Este ou aquele... Ou, este com aquele!

Uma das formas de definirmos nossa fé é que ela faz viver novo modo, novo comportamento. E muitas vezes entendemos isso com um modo que exclui o outro. Dizíamos que o mundo é mau, que ele não presta, que é do diabo – do adversário; temos que fugir do mundo, evitá-lo. E isso leva até a atitudes descabidas de vivermos atrás de expulsar demônios... A partir do Concílio Vaticano II, cujo cinquentenário estamos comemorando neste Ano da Fé, começamos a descobrir que “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo.” (GS, 1). Então, há também alegrias e esperanças no mundo de hoje? Há possibilidade de sadia esperança e robusto otimismo? Pois é! É isso mesmo. É possível lançar um olhar de amor para o mundo em que vivemos, amor que inspira crescimento, compromisso... sem desviarmos o olhar dos que carecem de tudo. Há muito que se amar em torno de nós, além de nós e, às vezes, apesar de nós! Estamos vivendo o mês de Dezembro. Nele é impossível deixar de pensar em viver o Natal. Tantas vezes insistimos que o Natal é Jesus, com seu nascimento decisivo para a história da humanidade e para a nossa fé. Ele é a imagem do Deus invisível, ele é o centro de nossa adesão ao plano de Deus, Ele é o caminho, a verdade e a vida! E tanta gente faz do Natal apenas a consagração do consumismo, a obrigação de frequentar as catedrais das compras – os shopping centers -, deixar-se paralisar pela febre do ter... Será que basta se condenar o endeusamento do consumo? Será que resolve alguma coisa lançar no inferno este mundo de correria, de competição, de autoafirmar-se pelo que se tem e pela qualidade do que compramos? Será que é bom, é o melhor, caracterizar nosso mundo como os que vivem com Deus, no seu canto, e os que fazem do ter o seu deus, bem distantes de nós? Ora, a fé se estabelece no diálogo entre o Deus que ama, que se propõe e se revela e aquele que acolhe, responde e se transforma! É hora de estabelecermos diálogo com as pessoas que estão se arriscando a se esvaziar de vida, consumidos pelas compras. Não é verdade que vivemos num ambiente que favorece este surto de consumismo, com 13º salário, fim de ano, férias? Não é verdade que muitos passam o ano inteiro esperando esta hora de poder comprar algo mais? Será que não é possível iluminar pela fé esta ânsia de comprar, esconder-se atrás dos bens matérias? Será que não podemos encontrar critérios para limitar o fogo do consumismo, para controlar a corrida às lojas? Não é possível nos ajudar a não ficar dependentes do que temos e compramos? Será que não é possível viver o Natal de Jesus com as compras que nos permitam viver com dignidade, com alegria, sem deixar de lado as angústias e sofrimentos dos pobres? Tenham todos um feliz Natal, com Jesus e com os outros! Pe. Nasser Kehdy Netto, administrador arquidiocesano
Este ou aquele... Ou, este com aquele! Este ou aquele...  Ou, este com aquele! Reviewed by Apostolos dos Sagrados Corações on quarta-feira, dezembro 12, 2012 Rating: 5

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