segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Percebemos uma crescente preocupação com os direitos e cuidados dos animais, que segundo nossa convicção cristã, são criaturas queridas por Seu Criador! Graças a Deus que aumenta a proteção dos animais e se lhe garantam seus direitos. Tenho profundo apreço e facilmente me apego aos animais. Não tenho nenhum junto de mim, porque minha vida corrida não permitiria a atenção que merecem. Elogio qualquer iniciativa de proteção aos animais e demais criaturas de nosso lar comum, o planeta! Gostaria muito que também houvesse maior zelo com a Criatura Humana. Lamentavelmente costumo constatar que animalizamos a Criatura Humana, a começar de nosso próprio comportamento. Esse (nosso comportamento) tem assumido atitudes tão animais seja em relação ao convívio familiar seja ao convívio social. Em nossas residências falta o calor da humanidade na medida em que não dialogamos mais, nos encontramos de quando em vez, comemos e bebemos em potes diante da televisão e computador e nos esbarramos sem nem mesmo um cumprimento, abraço nem pensar! Ao servirmos a ração aos nossos animais, a servimos em pratos de porcelana ou potes inquebráveis? A água lhes é servida em taças de cristal ou pequenos potes que também não quebram? O mesmo fazemos nós, criaturas humanas. Como é difícil encontrar uma família que faça alguma refeição em torno de uma mesa, “em família” sem a interferência de algum veículo de comunicação, que não raras vezes cala o diálogo entre os comensais. Fico sempre intrigado ao ver as senhoras dos condomínios levando na coleira, seus cachorrinhos ao passeio. Logo atrás as babás empurram um carrinho com um bebê. Não deveria ser o contrário? Não deveria a mãe levar seu filhinho a tomar sol e a servente conduzir o animalzinho a fazer suas necessidades em torno dos sofisticados residenciais? Certa vez perguntei isso a uma mãe que me respondeu: “Do meu filho ela cuida direitinho, mas meu cachorrinho ela judia...”. Como seríamos mais humanos, se as leis da proteção às crianças, à mulher marginalizada e aos preteridos da sociedade fossem cumpridas e em caso contrário punidas, como são dos animais! Pior: já não nos chocam mais as notícias de crianças abandonadas em lixões, banheiros de rodoviárias ou amarradas, como animaizinhos, ao pé da cama em seus casebres. Já convivemos naturalmente com as crianças pedindo esmolas ou vendendo balinhas nos semáforos de nossas suntuosas avenidas. Muitos até já reservam algumas moedinhas no carro, para aliviar a consciência e em nome de uma dó descompromissada com a dignidade daquela criatura animalizada, pensar que cumpriu com seu dever de ajudar. Que ajuda é essa? Migalhas jogam-se aos animais. Pessoas precisam de vida digna em sua integridade total. Enquanto isso não for possível, continuaremos Animalizando a Criatura Humana!

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