Archive for Fevereiro 2012

HOMILIA PARA A QUARTA-FEIRA DE CINZAS



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


"Iniciamos, nesta Quarta-Feira de Cinzas, dia de Jejum e Abstinência, o sagrado tempo da Quaresma para celebrarmos, de coração renovado, o mistério pascal de Jesus. Desde os tempos mais antigos, a Quaresma foi considerada como período de renovação espiritual, de revigoramento interior, para o testemunho do Evangelho.

A celebração da bênção e a imposição das cinzas lembram as palavras de Jesus: "Convertei-vos e crede no Evangelho".

"Na abertura da Quaresma, tempo favorável de conversão, as leituras fazem forte apelo de mudança de vida e nos convidam a intensificar as práticas de caridade, oração e jejum. Quaresma, quarenta dias que nos separam da grande festa da Páscoa da Ressurreição do Senhor! Neste tempo, procuremos trilhar o caminho da conversão proposto pelo Evangelho e pela Campanha da Fraternidade, que nos leva a refletir sobre o tema: FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA e o lema: ‘Que a saúde se difunda sobre a terra’ (cf. Eclo 38,38).
Quaresma é tempo de voltar para o Senhor, ele é benigno e compassivo (Ler Jl 2,12-18). Há três grandes práticas quaresmais: caridade, oração e jejum (Ler Mt 6,1-6.16-18). Neste tempo favorável, reconciliemo-nos com Deus e com os irmãos (Ler 2 Cor 5,20-6,2)" (cf. Liturgia Diária de Fevereiro de 2012 da Paulus, pp. 68-71).

Pela escuta da Palavra do Mestre e pela acolhida da misericórdia divina revelada em Jesus, superam-se a falsidade e a infidelidade, constitui-se o novo povo de Deus. É nesta perspectiva que podemos compreender a palavra do Evangelho proposto para a celebração da Quarta-Feira de Cinzas: os cristãos são chamados pelo Mestre a assumirem, com fidelidade, as obras da justiça - no relacionamento com o próximo: a escola; para com Deus: a oração; para consigo mesmo: o jejum.

Na caminhada quaresmal, somos convidados a fazermos a experiência de Deus que acolhe nossa penitência, corrige nossos vícios, cuida de nós incansavelmente, fortifica nosso espírito fraterno, nos dá a graça de sermos nós também misericordiosos.

Gosto sempre de propor um exercício aparentemente simples, mas que na verdade é bem difícil: Durante a Quaresma não falaremos mal de ninguém. Se não houver motivos para elogios, calaremos! Será um exercício proposto diariamente. Se conseguiremos passar um dos dias da Quaresma sem falar mal de ninguém não importa. O que importa é o esforço que renovaremos todos os dias.

Os frutos de nossos exercícios quaresmais, como jejum, abstinência e outros, deverão ser revertidos à Coleta da Solidariedade, realizada nas Comunidades de todo o Brasil no Domingo de Ramos! Seria bom que desde a Quarta-Feira de Cinzas já guardássemos aquilo de que abrimos mão em favor de quem tem menos do que nós. Assim não chegaremos ao dia da coleta com uma migalha apenas. Mas os saborosos frutos de nossa Penitência! É isso que converte e nos faz sermos melhores hoje do que ontem!

Na Igreja Santo Antoninho, teremos a Celebração da Abertura da Quaresma com o Início da Campanha da Fraternidade de 2011, às 19 horas desta Quarta-Feira de Cinzas!

Na quinta-feira, às 18 horas, teremos uma Hora de Reflexão silenciosa sobre os Exercícios Quaresmais da Oração mais intensa, do Jejum e da Caridade (Esmola), seguindo-se a Missa da Saúde às 19 horas. Sintam-se todos convidados!

Desejando-lhes um Tempo muito rico de Bênçãos Quaresmais, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

Mensagem do Papa para a Quaresma 2012



"Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras"

Cidade do Vaticano (RV) – Foi divulgada na manhã desta terça-feira a Mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2012.

A Quaresma tem início na Quarta-Feira de Cinzas, que este ano será em 22 de fevereiro. O tema da Mensagem foi extraído da Carta aos Hebreus, «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Hb 10, 24)

Este período, afirma o Papa, é propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé: "Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal".

O primeiro ponto da Mensagem é a responsabilidade pelos irmãos. Como já dizia Paulo VI, o mundo atual sofre sobretudo de falta de fraternidade. "A responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades."

O segundo ponto é o dom da reciprocidade. "Uma sociedade como a atual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! Os discípulos do Senhor vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação", escreve o Pontífice.

O terceiro e último ponto é o caminhar juntos na santidade. A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efetivo sempre maior. "Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua", assinala o Papa, citando o Beato João Paulo II.

Mensagem de Sua Santidade Bento XVI para a Quaresma de 2012


«Prestemos atenção uns aos outros,
para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Hb 10, 24)


A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10,24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre atual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objeto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o fato de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo atual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).
A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.
O fato de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais retamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.
O fato de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a atual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.
Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a ação do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).

3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efetivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.
Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre atual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).
Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Hb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Novembro de 2011
[Benedictus PP. XVI]

QUARESMA E CAMPANHA DA FRATERNIDADE


QUARESMA E CAMPANHA DA FRATERNIDADE


Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

A Quaresma é tempo privilegiado de preparação à Páscoa do Senhor, fulcro da fé cristã. É do sepulcro vazio, da ressurreição de Jesus Cristo, que tem início a Nova Aliança de Deus para com a humanidade. Nossa fé se debruça sobre a esperança, de que em Jesus Ressuscitado começamos um novo amor com Deus, pautado na fidelidade total de um Deus amante em relação à Sua criatura prediletamente amada!
“A Campanha da Fraternidade, celebrada na quaresma, intensifica o convite à conversão. Ela contribui incisivamente para que este processo ocorra e alargue o horizonte da vivência da fé, na medida em que traz, para a reflexão eclesial, temas de cunho social, portadores de sinais de morte, para suscitar ações transformadoras, segundo o Evangelho.
Nesse ano, o tema proposto é ‘Fraternidade e Saúde Pública’, com o lema: Que a saúde se difunda sobre a terra (cf. Eclo 38,8). A saúde integral é o que mais se deseja. Há muito tempo, ela vem sendo considerada a principal preocupação e pauta reivindicatória da população brasileira, no campo das políticas públicas.
O SUS (Sistema Único de Saúde), inspirado em belos princípios como o da universalidade, cuja proposta é atender a todos, indiscriminadamente, deveria ser modelo para o mundo. No entanto, ele ainda não conseguiu ser implantado em sua totalidade e ainda não atende a contento, sobretudo os mais necessitados destes serviços.
Entendendo ser um anseio da população, especialmente da mais carente, um atendimento de saúde digno e de qualidade, a Campanha da Fraternidade 2012 aborda o tema da saúde” (cf. Manual da CF/2012 pp. 13-14).
Se Jesus Cristo passou sua vida terrena fazendo o bem e curando os enfermos, deixando também esta missão aos seus discípulos, cada cristão deve sentir-se comprometido com uma Saúde Pública que vise a dignidade da Pessoa em sua totalidade. Quem se omitir, não se configura com o Cristo, que veio “para que todos tenham vida e vida em abundância”.
Participemos com ousadia e coragem proféticas e cristãs dos debates e da busca de uma Saúde Pública mais eficaz, que devolva aos cidadãos em serviços e atendimentos de qualidades, o que lhes é cobrado nos impostos, os mais altos de um País em desenvolvimento, nosso amado Brasil!

HOMILIA PARA O SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Confiei, Senhor, na vossa misericórdia;
meu coração exulta porque me salvais.
Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez” (Sl 12,6).

As três palavrinhas que poderão alimentar-nos a partir da Mesa da Palavra deste Sétimo Domingo do Tempo Comum de 2012 são Misericórdia, Reconciliação e Perdão!
O Profeta Isaías lembra a “face misericordiosa de Deus para com a humanidade”, que tanto ama. Poderia dizer-se, que Deus teima em perdoar sempre os pecados da pessoa, que O deixa falando sozinho, lhe vira as costas e se afasta de Seu amor! “Sou eu, eu mesmo, que cancelo tuas culpas por minha causa e já não me lembrarei de teus pecados”.
A Palavra de Deus é um insistente convite a cada um de nós, de aprendermos de Deus uma maior misericórdia em nossas relações. Ao contrário, temos o péssimo hábito de “rotular” as pessoas que um dia caíram. Ao invés de ajudá-la e reerguê-las, pisamos nelas, a fim de que continuem nos porões de suas depressões, limites e deslizes. Há quem coloque adesivos na testa de seus irmãos, sem proporcionar-lhes a oportunidade de mudança! Este tipo de relação é muito frequente em nossas Comunidades, no Clero, na Política e na Sociedade em geral. Não creio no ditado popular: “Perdoar é esquecer...”, mas acredito fielmente que “Perdoar é lembrar sem rancor, sem mágoas, sem ódio...”. Acredito que a pessoa possa mudar, amadurecer e aprender com as surras que sua própria vida lhe dá. A Comunidade que não se alimenta de tal esperança, discorda do Profeta Isaías, que apresenta um Deus extremamente misericordioso. Se não aprendermos a Misericórdia de Deus em relação aos nossos semelhantes, continuaremos querendo ser “deuses” sobre os outros, logo, arrogantes, prepotentes, cruéis e desumanos.
O Evangelho de São Marcos nos incentiva a perdoar sempre, como Jesus perdoa. A primeira preocupação de Jesus não é a cura física, mas a interior: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. Isso incomoda os mestres da lei. Muitas vezes também nós somos mais legalistas do que misericordiosos. Portanto, diferentes de Jesus. Mesmo assim nos dizemos cristãos. Jesus tenta mostrar que as enfermidades são inerentes aos nossos limites humanos, embora queira saúde para todos. Daí dizer ao paralítico: “Levanta-te e Anda”. Ao falarmos, diariamente aos enfermos e idosos, aos impedidos de participarem das celebrações de suas Comunidades pela Rádio CMN-750, Jovem Pan Sat, as Rádios da Família, nos inspiramos nesse Evangelho, motivo pelo qual nosso Programa chama-se: “Levanta-te e Anda”. É durante nosso programa, que tentamos animar nossos ouvintes a nunca desistirem de lutar por maior dignidade, contando sempre com a misericórdia divina revelada no gesto de cura do Senhor em relação ao paralítico!
Já São Paulo em sua Segunda Carta aos Coríntios nos convida à reconciliação. Ninguém é melhor do que ninguém. Diante do amor e da misericórdia de Deus, revelados por Jesus Cristo, somos todos iguais e merecedores do incondicional perdão de Deus. Mas para que isso seja possível, é necessário que as Comunidades de Fé, Oração e Amor, compreendam que “as promessas de Deus tem o seu SIM em Jesus Cristo... e é Deus que nos confirma em nossa adesão a Cristo, como também é Deus que nos ungiu”.
A fim de concretizarmos a verdadeira Reconciliação em nossas relações, precisamos aprender de Jesus a verdadeira Misericórdia, que nos torna capazes do incondicional Perdão!
Vivemos o domingo de Carnaval, um dos eventos que marca o Brasil no mundo todo. O Carnaval tornou-se tão marcante em nosso País que atravessa o Início da Quaresma, ignorando até mesmo a Quarta-Feira de Cinzas! Muitos afirmam que a vida normal de trabalhos e estudos só iniciam após o Carnaval. Outros ainda entendem o Carnaval como a Festa da Libertinagem! Como seria bom se as pessoas soubessem respeitar-se a si mesmas e as outras, também durante os dias de Carnaval. O Poder Público de nosso País disfarça sua preocupação com a Saúde das Pessoas, “encamisando” o Carnaval, como se o mesmo fosse a “A festa da liberação sexual geral”, o que seguramente animaliza as pessoas, roubando-lhes a dignidade humana. É justo que com nossos impostos se distribuam, gratuitamente, milhões de preservativos, insinuando que para brincar o Carnaval, já se subentenda também a relação sexual com quem se encontrar pela frente? Mais uma vez a (des)educação é incompetente diante da reação animal de pessoas que se consideram humanos, mesmo sem princípios e muito menos valores pautados em dignidade!
Nas celebrações deste domingo de Carnaval, em nossa Igreja Santo Antoninho, 8 e 10 horas, rezaremos para que o Carnaval deste ano seja entre pessoas que saibam honrar sua dignidade. Também na Terça-Feira de Carnaval, celebraremos às 8 horas, com a Bênção dos Pães aos Pobres, pedindo proteção, principalmente aos nossos Jovens que preparam a grande Jornada Mundial da Juventude para o próximo ano no Rio de Janeiro, o palco do maior Carnaval do mundo! Os ícones da Jornada: a Cruz e a imagem de Nossa Senhora tenham prioridade sobre a promiscuidade que assistimos abertamente nas telas que transmitem desfiles e shows carnavalescos nesses dias.
Já na Quarta-Feira de Cinzas, celebrando o Início da Quaresma, lançaremos, durante a Missa das 19 horas com a Imposição das Cinzas, a Campanha da Fraternidade de 2012: Fraternidade e Saúde Pública!
Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, meu abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

Flor do Céu



Ah! de sua estirpe, de sua linhagem de ouro, quando esta flor caiu do céu,
para perfumar os pequenos vales de Israel,
quão suaves eram os ventos a passar pelas nuvens!
Viste nascer, ó Saron, rosas desconhecidas!
Tuas palmeiras, ó Gades, emocionadas num puro suspirar,
rejuvenescidas, embalaram tuas palmas no azul!
Teu cedro, ó velho Líbano, negro como sombra profunda,
certo que estava a rever os primeiros dias do mundo,
saudou o sol que brilha sobre o Éden!
O perfume esquecido do antigo jardim,
como apreciada lembrança e promessa,
dos filhos do exílio suavizou a tristeza e,
celestes vozes, em cantos harmoniosos,
revelaram teu nome, Maria,
para o universo em regozijo.


Charles-Marie Leconte de Lisle (1818-1894)

Ó Mãe bem-amada



Ó Mãe Bem-Amada, vós que conheceis tão bem as vias da santidade e do amor, ensinai-nos a elevar, com freqüência, nosso espírito e nosso coração à Santíssima Trindade, e n'Ela fixar nossa respeitosa e afetuosa atenção.

E como caminhais conosco pelos percursos da vida eterna, não sejais indiferente aos frágeis peregrinos que vossa caridade deseja tanto recolher e acolher; dirigi o vosso olhar misericordioso, atraí-nos para a vossa luminosidade radiante, inundai-nos com vossa ternura, arrebatai-nos, colocando-nos na luz e no amor; conduzi-nos, sempre, para mais perto e para o alto dos esplendores do céu.

Que nada possa perturbar ou turvar a nossa paz, que nada nos faça sair do pensamento de Deus, mas que, a cada minuto, sejamos levados mais adiante, para o cerne das profundezas do augusto mistério, até o dia em que nossas almas, em pleno regozijo, nos fulgores da união divina, terão a graça de ver e viver todas as coisas no eterno Amor e na Unidade.
Amém


Marta Robin

Maria, doa-nos a espontaneidade do teu Coração



A espontaneidade faz parte dos grandes valores da vida que vivificam o coração da pessoa, porque o mantém aberto e dócil à verdade. Isso pode ser verificado claramente nas crianças: quem, mais do que elas, podem nos ensinar a ser espontâneo? Um dom, este, que floresce no terreno da sinceridade!

Mestres de espírito convergem sobre o fato de que a espontaneidade é a verdadeira essência da oração, porque é aquilo que torna a oração autêntica: livre de hipocrisias e de meias verdades - ou de meias mentiras -, nos apresenta a Deus para “adorá-Lo em espírito e verdade” (Jo 4, 23). Os diálogos entre as pessoas seguem o mesmo itinerário; se faltasse a espontaneidade no diálogo, não existiria uma verdadeira compartilha daquilo que está realmente dentro de nós. Sem a espontaneidade na oração, não poderia existir o "diálogo do coração", a "oração do coração" com Deus; seria como um dia sem sol: cinzento!

A Virgem Maria nos mostra, com o seu exemplo iluminador, que a espontaneidade é uma constante do seu Coração Imaculado, basta pensar em quando “se dirigiu apressadamente para encontrar Isabel”, imediatamente depois da Anunciação (cfr. Lc 1, 39). Sobre as asas da Caridade e da Verdade, que Cristo seu Filho personifica, Nossa Senhora chega à casa de Isabel e, naquele encontro, marcado pela espontaneidade, acontece a compartilha do maior dom: o Espírito Santo. Isabel e João Batista exultam de alegria e a Virgem proclama o seu magnificat nascido da espontaneidade do seu coração repleto do Amor de Deus.

Somente às almas humildes o Senhor concede os mais altos e consoladores dons do Seu Espírito: o amor, a alegria, a paz... Somente aos corações que se tornam crianças, o Pai confia o Reino dos Céus. Grande inimigo da espontaneidade é o cálculo humano das “vantagens-desvantagens”, acompanhado do juízo mesquinho e não da sabedoria do coração.

Para saborear os dons do Espírito, é preciso também colocar de lado todo cálculo interessado; para se tornar amigos da espontaneidade, o Senhor com sua Mãe vêm liberar-nos dos preconceitos que aprisionam o coração e o sufocam. Somente assim seremos mais humanos, porque realmente livres. O Evangelho é um convite contínuo a esta conversão do coração e encoraja todos ao cântico da espontaneidade, típico das pessoas simples e humildes! Quantas profissões de fé, exaltadas pelo Senhor, nasceram de um coração semelhante: aberto à verdade! O Evangelho, seja no seu conteúdo seja no seu estilo, nos revela e nos doa a alegria da Boa Nova que, espontaneamente, dilata o coração sobre as asas da caridade e da verdade.

O evangelista Lucas, que hoje festejamos, nos testemunha, também ele, todas essas realidades; basta pensar na infância de Jesus, que abre nos nossos corações panoramas de extraordinária simplicidade, como justamente a narração da Visitação. Os Pais testemunharam, desde o início, que é o Espírito Santo o Autor principal desses sagrados textos evangélicos. Ele se serviu de humildes servidores, que estavam bem distantes de cálculos humanos.

Por isso, não condiz nem à natureza nem ao conteúdo do Evangelho, uma sua leitura feita com certos preconceitos, com certos cálculos, com certos esquemas pré-confeccionados, como se aqueles que o escreveram não tivessem sido impulsionados pelo Espírito, mas por hipotéticos cálculos para tornar tudo mais interessante! Jesus disse que a ação do Espírito Santo é como o vento: ouve-se a voz, mas não se sabe de onde vem e para onde vai (cfr. Jo 3, 8); assim é de cada um que se faz discípulo deste Espírito à escola de Jesus e de Maria: deixa tudo - mesmo que, como frequentemente acontece, não imediatamente, mas aos poucos - para seguir o Senhor, se tornando sempre mais espontâneo, sempre mais aberto, com o coração livre para ser transportado por Deus para onde Ele quiser.

Pedimos com insistência a graça da espontaneidade, hoje não pouco ameaçada por uma cultura da vantagem, que o mundo propugna com a espada alçada, desprezando aqueles que, ao invés, se fazem pobres de espírito, realmente últimos, como Jesus e Maria: “Depôs poderosos de seus tronos e a humildes exaltou” (Lc 1, 52).


Fonte: Padre Luciano Alimandi

Por quê precisamos de Maria?



Maria mostra o Caminho.
O Catecismo da Igreja Católica esclarece admiravelmente o papel de Maria em nossa vida, num texto curtinho, onde cada palavra tem peso, é necessária e insubstituível: "A partir do consentimento dado na fé por ocasião da Anunciação e mantido sem hesitação sob a cruz, a maternidade de Maria se estende aos irmãos e irmãs de seu Filho, 'que ainda são peregrinos e expostos aos perigos e às misérias'. Jesus, o único Mediador, é o Caminho da nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, lhe é totalmente transparente. Maria 'mostra o Caminho' (...), é seu 'sinal' (...)." Como precisamos de Maria! O doce nome de Maria, Senhora, evoca Luz. Maria não é um adorno supérfluo da Igreja - é uma escolha de Deus: o molde que Deus utilizou para moldar seu Filho em nossa humanidade. É, ainda, através da história das nossas lutas, desacertos e desenganos, aquela que, com amor materno, procura moldar a humanidade em Cristo. Nossa Senhora, que nos trouxe Cristo, busca incansavelmente nos levar a Ele. Ela é o caminho mais seguro, mais fácil e mais curto para chegar a Jesus, porque somos "crianças de Deus" e Ela é a Mãe. Maria-Caminho é 'SIM" - SIM PARA DEUS: Maria sempre esteve unida à vontade de Deus, que conheceu no silêncio orante. Maria concebeu Cristo primeiro no coração e depois na mente - finalmente na História. Ela é a porta-voz da Sua vontade: "Fazei o que Ele vos disser". SIM PARA OS HOMENS: Maria é Mãe do Filho de Deus e Mãe de todos os filhos de Deus em Cristo - Mãe do Cristo total - a Igreja; portanto, nossa Mãe! Ela nos ama porque ama a Jesus: Ela jamais esquece que somos a razão da sua Encarnação, o preço da sua Paixão e Morte, os herdeiros da sua Ressurreição. Aprendamos de Maria, Porta do Céu. Recorramos confiantes a Maria em todas as nossas necessidades; e sobretudo, oremos pelas próprias intenções de Maria a nosso respeito, pois Ela deseja para nós um bem ainda maior do que o que nós podemos conceber: nossa vitória sobre o mal completa a Vitória de Jesus, razão do existir de Maria! Oremos: Maria, NOSSA MÃE, MÃE DA IGREJA, intercede por nós!
Fonte:Portal Catolico

HOMILIA PARA O QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos:
adoremos o Senhor que nos criou,
pois ele é o nosso Deus” (Sl 94,6s).

Uma vez identificado como o Filho de Deus; apresentado seu Projeto Ministerial, que é Anunciar o Reino de Deus entre nós; tendo formado seu Discipulado, Jesus Cristo é apresentado pela Palavra de Deus proclamada no Quinto Domingo do Tempo Comum, curando os enfermos e acariciando os fracos da sociedade. Jesus é itinerante, não pára em lugar específico, não fica “colado” nem no barco de onde prega, nem na Sinagoga onde comunga da Palavra Revelada e muito menos nos círculos familiares onde cura. Segue de um lugar a outro, para confirmar sua Missionariedade, que deve ser também a da Igreja hoje. A Igreja que não é missionária não é a de Jesus!
A Leitura do Livro de Jó descreve um mundo enfermo e despido de valores essenciais. Deus, o Criador que ama apaixonadamente a humanidade, quer revesti-la novamente de dignidade. Promete que o sofrimento e a enfermidade serão superados com o Ministério do Filho que envia para tal ministério. A saúde física é um valor transitório e não essencial à pessoa. Mesmo assim, Deus quer suas criaturas prediletas saudáveis, a fim de evitar a enfermidade interior. No dia em que nosso nome ecoar na eternidade, somente a saúde interior contará. Já não mais será necessária a saúde de um corpo perecível, mas a pureza interior. Com Santa Terezinha do Menino Jesus, Doutora, podemos dizer: “O sofrimento santifica!..”, o que não quer significar que tenhamos de sofrer para tornarmo-nos “santos”, porém aproveitar de nossos limites físicos para a própria santificação e a do mundo. Gosto sempre de pensar que nossos Enfermos fazem de seu leito de dor, o altar do sofrimento de Jesus. Eles, os Enfermos, devem sempre merecer o carinho e a especial atenção, não só dos Agentes da Pastoral da Saúde, mas também dos Ministros Ordenados, que muitas vezes “não têm tempo ou não gostam muito de priorizar as visitas aos enfermos”. Recebo incontáveis chamados para visitar enfermos de todos os lados de nossa cidade, com a desculpa de que os padres de determinadas Comunidades não têm tempo, não se encontram e alguns enfermos chegam a esperar mais de um ano para receber a visita de um sacerdote, fato que me assusta e preocupa muito.

“Cristo tomou sobre si nossas dores,
carregou em seu corpo as nossas fraquezas”
(Mt 8,17).

O Evangelho de São Marcos narra a “Cura da Sogra de Simão... e de muitas pessoas de diversas doenças...”. Geralmente os primeiros votos desejados às pessoas, é a saúde. Dizemos que tendo saúde, tudo se ajeita. E seguramente Deus quer seus filhos bem de saúde. As devoções populares aos Santos também, na maioria das vezes, provém de pedidos de curas. Os milagres reconhecidos pela Congregação da Causa dos Santos, que oficializa a “santidade” de alguém, também giram na grande maioria em torno de “curas de enfermidades”, consideradas incuráveis pela medicina. Daí que os Santos invocados às Curas atraem multidões de fiéis, pedindo curas. Quantos fiéis se reuniram para celebrar a festa da Apresentação do Senhor, popularmente conhecida como a festa de Nossa Senhora das Candeias? E quantos fiéis buscaram a Bênção da Garganta na memória facultativa de São Brás? Uma de minhas preocupações no processo evangelizador é sermos mais pedintes do que agradecidos! E quantos entre nós só buscam auxílio divino no momento da tristeza, da dor, do desespero, do desemprego e da enfermidade? “Ai de Deus se não ouvir nossas súplicas... Que a vontade de Deus seja feita, desde que coincida com a nossa...” Não podemos relacionar-nos com Deus revelado no ministério de Jesus Cristo, que veio sim, para curar e para promover vida e vida em abundância para todos, como se Ele fosse um comerciante. “Pedimos, e se formos atendidos, cumpriremos promessas, muitas vezes descabidas, como se Deus necessitasse de coisas, como velas ou sacrifícios...” Segundo Jesus Cristo, é misericórdia que agrada o coração do Senhor e não sacrifícios.
Precisamos respeitar a religiosidade e as devoções populares. Porém, como Comunidades de Fé, Oração e Amor, temos a missão de evangelizar, sempre orientados pelos ministros ordenados e agentes de pastoral bem formados. São Paulo, em sua Primeira Carta aos Coríntios é bem claro nisso e seu apelo, quase expresso como desabafo, é atual e se remete às nossas iniciativas, planos e atividades pastorais: “... pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade... Ai de mim se eu não pregar o evangelho!”.
Paulo nos leva à reflexão da autenticidade da vocação específica na Igreja. Os ministros ordenados que procuram viver coerentemente sua vocação, empreendem seu tempo, dão prioridade àqueles Sacramentos que somente a eles foram conferidos presidir: a Eucaristia, a Reconciliação e a Unção dos Enfermos! Muitas vezes há quem prioriza outras atividades, que nossos irmãos não ordenados talvez fizessem melhor do que nós Presbíteros. Não me refiro aqui a praticar algum hobby de predileção para o merecido descanso. Mas priorizar nosso hobby em detrimento do desatendimento de nosso povo, é uma cruel infidelidade à vocação à qual nos sentimos chamados. Assim, desfiguramos nosso Sacerdócio, que deveria ser configurado com Cristo, o Bom Pastor, descrito nas atividades do Apóstolo: “Em que consiste então o meu salário? Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça... Com os fracos, eu me fiz fraco... Com todos, eu me fiz tudo... Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele”.

“Demos graças ao Senhor por sua bondade,
por suas maravilhas em favor dos homens”
(cf. Sl 106).

Todos, Ministros Ordenados e Comunidades Evangelizadas, somos conclamados a viver a maturidade de nossa fé na relação com o Senhor, Seu Evangelho e com Todos que nos são confiados! Não esqueçamos que nossa primeira vocação é a Vocação ao Amor!
Com ternura e gratidão, meu abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Jó, 7,1-4.6-7/ Sl 146 (147)/ 1Cor 9,16-19.22-23/ Mc 1,29-39)

SOMOS MAIS PEDINTES E OU MAIS AGRADECIDOS?

Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

Neste dia 2 de Fevereiro, a Igreja celebra uma festa de origem oriental: a Apresentação do Senhor ao Templo. No Brasil, é muito conhecida do povo como devoção a Nossa Senhora das Candeias, da Candelária ou dos Navegantes. A vinda do Senhor ao Templo de Jerusalém, passados quarenta dias de seu nascimento em Belém, é narrada como apresentação e purificação da mãe, dois ritos não necessariamente conexos na tradição judaica, mas que em nossa atual liturgia tem um “sabor” de manifestação de Jesus ao Povo da Antiga Aliança. Simeão e Ana são os últimos que “esticam o pescoço”, já na economia do Novo Testamento, para testemunhar a realização das promessas.
A ação litúrgica que chama a atenção nesta celebração, sem dúvida, é o lucernário e a procissão com velas bentas e acesas, que nos remete à liturgia da Vigília Pascal. Conta, portanto, com nossa gratidão a Deus, que nos enviou Seu Filho para ser a Luz do Mundo, nosso Salvador. A festa, em si, encerra os encantos do Tempo de Natal, para introduzir-nos ao centro de nossa Fé, a Páscoa, Festa da Ressurreição do Senhor.
Já na sexta-feira, dia 3 de Fevereiro, celebrando a Memória de São Brás, Bispo de Sebaste, conhecido como uma das últimas vítimas das perseguições romanas, como protetor contra os males da garganta, sendo sua bênção muito procurada pelo povo, nossas Igrejas lotam de fiéis.
Basta constatar em qual das duas celebrações temos maior número de fiéis participantes, para percebermos que Somos mais pedintes do que agradecidos! Não é aqui nossa intenção de julgar a fé e a relação madura dos cristãos. Porém, deveríamos preocupar-nos, sim, com a evangelização mais madura, do que com uma simples catequese debruçada sobre devoções populares. Se nosso povo fosse realmente mais maduro e evangelizado, a celebração da Apresentação do Senhor ao Templo precederia à Missa onde buscamos a bênção contra os males da garganta. Já no tempo das Curas de Jesus, dos dez, somente um dos leprosos curados voltou para agradecer. Como seríamos mais configurados com as Comunidades dos Apóstolos, se fôssemos mais agradecidos e menos “pidões”, já que o Senhor nos concede tudo de que precisamos para sermos felizes e realizados.
Em nossa Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, celebraremos a Apresentação do Senhor ao Templo com a bênção e procissão das velas, nesta quinta e a Memória Facultativa de São Brás, com a bênçãos das gargantas na sexta, sempre às 19 horas, na Av. Saudade, 222-1, Campos Elíseos. Oxalá possamos participar das duas celebrações com o coração mais agradecido e confiante, logo mais configurado ao Coração Sagrado de Jesus!

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