Archive for Janeiro 2010

O Rosário protege a fé



Podemos afirmar que entre as famílias e os povos que conservam a prática do Rosário, dando-lhe o respeito, a honra e a devoção como antigamente, não há motivo para temer que a ignorância ou o veneno do erro possam destruir a fé.

Leão XIII escreveu doze Encíclicas sobre o Rosário. Destacamos o seguinte trecho: "Queira Deus - é este um ardente desejo nosso - que esta prática de piedade retome em toda a parte o seu antigo lugar de honra! Nas cidades e nas aldeias, nas famílias e nos locais de trabalho, entre as elites e os humildes, seja o Rosário amado e venerado como insigne distintivo da profissão cristã e o auxílio mais eficaz para nos propiciar a divina clemência" (Encíclica Jucunda semper de 8/9/1894).

Leão XIII

Agora que estás sentada à sua direita...


O Evangelho das Bodas de Cana é celebrado, pela Igreja Copta, no dia 21 de janeiro. Nesta data se comemora a poderosa intercessão e a maternal e amorosa mediação de Maria. Como exemplo, vejamos este manuscrito redigido por autor anônimo:

"Em Caná da Galileia, após ter interpelado seu Filho e após ter conhecido a vontade d´Ele, tu deste esta ordem aos serventes: 'Fazei tudo o que Ele vos disser'" [Jo 2, 5]. Jesus disse aos criados: "Enchei as talhas de água" Eles as encheram, imediatamente, até as bordas. E teu Filho transformou a água em vinho verdadeiro e bom, utilizando seu poder divino, sob a influência da tua palavra. Como será agora, quando estás sentada à sua direita, no mais alto dos céus, se intercederes junto d´Ele, em favor de uma alma vil e miserável, quase inexistente? Oh! Tu poderás salvá-la, tu que salvaste nosso pai, Adão e nossa mãe, Eva, do suplício eterno!"

Manuscrito árabe 278, f 26 v-27r. Arquivos do museu copta do velho Cairo.
Gabriele Giamberardi, Il culto mariano in Egito, Jerusalém, 1974, vol. 3, pág. 159

Dois amores se unem num só



Um santo bispo nos deu uma grande ideia sobre o que significa o amor materno de Maria, ao dizer estas belas palavras: "Para formar o amor de Maria, dois amores se unem num só" (...).

Eu pergunto: que mistério é esse, e o que significa a união desses dois amores? Eis a sua explicação: "É que a Virgem Santíssima dedicava a seu Filho o amor que ela devia a um Deus e que ela dedicava a Deus, igualmente, o amor que devia a um filho."

Se compreenderdes estas palavras, vereis que não poderíamos imaginar algo de maior, de mais forte, ou de mais sublime que pudesse expressar o amor da Virgem Santíssima, pois o santo bispo quer nos fazer entender que a natureza e a graça convergem, unidas, para criar impressões mais profundas no coração de Maria.
Não existe nada de mais forte nem de mais indubitável, de mais decisivo, do que o amor que a natureza concede a um filho ou do amor que a graça concede para dedicarmos a Deus. Estes dois gêneros de amor são dois abismos, nos quais não conseguimos penetrar na profundidade, nem compreender toda a sua extensão.

Aqui, porém, podemos dizer com o Salmista: Abyssus abyssum invocat: "Um abismo chama um outro abismo", pois, para formar o amor da Virgem Santa, foi preciso amalgamar tudo o que a natureza possui de mais terno com a graça mais eficaz. A natureza participou forçosamente, porque este amor envolvia um filho; a graça, por sua vez, agiu porque este amor dizia respeito a um Deus: Abyssus.

Mas o que ultrapassa a imaginação é que a natureza e a graça comum não bastam, porque não é próprio à natureza encontrar um filho em um Deus, e não é próprio à graça, pelo menos à graça comum, prosaica, fazer com que se ame um Deus na pele de um filho. Necessário se faz, então, que elevemos o nosso pensamento.
Cristãos, permiti que eu exponha, hoje, meus pensamentos acima da natureza e da graça, e que eu busque a fonte deste amor no seio do Pai eterno.

O que me comove e faz com que eu me sinta extremamente agradecido, é que o divino Filho do qual Maria é a Mãe, é seu Filho e é Deus. "Aquele que nascerá de ti - lhe diz o Anjo - será chamado o Filho do Altíssimo, o Filho de Deus." Assim, Maria está unida a Deus Pai, tornando-se Mãe de seu Filho único, "que lhe é comum, com o Pai eterno pela forma com que ela o gera".

Porém, se Deus, que quis lhe dar seu Filho, comunicar-lhe a sua virtude, espalhar sobre ela a sua fecundidade para concluir a sua obra, obviamente, deve ter derramado em seu casto seio, alguns raios ou algumas centelhas do amor que Ele tem por este Filho único, que é o esplendor de sua glória e a imagem viva de sua substância. Foi daí que nasceu o amor de Maria; e o amor que Ela tem por seu Filho lhe foi conferido pela mesma fonte que lhe concedeu o próprio Filho.

Após esta misteriosa comunicação, o que direis, ó raciocínio, ó inteligência humana? Pretendeis poder compreender a união de Maria com Jesus Cristo? Pois, esta união tem algo a ver com a perfeita unidade existente entre o Pai e o Filho. Não tentareis explicar este amor materno vindo de fonte tão alta e sublime... Este amor é, simplesmente, o derramar do amor do Pai sobre o Filho único.
O milagre contínuo era o de Maria ter conseguido viver separada de seu bem-amado (...)

Porém, posso relatar-vos de que forma terminou tal milagre? (...) Se me permitis, cristãos, de contar o que penso, eu atribuo este último efeito, não a movimentos extraordinários, mas somente à perfeição do amor da Virgem Santíssima.

Mas, como este divino amor reinava em seu coração, sem qualquer obstáculo, e ocupava todos os seus pensamentos, aumentando e avivando-se a cada dia, por sua própria ação, aperfeiçoando-se pelos seus desejos, multiplicando-se por si mesmo e que, estendendo-se sempre, chegou, finalmente, a tal perfeição, a tal ponto que a Terra não era mais capaz de o conter.

Jacques-Bénigne Bossuet
Primeiro Sermão para a festa da Assunção da Virgem Santíssima, primeiro ponto

Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil




No transcurso da história comovedora da imagem morena de sua Rainha e Mãe tão amada, homens e mulheres de todas as condições e culturas a proclamaram "Soberana". Eis porque, meu venerável predecessor, Pio X, sensibilizado com a solicitação dos filhos devotos da Virgem Aparecida, coroou Nossa Senhora como Rainha do Brasil, no ano de 1904. Este patrocínio de Maria sobre uma nação não é algo que acontece sem o concurso de seus protegidos, mas supõe seu livre consentimento, a cada dia renovado; supõe que o peçam e se façam dignos dele, encarnando-o num compromisso de vida inspirado pelas certezas profundas e sólidas da fé.

A certeza de que o patrocínio de Maria, sob o título de Aparecida, inclui, por parte de seus súditos, um compromisso de se darem as mãos, uns aos outros, no esforço para que o país se converta naquilo mesmo que Maria deseja, uma vez que Ela o adotou como propriedade sua: uma terra onde imperem a hospitalidade, a cordialidade, a capacidade de dialogar, de "compor", mais do que "opor".

"Feliz do povo, cujo Senhor é Deus, cuja Rainha é a Mãe de Deus!"


Papa João Paulo II,
carta a Monsenhor Raimundo Damasceno de Assis para o centenário da coroação da estátua de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil

O soldado protestante e o Ícone de Maria


Corria o ano de 1939. Nossas tropas (alemãs) ocupavam uma cidadezinha não longe de Varsóvia. Extenuados após cansativa marcha forçada, nós nos instalamos numa casa burguesa. Tudo o que queríamos era dormir, apesar dos insistentes sibilos das balas e explosões das bombas estrondeando, por todos os lados, e cada vez mais frequentes e violentos...

De repente, um estalido medonho, o teto desaba... Uma explosão... Estilhaços de obuses... Uma terrível nuvem de poeira... Bloqueado, preso entre uma viga e cadeiras quebradas, lado a lado com alguns companheiros mortos, consegui me libertar e recuperar o ar...

A casa inteira transformara-se em escombros. Apenas um lanço de parede estava de pé, fixo, intacto. Tratava-se de um Ícone, a imagem da Mãe de Deus tão venerada pelos católicos. Tinha nas mãos um terço, e me olhava com ternura...

Eu sou protestante, e fui educado quase sem religião... Durante a expedição militar, notei que a maior parte de meus companheiros católicos tinham uma imagem da Virgem Maria ou um terço nas mãos, que desfiavam confiantes, nos momentos difíceis. Eu estava a observar a imagem quando uma segunda bomba ia se anunciando. Instintivamente, precipitei-me para aquele lanço que sobrara das paredes, arranquei o Ícone que lá estava e apertei-o junto ao meu coração. A bomba explodiu fragorosamente e seus estilhaços mataram três companheiros meus.

Quando recobrei os sentidos, ainda tinha a imagem em minhas mãos. Eu não tinha coragem de me desfazer dela. Levei-a para casa como lembrança da maravilhosa proteção que recebera. Com amor, coloquei o meu tesouro no bolso interno do dólmã.

Naquela noite, retomamos a investida. Metralhadoras e armas automáticas semeavam a morte em nossas fileiras. Num curto momento de acalmia, tateei, sobre meu peito, o ícone que estava coberto de grossa camada de cobre. Para meu espanto, descobri nele uma bala incrustada, que teria trespassado meu coração, se não tivesse atingido o Ícone. Emocionado até as lágrimas, e cheio de reconhecimento, recoloquei minha querida Madonna sobre o coração.

Isto se passou há muitos anos. Mas jamais esquecerei como o Ícone da Mãe de Deus salvou a minha vida. Contei esta história para minha mulher e meus filhos. Todos veneram com muito amor aquela que trouxe um pai e esposo, são e salvo, de volta à sua família.

Hoje, esta imagem está num nicho, num lugar de honra, ornada de flores e velas acesas e, a cada dia, nós nos reunimos em volta dela e, juntos, fazemos nossas orações. "Por que suprimimos em nossa religião a devoção a Maria, Mãe de Jesus?"

Saarbrucken, 22 de novembro de 1948 (segundo A. Dewald).
Relatado e traduzido por Frei Albert Plfeger, marista, em seu Florilégio Mariano, 1980

Nazaré é a escola do Evangelho



Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Em Nazaré aprendemos a olhar, a ouvir, a meditar e a penetrar o significado profundo e misterioso desta simplíssima, humilde e belíssima revelação do Filho de Deus. Talvez possamos aprender até mesmo a imitá-lo, sem nos darmos conta disso.

Em Nazaré aprende-se o método que nos permite compreender quem é Cristo. Em Nazaré descobrimos a necessidade de observar o cenário, o panorama de sua estada entre nós: os lugares, os costumes, o idioma, as práticas religiosas, tudo o que envolveu Jesus, e de que Ele se serviu para se revelar ao mundo. Em Nazaré, tudo nos fala, cada detalhe tem um sentido. Aqui, em Nazaré, nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual, se o nosso desejo é o de seguir os ensinamentos do Evangelho e o de nos tornarmos discípulos de Cristo.

Oh, como desejaríamos voltar a ser crianças e retornar a esta humilde escola de Nazaré, como gostaríamos de, pertinho de nossa Mãe, Maria, recomeçar a adquirir a verdadeira ciência da vida e a sabedoria superior das verdades divinas! Mas tudo o que fazemos é passar... É necessário que conservemos o desejo de, a partir deste local, darmos continuidade à educação jamais conclusa, ao aprofundamento da inteligência do Evangelho. Nós não partiremos enquanto não tivermos recolhido às pressas e como que, às escondidas, algumas breves lições de Nazaré.

Homilia de Paulo VI, em Nazaré
5 de janeiro de 1964

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