terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pe. Gilberto Kasper* Infelizmente vivemos num mundo em que as doenças estão na ordem do dia. Sem tirar nossa atenção da necessidade de prevenção, encontramo-nos diante de doenças que precisam, urgentemente, ser curadas. O assunto da saúde e da doença é demasiadamente grave para ser deixado somente aos cuidados dos médicos da medicina oficial, assim como, no dizer de um estadista, guerra é assunto demasiadamente sério para ser confiado exclusivamente aos militares, e o bem comum é demasiadamente oneroso para ser resolvido apenas pelos políticos de profissão, e a justiça é demasiadamente complexa para ser entregue exclusivamente aos juízes. Temos duas tentativas terápicas frente à doença. Uma é, por assim dizer, a medicina oficial. Forma seus agentes em cursos superiores de medicina e enfermagem. Segue métodos considerados científicos, na suposição de que o homem é um ser natural, composto dos mesmos elementos, que constam nos fármacos. Outra é a chamada medicina tradicional. Compreende as medicinas e artes de curar ancestrais. O que a Organização Mundial da Saúde (OMS) denomina de medicina tradicional, normalmente é entendido como medicina alternativa à oficial, o que lhe dá, muitas vezes, a condição de não ser reconhecida. Daí fluem os mal-entendidos e, não raro, os atritos entre o aprovado e o não aprovado, como que a significar eficácia e autenticidade apenas para um método, com aval das autoridades públicas. À primeira vista, fica a impressão de que os primeiros tratam seus clientes cientificamente, ao passo que os segundos os tratam humanamente; os primeiros, com os recursos técnicos da medicina e os segundos, com o carisma pessoal. Ou, à semelhança da divergência entre técnicos e humanistas, os primeiros são chamados de desumanos, ao passo que aos segundos vai o denominativo de charlatães. O importante seria determinar se a medicina é realmente uma vocação ou mera profissão. Os médicos que a tem como meras profissões dialogam somente com resultados de exames. Já os que vivem a medicina como vocação dialogam também com seus pacientes e, com profunda ternura e compromisso da promoção da saúde. *pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

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