quarta-feira, 25 de abril de 2012


Pouco antes de expirar, no Calvário, Cristo outorgou a Maria a missão de protetora dos homens; ao dizer, na terceira palavra: “Mulher, eis ai o teu filho; “Eis a tua Mãe” (Jô, 19, 26-27).
Momento terno e majestoso: entrega à Maria a humanidade, fazendo dela a Mãe espiritual de todos os homens, eco bíblico e universal.
É o Redentor que designa Maria Mãe dos Homens. A tarefa dada a Maria sucede, em momento especialíssimo: quando o Calvário se torna o primeiro Templo da Cristandade, protótipo e modelo de todos os templos, que substitui o Templo Judaico do Antigo Testamento. No Calvário, o Redentor une os homens, dando-lhes a própria mãe como mãe de todos, tornando Maria eixo de fé e de esperança.
A missão de Maria principiou no Paraíso, quando Deus falou que a mulher esmagaria a cabeça do réptil, como participante do trabalho salvífico.
No anúncio de Gabriel: “Bendita és Tu entre as mulheres”.
A virgem do anúncio tornou-se mais tarde a “Stabat” do Calvário.
Na visitação, Maria viu-se enaltecida pelo mensageiro do Altíssimo: será chamada bem-aventurada.
Em Caná, Maria realiza publicamente a primeira missão, ao dirigir-se ao Filho e suplicou-lhe intervenção: “não há mais vinho” e, virando-se para os servos: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Vinte séculos e Maria intercede, ajuda, suplica e ganha a graça de Deus para todos os homens.
Em Pentecostes, lá está Maria na apresentação da Igreja ao mundo.
No Apocalipse, a mulher misteriosa que tem a lua por escabelo, veste de sol, adornada de estrelas.
Nas crises mais dilacerantes da Igreja, no curso do tempo, aparece Maria, Mãe de Jesus e dos homens, para reconciliar a todos e indicar-lhes os caminhos do céu, Maria de Belém, Maria da travessia para o Egito, Maria de Caná, Maria do Calvário, Maria de Pentecostes, Maria de todos os tempos e de todas as ocasiões.
Quando a Igreja necessita de sacerdotes e de religiosos, Maria alimenta as vocações. Quando a fé titubeia, Maria aparece para fortalecer.
Com inarredável procedência, alinhou Alves Mendes, notável orador lusitano:
“Descerra-se no céu das nossas crenças essa Imaculada, resplendor eterno do eterno sol, que por entre negrumes da vida, nos instila n’alma os mais vividos lampejos da perfeição sobrenatural e nos infiltra no peito as mais deliciosas esperanças da proteção divina”(“Discursos”, pág. 204).
Maria, concebida sem pecado, sobrepõe miraculosamente à grinalda de virgem a coroa de Mãe; torna-se lúcido assento e formoso habitáculo ao verbo Divino; vê nascer de seu límpido seio o criador como se fora produção da criatura; desentranha de si, feito homem, o Filho de Deus, que vinha redimir os homens; e, sobre-angélica, inigualável, singular, mais pura que a estrela, mais nítida que a neve, mais bela que a flor, varre os miasmas do erro, saneia as feridas do mal, ilumina as inteligências, virtualiza os corações, sublima a fé, sobredoura a esperança, constela a caridade e, vencendo os abismos tenebrosos rasgados pela culpa primitiva, levanta-se, colosso de graça e santidade. (idem, p. 205).
Maria, que magnitude! Toma o globo inteiro. Que altura! Chega da terra ao céu no mistério da Assunção. Que majestade! Enche toda a História. Que moldura! Cerca todos os povos nas imensas amplidões do espaço, enquadramento estupendo, harmonioso, concordantíssimo de todos os séculos, de todos os continentes, de todas as gerações, da humanidade toda!
Maria que, em hebraico, significa estrela do mar, estrela de incomensurável grandeza, estrela bonançosa, estrela propícia que, por entre as caliginosas tormentas da terra, nos transmuda em suavíssimas influições do céu.
Maria, virgem do anúncio de Gabriel, Mãe do presépio, confiante em Caná, dolorosa na “via crucis”, Mãe do Calvário e Rainha do Cenáculo!
Maria realizou o prodígio dos prodígios: gera o Ingênito, cria o Incriado, concretiza o Incompreensível, temporifica o Eterno, consubstancia o Imortal, limita o Imenso, penetra o Insondável e localiza o Infinito.
Maria é luz coada pelo éter celestial, esbatida pelos angélicos, misteriosa, saneantíssima que, nas suas rutilações, nos envia calor e magnetismo e no magnetismo fortaleza, na fortaleza expansão, na expansão a vida, na vida luz que eterniza todas as grandezas, luz que transfigura as almas e vaporiza as lágrimas.
Fato histórico relevante testemunha a mediação de Maria. Em 1570, o poder otomano agride a Europa, caindo reinos e tronos, uns após dos outros. Quando tudo parecia devastar o continente, Pio V invoca a proteção de Maria, em alarma dilacerante, dando-lhe o titulo de “Auxilium christianorum”, no que foi atendido, salvando-se a civilização crista do fatalismo oriental.
Maria, companheira inapartável, que recebe diversos nomes, de concerto com as circunstâncias: Maria de Nazaré, Imaculada Conceição, Dores, Piedade, Paixão, Auxiliadora, Assunção, Parto, Visitação, Carmo, Luz, Mercês, Navegantes, Lourdes, Fátima, Guadalupe, Aparecida, Sallete, Mãe dos Homens, Rainha do Céu e da Terra.
Maria aceita a missão, no anúncio do anjo, por isso ela oferece a Deus, com suas puríssimas mãos, a hóstia de propiciação pelas iniqüidades do gênero humano e oferece o Filho, entre lágrimas, angústias e sofrimentos.
Por obséquio disso, Maria se tornou a mais nobre criatura humana, plenitude da perfeição, plenitude da santidade, plenitude sobrenatural.
O amor de Maria a Deus é incomparável, maior de todos, acima dos anjos, dos santos, dos apóstolos e dos mártires.
Maria, Mãe dos homens, eterna Mãe, que se não acaba como as nossas mães, das quais recordamos no gemido de saudade, mas mãe que nos acompanha eternamente, seja na terra, seja no céu.
A maternidade de Maria é singular: não começou em Nazaré, porque iniciada antes dos tempos; não terminou no Calvário, porque é eterna.
As lágrimas de Maria misturam-se com o sangue teândrico de Cristo, para a salvação da humanidade, daí ser co-redentora.
Maria cooperou com a obra messiânica de Cristo, tornando-se o único tabernáculo humano. Deu sangue e deu carne ao corpo do Redentor. E isso é mistério, inatingível pela nossa razão. Tão nobre e tão elevada a participação de Maria no processo redentivo que se tornou “Sacerdo Virgo”.
Em síntese, definitiva e inarredável, Maria cupulisou a grandeza do seu destino e assumiu o coronal de sua importância histórica.
Ave, Maria!

Autor: Des. Lúcio Urbano Silva Martins
Ouvidor-Geral do Estado de Minas Gerais
Fonte: CATEQUESE CATÓLICA

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