quinta-feira, 16 de setembro de 2010



O sacrifício da Virgem não era, simplesmente, o de renunciar ao pecado; e sim, o de renunciar às coisas santas em prol de outras coisas mais santas, ainda.

Convém, pois, que aqui seja desenvolvida uma ternura sensível, e além de sensível, santa, para que os homens saibam o que devem fazer das afeições sensíveis que não são santas. Será necessário que seja mortificado, na Virgem, o que existe sem pecado e que seja abafado em seu coração o desejo justo de consolar, sensível e ternamente seu Filho, para que Ela se possa assemelhar perfeitamente a Ele e sofrer, intima e profundamente, à imagem d´Aquele que deverá sofrer e morrer sem ser consolado.

Ela fará, então, assim como seu próprio Filho, e melhor do que qualquer outra pessoa, a “vontade de Deus”; Ela será para seu Filho o que ninguém será depois dela; um “irmão”, uma “irmã”, a verdadeira “Mãe”; ela entrará, como ninguém, de forma única, magnífica, no Reino de Deus, no Reino dos parentescos espirituais. E deste reino, Maria será a rainha incomparável.
Maria ereta, firme, ao pé da Cruz. Ela não desfalece e não é confortada pelas santas mulheres. Ao contrário, é Ela quem assiste e apoia, então, a toda a Igreja, pelo arrebatamento de seu amor imenso, forte como a morte. Firme, ao pé da Cruz, Ela ouve as Sete Palavras que descem do alto da Cruz, tocando seu coração desolado. Sabat Mater Dolorosa.

Neste momento, Ela parece ter dado tudo o que possuía e parece nada mais possuir que lhe possa ser arrebatado. Entretanto, seu Filho vai lhe pedir uma separação mais dolorosa, ainda. Ele não quer que sua Mãe espere diante da Cruz, não podendo ter consigo o seu Filho amado, prestes a morrer. Enquanto ainda vive, Ele aniquilará, pela última vez, o amor sensível, no entanto, tão puro e tão discreto, que sente tocar-Lhe, chegando ao alto da sua Cruz. Ele quer morrer pobre e sem mãe. É preciso que Ela aceite, desde então, transferir sua ternura maternal a outra pessoa: “Jesus, então, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” (João 19, 26).
A Virgem, desde o início, havia oferecido a Deus, todos os batimentos do seu coração. Desde o instante da Encarnação, Ela havia renunciado, sem qualquer reserva, à propriedade de seu amor materno. Cada despedaçar de seu coração, cada vez mais sofrido, mutilado por dores pungentes que lhe foram solicitadas, não lhe fora infligido para a purificação das imperfeições de seu amor: não houve nem sombra de imperfeição n´Ela. O desígnio único era o de associá-la ao sofrimento redentor de seu Filho.

O sofrimento de Jesus não estava destinado à sua própria purificação e sim à redenção do mundo. Os sofrimentos da Virgem Imaculada, à semelhança dos sofrimentos do Filho, não estavam ligados à sua purificação, pois Ela era toda pura e nascera imaculada. Porém, a Virgem poderia unir os seus sofrimentos aos de Jesus, suportados para a salvação dos homens. Neste sentido, os sofrimentos de ambos eram corredentores.

Cardeal Charles Journet,
Mater Dolorosa,
Edições Christiana, 1974

Fonte:minuto com Maria

- Copyright © Meu Imaculado Coração Triunfará -