segunda-feira, 31 de outubro de 2011



No século VIII, Santo André de Creta, bispo, quando meditava sobre a festa da Natividade de Nossa Senhora, afirmava: "Era absolutamente necessário, ao esplendor e à evidência da vinda de Deus aos homens, uma introdução jubilosa, antecipando para nós o grande dom da salvação. Este é o sentido da solenidade de hoje, que tem início na natividade da Mãe de Deus, cuja conclusão perfeita é a predestinada união do Verbo com a carne. Agora a Virgem nasce, é alimentada com leite, plasmada e preparada como mãe para o Deus e Rei de todos os séculos."
Hoje, Adão oferece Maria a Deus, em nosso nome, como as primícias da nossa natureza, e estas primícias, que não desapareceram com o resto da massa, foram transformadas em pão para a refeição do gênero humano. Hoje, se descobre o vasto seio da virgindade, e a Igreja, como para as núpcias, se ornamenta com a pérola inviolada da verdadeira pureza.
Hoje, a humanidade, em todo o deslumbramento da nobreza imaculada de Maria, recebe o dom de sua primeira formação, saída das mãos divinas, e reencontra a antiga beleza...
Hoje, apareceu o brilho da púrpura divina, e a miserável natureza humana a ornamentou com a dignidade real.
Hoje, segundo a profecia, floresceu o cetro de Davi, o ramo sempre verde de Aarão, aquele que produziu Cristo, ramo da força, para nós.
Hoje, de Judá e de Davi nasceu uma jovem Virgem, levando a marca do reino e do sacerdócio d´Aquele que, segundo a ordem de Melquisedeque, recebeu o sacerdócio de Aarão... Para expressar tudo em poucas palavras: hoje, nela, o aperfeiçoamento de nossa natureza humana se inicia, e o mundo, envelhecido, submisso a uma transformação divina, recebe as primícias da segunda Criação.

Santo André de Creta (660-740)
Sermão sobre a Natividade de Maria

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