Archive for Março 2010

Ela foi a abelha boa


A Bem-aventurada Maria, Nossa Senhora, gerou o Filho de Deus sem corrupção, porque o Espírito Santo desceu sobre ela, cobrindo-a com a sua sombra (cf. Lc 1, 35). Pequena é a abelha entre os seres que voam, mas o seu produto é o primeiro em doçura (cf. Eclo 11, 3). Ela foi a boa abelha: pequena, por sua humildade; considerável pela contemplação da glória celeste, que não tem princípio nem fim; densa pela caridade - ela que, durante nove meses levou a verdadeira Caridade em seu seio, não poderia deixar de ser caridosa e indulgente -, ligada à pobreza, e mais pura que todas as pessoas, por causa da sua virgindade.

Esta boa abelha prepara, com humildade, a casa, quer dizer, a alma, e com a virgindade, prepara o corpo no qual o Rei dos anjos viria habitar. Preste atenção: a abelha edifica, começando pelo alto. Assim, também, a bem-aventurada Virgem Maria não inicia seu empenho, começando pela parte inferior, quer dizer, diante dos homens; ela inicia a sua missão, começando do alto, em presença da majestade divina e, pouco a pouco, isto é, com ordem e discrição, começa a inclinar-se, a descer, sob o olhar das criaturas, tornando-se admirável aos seus olhos, ela que já fora a escolhida do Senhor.

Santo Antonio de Pádua
Sermão da festa da Purificação, 9
Fonte marie de nazareth

Maria, presença de Jesus, antes da Encarnação



O mistério da Virgem Santíssima é a evidência de que ela já estava na terra antes da chegada de Jesus; e estava em Israel antes de sua chegada. E, já em Israel, transparece a misteriosa presença, diria eu, de Jesus, antes de Jesus, visto que Maria, sua Mãe, já estava absolutamente ligada ao Filho e que toda a sua vida e essência existiram e existem apenas para Ele, Jesus. Ela está, pois, presente, no espaço que precede a Encarnação. Parece ter sido um momento em que a Igreja já estivesse presente entre nós, pois Maria é a figura da Igreja, assim como é a imagem da humanidade salva por Cristo, antes que Jesus aqui estivesse.

Compreendemos, então, qual o papel misterioso da Virgem Santíssima, entre os povos pagãos: para eles, a Igreja não existe, Jesus ainda não está entre nós; contudo, a Igreja já vive entre nós porque Maria está aqui. E assim, antes que os povos pagãos fossem convertidos a Jesus Cristo, antes que a Igreja visível, patente, evidente tivesse sido implantada entre eles, existe a misteriosa presença de Maria, que prepara e prefigura a Igreja, tal como uma antecipação do que viria a ser a Igreja. É esta a relação tão misteriosa e profunda de Maria com os povos pagãos.

Vocês se lembram dessa passagem, onde Péguy explica que não se sente capaz de rezar o "Pai Nosso", mas pode rezar a "Ave Maria"? Muitos pecadores não conseguem rezar o "Pai Nosso", contudo, rezam a "Ave Maria". Aí está algo de justíssimo: quando não conseguimos rezar o "Pai Nosso" porque, corroídos pelo pecado e distantes do estado de graça, sentimo-nos envergonhados e indignos de invocar a Deus, nosso Pai, ainda assim, parece-nos possível invocar a Santa Mãe de Deus, rezando a "Ave Maria", porque existe uma presença de Maria, onde Jesus e a graça ainda não estão presentes. É por isso que existe uma relação misteriosa entre Maria e os pecadores; e os pecadores sentem esta relação, de tal forma, que rezam a Maria, visto ainda não se sentirem preparados para rezar a Jesus.

Jean Daniélou
O Mistério do Advento, p. 129-130

MARIA, TRANSPARÊNCIA DE DEUS


Em Sua Criação, uma palavra, entre todas as que o Pai pronunciou, foi absolutamente singular. Esta não poderia ser tanto objeto da inteligência como da intuição. Nem esplendor do divino sol, porém sombra doce e suave. Leve nuvem branca que, em seu percurso, vem suavizar a luz do sol, muito viva para os nossos olhos. Estava nos planos da Providência que o Verbo se fizesse carne. Uma palavra, a Palavra, deveria ser inscrita, em carne e sangue, aqui na Terra, e esta Palavra carecia de uma base, de um pano de fundo.
As harmonias celestes desejavam, ardentemente, por amor a todos nós, transportar seu concerto único para as nossas tendas. Era preciso encontrar o silêncio para que o concerto ecoasse. Aquele que conduziria a humanidade, para dar sentido aos séculos passados, para iluminar e arrastar os seres no seguimento de Seus passos pelos séculos que viriam, deveria surgir na cena deste mundo. Porém, fazia-se necessária uma tela imaculada onde Ele pudesse resplandecer.
O maior entre todos os projetos que o Amor de Deus poderia imaginar, deveria ser traçado em linhas majestosas e divinas.
Uma paleta completa de virtudes estaria reunida num coração humano disposto a servi-Lo.
Esta admirável sombra, a portar o sol dentro de si, cede-lhe lugar e nele se encontra; esta tela imaculada, este abismo insondável que contém a Palavra, o Cristo, e n´Ele se perde, luz dentro da Luz; este sublime silêncio que já não mais se cala, porque no seu interior cantam as divinas harmonias do Verbo; e que se torna, n´Ele, a nota musical entre todas as notas, o "lá" do canto eterno, elevando-se do Paraíso; o cenário majestoso e esplêndido como a natureza, onde se concentra a beleza derramada em profusão, no universo, pelo Criador: Este universo reservado ao Filho de Deus, que se esquece de si próprio, tendo como interesse primordial Aquele que deveria descer à Terra e que desceu, Aquele que viria para cumprir Sua obra e que assim o fez; este arco-íris de virtudes que sugere e inspira a "paz" a todos os seres, ofertou a Paz ao mundo; esta criatura, criada pela Santíssima Trindade, em seu insondável mistério, e que nos foi ofertada, é Maria.
Nós não saberíamos falar sobre ela: nossas palavras tornam-se cantos. Difícil é refletir sobre a sua vida: nós a amamos e a invocamos. Ela é objeto, não de especulações do espírito, mas da poesia. Os maiores gênios do universo colocaram seus pincéis e suas penas a seu serviço.
Se Jesus encarna o Verbo, a Palavra (o Lógos), a Luz, a Razão, ela personifica a Arte, a Beleza, o Amor.
Maria, obra-prima do Criador, é aquela na qual o Espírito Santo liberou Sua genialidade, aquela na qual Ele derramou a torrente de suas inspirações.
Como ela é bela, Maria! Jamais a cantaremos o suficiente.

Chiara Lubich
Fundadora do movimento dos Focolares

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