terça-feira, 27 de março de 2012

Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

O homem apresenta-se sob dois prismas: como ser real, na sua individualidade, nas suas circunstâncias, e o ser pensado. O primeiro é o que existe e diz concretamente “eu” e “meu”, ao passo que o segundo está na mente. É o conceito que dele fazemos, ou o conhecimento que dele lemos.
Sempre nos referimos ao homem através do conceito. Na verdade não referimos o homem real, mas o homem pensado. O primeiro é fruto da natureza. É a vida que se propaga e transmite através de geração e do batismo. O segundo é obra da cultura. Segue o imperativo socrático: “conhece-te a ti mesmo”.
A partir do conhecimento que temos do homem e de nós mesmos, atuamos na nossa realização. Somos chamados a ser mais. Por isso se diz, com toda razão, que somos mais filhos da cultura que da natureza. É nossa autodeterminação, fruto de nossa liberdade. Tenho não só consciência de mim, mas também, de algum modo, posse de mim e de meus atos. Eu me decido a mim mesmo. Sou, portanto, de alguma maneira, o que me fiz ser.
A cultura vai moldando diversamente, ao longo dos tempos, o ser humano. Mas A Cultura da Ética molda o ser humano, como princípio básico, sua integridade, sua responsabilidade, seu respeito às leis, o respeito pelos direitos dos demais cidadãos, o amor ao trabalho, o esforço para economizar e investir, o desejo de superar os desafios, a pontualidade e o cumprimento das promessas feitas, de algum modo e em determinada situação.
Não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza foi cruel conosco. Somos pobres porque nos faltam atitudes, determinação e grande vontade política, seja dos cidadãos, seja dos que ocupam algum serviço público. Os cidadãos não exercem suficientemente sua cidadania e as pessoas públicas não servem devidamente seu público.
Somos assim e continuaremos a ser assim por querer levar vantagem sobre tudo e sobre todos. Somos assim por vermos algo que está mal e dizermos: “Deixa como está... Não é de minha competência... Não vou envolver-me nisso... Deixa quieto, que poderá piorar...”. Omissão pura, falta de profetismo, de cidadania e de ética, o que nos torna covardes, quando não hipócritas.
Devemos ter atitudes e memória viva, sobretudo em Ano Eleitoral. Dependerá de cada um de nós, mudarmos a realidade de nossas cidades. Se pensarmos no bem comum e não individual, certamente teremos Governos mais comprometidos com a melhor qualidade de vida para todos e não apenas para alguns poucos grupos privilegiados.

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