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Karol Woytila descobre o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem




A leitura deste livro fez com que eu mudasse a minha vida de forma radical e definitiva. Apesar disto, meu caminho interior foi longo, coincidindo com a preparação clandestina ao sacerdócio que eu vivenciava. Na ocasião, este tratado singular caiu em minhas mãos. Não se trata de um simples livro que se lê, apenas, e basta. Eu o levava sempre comigo, mesmo quando ia à fábrica de soda, se bem que a bela capa já estivesse manchada de cal. Eu lia e relia, sem cessar, e, sucessivamente, certas passagens.

Logo percebi que, além da sua forma barroca, o livro apresentava algo de fundamental. A partir de então, a devoção que, outrora eu dedicava à Mãe de Jesus, tanto na infância quanto na adolescência, deixou lugar a uma nova atitude de minha parte, transformando-se numa devoção vinda da mais profunda fé, como sendo o próprio cerne da realidade Trinitária e Cristológica. Antes, eu me mantinha retraído, temendo que a devoção mariana pudesse se avultar, em detrimento do amor a Cristo Jesus, em vez de ceder-lhe o merecido lugar; compreendi, então, à luz do tratado de Grignon de Montfort, que a realidade era bem outra. Nossa relação interior com a Mãe de Deus resulta, de forma orgânica, de nosso elo com o mistério de Cristo. Não existe a menor hipótese de que o amor que dedicamos à Virgem supere nosso amor a Deus. (...) Podemos até afirmar que, àquele que procura conhecer e amar a Deus, o próprio Cristo designa sua Santa Mãe, como caminho e intercessora, como fez no Calvário, oferecendo-a a seu discípulo, João.

André Frossard e João Paulo II, Não Tenhais Medo! 1982, pp.184-185

Ele é o Filho de Deus; mas é, igualmente, Filho de Maria



Os santos Anjos que adoram com ternura a criança de Belém, adoram, estremecidos de deslumbramento, o vencedor do sepulcro. Mais impetuoso do que a luz que penetra o cristal, o ressuscitado transpôs o obstáculo que se lhe opunha; a enorme pedra que fechava a entrada da caverna, e que o poder público havia lacrado. Além disso, o local estava rodeado de soldados armados que faziam a guarda.

Tudo permaneceu intacto; e Ele está liberado, aquele que triunfou; que venceu a morte; assim, conforme manifestam, com unanimidade, os santos Doutores, Ele surgiu aos olhos de Maria no estábulo, sem ter provocado nenhuma violência ao seio materno. Estes dois mistérios de nossa fé se unem e proclamam a primeira e a última palavra da missão do Filho de Deus: no início, uma Virgem-Mãe; no final, um túmulo selado que devolve o seu cativo.

Jesus ressuscitado, sem que nenhuma criatura tivesse contemplado a sua glória, atravessou o espaço, e esteve com sua santa Mãe. Ele é o Filho de Deus, vitorioso contra a morte; mas é, igualmente, Filho de Maria.

O Santo Evangelho não relata a aparição do Salvador à sua Mãe, enquanto se estende sobre todas as outras aparições. O motivo é fácil de ser entendido. As outras aparições tinham como objetivo promulgar a ocorrência da ressurreição; a aparição à Maria foi um fato reclamado pelo coração de um filho, e de um filho como Jesus. A natureza e a graça exigiam, ao mesmo tempo, este primeiro encontro, cujo mistério enternecedor faz as delícias das almas cristãs.
Este primeiro encontro, não tinha necessidade de estar consignado no livro sagrado; a tradição dos Padres, a começar pela que foi relatada por santo Ambrósio, já bastava para no-lo transmitir, caso nossos corações não o houvessem pressentido; e quando nos perguntamos "Por que o Senhor, que deveria elevar-se do santo sepulcro num Domingo, desejou erguer-se desde as primeiras horas daquele dia, antes mesmo que o sol tivesse iluminado o universo?", nós nos juntamos, sem dificuldade, ao sentimento dos piedosos e sábios autores que atribuíram a esta diligência do Filho de Deus o ardor que inflamava seu coração, o de acabar com a dolorosa espera da mais terna e sofredora das mães.

Dom Propsper Guéranger (1805 - 1875)
O Ano Litúrgico - O tempo Pascal - A Páscoa

Esta mulher não deixará de cuidar de nós



Agora, fica bem claro que esta mulher, bendita entre todas as mulheres, não deixará de cuidar de nós.

Seu lugar foi criado para a reconciliação que nos diz respeito. Visto a necessidade de um mediador junto ao Mediador que nos foi dado, ninguém será mais propício para nós do que Maria.

Medianeira, Eva também o foi. Mas como foi cruel: através dela a antiga serpente inoculou seu vírus pestilento no homem. Em contrapartida, medianeira fiel, Maria, por sua vez, ofereceu, como bebida, aos homens e às mulheres, o antídoto salvador.

A primeira foi instrumento de sedução, Maria foi instrumento de perdão: a primeira sugeriu a desobediência; Maria nos trouxe a libertação.

São Bernardo de Claraval (1091-1153),
Sermão das doze estrelas, §2,
Ecrits sur la Vièrge Marie (Escritos sobre a Virgem Maria),
Ed. Mediaspaul, Paris, p. 17

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