sexta-feira, 16 de março de 2012



Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

Uma das visitas a enfermos que, ao longo de meus 22 anos de ministério ordenado, mais me marcou, foi a uma pessoa acamada há cinqüenta e sete anos. Não sabia de sua condição física. Ao entrar no quarto onde o enfermo se encontrava, olhando-o bem nos olhos e vendo um semblante sereno e sorriso nos lábios, pensei: Este moço só pode ser um santo! Nem bem havia terminado meu pensamento, quando a irmã que o cuida disse em voz alta atrás de mim: “Padre, este é meu irmão, que eu cuido há cinqüenta e sete anos nesta cama. Ele é um santo!”.
A alegria do moço, estampada em seu rosto, sua gratidão pela visita do sacerdote, edificou ainda mais meu ministério. Confirmou o que sempre soube e busquei viver por onde passei. Dar especial atenção e dispensar carinho sem medidas aos enfermos, que fazem de seus leitos de dor e de seus limites físicos, o verdadeiro altar do sacrifício do Senhor!
A Campanha da Fraternidade deste ano trata da Saúde Pública sim, mas também é um profundo convite aos ministros ordenados a darem preferência à visita aos doentes, levando-lhes os Sacramentos da Reconciliação e da Unção dos Enfermos, que só eles podem dispensar. Nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Joviano de Lima Júnior, sss certo dia escreveu-me que “A visita aos enfermos edifica a vida do Presbítero!”. Sempre procurei incentivar a Pastoral dos Enfermos das Comunidades por onde trabalhei, e os Agentes da Pastoral da Saúde são uma das grandes riquezas de nossa Igreja. Eles abrem o caminho, preparando os enfermos e suas famílias, para a sempre tão esperada “Visita do Padre”. Mas levam o Viático (Jesus em viagem) semanalmente àqueles que são um dos mais eficazes remédios para a santificação da Comunidade, a começar do próprio Padre.
Depois da visita ao Moço que me pareceu santo, porque agradecido a Deus pelo dom vida, mesmo que inerte por cinqüenta e sete anos numa cama, passei a sentir profunda vergonha pelas vezes em que reclamei da vida. Procurei, a partir de então, a exemplo do Moço a agradecer todos os dias o dom gratuito da saúde! Que esta Campanha da Fraternidade nos ajude a sermos sempre agradecidos pela Saúde e a zelar por ela cada dia mais. “Que a saúde se difunda sobre a terra!” (cf. Eclo 38,3).

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