sábado, 24 de novembro de 2012

“Pagai integralmente os dízimos devido ao Templo para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência, diz o Senhor, e vereis se eu não abrirei os reservatórios do céu e se não derramo minha bênção sobre vós muito além do necessário” (Ml 3,8-10). Falar em Dízimo, significa falar em dinheiro, e isso é um tanto complicado entre cristãos católicos, já que a nossa religião parece ser a mais liberal da face do mundo. Situados numa determinada “Cultura de Sobrevivência”, tornamo-nos mais “pedintes” do que “agradecidos”. Na medida em que entendemos nossa Igreja, como um “supermercado de sacramentos” nos comportamos demasiado “interesseiros”. Esquecemos que o DÍZIMO é um verdadeiro e profundo ATO DE AMOR E GRATIDÃO! Tudo é de Deus. Nada nos pertence. O que temos, se nos é simplesmente emprestado. Poderíamos dizer que com o Dízimo consciente e comprometido, Deus testa nosso amor e nossa gratidão pelo dom da vida e tudo que Ele nos concede para sermos felizes e realizados. A palavra dízimo significa a décima parte. No Antigo Testamento os Hebreus deviam contribuir para os serviços do templo, com o dízimo, isto é, a décima parte do que colhiam ou lucravam. Para o católico a palavra dízimo quer indicar uma contribuição para a Igreja, contribuição que deve ser sistemática (de preferência, mensal), de compromisso moral – por amor, não por obrigação – e fixado de acordo com a consciência moral de cada um. É uma forma de retribuição do homem a Deus! O homem de fé reconhece que Deus é bondade. Criou o Universo e as coisas materiais. O Universo é um dom do Pai, para que o homem o possua e o transforme. O homem de fé oferece uma parte do que possui em sinal de reconhecimento ao Pai, doador de todo o bem. Não damos diretamente a Deus, pois Ele não precisa de nossos bens (do nosso dinheiro), mas colocamos a serviço desse corpo, a Igreja, pois, a Comunidade é fruto da colaboração de todos. O dízimo não é só arrecadação financeira, mas é um sistema e método de formação comunitária com informações claras, contatos, reuniões e prestação de contas. As finalidades do dízimo, seu destino ou aplicação são: para a conservação, manutenção e ampliação da vida e das atividades da Comunidade, de que fazemos parte e servimos. Para pagamentos de luz, água, telefone, impostos, consertos, e bens da Igreja. Para compra de velas, hóstias, vinho de missa, paramentos e objetos litúrgicos necessários para as celebrações. Para pagamento de folhetos e compra de flores. Para limpeza da Igreja e seu jardim. Para a manutenção do Padre e dos Funcionários. Para as despesas com serviços paroquiais, como: catequese, encontros, cursos de formação e outros. Não por último, o dízimo deverá contemplar sempre os mais pobres da Comunidade: aqueles que não têm como dar sua própria colaboração. O Antigo Testamento apresenta o dízimo como prescrição divina. Inúmeras são as passagens bíblicas onde se prescreve a obrigatoriedade de se dar o dízimo ao culto. No Antigo Testamento prevalece o dízimo legal, no sentido literal de décima parte, consagrada a Deus, para a manutenção do culto, dos ministros e da assistência aos necessitados. “Abraão... lhe dá os dízimos de tudo” (Gn 14,18-20). “De tudo que me concede, lhe consagrarei fielmente a décima parte” (Gn 28,20). “Todo dízimo é coisa consagrada ao Senhor” (Lv 27,20). “Pode o homem enganar a Deus?... Trazei, pois, todo o dízimo para o templo de Deus” (Mt 3,8-10). No Novo Testamento, o dízimo toma o sentido de oferta, consciente e livre, cor-responsável e comunitária, generosa e alegre, numa relação com Deus, para a manutenção do Culto Divino, Evangelização e Assistência da Comunidade Cristã. O próprio Cristo ensina que quem se dedica à Evangelização tem o direito de viver da pregação e nos mostra que, ao lado de deveres para com o estado, temos deveres para com a fé: “Daí a César o que é de César (impostos) e a Deus o que é de Deus (dízimo) (Lc 20,25). Em muitos outros textos no Novo Testamento, sobretudo nos Atos dos Apóstolos e nas Cartas de São Paulo, encontramos ricos testemunhos e princípios de que os cristãos devem dar a sua contribuição material para a manutenção dos ministros, as despesas do culto e a assistência aos pobres: “Recebestes de graça, daí de graça” (Mt 10,8-10). “Não sabeis que os ministros do culto vivem dos proventos do templo e os que servem o altar participam do altar? Assim aos que anunciam o Evangelho ordenou o Senhor viverem do Evangelho” (I Cor 9,4-14). “Cada um dê, conforme decidiu no seu coração, sem tristeza nem constrangimento, porque Deus ama a quem dá com alegria” (II Cor 9). “Se entre vós semeamos bens espirituais, será, porventura demasiada exigência colhermos de vós bens materiais?” (I Cor 9,11). “Os fiéis viviam todos unidos e tinham tudo em comum... repartindo tudo... conforme as necessidades de cada um” (At 2,44-45). O Dízimo além de Ato de Amor e Gratidão é Gesto de Participação! Vivemos num tempo de renovação. A Igreja também se renova, pois seria estranho que dentro de um mundo em mudanças e renovação ela ficasse parada. Seria estranho que a Igreja obrigasse o cristão retroceder no tempo para viver sua fé. Embora a Igreja seja uma realidade eterna, isto é, seja a presença da ação Salvadora de Deus e tenha muitas coisas que não mudam, contudo Ela é também uma realidade histórica, que vive no tempo e no espaço, e por isso tem muitas coisas que devem mudar e se renovar. Seria estranho se ela se descuidasse de se renovar no seu tipo de manutenção. E a melhor forma que Ela encontrou para isso foi a implantação do sistema do Dízimo. Sem desmerecer outras formas de contribuição, o Dízimo é a forma mais legítima de expressar a cor-responsabilidade de todos os membros da Comunidade. Todos nós já estamos bastante convencidos de que a Igreja precisa dos recursos humanos e materiais para desenvolver suas atividades. E nós somos responsáveis pelos meios e recursos de que a Igreja precisa, pois nós somos membros dela. DÍZIMO: Oferta espontânea feita consciente !!! Qual é a nossa despesa mensal? Clube, passeio, cigarro, cerveja, presentes, revistas, cinemas, divertimentos... ... e para sua Igreja? O Dízimo é responsabilidade com Deus e não com o Padre! Tornar-se “Dizimista” na Comunidade Paroquial não é apenas uma contribuição para as despesas da Paróquia para se ver livre, ou para “fazer como os outros”. Ser Dizimista é em primeiro lugar, sentir-se responsável e participante na Vida da Comunidade Paroquial. Por isso separamos, do muito que Deus nos deu, uma parte que Ele nos dá e a separamos para oferecer a Deus como Ato de Amor e Gratidão! O dízimo não é “esmolinha” qualquer, não é uma contribuição forçada, não é um pagamento constrangido, porém, é uma atitude de filhos, pela qual dizemos a Deus “muito agradecido” por tudo que Ele nos deu. É a nossa pequena parte oferecida para que não falte o necessário para que os outros O conheçam e O amem. Devido às inúmeras dificuldades de “sobrevivermos” em nosso País, a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sugere, que pelo menos reservemos, mensalmente, 2% de nossos salários para o dízimo. Porém, se cada cristão católico, oferecesse 1% de seu salário bruto à sua Comunidade de Fé, ficando com os restantes 99% para as demais despesas, não precisaríamos realizar tantas promoções, a fim de arrecadar o necessário para a sobrevivência de nossas atividades pastorais e materiais. Finalmente, dar o dízimo justo à Comunidade não é favor e nem deve ser recompensado: antes é dever e compromisso, transformados em Ato de Amor e Gratidão! Pe. Gilberto Kasper

- Copyright © Meu Imaculado Coração Triunfará -