possa separar-me de Seu amor. Vós quereis que eu ame o Vosso Deus; e eu quero que me alcanceis este amor; fazei que o ame sempre e nada mais deseje.

Ó MARIA, CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

Fonte: Santo Afonso (“Meditações para todos os dias do ano”, Tomo III)

Nossa Senhora do Rosário - 7 de outubro


Nossa Senhora do Rosário (ou Nossa Senhora do Santo Rosário ou Nossa Senhora do Santíssimo Rosário) é o título recebido pela aparição mariana a São Domingos de Gusmão em 1208 na igreja de Prouille, em que Maria dá o rosário a ele.

Em agradecimento pela vitória da Batalha de Muret, Simon de Montfort construiu o primeiro santuário dedicado a Nossa Senhora da Vitória. Em 1572 Papa Pio V instituiu "Nossa Senhora da Vitória" como uma festa litúrgica para comemorar a vitória da Batalha de Lepanto. A vitória foi atribuída a Nossa Senhora por ter sido feita uma procissão do rosário naquele dia na Praça de São Pedro, em Roma, para o sucesso da missão da Liga Santa contra os turcos otomanos no oeste da Europa. Em 1573, Papa Gregório XIII mudou o título da comemoração para "Festa do Santo Rosário" e esta festa foi estendida pelo Papa Clemente XII à Igreja Universal. Após as reformas do Concílio Vaticano Segundo a festa foi renomeada para Nossa Senhora do Rosário. A festa tem a classificação litúrgica de memória universal e é comemorada dia 7 de outubro, aniversário da batalha.

María del Rosário é um nome feminino comum em espanhol, além de Rosario poder ser usado como nome masculino também, principalmente em italiano.

Como surgiu a oração do Santo Rosário

A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.

A palavra Rosário significa 'Coroa de Rosas'. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário a rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.

O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que sua mãe lhe pede. Em cada uma de suas aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.

O Rosário é composto de dois elementos: oração mental e oração verbal.

No Santo Rosário a oração mental é a meditação sobre os principais mistérios ou episódios da vida, morte e glória de Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe.

A oração verbal consiste em recitar quinze dezenas (Rosário completo) ou cinco dezenas do Ave Maria, cada dezena iniciada por um Pai Nosso, enquanto meditamos sobre os mistério do Rosário.

A Santa Igreja recebeu o Rosário em sua forma atual em 1214 de uma forma milagrosa: quando a Virgem apareceu a Santo Domingo e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo.
Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados.
Fonte: Jornal O Mensageiro

Este Verbo, através de ti, Virgem santa, se fará carne


O santo, que nascer de ti, será chamado Filho de Deus (cf. Lc 1,35), fonte de sabedoria, o Verbo do Pai nas alturas! Este Verbo, através de ti, Virgem santa, se fará carne, de modo que aquele que diz: Eu no Pai e o Pai em mim (Jo 10,38), dirá também: Eu saí do Pai e vim (Jo 16,28). No principio, diz João era o Verbo. Já borbulha a fonte, mas por enquanto apenas em si mesma. Depois, o Verbo era com Deus (Jo 1,1), habitando na luz inacessível. O Senhor dizia anteriormente: Eu tenho pensamento de paz e não de aflição (cf. Jr. 29,11). Mas teu pensamento esta dentro de ti, ó Deus, e não sabemos o que pensas; pois quem conheceu a mente do Senhor ou quem foi seu conselheiro? (cf. Rm 11,34).

Desceu, por isso, o pensamento da paz para a obra da paz: O Verbo se fez carne e já habita em nós (Jo 1,14). Habita totalmente pela fé em nossos corações, habita em nossa memória, habita no pensamento e chega a descer ate a imaginação. Que poderia antes o homem pensar sobre Deus, a não ser talvez fabricando um ídolo no coração? Era incompreensível e inacessível, invisível e inteiramente impensável: agora, porem, quis ser compreendido, quis ser visto, quis ser pensado. De que modo perguntas? Por certo, reclinado no presépio, deitado ao colo da Virgem, pregando no monte, pernoitando em oração; ou pendente da cruz, pálido na morte, livre ao terceiro dia, mostrando aos apóstolos as marcas dos cravos, sinais da vitória, e, por ultimo, diante deles subindo ao mais alto do céu.

O que não se poderá pensar verdadeira, piedosa e santamente disto tudo? Se penso algo destas realidades, penso em Deus e em tudo ele é meu Deus. Meditar assim, considero sabedoria, e tenho por prudência renovar a lembrança da suavidade que, em essência tão preciosa, a descendência sacerdotal produziu copiosamente, e que, haurindo do alto, Maria trouxe para nós em profusão.

(Dos Sermões de São Bernardo, abade. Séc. XII, Liturgia das Horas).

O Santo cinto de Nossa Senhora


Quem, saindo de Florença, percorre vin­te quilômetros em direção ao noroeste, encontra às margens do rio Bisenzio uma cidade industrial cu­jas fábricas lhe valeram a alcunha de "Manchester da Itá­lia". Trata-se de Prato. Essa cida­de, apesar da feiúra de suas indústrias e da simplicidade de seu nome, além de ter sido um pólo ar­tístico mui­to afamado da his­tó­ria da Tos­ca­na, abriga, em seu cen­tro velho, uma das relíquias mais tocantes da Mãe de Deus.

É bem conhecida a história de São Tomé, um dos doze Apóstolos, que por estar ausente quando da aparição do Senhor após a Res­surreição, não quis nela acreditar, apesar do testemunho de seus com­panheiros. Só oito dias mais tarde, quando Jesus lhes apa­receu novamente, Tomé pôde constatar a verdade, colocando seus dedos na chaga do Salvador. Aí, sim, acreditou.

Passaram-se os anos e Tomé tor­nou-se um dos Apóstolos mais intrépidos, levando o Evangelho até os confins da Pérsia e da Índia. Segundo a bela tradição que chegou até nós, encontrava-se ele numa dessas longínquas regiões quando recebeu um recado de São Pedro, de que retornasse sem demora a Jerusalém, pois Maria, a Mãe do Senhor, iria deixá-los e desejava antes despedir-se de todos. Empreendeu Tomé a sua volta e mais uma vez chegou atrasado. A Mãe de Deus já havia su­bi­do aos céus.


São Tomé, mais uma vez levado pelo ceticismo, relutou em acreditar na Assunção da Santíssima Vir­gem e pediu a São Pedro que abris­se o sepulcro, para poder comprovar com os seus próprios olhos o ocorrido. Atendido o seu pedido, constatou que no túmulo vazio en­contravam-se apenas muitos lírios e rosas. Nesse mesmo momento, ao levantar suas vistas aos céus, Tomé viu Nossa Senhora na Glória, que, sorridente, desatou o cinto e lançou-o em suas mãos, co­mo símbolo de maternal bênção e proteção.


Este cinto é a relíquia que se ve­nera na Catedral de Prato. Chegou de Jerusalém no ano de 1141, trazido por Michele Dagomari, ha­bitante da cidade que estivera na Terra Santa. No começo, nin­guém deu muita importância àque­la re­lí­quia de autenticidade não comprovada. Mas em 1173 a Providência valeu-se de um fato extraor­di­nário para que todos a reconhe­ces­sem como verdadeira:

No dia de Santo Estêvão, o pa­droeiro da cidade, era costume co­locarem-se todas as relíquias em cima do altar para com elas aben­çoar os doentes e endemoniados.

Na ocasião, foi exposta também a caixa contendo o cinto de Nossa Senhora. Aproximaram então uma possessa que, no momento em que tocou a caixa começou a afirmar com insistência que esse cinto era da Santíssima Virgem, e no mesmo instante viu-se liberada de seu mal.

Iniciou-se então o culto público à sagrada relíquia. O próprio São Francisco de Assis, em 1212, este­ve com seus primeiros frades em Prato para venerá-la. Porém, se esse culto já conta com mais de oito séculos de história, a devoção ao santo cinto de Nossa Senhora é ainda muito mais antiga: foi instituída por Santo Agostinho, que de­terminou a constituição de uma Confraria do Santo Cinto, até hoje existente entre os agostinianos.

A relíquia é exposta à venera­ção pública cinco vezes ao ano: na Páscoa, nos dias 1º de maio, 15 de agosto, 8 de dezembro e no Natal. Nessas ocasiões, ela é colocada no púlpito externo, à direita da Catedral, defronte à bonita pra­ça medieval da cidade.

Essa devoção faz com que Prato seja até hoje um dos lugares de peregrinação mariana mais freqüentados da Itália.

Se você, leitor, algum dia passar por Prato, não deixe de entrar na Catedral - aliás, uma linda rea­lização do estilo gótico toscano - e procure do lado esquerdo a "Capella del Sacro Cingolo", onde poderá venerar tão extraordinária relíquia. Peça à Santíssima Vir­gem as graças de que necessita e não deixe de admirar os maravi­lhosos afrescos onde estão retra­tados, além da entrega do cinto a São Tomé, outros episódios da vida de Nossa Senhora.

Maria, mãe das misericórdias ini­magináveis, quis mostrar a São Tomé e a todos nós que, mesmo sendo teimosos em acreditar, e ainda que estejamos imersos em nossas misérias, Ela sempre esta­rá dis­posta a fazer milagres portentosos para nos confirmar na Fé e atar-nos a Ela com seu Cinto, protegendo-nos com sua maternal ter­nura.

(Revista Arautos do Evangelho, Junho/2002, n. 6, p. 15 a 17)

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