sexta-feira, 30 de março de 2012


"Meio-dia. Noto que a igreja está aberta. Sinto necessidade de entrar. Mãe de Jesus Cristo, eu não venho para rezar ou pedir algo. Não tenho nada para oferecer nem para pedir. Mãe, venho, apenas, para vos olhar. Para vos admirar, para chorar de felicidade, saber que sou vosso filho e que vós estais aqui. Apenas por um breve momento, enquanto tudo o mais, para mim, deixa de existir. Meio-dia! Estar convosco, Maria, neste recinto em que vós vos encontrais. Calado, sem nada dizer, olhar o vosso rosto, deixar que o coração entoe a sua própria linguagem. Nada dizer, somente cantar, porque, diante de vós, temos o coração repleto de felicidade, como o pássaro, como o melro que segue suas idéias numa espécie de versos inspirados, repentinos. Porque sois bela, porque sois imaculada, a mulher, que, enfim, recuperou a Graça, a Criatura na sua honra, na sua dignidade primeira, e no seu desabrochar final, tal como nasceu de Deus, na manhã de seu esplendor original. Inefavelmente intacta, porque sois a Mãe de Jesus Cristo, que é a Verdade entre vossos braços, a única Esperança e o único Fruto. Porque vós sois a Mulher, o Éden da antiga ternura esquecida, cujo olhar encontra o coração perfeito e faz jorrar as lágrimas acumuladas, porque vós me salvastes, porque vós salvastes a França, porque a França, igualmente, assim como eu, é para vós objeto de carinho, porque interviestes ternamente, no momento em que tudo desabava, porque salvastes a França mais uma vez, porque agora é meio-dia, porque vós estais presente para sempre, porque é meio-dia, porque aqui estamos, neste dia, porque aqui estais para sempre, simplesmente porque sois Maria, simplesmente porque existis, Mãe de Jesus Cristo, quero agradecer-vos!"


Paul Claudel
Convertido diante da estátua da Virgem, em Notre-Dame (Natal de 1886)

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