Archive for Junho 2012

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO, APÓSTOLOS - DIA DO PAPA

Dia do Papa Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! O Décimo Terceiro Domingo do Tempo Comum cede lugar à Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos – as duas grandes Colunas da Igreja de Jesus Cristo: “Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação” (Prefácio próprio da Festa). “Celebramos a Páscoa do Cordeiro na vida e na ação evangelizadora de Pedro e Paulo. Apóstolos, fundadores da Igreja, amigos e testemunhas de Jesus. Agradecemos sua fé e empenho missionário. E celebramos o Senhor que os escolheu e os enviou para serem seus principais parceiros no grande mutirão em favor da vida, assumindo na Páscoa e dinamizado pelo dom do Espírito Santo. Esta é uma celebração antiquíssima. Existia antes da festa do Natal. Ela ajuda a nos achegarmos à fonte da vida cristã, ou seja, à Palavra de Deus e à Eucaristia que eles viveram intensamente e que nós estamos para celebrar. Diferentes no temperamento e na formação religiosa, exercendo atividades diversas e em campos distintos, chegaram, várias vezes, a desentender-se. Mas o amor a Cristo, a paixão pelo seu projeto, a força da fidelidade e a coragem do testemunho os uniram na vida e no martírio, acontecido em Roma sob o imperador Nero (54-68 d.C). Pedro foi crucificado e Paulo, decapitado. Ao celebrar a Páscoa dos dois grandes apóstolos, a Igreja lembra que em todas as comunidades estão presentes os fundamentos da missão evangelizadora: a vida eclesial, com sua dinâmica de comunhão e participação, e sua ação transformadora no mundo. No testemunho de Pedro e Paulo, temos duas dimensões diferentes e complementares da missão, como seguidores de Jesus. Apesar de divergirem em pontos de vista e na visão do mundo, o amor de Cristo e a força do testemunho os uniram na vida e no martírio. Neles, quer na vida, quer no martírio, prolongam-se a vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Conheceram e experimentaram Jesus de formas diferentes, mas é único e idêntico o testemunho que, corajosos, deram dele. Por isso, são figuras típicas da vida cristã, com suas fraquezas e forças. As contínuas prisões de Pedro fazem-no prolongar a paixão de Jesus. Não só aceita um Messias que dá a vida, mas morre por Ele e com Ele. Convertido, Paulo se torna propagador do Evangelho de Cristo, sofrendo como Ele sofreu, encarando a morte como Jesus a encarou. A comunidade, alicerçada no testemunho de Pedro e Paulo, nasce do reconhecimento de quem é Jesus. Esse reconhecimento não é fruto de especulação ou de teorias, e sim de vivência do seu projeto que passa pela rejeição, crucifixão, morte e ressurreição. Quando o testemunho cristão é pleno, o próprio Jesus age na comunidade, permitindo-lhe ‘ligar e desligar’. O poder que Jesus tem, as chaves do Reino, é entregue a nós, seus seguidores. A comunidade não é dona, apenas administra esse poder pelo testemunho e pelo serviço em favor da vida. Organiza-se como continuadora do projeto de Deus, a partir da prática do mestre, promove a vida e rejeita tudo o que provoca a morte. Jesus de Nazaré é para nós o mártir supremo, a testemunha fiel... Os mártires da caminhada resistiram ao poder da morte e ao aparato repressor: ‘A memória subversiva de tantos mártires será o alimento forte da nossa espiritualidade, da vitalidade de nossas comunidades, da dinâmica do movimento popular’. ‘Vidas pela vida, vidas pelo Reino! Todas as nossas vidas, como as suas vidas, como a vida dele, o mártir Jesus!’. Animados pelo testemunho de Pedro e Paulo, vamos ao encontro do Senhor que dá razão e sentido à nossa vida. Acolhendo sua Palavra, renovamos nossa adesão a Cristo e ao seu projeto. Professamos com alegria nossa fé na Igreja una, santa, católica, apostólica, aberta à comunhão universal e visceralmente missionária e proclamada da vida digna para todos. Participando a Eucaristia, somos identificados com Cristo e confirmados no seu caminho, para sermos disponíveis aos nossos irmãos e irmãs, até a morte, como marcas da identidade cristã. Hoje rezamos especialmente pelo Papa Bento XVI, Bispo de Roma, cidade onde se deu o martírio de Pedro e Paulo. A missão do Papa é zelar para que a Igreja permaneça unida, fiel a Jesus Cristo e ao seu projeto, realize com humildade e coragem o anúncio do Evangelho, cada vez mais inculturado, profético e aberto a todos. Supliquemos para que o Papa e todos os pastores sejam pétrus nas mãos do Senhor, fiéis ao Evangelho na condução da Igreja como servidora da vida, como sinal e instrumento da comunhão entre os povos” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 51-57). Com facilidade emitimos opiniões errôneas, quando não medíocres em relação à autoridade e ao serviço do Santo Padre, o Papa! Talvez a celebração de hoje seja uma oportunidade de remissão, conversão e renovação de nossa fidelidade ao sucessor de Pedro, o Papa Bento XVI. Frequentemente me pergunto: quem sou eu para emitir qualquer crítica, desrespeitar ou até mesmo questionar a autoridade = serviço do Papa? Homem que se despe totalmente de si mesmo. Deixa para trás até o próprio nome e toda sua liberdade, para estar totalmente a serviço da Igreja de Jesus Cristo que lhe é confiada ao coração, colocada nos ombros, como a ovelha debruçada sobre o Bom Pastor. Só o fato do sim do Papa já basta para que mereça o carinho, a ternura, a fidelidade de todo cristão, que debruça sua fé sobre o evento da “confirmação de Pedro”, continuado em nossos dias na pessoa totalmente a serviço do Reino de Deus, o amado Santo Padre o Papa Bento XVI. Nesta solenidade, a Igreja do mundo inteiro, realiza a Coleta do Óbolo de São Pedro. Com esta coleta o Papa socorre a humanidade em suas necessidades, especialmente em situações emergenciais, em nome dos Católicos do mundo. O resultado das Coletas realizadas em todas as Celebrações deste domingo deverá ser remetido à Cúria, que dará seu verdadeiro destino, fazendo-o chegar aos cuidados do Vaticano. Por vezes há resistência à Coleta do Óbolo de São Pedro por pura ignorância. Nem sempre as pessoas conhecem o bem que fazem, sendo generosas. Todos que se sentem dignos de serem cristãos, são conclamados a partilharem de sua pobreza em favor de quem tem menos. Pois é em nome da Igreja Católica Apostólica Romana, que o Santo Padre socorre nossos irmãos que são vitimadas pela fome, pela miséria, por catástrofes, como terremotos, enchentes e tantas outras ocasiões. Sejamos sensíveis e coerentes entre o que celebramos, pregamos e doamos. Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço sempre amigo e fiel. Padre Gilberto Kasper (Ler At 12,1-11; Sl 33(34); 2Tm 4,6-8,17-18 e Mt 16,13-19)

Colégio de Consultores

Colégio de Consultores elege o Administrador Arquidiocesano Colégio de Consultores - Cônego José Carlos Rossini, Pe. José Aparecido Borini, Pe. Nasser Khedy Netto, Pe. Ilson Vicente Olimpio, Pe. Sérgio Donizetti Carmona, Pe. Júlio César Melo Miranda, cmf Conforme prescreve as normas da Igreja Católica Apostólica Romana, no Código de Direito Canônico, por ocasião do falecimento de Dom Joviano de Lima Júnior, SSS, no dia 21 de junho de 2012 e a vacância da Sé Metropolitana de Ribeirão Preto, o Colégio de Consultores se reuniu às 10 horas, do dia 25 de junho, na Cúria Metropolitana de Ribeirão Preto, e elegeu o Revmo. Sr. Pe. Nasser Kehdy Netto, Administrador Arquidiocesano da Arquidiocese de Ribeirão Preto. Ele administrará a Arquidiocese até que o Santo Padre o Papa Bento XVI nomeie o novo Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto. Padre Nasser Kehdy Netto Padre Nasser Kehdy Netto é natural de Nova Granada (SP). Nasceu em 03 de maio de 1941, sendo filho de Jorge Nasser Kehdy e Geny Calil Nasser Kehdy, ambos falecidos. Possui um irmão: Newton Jorge Kehdy. De 1948 a 1952, fez os estudos primários no Grêmio Estudantil Armando de Salles Oliveira, em Jardinópolis. Os estudos ginasiais, entre os anos 1952 a 1955, foram concluidos no Seminário Maria Imaculada, em Brodowski. Nos de 1956 e 1957, cursou os estudos secundários no Seminário Maria Imaculada, em Brodowski, e no Seminário Médio Imaculado Coração de Maria, em São Roque. Cursou a filosofia entre os anos de 1958 a 1960 no Seminário Central do Ipiranga, em São Paulo, e no Seminário de Filosofia, de Aparecida. A partir de setembro de 1960 ingressou no Colégio Pio Brasileiro, em Roma (Itália), e conclui em 1964 o bacharelato em teologia na Pontíficia Universidade Gregoriana. Em 01 de dezembro de 1963 recebeu a ordenação diaconal das mãos do terceiro arcebispo de Ribeirão Preto, dom Agnelo Rossi, em Savigliano, Itália. Foi ordenado presbítero em 14 de março de 1964, pelas mãos de D. Eugênio de Araújo Sales, em Roma. Na Arquidiocese de Ribeirão Preto exerceu as seguintes atividades: Pastoral Vocacional; Grupos de Garotos Perseverança: de 1966-1969; 1974-1984; Seminário Menor: 1969-1973; Seminário Maior: 1979-1983; Coordenador de Pastoral: 1990-1998; Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Brodowski, primeiro como Vigário Paroquial de 1974-2000, e pároco de 1974-1983; Pároco de São Lourenço, em Pontal, desde 1984 (atual); Juiz Auditor na Câmara Eclesiástica de Ribeirão Preto; Juiz do Tribunal Eclesiástico; e em 25 de junho de 2012 eleito Administrador Arquidiocesano. Administrador Arquidiocesano O Administrador Arquidiocesano O Administrador Arquidiocesano eleito pelo Colégio dos Consultores possui o poder e as obrigações do Bispo diocesano, com exceção daquilo que é excluído pela própria natureza da coisa ou pelo próprio direito. O Administrador é Ordinário do lugar, como assinala o cân. 134 e o seu poder não é vigário (delegado), mas ordinário. (cf. cân. 427, § 1). Esse poder vem adquirido, ipso iure, quando o Bispo ou o presbítero aceita a sua eleição, já que a mesma, como vem estabelecido no cân. 178 não precisa de confirmação, restando, somente, a obrigação formal de fazer a profissão de fé diante do Colégio dos Consultores, como vem determinado pelo cân. 833, 4o. (cf. cân. 427, § 2). As faculdades do Administrador Arquidiocesano: 1. Pode confirmar ou instituir os presbíteros que tenham sido legitimamente eleitos ou apresentados para uma paróquia (cf. cân. 525, 1º); 2. Pode nomear párocos, somente após um ano de Sé vacante ou impedida (cf. cân. 525, 2º); 3. Pode administrar a Crisma mesmo sendo presbítero, podendo conceder a outro presbítero a faculdade de administrá-la (cf. can. 882, 883, § 1 e 884, § 2); 4. Pode remover, por justa causa, os vigários paroquiais, salvaguardando, porém, quanto prescreve o direito no caso específico em que se trate de religiosos (cf. can. 552 e 682, § 2); 5. É membro da Conferência Episcopal, com voto deliberativo, com exceção das declarações doutrinais, se não for Bispo (cf. Diretório para o Ministério pastoral dos Bispos n. 240 e 31); 6. Pode, em caso de verdadeira necessidade, pessoalmente ter acesso ao Arquivo secreto da cúria (cf. cân. 490, § 2); 7. Pode, com o consentimento do Colégio dos Consultores, conceder as cartas dimissórias para a ordenação dos diáconos e dos presbíteros, se estas não foram negadas pelo Bispo Diocesano (cf. cân. 1018, § 1, 2o e § 2). O Administrador Apostólico, na Sé vacante, para isso, não precisa do consentimento do Colégio dos Consultores; 8. Pode por grave causa, mesmo que não tenha cessado o quinquênio, remover o Ecônomo, ouvindo o Colégio dos Consultores e o Conselho Econômico (cf. cân. 494, § 2). Os limites do poder do Administrador Arquidiocesano: 1. Não pode confiar paróquias a um Instituto religioso ou a uma Sociedade de vida apostólica (cf. cân. 520, § 1); 2. Não pode conceder a excardinação e a incardicação, nem mesmo conceder a licença a um clérigo para se transferir a outra Igreja particular, a não ser depois de um ano de vacância da Sé Metropolitana de Ribeirão e com o consentimento do Colégio dos Consultores (cf. cân. 272); 3. Não tem competência para erigir Associações públicas de fiéis (cf. cân. 312, § 1, 3o); 4. Não pode remover o Vigário Judicial e os Vigários Judiciais Adjuntos (cf. cân. 1420, § 5); 5. Não pode convocar o Sínodo diocesano (cf. cân. 462, § 1); 6. Não pode remover do ofício o Chanceler ou outros notários, a não ser com o consentimento do Colégio dos Consultores (cf. cân. 485); 7. Não pode conferir canonicatos no Cabido da Catedral nem no Cabido Colegial (cf. cân. 509, § 1). As proibições formais: A primeira proibição é de caráter geral, (cf. cân. 428, § 1) vedando, segundo o velho princípio jurídico, que durante a Sé vacante, não se faça qualquer inovação: Sede vacante nihil innovetur. Tal princípio vem precisamente concretizado com um exemplo contido no § 2 – “os que cuidam do governo interino da Diocese são proibidos de fazer qualquer coisa que possa de algum modo prejudicar a Diocese ou os direitos episcopais; em particular, são proibidos, eles próprios, e por isso qualquer outro, de retirar ou destruir documentos da Cúria Diocesana ou neles modificar qualquer coisa”. Essa normativa, com efeito, leva a quem governa interinamente e mesmo ao Administrador Diocesano ou Administrador Apostólico, Sé vacante a compreender que a sua tarefa é, na realidade, temporária, por isso possuem a obrigação de conferir, o quanto possível, um caráter de ação provisória, embora realmente detentora do seu devido valor, nas suas decisões, abstendo-se daqueles atos que poderiam criar dificuldades ao novo Arcebispo, com direitos adquiridos ou coisas realizadas. A obrigação de residência e a Missa “pro populo” Do mesmo modo como está prescrito para o Bispo diocesano, nos can. 388 e 395, vem determinado no cân. 429 que o Administrador Diocesano possui a obrigação de residência e a aplicação da Missa “pro populo“. As demais obrigações (visita ad limina, visita canônica diocesana = visita pastoral) também são da competência do Administrador Diocesano, mas essas não deixam de estarem um tanto quanto limitadas pela situação de possuírem apenas um mandato interino. A cessação do oficio Pode ocorrer: 1º Por morte do Administrador Arquidiocesano, embora isso não venha previsto, propriamente no cânon, é algo que pode verdadeiramente ocorrer. 2º Ipso iure, já que o próprio Direito prevê a cessação do ofício de Administrador Arquidiocesano, com a simples posse na Arquidiocese feita pelo novo Arcebispo Metropolitano. (cf. cân. 430, § 1); 3º Por remoção ou renúncia a) A remoção do ofício de Administrador Arquidiocesano é reservada unicamente a Santa Sé, pois o Colégio dos Consultores, que elegeu o primeiro, não tem qualquer poder com relação a sua remoção. b) A renúncia deve ser apresentada pelo Administrador Arquidiocesano ao Colégio dos Consultores, de forma autêntica, ou seja, por escrito ou oralmente, perante duas testemunhas (cf. cân. 189). Em caso de remoção, de renúncia ou de morte do Administrador Arquidiocesano, deve ser eleito outro pelo Colégio dos Consultores, sendo feito isso à norma do cân. 421, observando-se tudo que aí vem exigido. Devendo ser comunicado a Santa Sé ao menos o fato da morte do Administrador Arquidiocesano, já que a remoção cabe a Mesma. Chancelaria da Cúria Metropolitana de Ribeirão Preto

Trabalhar em equipe

O incentivo nos vem dos documentos conciliares do Vaticano II. Mas, a experiência de estar juntos para partilhar a missão encontra-se no ensino e na prática de Jesus. Ele reuniu os doze e os destinou a constituir comunidades, pelo anúncio da Palavra. Quando o Concílio nos diz, no documento sobre a Igreja Lumen Gentium, que somos o povo de Deus, explicita o sacerdócio comum dos fiéis. Um conceito importante que fundamenta a participação ativa da assembléia nas celebrações litúrgicas e na vida da Igreja em missão. O trabalho em equipe fortalece os laços de amizade e de pertença. Todos, buscando os mesmos objetivos, sentem-se comprometidos com uma mesma causa. Uma realidade percebida tanto nos grupos de base quanto nas estruturas de coordenação. No trabalho em equipe aprendemos a escutar e a valorizar opiniões diferentes. Nós nos enriquecemos mutuamente, buscando o consenso de forma criativa, dinâmica. Nossas análises são mais consistentes. E, assim, podemos responder aos desafios da missão evangelizadora, numa sociedade complexa em que nos situamos. Muita coisa pode se transformar na ação pastoral, em termos de acolhida e eficiência, quando se adota um estilo participativo. O Conselho Pastoral Paroquial (CPP) é uma forte instância de comunhão e participação dos leigos na ação evangelizadora. Resulta de um bom trabalho em equipe, onde cada participante é valorizado. Não pode ser numeroso, pois havendo muitas pessoas no CPP torna-se difícil a participação de todos. Cabe ao CPP animar a missão permanente, fazendo com que o Evangelho seja a Boa Notícia de salvação, sobretudo para aqueles que se encontram mais afastados da comunidade. Trabalhar em equipe exprime o nosso desejo de viver a fé em comunidade, ao lado de irmãos e irmãs que querem caminhar juntos, centrando suas vidas na Palavra e na Eucaristia. + Joviano de Lima Júnior,sss Arcebispo de Ribeirão Preto Igreja-Hoje - Julho 2012

Unidos muito podemos fazer!

Caros padres diocesanos e religiosos, consagradas e consagrados, diáconos, leigas e leigos de nossa Arquidiocese. O Colégio de Consultores confiou-me o serviço de administrar nossa arquidiocese até a chegada de nosso novo arcebispo. Pesa sobre nós a recente perda do querido D. Joviano e vem-nos a necessidade e o desafio de não pararmos no tempo. O momento, ao mesmo tempo, que manifesta nossa fragilidade, também sugere solidariedade, união de forças. Por isso, aqui me coloco como um irmão padre que com todos vocês vamos continuar o esforço de ser discípulos-missionários. Temos um rumo a seguir, não apenas indicado pela fé, como também definido em nossa realidade, o nosso projeto SIM (Ser Igreja em Missão). Marcamos nossa ação evangelizadora pelas pastorais da família e da juventude e com a formação dos leigos. Nosso empenho evangelizador venha, mais do que nunca, do companheirismo, da amizade, da sadia cumplicidade na obra evangelizadora, onde cada um de nós dê o máximo pela obra do Cristo em nossa Igreja particular. Por isso, atrevo-me a marcar o próximo tempo que viveremos, até a chegada do novo arcebispo com a seguinte proposta: UNIDOS MUITO PODEMOS FAZER! Somos um a favor do outro e cada um é importante; na nossa união está a certeza de que a graça de Deus nos acompanha. Vamos lá: um precisa do outro! São mantidos todos os cargos e serviços que estavam vigorando; lembro, de maneira especial o padre ecônomo, o secretário de pastoral, o chanceler, os serviços da Cúria, os vigários forâneos que continuam autorizados a crismar, os conselhos, as coordenações. Em Julho, teremos a capacitação na Casa D. Luiz, em Brodowski, de nossos leigos, tanto de Ribeirão Preto, como do Interior. Famílias e Jovens serão representados. Continuemos dando o apoio a esta formação tão carinhosamente querida, preparada e assumida. Aos padres, especialmente os diocesanos, mas com igual carinho acolhendo os religiosos que concorrerem, lembro que nosso próximo retiro espiritual, de 02 a 05 de julho, na Casa Santa Fé, em São Paulo, será oportunidade especial para estarmos unidos e refazendo as baterias para a atual fase de nossa vida e ministério. Os padres que ainda estavam indecisos em participar, mas que resolverem se juntar a nós nestes dias de frutuosa convivência, tenham a certeza de que sua presença será valiosa para si, tanto quanto para nós. UNIDOS MUITO PODEMOS FAZER! E muito conversaremos. Este é apenas o início de conversa. Um abraço a todos. Ribeirão Preto, 25 de Junho de 2012 Pe. Nasser Kehdy Netto, Administrador Arquidiocesano

O SILÊNCIO DE DOM JOVIANO ECOANDO SUA TERNURA PELO REINO

Aparentemente desligado, Dom Joviano viveu seu ministério episcopal entre nós, mais do que se possa imaginar, “antenado”. Levou, armazenado em seu coração inchado de bondade e serenidade, segredos insondáveis e a vida de cada um que lhe foi confiado, ao colo misericordioso do Pai, no dia 21 de Junho, Memória de São Luís Gonzaga, dia dedicado à Eucaristia, logo ele, amante da Liturgia. Quis Deus acolhê-lo naquele horário em que o próprio Cristo fez igual experiência, percorrendo pela “irmã morte”, deixando que seu nome ecoasse na eternidade! Bem podemos imaginar a alegria da Corte Celeste abrindo espaço para um homem simples, descomplicado, prático e embora de poucas palavras, contundente e justo. Um homem de visão ampla, capaz de adentrar a intimidade de cada pessoa que amou a seu modo, transpirando delicadeza, respeito pelo diferente e amando profundamente nossa Igreja. Zelava pela humildade e abominava a busca de prestígio. Dispensava elogios e era objetivamente, por tudo, sempre agradecido. Convidava a quem quisesse ser com ele missionário e discípulo do SIM – Ser Igreja em Missão, sem, entretanto, impor ou cobrar àqueles que se sentiam dispensados desse ou dos demais projetos de seu pastoreio. Sabia ser presente, mesmo que fisicamente ausente, por conta de sua dor e enfermidade, porque se fazia oferenda viva que só poderia santificar e promover comunhão, mesmo que invisível, mas profundamente sensível a quem teve a oportunidade de passar algum momentinho junto dele. Não poucas vezes deixou escapar sua Ternura pelo Reino confiando-nos tarefas aparentemente simples, porém desafiadoras, as quais nos realizam em nosso ministério e pelas quais seremos sempre profundamente agradecidos, porque nos fazem feliz como pessoa, presbítero, professor e jornalista. Pediu-nos que transformássemos a Santo Antoninho num Espaço Cultural de Espiritualidade, onde as pessoas possam encontrar-se com Cristo na Liturgia bem celebrada, num Ambiente de Formação com Atendimento Espiritual Acolhedor. Dignou-se a celebrar conosco e sempre que passava pela Avenida Saudade, pedia para parar e olhando para nossa Reitoria repetia compassivo: “Eu não teria a paciência e perseverança para as reformas necessárias a este tão rico espaço que nos foi doado. Sempre que algum Padre me pede algum trabalho, peço que venha perguntar ao Padre Gilberto, como se faz, para estar sempre tão ocupado...”. Fez questão de conferir a implantação da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), celebrando com as queridas Missionárias Liderene, Carmela e Stela, assessoras do Santuário Nossa Senhora do Rosário, que prepararam nossas Agentes da PPI na Santo Antoninho. Ao provisionar as Ministras Extraordinárias da Sagrada Comunhão, Dom Joviano nos disse que nunca deixássemos de acompanhá-las, porque a visita aos Enfermos santifica o nosso Ministério. Ao consultá-lo se deveríamos aceitar o convite para sermos Conselheiro Espiritual da Equipe Nossa Senhora da Esperança, respondeu-nos que ele sempre que pode, acompanhou alguma Equipe de Nossa Senhora. Disse-nos que as Equipes de nossa Senhora sempre edificam e enriquecem a vida do Padre. Na véspera da festa de Santo Antonio, ao visitá-lo em seu leito hospitalar, disse-nos: “Lembrei-me de você nesta manhã em minhas orações. Já espera mais de quatro anos pela aprovação das obras, e amanhã celebrará mais uma Festa de Santo Antônio sem banheiros...” Antes de despedir-nos, pediu que lhe concedêssemos uma bênção forte contra a dor. Ao saber que enviara um cesto de pães bentos na Missa de Santo Antoninho ao Palácio, fez questão de agradecer por telefone desde o Hospital. Era estampada sua expectativa por ver nossa Igrejinha restaurada e um “primor” de espaço a serviço da acolhida. Oxalá interceda por nosso projeto desde a eternidade, já que agora está na companhia de Santo Antoninho. Confiou-nos a Assistência Eclesiástica do Centro do Professorado Católico da Arquidiocese de Ribeirão Preto, pedindo que não medíssemos esforços para oferecer formação e permanente assistência espiritual aos Professores Católicos ou não, levando para eles nosso Estudo Bíblico que denominou a “pupila dos olhos da Santo Antoninho”. Encorajou-nos e posteriormente parabenizou-nos por assumirmos o Curso de Bacharel em Teologia na Faculdade Ribeirão Preto do Grupo da UNIESP. Animou-nos a formar um grande laboratório teológico para o Diálogo Inter-Religioso. Disse ser excelente nosso Projeto Pedagógico! Finalmente, escreveu-nos um último email: “Caríssimo Pe. Gilberto! Agradeço as orações por mim. É uma alegria tê-lo como amigo e irmão. Deus o abençoe sempre. Abraços! + Joviano”. Mais do que antes, sentimo-nos robustecidos em nosso ministério e animados a viver O Silêncio de Dom Joviano ecoando sua Ternura pelo Reino!”. Padre Gilberto Kasper

Ave Maria, Mãe de Deus

Ave Maria, Mãe de Deus, tesouro venerado por todo o Universo, luz que não se apaga, tu geraste o sol da justiça, o cetro da verdade, o templo indestrutível, imperecível. Ave Maria, morada d`Aquele que nada, nem lugar algum podem conter, tu que fizeste brotar a flor que jamais secará. Por meio de ti os pastores glorificaram a Deus, através de ti, abençoado é aquele que vem em nome do Senhor; a Santíssima Trindade é glorificada, a Cruz é adorada em todo o Universo. Através de ti exultam os Céus, pois a humanidade caída foi reerguida. Através de ti o mundo inteiro, pôde, enfim conhecer a Verdade. Através de ti, Igrejas foram fundadas em toda a Terra; por meio de ti, o Filho único de Deus fez resplandecer a luz sobre aqueles que estavam nas trevas, expostos à sombra da morte. Por meio de ti os apóstolos puderam anunciar a salvação às nações. Como cantar dignamente os teus louvores, ó Mãe de Deus, por quem a Terra inteira vibra de alegria? "Viva Maria, Mãe de Deus! Foi vencido o inimigo da Virgem! Viva a grande, a augusta, a gloriosa Mãe de Deus!" Em memória desta solene definição, o Concílio de Éfeso (431) juntou à saudação angélica estas palavras simples e expressivas: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte." São Cirilo de Alexandria (380-444) Defensor do título de Maria "Théotokos" (Mãe de Deus, no Concílio de Éfeso (431) (*) São Cirilo, Patriarca de Alexandria, conseguiu, neste Concílio, a condenação dos erros de Nestório e a proclamação da Maternidade Divina de Nossa Senhora. À pergunta "A Virgem é mãe da divindade?" respondemos: "O Verbo vivente, subsistente, foi engendrado pela mesma substância de Deus Pai, existe desde toda a eternidade... Mas, no tempo, Ele se fez carne, por isso se pode dizer que nasceu de mulher."

HOMÍLIA DO DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM - 2012

SOLENIDADE DA NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! O Décimo Segundo Domingo do Tempo Comum cede lugar à Solenidade da Natividade de São João Batista, tamanha sua importância na História da Salvação. Além de Jesus Cristo e Maria Santíssima, João Batista é o único santo que tem celebrado no Calendário Litúrgico, seu nascimento, enquanto os demais são lembrados no dia de sua páscoa natural ou na data de seu martírio! A Igreja celebra também sua Vigília, preparando-se para celebrar o precursor, a luz que haverá de preparar os caminhos e abrir as cortinas para a estreia do verdadeiro Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo, Jesus, o Messias! Com João, o que batiza um Batismo de Conversão, nos deparamos com o encontro do Antigo com Novo Testamento. Com João Batista, o último e principal dos Profetas acontece o enlace da Antiga com a Nova Aliança; a maior compreensão do pacto de Fidelidade de Deus para com a Humanidade! Ressalta a “teimosia” de Deus em amar, apaixonadamente, sua Criatura predileta: a Pessoa! “São João Batista é importante para os cristãos. Santo muito querido e estimado pelo povo brasileiro. Em todas as regiões, principalmente do norte e nordeste, existem as festas tradicionais de São João, celebradas com alegria, muita comida e bebida, danças e trajes típicos, à luz da tradicional fogueira de São João. Estas festas ocupam lugar de destaque no calendário popular. A Igreja, já no século VI, reservou o dia 24 de junho para comemorar o nascimento de São João Batista. Santo Agostinho escreve: ‘A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação... João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o Antigo e o Novo. O próprio Senhor diz: ‘A lei e os profetas até João Batista’ (Lc 16,16)... Antes mesmo de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele’ (Ofício das Leituras, in Liturgia das Horas). Jesus o declara o maior de todos os profetas. Homem simples, austero, corajoso, apontou o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29-36). Deu testemunho da luz, aplainou os caminhos e preparou o povo para acolher o Salvador. Antes que Jesus chegasse, pregou um batismo de conversão. A celebração do seu nascimento nos associa à alegria de Isabel, de Zacarias e dos vizinhos, porque Deus se lembra de nós, indica os caminhos da salvação e aponta os horizontes da liberdade. A Palavra anunciada nos conduz para dentro da verdadeira Luz de todos os povos, o Salvador, do qual nem merecemos desamarrar as sandálias. Celebramos, acima de tudo, o mistério daquele que se fez o menor no reino de Deus, e, por isso, é o maior: Jesus. As leituras bíblicas apresentam a vida e a missão de João Batista à luz dos grandes profetas antigos e de Jesus Cristo, o Messias esperado. Como diz Santo Agostinho, João representa a passagem do Primeiro para o Segundo Testamento. Ele recebe a missão de profeta, assume a vida de asceta, e é chamado de batista. Pelo batismo, nós também recebemos a missão de profetizar e de denunciar, como João, a injustiça, a mentira e a opressão. Celebrar o nascimento de João é experimentar, como Isabel, Zacarias e os vizinhos, a manifestação da bondade de Deus, que transforma e fecunda a vida. É fazer a experiência da fé e da esperança no Deus misericordioso e compassivo, que ouve nosso clamor e nos socorre em meio aos sofrimentos e às aflições. É sentir que Deus continua soltando nossa língua para que tenhamos a coragem de vencer o medo e proclamar a justiça e a libertação. Como João Batista, possamos ser sinais proféticos de esperança, para anunciar o caminho da salvação e testemunhar Jesus Cristo, a luz que ilumina e liberta todos os povos. O jeito despojado de João Batista viver, entregue ao serviço de Deus, na gratuidade, é testemunho de vida, apelo à conversão. Jesus o elogia, dizendo que ‘entre os nascidos de mulher, não há ninguém maior do que João. No entanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele’ (7,28). [...] Eis um dos maiores elogios aos cristãos comprometidos com o Reino de Deus, que é um Reino de Amor, Justiça, Verdade, Liberdade e Paz. Envolve-nos na esperança de sermos reconhecidos no Reino de Deus pelo esforço que empreendermos por promover desde já maior dignidade humana, começando ainda hoje o céu na terra... Como mostra também o Servo, na primeira leitura deste domingo, João é modelo de vida por causa de sua entrega total ao Reino. Que o Senhor nos dê a graça de viver conforme sua Palavra e testemunhar a Boa Notícia do Reino, o ‘Sol nascente que vem nos visitar’ (1,78). Precisamos de testemunhos proféticos, como João Batista, capazes de denunciar a corrupção, as injustiças e de conduzir o povo para Deus para criar um mundo melhor, mais justo e mais fraterno” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 45-50). O grande convite da Solenidade da Natividade de João Batista a todos nós, é à humildade vivida por ele. Saber dar lugar, retirar-se e deixar Cristo aparecer. Nem sempre é fácil tal atitude. Costumamos, devido nossas carências e limites, plantar com entusiasmo, regar e cultivar com zelo, mas queremos também saborear os frutos. Não parece ser assim na Igreja de Jesus Cristo. Nela, uns plantam, outros regam, ainda outros deveriam cultivar e zelar o plantado pelos que passaram e somente outros que virão posteriormente, é que usufruirão dos frutos. Tal Igreja, discípula e missionária do Senhor, só é configurada com Cristo, se conseguir agir assim. Do contrário corremos o risco de desfigurá-la, apossar-nos dela e isso, geralmente, termina em desastre eclesiológico e pastoral. Sejamos a exemplo de São João Batista, Comunidades simples, descomplicadas, acolhedoras, amorosas e cheias de ternura, porém sem ter medo de corajosa e ousadamente perdemos nossa cabeça = a própria vida por conta da coerência do Evangelho anunciado e vivido no hodierno de nossas relações, sobretudo nos serviços que prestamos, sempre gratuitamente neste mundo tão vazio de Deus! Sejam todos sempre abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço, Padre Gilberto Kasper (Ler Is 49,1-6; Sl 138(139); At 13,22-26 e Lc 1,57-66.80)

Nota de Falecimento de Dom Joviano de Lima Júnior, sss

Nota de Falecimento de Dom Joviano de Lima Júnior, sss “De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá outra moradia no céu, que não é obra de mãos humanas e que é eterna.” (2 Cor 5, 1) Com pesar, a Arquidiocese de Ribeirão Preto comunica o falecimento de seu Sétimo Arcebispo Metropolitano, Dom Joviano de Lima Júnior, sss, aos 70 anos, na tarde desta quinta-feira, 21 de junho de 2012, no Hospital São Francisco, em Ribeirão Preto. O arcebispo estava internado desde o dia 10 de junho de 2012, no Hospital São Francisco. Nos últimos três anos e três meses enfrentou a batalha contra o câncer no intestino. Nesta hora de tristeza, anima-nos a certeza da promessa do Cristo que disse: “Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá” (Jo 11,25). Agradecemos a Deus pelo dedicado e frutuoso ministério de Dom Joviano, em 06 anos de pastoreio à frente da Arquidiocese de Ribeirão Preto. Comunicamos, também, que o velório será na Catedral Metropolitana de São Sebastião, logo após a chegada do corpo, provavelmente ainda na noite de hoje, 21 de junho. A Celebração Exequial, seguida do sepultamento, será no sábado, 23 de junho, às 16h, na Catedral. Manteremos a todos informados pelo site da Arquidiocese – www.arquidioceserp.org.br Celebrações Eucarísticas na Catedral Metropolitana de São Sebastião: Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Ribeirão Preto (16) 3610-8477

Quinze minutos em companhia do Imaculado Coração

Oh! Coração Imaculado de Maria, generoso e magnânimo como de Rainha, amoroso e compassivo como de Mãe!: ouvi os suspiros do último de vossos filhos que confiante acude a depositar em Vós os sentimentos e aspirações de sua alma. Graças, Coração bondosíssimo . Vós sois manancial das divinas benções; de Vos tenho recebido favores sem número. E quantas vezes, sem dar me conta disso! Quando Jesus me redimia no Calvário, ali estavas Vós, juntando vossa compaixão a suas dores, e vossas lágrimas a torrente de seu sangue redentor. Tenho minhas delicias junto ao sacrário na Santa Eucaristia; mas esse pão de anjos é fruto de vosso sangue e vosso amor. Oh! Coração dulcíssimo de minha Mãe!, Vós sois o canal assinalado por Deus mesmo para distribuir todas as suas graças aos homens. De Vós recebo aquela inspiração..., aquela força para vencer..., aquele consolo em minha aflição. De Vós me vem aquela luz que me mostrou o abismo a que eu corria..., aquela graça que me moveu a dor de meus pecados... aquele perigo evitado..., aquela saúde recobrada.., me vieram de Vós. Não tem número vossos favores!. Graças, Coração dulcíssimo, graças! E Vós, Coração compassivo, que haveis recebido de mim? Oh!, o sabeis Vós, e eu também o sei, para confusão minha. A vosso amor e ternura tenho respondido com fria ingratidão. Essa espada que Vos atravessa de parte a parte o Coração, Oh! Coração de Maria!, a tenho cravado eu, filho ingrato...; e não um, mas sim muitas vezes. Aqueles olhares..., aqueles sentimentos..., aquelas intenções inconfessáveis.., aquela soberba oculta..., aquela sensualidade..., aquele escândalo.. Que vos houvesse ofendido outro menos favorecido de vosso amor, seria tolerável; mas que Vos tenha desgostado eu, depois de provas tão eloqüentes e repetidas de vosso amor... Oh! Coração Santíssimo de Maria!, eu me confundo e arrependo; eu vos pagarei amor com amor..., eu arrancarei a espada cruel que vos atormenta. Reparação, reparação! Sim, vos a quero oferecer sempre. Vos amo tanto! Me doem tanto de ver a ingratidão e as continuas ofensas com que os homens correspondem a vosso amor! Oh! Coração dulcíssimo de Maria!, a espada cruel que vos atravessa nos falam da paixão e morte de Jesus e dos pecados dos homens que vos enchem de amargura; mas desde hoje eu tenho de consolar-vos. Abençoai minhas resoluções. Eu amarei sempre a Jesus, para que não se perda em mim o fruto de seu sangue...; eu vos prometo morrer antes que pecar, porque não quero renovar vossas dores...; eu pensarei em Vós, pelos que vos esquecem...; vos amarei pelos que vos blasfemam; eu vos servirei com todas as forças de minha alma... Por vosso amor, Oh! Coração Imaculado!, me apartarei daquela ocasião..., mortificarei meus sentidos...; farei que meus olhos, meus ouvidos, minha língua, minhas mãos..., imitem vossos exemplos de modéstia, de caridade, de servidão... Oh! Coração de minha Mãe!, para reparar as injúrias que os homens vos fazem, me imporei entre i dia alguns pequenos sacrifícios..., vos oferecei diariamente a oração do Santo Rosário..., vos consagrarei os primeiros sábados de mês, comungando fervorosamente em honra vossa... E tenho que pedir-vos novos favores, Oh! Coração dulcíssimo! Vos exponho com pleníssima confiança de obte-los, se convierem a minha eterna salvação. Não disse vosso Jesus: "Peça-me pelo Coração de minha Mãe, e alcançaras quanto desejas"? pois concedei-me que não volte a cair no pecado...; que vos ame em todos os instantes de minha vida...; que ao acabasse este desterro, me leveis a gozar de vossas ternuras no céu... Coração dulcíssimo de Maria, Vos me haveis de salvar...; eu relembro vossa promessa de assistir na hora da morte com as graças necessárias para salvar se a quantos tenham comungado durante cinco primeiros sábados de mês seguidos. Eu vos darei essa alegria, e confio em vossa bondade e ternura. E agora, Oh! Coração Imaculado!, Vos conheceis minha debilidade...; daí-me força para vencer aquela dificuldade...; para cortar com tal ocasião... alcançai-me essa virtude que Jesus me pede faz tanto tempo... e o assunto que levo entre as mãos.., e a preocupação que conheceis..., guardai tudo para maior glória de Deus. Vos peço por meus pais, irmãos, amigos (por aquele especialmente que anda afastado de Deus)..., pela conversão de todos os pecadores, pela perseverança dos justos, pelo alivio de meus queridos defuntos..., pelos sacerdotes, para que sejam santos, pelos missionários... Coração bondosíssimo, daí-me Vós mesmo as graças que sabeis serem-me necessárias... Que doce é, Maria, gozar de vosso amor! Que lindo e que terno vosso grande Coração! E que bem se estamos a vosso lado! mas tenho que ir: me chamam minhas obrigações. Coração amantíssimo de minha Mãe! Me vou, mas quero deixar meu coração aqui a vosso lado, encerrado em vosso seio amoroso... Ao longo do dia voltarão a Vós minha lembrança e os afetos de minha alma... quanto antes possa voltarei com algum pequeno obsequio praticado em vossa honra, com algum pequeno sacrifício amorosamente aceito em reparação das injúrias que vos fazem. Oh! Coração de minha terna Mãe, adeus! Fazei que sinta durante o dia vossa proteção e vosso amor. Agora, recebei tudo o do último de vossos filhos... Adeus! Coração Imaculado de Maria!, transbordante de amor a Deus e à humanidade, e de compaixão pelos pecadores, me consagro inteiramente a Vós. Vos confio a salvação de minha alma. Que meu coração este sempre unido ao vosso, para que me separe do pecado, ame mais a Deus e ao próximo e alcance a vida eterna juntamente com aqueles que amo. Medianeira de todas as graças, e Mãe de misericórdia, recordai o tesouro infinito que vosso divino Filho tem merecido com seus sofrimentos e que nos confio a Vós como seus filhos. Cheios de confiança em vosso maternal Coração, que venero e amo, acudo a Vós em minhas necessidades. Pelos méritos de vossa amável e Imaculado Coração e por amor ao Sagrado Coração de Jesus, obtende a graça que peço (mencionar aqui o favor que se deseja) Mãe amadíssima, se o que peço não for conforme à vontade de Deus, intercedei para que se conceda o que seja para a maior glória de Deus e o bem de minha alma. Que eu experimente a bondade maternal de vosso Coração e o poder de sua pureza intercedendo ante Jesus agora em minha vida e na hora de minha morte. Amém Coração de Maria, perfeita imagem do Coração de Jesus, fazei que nossos corações sejam semelhantes aos vossos.

HOMILIA DO DÉCIMO-PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM DO ANO LITÚRGICO DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “A Palavra do Senhor do Décimo Primeiro Domingo Comum nos fortalece. Ajuda-nos a descobrir as pequenas manifestações de sua presença entre nós. O crescimento do Reino ultrapassa nossas fragilidades e não se baseia na eficiência das organizações e dos inúmeros programas bem elaborados. Está intimamente ligado à escuta atenta da Palavra de Deus, à confiança em sua graça e ao confronto frequente com o Evangelho, na humildade e na oração. E, qual insignificante semente lançada pela iniciativa gratuita de Deus, o Reino aguarda nosso empenho laborioso, movido pela sua graça, para atingir seu crescimento em nós e na humanidade. Uma alegria nos acompanha e nos invade: a semente da Palavra, a força do crescimento do Reino mora em nós, cresce na comunidade e já produz tantos frutos. Continua o milagre da multiplicação dos pães e nos leva a bendizer a Deus e a nos alegrarmos com a realização do seu Reino. A Palavra nos incentiva à fé na ação de Deus na história. Ela torna a história prenhe de sentido, grávida do Reino, aberta a toda a humanidade. Chama-nos à esperança no processo lento do crescimento da semente e do broto do Reino, frágeis e pequenos, mas resistentes pela ação constante de Deus. O Reinado de Deus não crescerá pelo esforço humano nem se desenvolverá com força e violência; seu desenvolvimento é misterioso como o crescimento da semente plantada no silêncio da terra. Exige esperança e paciência, como acontece com quem prepara a terra e planta, pois a vitalidade, a capacidade de crescer se encerra na semente, embora cultivemos, plantemos e cuidemos do terreno. O poder escondido e misterioso da vida acontecerá a seu ritmo. Foi Deus quem inseriu a força vital e é Ele que continua agindo na semente. É Deus quem faz crescer o Reino (cf. Tg 5,7; 1Cor 3,6-7). Ele foi plantado na terra pela encarnação, vida e ação de Jesus Cristo. Ele crescerá em direção ao projeto indestrutível de Deus. O acontecimento ‘Jesus’ jamais será apagado da história. Essas são a fé e a esperança inquebrantáveis. Muitos homens, mulheres e seus projetos podem recusar a realidade trazida por Jesus de Nazaré, mas não serão capazes de destruí-la jamais! (O que não é de Deus cai, um dia cai...) Jesus de Nazaré e seu projeto são sementes de mostarda, pequenas, mas fecundas. Ele é o novo ramo de cedros; é a árvore frondosa, nascida de pequena semente verde, e onde todos podem se abrigar, principalmente os pobres e marginalizados. Nossa esperança não é risco, mas uma certeza. Jesus é o Senhor da história e de sua meta final, mesmo que os projetos dos grandes e opressores da terra teimem em desmentir essa verdade esperançosa. A luta da comunidade cristã para a transformação do mundo não é medida pelos êxitos e fracassos, mas pela confiança com que adere ao Senhor e caminha aos seus passos. A Palavra de Deus nos desliga da ideologia de um reino ostensivo, de uma religião triunfalista, que se anuncia com ufanismo, grandeza visível e numérica. Mas nos convida a nos dedicar à missão e ao serviço na comunidade que cresce organicamente, a partir do que é pequeno e, às vezes, até invisível ao mundo” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22). Costumamos fazer comparações. Comparamos quem é melhor, mais eficiente e medimos a eficiência pelo tamanho e suntuosidade de nossos Templos (Espaços Celebrativos), Obras faraônicas; Resultados de Promoções como Quermesses; Quantidades de Diplomas de nossos Ministros Ordenados e até a quantidade de espectadores, que chamamos de fiéis assistindo a espetáculos que dizemos ser evangelizadores. Barulho espetaculoso e multidão não medem a configuração de um Pastor verdadeiramente eficiente, porque configurado com Cristo, que preferiu a discrição, “pois a semente germina no silêncio da terra e faz crescer o Reino na vida e na história das pessoas”. Gosto muito do discurso de Jesus, quando dá graças a Deus: “Eu te dou graças, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois escondeste estas coisas aos sábios e as revelaste aos humildes” (Mt 11,25). Não poucas vezes tentamos garantir a posse do prestígio, fazendo mais barulho do que plantando no coração das pessoas a semente da Palavra de Deus! Tornamo-nos tão ocupados com grandes eventos, que deixamos de lado os preferidos do Reino de Deus: os humildes, os enfermos, os pobres, os que vivem em situações constrangedoras ou pessoas que chamamos de irregulares, enfim, os que não nos garantem fama! Geralmente sabemos o quanto arrecadamos em nossas promoções, quantas obras materiais realizamos e quantas placas inaugurais existem (com nossos nomes) em nossos espaços. Saberíamos quantas Missas, quantos batizados, quantas absolvições e unções dos enfermos celebramos bem? Muitos se tornam tão ocupados e até mesmo famosos, logo, tão inacessíveis como políticos e autoridades que ocupam altos postos, cargos e funções. Outros agendam atendimento de pessoas como são agendados exames de nossos Convênios Médicos, hoje tão demorados quanto demorado é o atendimento da Saúde Pública. Sem esquecer, que para alguns poucos falarem com os “configurados com Cristo” que insistiu na humildade e no serviço (quem quiser ser o maior entre vós, seja aquele que serve) distribuem senhas. Para ir à Casa do Pai, o Templo; ser acolhido pela Mãe, a Igreja, precisamos de senhas? Entregamos a chave do Sacrário a muita gente, enquanto que a do cofre só fica em nosso bolso. Quem nos elogia, torna-se Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão, enquanto quem nos questiona é convidado a deixar o Conselho Administrativo, pois torna-se uma ameaça aos nossos gastos nem sempre tão sóbrios e justos. Ética, Conversão, Coerência e Bom Senso são apelos fundamentais para nós Ministros Ordenados e nossas Comunidades, neste domingo! Do contrário fica até difícil cumprir nossa missão profética. Como denunciar o mau uso do bem comum, se em nossas Comunidades não é diferente? Não deixemos as sementes da bondade, humildade, verdade e justiça mofarem no silêncio de nosso subsolo: a consciência de simples e pequenos servos! Sejam nossos bustos e placas de honra, enfermos ungidos, penitentes absolvidos, enlutados consolados, povo acolhido e alimentado espiritual e materialmente! Não nos escondamos dos que buscam a sombra da árvore frondosa, pois a semente de nossa vocação ao serviço gratuito, sem esperar recompensa e nem reconhecimento de quem quer que seja já deve ter virado broto, crescido e ser bálsamo para quem busca em nosso Ministério e Comunidades, nova esperança e sentido de vida Cristã! Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel, Padre Gilberto Kasper (Ler Ez 17,22-24; Sl 91(92); 2 Cor 5,6-10 e Mc 4,26-34)

IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

A DEVOÇÃO REPARADORA DOS CINCO PRIMEIROS SÁBADOS DO MÊS Os dois pedidos de 13 de julho de 1917. A 13 de junho de 1917, a Santíssima Virgem disse a Lúcia: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”. Depois os três pastorinhos viram Nossa Senhora tendo em sua mão direita um coração cercado de espinhos. Compreenderam que era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que pedia reparação. No dia 13 de julho, a rainha do céu repetiu as mesmas palavras e as esclareceu fazendo dois pedidos concretos e precisos: “Se fizerem o que vou vos dizer, muitas almas serão salvas e haverá paz. [...] Voltarei para pedir a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado e a devoção reparadora dos primeiros sábados (do mês) .” De fato, Nossa Senhora realizou perfeitamente sua promessa e veio pedir expressamente a consagração da Rússia à irmã Lúcia, em Tuy , na Espanha, em 13 de junho de 1929: É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena pelos pecados contra mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora. Quanto à devoção reparadora dos primeiros sábados do mês, Nossa Senhora veio explicar a Lúcia, no dia 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra na Espanha, onde a vidente era jovem postulante à vida religiosa, nas irmãs dorotéias . Em dezembro de 1927, irmã Lúcia, por ordem de seu confessor, escreveu um relatório dessa aparição, mas por humildade, escreveu este texto na terceira pessoa: Dia 10 de dezembro de 1925 apareceu-lhe a Santíssima Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino. A Santíssima Virgem, pondo-lhe no ombro a mão, mostrou-lhe ao mesmo tempo um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos. Ao mesmo tempo disse o Menino: “Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe que está coberto de espinhos, que os homens ingratos a todos momento Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar”. Em seguida, disse a Santíssima Virgem: Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos momento Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.” Notemos que, se o ato de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria depende diretamente da boa vontade da autoridade hierárquica da Igreja (papa e bispos), a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês foi pedida a todos os católicos. Desta prática depende a salvação de muitas almas e mesmo a paz do mundo. Daí a importância de todo aquele que é batizado, saber exatamente em que ela consiste. Mas antes, vejamos como a divina Providência preparou as almas para receber esta devoção. Premissas de uma devoção Nossa Senhora, quando pediu à irmã Lúcia, em 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra , a prática da devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês, não estava inovando: este pedido celeste aparece como o apogeu de um movimento de piedade nascido muito tempo antes e encorajado pela Santa Sé desde de 1889. Sábado, dia consagrado especialmente à Santíssima Virgem Esta tradição de imemorável data, com toda certeza, dos primeiros séculos da Igreja: a presença da Missa de Nossa Senhora nos Sábados no missal romano de São Pio V, de 1570, mostra a antiguidade desta prática que consiste em honrar especialmente a Santa Mãe de Deus nesse dia da semana, depois de ter consagrado o dia da sexta feira para comemorar a paixão de Nosso Senhor e os sofrimentos de seu Sagrado Coração. Foi apoiando-se nesta piedosa tradição que os membros das Confrarias do Rosário habituaram-se a consagrar especialmente a Nossa Senhora, quinze sábados consecutivos de cada ano litúrgico: durante esses quinze sábados, eles se aproximavam dos sacramentos e cumpriam exercícios de piedade particulares em honra dos quinze mistérios do santo Rosário. Em 1889, o papa Leão XIII concedeu a todos os fiéis uma indulgência plenária a ser ganha durante um desses quinze sábados. O primeiro sábado do mês Foi com o grande papa São Pio X que a devoção dos primeiros sábados do mês foi aprovada e encorajada por Roma.. Em 10 de julho de 1905, ele indulgenciou pela primeira vez esta devoção: “Todos os fiéis que, no primeiro sábado ou primeiro domingo de doze meses consecutivos, consagrarem algum tempo com a oração vocal ou mental em honra da Virgem Imaculada em sua Conceição ganham, cada um desses dias, uma indulgência plenária. – Condições: confissão, comunhão e oração nas intenções do soberano pontífice”. A devoção reparadora dos primeiros sábados do mês. Em 13 de junho de 1912, São Pio X concedia novas indulgências à devoção dos primeiros sábados do mês, insistindo muito na intenção reparadora com a qual esta devoção devia ser praticada: “A fim de promover a devoção dos fiéis para a gloriosa e imaculada Mãe de Deus, e para favorecer o piedoso desejo de reparação dos fiéis ( et ad fovendum pium reparationis desiderium ) diante das blasfêmias execráveis proferidas contra o seu augusto nome e as celestes prerrogativas desta mesma bem-aventurada Virgem, Pio X, papa pela divina Providência, dignou-se conceder uma indulgência plenária, aplicável às almas dos defuntos, no primeiro sábado de cada mês, por todos aqueles que, nesse dia, se confessarem, comungarem, cumprirem exercícios particulares de devoção em honra da bem-aventurada Virgem Maria, em espírito de reparação como indicado acima ( in spiritu reparationis , ut supra ) e rezarem nas intenções do soberano pontífice . Notemos a providencial coincidência das datas: 13 de junho de 1912, são cinco anos, dia por dia antes da segunda aparição de Nossa Senhora em Fátima, durante a qual os três pastorinhos testemunharam a primeira grande manifestação do Imaculado Coração de Maria, vendo-o cercado de espinhos que pareciam enterrados nele . “Compreendemos , escreveu Lúcia sobre isto em 1941, na sua quarta Memória, que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação ”. Os termos empregados por São Pio X anunciam quase exatamente os termos do pedido de Nossa Senhora em Pontevedra , em 1925: nos dois casos, é sublinhada a extrêma importância da intenção reparadora, única capaz de afastar e apaziguar a cólera de Deus. Em Fátima e em Pontevedra, Nossa Senhora não é, pois, inovadora: ela veio dar a ratificação do Céu e um novo impulso a um movimento de piedade mariano enraizado na mais pura tradição católica, para encorajar a todos nós a participarmos dele. A intenção reparadora, chave desta devoção. Respondamos, primeiramente, a uma objeção que muitas vezes escutamos da parte de pessoas pouco esclarecidas no domínio da fé. Essas pessoas contestam esta devoção afirmando que ela se opõe à perseverança na vida cristã: com efeito, dizem, bastaria praticar uma só vez na vida a devoção reparadora para ter assegurado sua salvação eterna; depois, as almas poderiam fazer o que quisessem, deixar a prática religiosa e cair nos piores pecados, pois estariam de qualquer maneira salvos para a eternidade! É fácil refutar esta objeção: uma alma que cumprir a devoção reparadora com tal espírito não obteria a graça da perseverança final, ligada por Nossa Senhora a esta prática, já que ela não a faria com reta intenção (condição indispensável a todos nossos atos religiosos e de devoção, para receber as bênçãos e graças de Deus) nem com o cuidado de reparar e consolar o Coração de Maria! Tal prática equivaleria, ao contrário, em abusar gravemente da misericórdia de Deus, utilizando a promessa da salvação eterna feita por Nossa Senhora para legitimar todos os pecados que fossem cometidos em seguida; isto é o pecado de presunção de sua salvação que é um dos sete pecados contra o Espírito Santo! Reparar pelos pecadores. As almas que querem praticar a devoção dos primeiros sábados do mês conforme a vontade do Céu, devem fazê-la na intenção geral de reparar e consolar Nossa Senhora, em substituição dos pobres pecadores que ultrajam e blasfemam contra ela: trata-se, por caridade fraterna, de “ implorar o perdão e a misericórdia em favor das almas que blasfemam contra Nossa Senhora porque, a essas almas, a misericórdia divina não perdoa sem reparação ”. Foi isso que afirmou Nosso Senhor a Lúcia em 29 de maio de 1930, depois de ter revelado as cinco espécies de ofensas e de blasfêmias que se trata de reparar ( infra ): “ Eis, minha filha, porque motivo o Imaculado Coração de Maria me inspirou para pedir esta pequena reparação e em consideração a ela, comover minha misericórdia para perdoar às almas que tiveram a infelicidade de ofendê-lo. Quanto a ti, procure sem cessar, por tuas orações e teus sacrifícios, comover minha misericórdia em relação às pobres almas .” Esta intenção reparadora, movida pela caridade fraterna, deveria nos dar um grande zelo para cumprir a devoção dos primeiros sábados não apenas cinco vezes em nossa vida, para assegurar a salvação pessoal, mas cada primeiro sábado, a fim de permitir a salvação eterna do maior número possível de pecadores. Porque aí está um dos grandes objetivos da devoção reparadora ao Imaculado Coração de Maria: “salvar almas, muitas almas, todas as almas”. Ora, o conjunto de acontecimentos sobrenaturais de Fátima, Pontevedra e Tuy nos mostra claramente e repetidas vezes, que são muitas as almas condenadas à eternidade: - A 13 de julho de 1917, os três pastorinhos têm a visão do inferno, que está longe de ser um lugar vazio: Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo [...]. Mergulhado nesse fogo, os demônios e as almas [...] almas flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas, que delas mesmas saíam, com nuvens de fumo caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e de desespero que horroriza e fazia estremecer de pavor . - A 19 de agosto de 1917, no fim da aparição, Nossa Senhora diz aos três videntes: "Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores; que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas" . - A 13 de junho de 1929, na aparição de Tuy , Nossa Senhora concluiu a teofania trinitária com a qual Lúcia foi gratificada, por essas terríveis e surpreendentes palavras: "São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra mim cometidos que venho pedir reparação. Sacrifica-te por esta intenção e reza". Irmã Lúcia sempre afirmou que o número de almas danadas era muito grande. Ela conclui assim sua carta para um jovem, tentado a abandonar o seminário: “Não se surpreenda se falo tanto do inferno. Esta é uma verdade que é necessária lembrar muito nos tempos presentes, porque é esquecida: é um turbilhão de almas que caem no inferno. Então, o senhor não acha que são bem empregados todos os sacrifícios que é preciso fazer para não ir para lá e para impedir que muitos outros caiam lá? ”. E ao Padre Lombardi que, em outubro de 1953, a interrogou sobre o inferno, ela respondeu: “Padre, numerosos são aqueles que são condenados.[...] Padre, muitos, muitos se perderão .” Obter a conversão de um pecador É também louvável e frutífero praticar esta devoção para obter a conversão desse ou daquele grande pecador de nossas relações. A carta da irmã Lúcia ao bispo titular de Gurza , de 27 de maio de 1943, já citada, esclarece muito bem sobre o poder e eficácia sobrenatural da devoção aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria: “ Os Santíssimos corações de Jesus e Maria amam e desejam este culto [para com o Coração de Maria]porque dele se servem para atrair todas as almas a eles e isto é tudo o que desejam: salvar as almas, muitas almas, todas as almas”. Nosso Senhor me dizia, há alguns dias: “Desejo ardentemente a propagação do culto e da devoção ao Coração de Maria porque este Coração é o ímã que atrai as almas para mim, a fornalha que irradia na terra os raios de minha luz e de meu amor, fonte inesgotável de onde brota na terra a água viva de minha misericórdia ”. Pondo toda sua confiança no Imaculado Coração de Maria, muitos católicos portugueses praticaram a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados em favor de um próximo, grande pecador e bem afastado da vida cristã. Entre outros, este belo testemunho de uma senhora de Guimarães (norte de Portugal), publicado no boletim de agosto de 2001 da Cruzada Eucarística das crianças de Portugal. Esta mulher conta que ela tinha um irmão repatriado de Moçambique, que era um revoltado e um blasfemador. Tinha abandonado a esposa legítima para viver com outra mulher, da qual tinha dois filhos. Para obter do Imaculado Coração de Maria a sua conversão, sua irmã fez por ele e em seu lugar, a devoção dos cinco primeiros sábados do mês: “ No começo de agosto de 1981, meu irmão estava muito mal. Quando lhe perguntaram se queria ver um padre, proferiu blasfêmias contra os padres. Como a doença se agravava, deu entrada em um hospital de Braga. Os outros doentes diziam que ele não tinha um momento de repouso, nem de dia, nem de noite e que não deixava ninguém em paz. Para grande estupefação de todos, em 18 de agosto de 1981, pediu várias vezes um padre. Dois padres vieram administrar os últimos sacramentos. Imediatamente depois que eles saíram inclinou a cabeça para o lado e morreu. Sem dúvida, foi o Coração Imaculado de Maria que salvou meu pobre irmão, que fora tão pecador. Não queria olhar para ele depois de morto, temendo ver seu rosto deformado como o tinha durante sua doença. Mas não pude resistir e me aproximei durante a missa, que teve lugar na capela do hospital. Ele não parecia o mesmo homem! Estava tão bonito, sorridente. Parecia que sua amargura se transformara em alegria ”. O que é preciso fazer Uma alma cristã que deseje realizar perfeitamente a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês deve fazer, durante cinco primeiros sábados consecutivos, na intenção geral de reparar seus próprios pecados e os de toda a humanidade, junto ao Coração Imaculado de Maria, quatro atos diferentes de piedade: 1 - A confissão , que pode ser antecipada, até mesmo mais de oito dias, se for impossível ou muito difícil se confessar no primeiro sábado. O mais importante é ter a intenção, se confessando, de reparar o Coração Imaculado de Maria. (É preciso também, naturalmente, estar em estado de graça no primeiro sábado do mês a fim de fazer uma boa e frutífera comunhão). A intenção reparadora deve ser dita ao confessor? Irmã Lúcia nunca mencionou se é preciso dizer alguma coisa ao padre. Uma formulação interior, puramente mental, é suficiente. Nosso Senhor até mesmo acrescentou que aqueles que esquecessem de formular a intenção reparadora “poderão formulá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar.” 2 – Recitação do Terço : Nossa Senhora, em Fátima, insistiu muito na recitação cotidiana do terço. Foi esse o único pedido que ela repetiu para as crianças em todas as seis aparições, de 13 de maio a 13 de outubro de 1917: nesse dia revelou aos pastorinhos sua identidade: “Sou Nossa Senhora do Rosário”. Não é, pois, de espantar que a recitação do Rosário seja encontrada na devoção reparadora dos primeiros sábados . Além disso, como não existe oração vocal mais mariana do que o Terço, convém que este seja integrado a essa devoção, já que se trata de reparar as ofensas feitas a Nossa Senhora e a seu Coração Imaculado. 3 – Os 15 minutos de meditação sobre os 15 mistérios do Rosário: Trata-se de “fazer companhia a Nossa Senhora durante15 minutos, meditando sobre os 15 mistérios do Rosário, em espírito de reparação”. Isto não quer dizer que se deva meditar todo primeiro sábado sobre os 15 mistérios em sua totalidade, passando um minuto em cada mistério. Ao contrário, cada alma está livre para organizar seu quarto de hora de meditação como entender, desde que o objeto da meditação seja os mistérios do Rosário. Algumas almas preferirão meditar o mesmo mistério durante vários primeiros sábados, outras um mistério diferente cada primeiro sábado, outras ainda três mistérios cada primeiro sábado (cinco minutos por mistério), etc. Sendo as almas diferentes umas das outras, é normal que tenham gostos e necessidades espirituais diferentes; é por isso que a Igreja sempre teve o cuidado de deixar aos fiéis uma grande amplidão para cada um organizar sua vida espiritual. 4 – A comunhão, que é o ato essencial da devoção reparadora. Para compreender bem toda sua importância, convém colocá-la em paralelo com a comunhão das nove primeiras sextas-feiras do mês, pedidas pelo Sagrado Coração em Paray-le-Monial e com a comunhão milagrosa dos três pastorinhos de Fátima, no outono de 1916: o Anjo da Guarda de Portugal deu então a esta comunhão um espírito eminentemente reparador, repetindo seis vezes com as crianças (três vezes antes da comunhão e três vezes depois) as palavras que são chamadas a segunda oração do Anjo : “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos de seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores .” No contexto da atual crise da Igreja é certo que esta intenção reparadora toma uma nova dimensão: quantas irreverências, sacrilégios são causadas pela reforma litúrgica de Paulo VI: não apenas pela comunhão dada na mão, como também distribuída a todos os assistentes sem nunca lembrar a necessidade do estado de graça; pela supressão das marcas de adoração ao Santíssimo Sacramento, etc. Hoje, a comunhão dos primeiros sábados deve ser feita para reparar todas essas profanações. Um último ponto importante: a prática da devoção reparadora em seu conjunto “será aceita no domingo que segue o primeiro sábado, quando meus padres, por motivos justos, o permitirem às almas .” É pois, aos padres, e não à consciência individual de cada um, que Jesus confia o cuidado de conceder esta facilidade suplementar, tão misericordiosa. Por essa concessão, talvez Nosso Senhor fizesse alusão a estes tempos em que estamos, onde não é sempre fácil aos fiéis assistir à verdadeira missa no sábado. Em todo caso, esta disposição torna mais fácil a prática da comunhão reparadora para os católicos fiéis de hoje. Disposições requeridas É muito simples praticar a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês. Está ao alcance de toda alma que põe um mínimo de generosidade na base de sua vida cristã, ainda mais que o Céu deu uma grande amplidão para a confissão e a comunhão. Infelizmente, muitas vezes, a ignorância, a moleza espiritual e a negligência se conjugam para afastar as almas, mesmo as mais fiéis, desta prática que, no entanto, é tão salutar, já que Nossa Senhora a ligou à perseverança final e à salvação eterna: “Prometo assisti-las na hora da morte com todas as graças necessárias à sua salvação.” A desproporção entre a pequena devoção pedida (os primeiros sábados de cinco meses consecutivos, uma só vez na vida!) e a graça prometida (a salvação eterna de sua alma) ilustra de maneira estrondosa o grande poder de intercessão concedido à Virgem Maria para a salvação de nossas almas: Nossa Senhora é verdadeiramente, em virtude de sua maternidade divina, nossa advogada e nossa medianeira junto ao coração de Deus. Padre Alonso, claretiano espanhol que foi o grande especialista de Fátima até sua morte em 1982, escreveu sobre este assunto: “A grande promessa [da salvação eterna] não é nada mais do que uma nova manifestação deste amor de complacência da Santíssima Trindade para com a Virgem Maria. Para aquele que compreende isto é fácil admitir que a humildes práticas estejam ligadas maravilhosas promessas. Ele se entrega então filialmente à elas com um coração simples e confiante na Virgem Maria.” Em algumas linhas o Padre Alonso nos desvenda algumas boas disposições necessárias para fazer bem esta devoção: - uma grande simplicidade e humildade de coração; - uma devoção marial inteiramente filial e cheia de confiança. O Menino Jesus, aparecendo à irmã Lúcia em 15 de fevereiro de 1926, nos dá a terceira disposição necessária: - um fervor profundo. Com efeito, nesse dia, irmã Lúcia dirigiu estas palavras ao Menino Jesus: “Mas meu confessor dizia em sua carta que esta devoção não fazia falta ao mundo porque já havia muitas almas que vos recebia todo primeiro sábado, em honra de Nossa Senhora e dos quinze mistérios do rosário ”. O Menino Jesus lhe respondeu: “ É verdade, minha filha, que muitas almas começam, mas poucas vão até o fim; e aquelas que perseveram não fazem para receber as graças que estão prometidas. As almas que fazem os cinco primeiros sábados com fervor e com o fim de reparar o Coração de tua Mãe do Céu me agradam mais do que aquelas que fazem quinze, sem ardor e indiferentes ”. Para falar agora da quarta disposição requerida para esta prática é preciso lembrar que o Céu nos pede cinco primeiros sábados de cinco meses consecutivos, e não nove, doze ou quinze. Porque este número? Lúcia perguntou a Nosso Senhor durante uma Hora Santa, em 29 de maio de 1930, em Tuy , e lhe foi respondido: “Minha filha, o motivo é simples. Há cinco espécies de ofensas e de blasfêmias proferidas contra o Coração Imaculado de Maria: 1 – as blasfêmias contra a imaculada conceição da Virgem Maria; 2 – as blasfêmias contra sua virgindade; 3 – as blasfêmias contra sua maternidade divina, recusando ao mesmo tempo reconhecê-la como mãe dos homens; 4 – as blasfêmias daqueles que procuram publicamente por no coração das crianças a indiferença ou o desprezo, ou mesmo o ódio em relação a esta Mãe Imaculada; 5 – as ofensas dos que a ultrajem diretamente nas suas santas imagens. Ai está, minha filha, o motivo pelo qual o Coração Imaculado de Maria me inspirou para pedir esta pequena reparação”. Como, hoje em dia, não pensar nos ataques à dignidade, aos privilégios, às honras devidas à Virgem Maria, perpetradas pelos próprios homens da Igreja? Lembremos o que se passou no concilio Vaticano II, onde, longe de definir a mediação universal e a corredenção de Nossa Senhora, como muitos pediam, os bispos progressistas conseguiram fazer rejeitar o esquema sobre a Virgem Maria para pô-lo como simples anexo no esquema sobre a Igreja e isto para agradar aos protestantes; triste concílio, onde nem mesmo um só texto cita o terço como devoção a ser encorajado junto aos fiéis. Seguiu-se uma diminuição considerável do culto mariano em toda a Igreja. A impiedade da nova religião para com Nossa Senhora é certamente para ser incluída na intenção reparadora daqueles que praticam a devoção dos primeiros sábados. Notemos que as três primeiras espécies de blasfêmias que se trata de reparar vão contra três dogmas de fé definidos. Pode-se então acrescentar uma quarta disposição às três já citadas: - convém fazer esta devoção reparadora com espírito de fé e para pedir a Nossa Senhora a insigne graça de conservar a verdadeira fé católica em nossas almas, até a hora da nossa morte, no meio da apostasia geral do mundo que nos cerca, nutrido por utopias malsãs, de revoltas e de impiedade. Tomemos a peito reparar a honra de Nossa Senhora, tão ultrajada pela ingratidão dos homens e para isso utilizemos a devoção que ela mesmo veio nos indicar, pedindo-lhe com insistência e perseverança as boas disposições de alma para bem praticá-la. Revista Le Sel de la Terre , nº 53 Fonte: santuariofatima.org.br

O CORAÇÃO DE JESUS, TEMPO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

“O Coração de Jesus, Paraíso de Delícias Celestes!” Enquanto a Palavra de Deus do Tempo Comum nos propõe uma espiadinha no céu, a feliz eternidade a partir de uma verdadeira hospitalidade e acolhida entre irmãos que se amam, tornando-nos, assim cada vez mais, uma Igreja Missionária e Discípula de Jesus Cristo, como também nos propõe o Projeto Missionário de nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto – SIM – SER IGREJA EM MISSÃO, sendo uma Igreja do Ir ao encontro das pessoas; projeto esse confirmado pelo Documento de Aparecida, que espera de cada Comunidade de Fé maior docilidade na configuração dos cristãos com Cristo, o Bom Pastor: aquele que conhece, ouve, vai ao encontro e vive entre seu rebanho, acariciando-o com simplicidade e descomplicadamente, o primeiro dia da Novena em honra ao Sagrado Coração de Jesus, nos apresenta, a partir do Coração de Jesus, um Paraíso de Delícias Celestes, na medida em que o compreendemos como Templo da Santíssima Trindade! Dificilmente dissociamos a figura do coração do amor. Vemos as pessoas unirem as mãos em forma de um coração, para expressar o consentimento de seu amor por alguém ou algo realizado. Também fica difícil dissociar o Coração de Jesus do mistério da Santíssima Trindade. É deleitoso pensar a Santíssima Trindade como Templo do Coração Sagrado de Jesus! Gosto de pensar que Deus é louco. Louco de amor pela humanidade. Já a Santíssima Trindade, é para todos nós, exemplo de Comunidade tão perfeita na unidade, que só pode mesmo ser compreendida a partir de um amor apaixonante com sabor de um único Deus em três Pessoas. Por isso costumo mergulhar em tamanho mistério na compreensão de um Amante, Pai, amando um Amado, Filho com um Amor divinamente delicioso, Espírito Santo! É de singular importância a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus em minha vida, desde a infância. Embora mergulhado no útero da Igreja na Paróquia da Sagrada Família, na cidade gaúcha de Três Coroas, onde fui batizado no dia 16 de junho de 1957, com apenas cinco anos de idade, passei a freqüentar a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Novo Hamburgo, também no Rio Grande do Sul, que cultivou minha fé recebida no batismo, fazendo de meu coração, aos sete anos de idade, o “sacrário de Jesus”, quando na manhã do dia 4 de outubro de 1964, recebia, pela primeira vez Jesus Sacramentado, como meu grande alimento espiritual. São indescritíveis as delícias experimentadas naquele dia. As Irmãs de Santa Catarina de Alexandria mantinham a Escola Paroquial do Sagrado Coração de Jesus, que ficava em frente à suntuosa e belíssima Igreja Matriz, que vi sendo erguida pouco a pouco. Lá fui coroinha e participei do Coral, das Pastorais Catequéticas e Juvenis. Implantei o dízimo, visitando mais de doze mil residências, cadastrando todas as Famílias pertencentes à Paróquia, que hoje tem um dos mais eficazes dízimos conhecidos na Região Sul do País. As Novenas em honra ao Sagrado Coração de Jesus eram muito concorridas, bem participadas e em pleno Concílio Ecumênico Vaticano II, cujo Jubileu de Ouro de sua Abertura celebraremos neste Ano da Fé no próximo dia 11 de Outubro, envolviam a cada ano mais os leigos tão lindos e dedicados à construção de uma Igreja renovada, que causava gosto de ser vivida e que atraía desde as criancinhas aos anciãos, multidões de fiéis para celebrar e confraternizar. Com a renda das Quermesses vultosas, construímos uma Igreja belíssima de estilo alemão moderno. Porém, não ficaram no esquecimento as inúmeras Comunidades, então chamadas Capelas, que formavam a Paróquia. A implantação das novas idéias do Concílio foram logo assimiladas e criavam-se as hoje tão faladas “Redes de Comunidades”, comprometidas por serem uma Igreja verdadeiramente discípula e missionária do Sagrado Coração de Jesus. Era, sem dúvida, um prefácio, um aperitivo do que podemos chamar as delícias celestes que seguramente iniciavam já em vida terrena, o Paraíso preparado a cada um e a todos que viviam a devoção ao Coração Sagrado de Jesus! Foi também a Comunidade de Fé, Oração e Amor do Sagrado Coração de Jesus, que confirmou minha vocação ao ministério ordenado. As Senhoras do Apostolado da Oração prepararam meu enxoval para ingressar no Seminário Menor de São João Maria Vianney da Arquidiocese de Porto Alegre. As Irmãs bordaram o número 119 que identificava minhas roupas, entre as dos 121 colegas do Seminário. Tudo foi preparado com zelo, amor e dedicação: uma verdadeira delícia paradisíaca, que jamais é possível ser esquecida. Hoje, com mais de 22 anos de ministério presbiteral vivido, continuo minha ação de graças por essas pessoas, algumas já no colo de Deus saboreando as delícias celestes no Paraíso; outras ainda caminhando entre nós ao mesmo destino. Falar em coração significa falar em amor. Gosto de pensar sempre que Deus é tão louco de amor pela humanidade, a ponto de oferecer o coração do próprio Filho, a fim de que possamos experimentar, antecipadamente, o Paraíso que nos proporciona as delícias celestes. Mas não basta fazer a experiência de tais delícias celestes, isto é, conhecer o sabor do amor divino, sem reparti-lo com os outros. Um amor guardado, trancado, fechado em si mesmo mofa, cheira mal, porque cheira a egoísmo. O amor proveniente do Coração Sagrado de Jesus, é uma delícia que só experimenta, quem sabe amá-lo no outro, no diferente, no difícil, na capacidade de compreensão e perdão sem medidas, a exemplo da Santíssima Trindade, que embora sejam três, amam o mesmo amor! Celebrar a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus nos conclama ao “seguimento do Mestre, como discípulos e missionários pequenos, despojados como ele; e assim ele se identificará conosco, enquanto despojados, pobres, simples, pois esta parece ser a medida de nossa bondade gratuita que tempera as ‘delícias celestes de um paraíso’ que não virá depois, mas que se inicia já, no dia a dia, na relação com nossos irmãos. A recompensa, enfim, será agraciada por este Deus que nos oferece o Sagrado Coração de seu Filho, fazendo-se pobre com os pobres: com a alegria eterna” (cf. Mt 25,31-46). Que a Festa do Sagrado Coração de Jesus os encoraje na constância da fé e da caridade e os configure cada vez mais consigo. Sejamos sacramento de um Paraíso que exale as delícias celestes a todos que perderam a esperança de um mundo melhor! Padre Gilberto Kasper

SANTO ANTONINHO, PÃO DOS POBRES!

SANTO ANTONINHO, PÃO DOS POBRES! Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Há muitas versões, estórias e lendas sobre Santo Antônio, Presbítero e Doutor da Igreja, chamado por nossa Reitoria, carinhosamente de Santo Antoninho, Pão dos Pobres! Trata-se da mesma pessoa, venerada de modos diferentes nos diferentes lugares onde nasceu, passou e morreu. Francisco de Assis, que encontrou o jovem frei Antônio por ocasião do capítulo geral, ocorrido no Pentecostes de 1221, chamava-o confidencialmente de 'o meu bispo’. Antônio, cujo nome de registro é Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo, nasceu em Lisboa em 1195. Entrou aos quinze anos no colégio dos cônegos regulares de Santo Agostinho. Em apenas nove meses aprofundou tanto o estudo da Sagrada Escritura que foi chamado mais tarde por Gregório IX 'arca do Testamento’. Uniu à cultura teológica a filosófica e a científica, muito viva pela influência da filosofia árabe. Cinco franciscanos tinham sido martirizados no Marrocos, onde tinham ido para evangelizar os infiéis; Fernando viu seus ataúdes transportados para Portugal em 1220, e decidiu seguir-lhes os passos, entrando na Ordem dos frades mendicantes de Coimbra, com o nome de Antônio Olivares. Durante a viagem para Marrocos, onde pode ficar apenas alguns dias por causa de sua hidropisia, um acidente arrastou a embarcação para as costas sicilianas. Morou alguns meses em Messina, no convento dos franciscanos, cujo prior o levou consigo a Assis para o Capítulo geral. Aqui Antônio conheceu pessoalmente 'o trovador de Deus', Francisco de Assis. Foi designado para a província franciscana da Romagna e viveu a vida eremítica num convento perto de Forli. Incumbido das humildes funções de cozinheiro, frei Antônio viveu na obscuridade até que os seus superiores, percebendo seus extraordinários dons de pregador, enviaram-no pela Itália setentrional e pela França a fim de pregar nos lugares onde a heresia dos albigenses era mais forte. Antônio teve finalmente uma morada fixa no convento de Arcella, a um quilômetro dos muros de Pádua. Daí saía para pregar aonde quer que fosse chamado. Em 1231, o ano em que sua pregação atingiu o vértice de intensidade e se caracterizou por conteúdos sociais, Antônio foi atingido por uma doença inesperada e foi transportado do convento de Camposampiero a Pádua num carro de feno. Morreu em Arcella a 13 de junho de 1231. 'O Santo' por antonomásia, como era chamado em Pádua, foi canonizado em Pentecostes de 1232, apenas um ano após a morte, apoiado por uma popularidade que sempre cresceria de época em época. Santo Antônio recebe dois títulos reconhecidos mundialmente: Santo Antônio de Lisboa (porque nasceu em Lisboa) e Santo Antônio de Pádua (porque foi em Pádua que exerceu seu ministério de exímio pregador e lugar onde morreu). Há muitas lendas em torno da vida e do exercício ministerial de Santo Antônio, porém, o que é indiscutível, que foi um arauto do Evangelho, ousado e corajoso pregador, sobretudo contra as injustiças sociais. Pregava coerência entre palavra e vida! Nós o chamamos de Santo Antoninho, Pão dos Pobres. Enquanto Santo Antônio exercia os serviços humildes de cozinheiro nos Conventos dos Frades Franciscanos, por onde andou, distribuía pães aos pobres, escondido dos superiores. Os melhores pãezinhos ele reservava aos pobres da redondeza dos Conventos e os distribuía. Daí a Família Proença da Fonseca, vinda de Lisboa, dar-lhe o título de Santo Antoninho, Pão dos Pobres! Após preparação, solenizamos nesta quarta-feira, dia 13 de Junho, em nosso Espaço Cultural de Espiritualidade, a Festa de nosso Padroeiro, durante a Missa com a Bênção dos Pães aos Pobres às 8 horas. Santo Antônio nos ajude a não deixar faltar pão sobre a mesa de nossas Famílias. .

A passagem de Maria para a Eternidade

Ao longo da história, tanto os teólogos quanto a piedade popular se dividiram na opinião se Maria morreu de fato ou se apenas adormeceu e foi levada ao céu em corpo e alma pelos anjos. A basílica em sua honra em Jerusalém chama-se exatamente "Dormitio Mariæ" e um dos documentos mais antigos que temos sobre os últimos dias de Maria também leva esse título. O dogma da Assunção de Maria, proclamado em 1950, não dirimiu a questão, afirmando que "a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste". O corpo de Maria, elevado ao céu, podia já ser um corpo glorificado, como o de Jesus após a ressurreição. Tanto os que falam em morte natural de Maria quanto os que falam em sono profundo da Mãe de Deus têm seus bons argumentos. Estes últimos argumentam com sua conceição imaculada. Se a morte é conseqüência do pecado, Maria, sem pecado e sem sombra de pecado, não podia morrer. Lembram também que a imortalidade é uma característica da Igreja. Ora, sendo Maria o protótipo da Igreja, bem podia Deus realizar nela o que fará com a Igreja no final dos tempos, ou seja, ressuscitar os que morreram e "arrebatar com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares os que ainda estão vivos" (1Ts 4,16-17). Os que afirmam sua morte natural lembram que também Jesus era imaculado e santíssimo e passou pela morte, destino de todos os filhos de Adão, porta e parto necessários para a imortalidade. Maria é o modelo de todos os resgatados pelo Cristo através de sua morte e ressurreição. Também Maria, que se uniu a Ele no Calvário, ter-se-á configurado a ele na morte e na ressurreição. Assim como ela, sem pecado, passou por dores, angústias, desconfortos, perseguição, também terá passado pela prova maior: a morte corporal. Sem que com isso se afirme que seu corpo sofreu a decomposição. As duas tradições são antiqüíssimas. Em nossos dias prevalece a tese de que Maria passou pela morte à imitação de Jesus. Mas é ainda e continuará a ser uma questão em aberto. Também não temos certeza de onde e quando Maria encerrou sua passagem terrena. Sabe-se que, na dispersão dos Apóstolos, Maria acompanhou João, como recomendara Jesus na Cruz (Jo 19,16-27). O Apóstolo João teria migrado para Éfeso, hoje sudoeste da Turquia, uns 600 km ao sul de Istambul. Maria teria findado seus dias em Éfeso. Esta tradição tomou corpo a partir do século XVIII com as visões da camponesa alemã Ana Catharina Emmerich (1774-1824) que, em sonho ou numa revelação, "viu" no alto da montanha popularmente denominada "Colina do Rouxinol", distante 7 km da antiga cidade portuária de Éfeso, a capela Meryem Ana Evi (Casa da Mãe de Deus), que seria a casa em que Maria teria terminado seus dias. Catharina viajou para lá, encontrou tudo como "vira" em sonho e começou a restaurar a antiga capela-casa de Maria, que até hoje os peregrinos podem visitar. Mães turcas, católicas e muçulmanas visitam continuamente aquele santuário, para terem um bom parto e sorte na educação dos filhos. No entanto, não há documentos históricos que favoreçam essa tradição e as escavações arqueológicas mostraram que a capela é certamente posterior ao século VI. Uma outra tradição faz Maria terminar sua jornada terrena em Jerusalém, no Monte Sion e ser sepultada no lugar onde se encontra hoje a Basílica da "Dormição de Nossa Senhora", na região do Vale do Cedron, local tradicional de sepulturas. Os estudos arqueológicos e outros indícios fazem remontar o túmulo aos tempos romanos, ou seja, ao primeiro século da nossa era. Além disso, foram encontradas grafites, escritas pelos primeiros cristãos, que iam honrar o local do túmulo de Maria. Foram encontradas também algumas sepulturas judeu-cristãs, que ladeiam a câmara mais interna. Temos ainda a tradição oral de dois mil anos: os cristãos sempre foram lá venerar o túmulo da Mãe de Deus. E temos, além disso, alguns relatórios de peregrinos (famoso é o de Etérea), que por lá passavam e registravam suas impressões sobre a visita e a liturgia celebrada no local. Maria teria voltado de Éfeso para Jerusalém, onde moravam seus parentes, quando o Apóstolo João retornou para participar do primeiro Concílio Ecumênico da Igreja (At 15,6-29). Na década de 60, quase ao mesmo tempo em que o franciscano Frei Bellarmino Bagatti fazia as escavações científicas junto ao túmulo de Maria, foi descoberto, na biblioteca do Louvre, em Paris, um documento em grego que possibilitou chegar a outros documentos, sobretudo a três, muito próximos entre si tanto na informação quanto no estilo. São eles: De Transitu Mariæ (em língua etíope), Dormitio Mariæ (em grego) e Transitus Mariæ (em latim). Estes textos devem ser datados do final do segundo século até começos do século quarto. Os três textos concordam em que Maria tenha terminado seus dias em Jerusalém. A última referência bíblica a respeito de Maria a temos nos Atos, ainda quando os Apóstolos estavam no Cenáculo, depois da Ascensão de Jesus: "Todos permaneciam unânimes na oração com algumas mulheres, Maria, Mãe de Jesus, e seus irmãos" (At 1,14). Mas até o século VIII o texto grego "Dormitio Mariæ" encontrava-se no final da bíblia, depois do livro do Apocalipse. Hoje esse texto é considerado apócrifo, isto é, não pertencente ao conjunto dos livros da Sagrada Escritura, portanto, não revelado. Mas de todo respeito. Podia-se perguntar por que a Igreja não aceitou esse livro como revelado. Porque seu estilo é todo diferente e, no IV século, quando se fixou a canonicidade dos livros da Escritura, esse livro tinha muitos acréscimos heréticos e tendenciosos contra a divindade de Jesus, contra a maternidade divina de Maria, contra a Santíssima Trindade, e já não se sabia mais qual era o texto original. O texto descoberto agora é anterior a esses acréscimos e, por isso, merece algum crédito e, diria, alguma veneração. Segundo este texto e segundo o texto intitulado "Transitus Mariæ", teríamos os seguintes passos: Maria recebe o anúncio de sua morte e garantia de amparo no momento da passagem; os Apóstolos se reúnem milagrosamente em torno de seu leito; Maria morre à semelhança de todos os seres humanos; durante o funeral, os judeus promovem uma manifestação hostil; depois do sepultamento, segue-se a ressurreição, sendo levada ao céu. Não podemos esquecer que não estamos num terreno de fé. Mas de piedosa crença popular. Na verdade, os últimos dias de Maria e sua passagem para a eternidade estão envoltos num véu de mistério que dificilmente a história ou a teologia conseguirão desvendar. Que idade teria Nossa Senhora quando terminou seus dias na terra? Há um texto antigo que diz: "Dois anos depois de Cristo ter vencido a morte e subido ao céu, Maria começou a chorar no refúgio de seu quarto", ou seja, Maria passou a viver seus últimos dias. O texto passa a contar esses últimos dias, inclusive sua assunção ao céu. Se Maria concebeu Jesus aos 14 anos, deu à luz aos 15 (idade normal naquele tempo na Ásia Menor para casar) e Jesus morreu em torno dos 33 anos, Maria teria 50 anos ao morrer. Sabe-se que era a idade média de vida das mulheres naquele tempo e naquela região. Há uma tradição, que vem dos primeiros tempos da Igreja, que conta que, chegado o momento do trânsito de Maria, Jesus teria vindo buscá-la, acompanhado dos Arcanjos Miguel e Gabriel. O Arcanjo Miguel foi o anjo vencedor de Lúcifer no paraíso terrestre (Ap 12,7-9) e o vencedor do dragão de sete cabeças, que quis devorar o filho da mulher revestida de sol (Ap 12,3-5). No passamento de Maria, hora mais de triunfo e vitória do que de morte, retorna, na piedade popular, o grande Arcanjo, como que para re-arrumar o paraíso perdido e introduzir nele, agora celestial, a humanidade inteira, representada em Maria Imaculada, virgem, esposa e mãe, Mãe de Deus. Retorna Miguel, o protetor da Igreja contra Satanás, para acompanhar na entrada da glória aquela que é o protótipo da comunidade cristã redimida e santificada. Retorna também, na piedosa crença popular, com o Cristo glorioso, o Arcanjo Gabriel, o embaixador de Deus na Anunciação (Lc 1,26), a testemunha da escolha da jovem Maria de Nazaré como Mãe do Filho de Deus, o Messias Salvador. O Arcanjo, presente no início da história da salvação trazida pelo Cristo e na qual Maria se envolvera cem por cento, retorna no momento em que ela termina sua missão e seus dias na terra, entra gloriosa no seio da Trindade para ser, no tempo e na eternidade, a Mãe da Igreja, a terníssima Rainha do Céu e da Terra. Maria esteve associada a Jesus a vida inteira (de fato, os teólogos a chamam "Sócia de Cristo"). Associada no corpo, fazendo uma unidade com ele. Associada na missão redentora a ponto de ser chamada "Mãe da Redenção". Associada na morte e associada por toda a eternidade na glória. Passando pela morte, Maria tornou-se para a humanidade a "feliz porta do céu, para sempre aberta". Por Frei Clarêncio Neotti, O.F.M

HOMILIA PARA O DÉCIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Meus queridos Amigos e Irmãos de Fé! “A comunidade, a casa de Jesus, comprometida com o bem e a fraternidade, vive em tempos de ganância, violência, corrupção, impunidade, enfim, um rosário de coisas que fazem o povo sofrer. E, ainda, tantas vezes, é vítima de calúnias e suas lideranças são ameaçadas, perseguidas e até mortas violentamente. A Palavra de Deus do Décimo Domingo do Tempo Comum vem ao encontro das comunidades e as motiva a continuarem na luta e a melhorarem as condições de moradia, de emprego, de salários e de pão para todos. A Palavra ajuda a identificar os responsáveis por essa triste situação de fome, de injustiças, de violência e de agressão à vida. Deus mesmo não quer o mal e muito menos compactua com ele. Jesus veio para amarrar satanás e tirar do seu poder o povo explorado, injustiçado e sem dignidade e liberdade. Jesus constitui uma nova família com os que fazem a vontade de Deus e entram no seu projeto de vida, aceita viver a fraternidade, romper os padrões envelhecidos e carcomidos pelo tempo que não mais se colocam a serviço do bem comum da população: a nossa comunidade. Quem pratica o mal não se encontra mais no lugar que lhe foi designado e confiado na criação. Deus o procura e chama... e não o encontra. ‘Onde estás?’ Está, portanto, fora do lugar, longe do projeto original e distante da bênção de Deus, que é vida e paz para todos. O local previsto e preparado por Deus não é o pecado, o orgulho e a dominação, que distanciam os homens uns dos outros. Os que pecam se sentem nus, como os escravos, despojados da liberdade e da dignidade humana. Ao se deixar conduzir pelo egoísmo, o homem destrói a si mesmo e abala a ordem da natureza, que se revolta, perde a fertilidade, chama catástrofes, produz cardos e espinhos... A verdade continua a mesma: quem julga poder proclamar sua independência diante de Deus, quem pretende construir seu próprio mundo, quem se isola em seu egoísmo não considera Deus como seu amigo, mas como um adversário a ser temido, evitado, mantido à distância. ‘Ouvi o barulho dos teus passos no jardim e tive medo’: ou seja, a presença de Deus incomoda, coloca ruídos na consciência e atrapalha o sossego do paraíso. Deus criou os homens para se ajudarem. O pecado, ao contrário, os desune, os afasta uns dos outros e os torna inimigos. Colocados, neste domingo, frente a frente ao Evangelho, concluímos como é importante cada um descobrir e assumir a sua missão, contribuindo com a sua parte na construção de uma nova sociedade, que é a família de Jesus, cujo espelho é a comunidade litúrgica, a verdadeira mãe e irmã do Senhor, onde se cultiva o bem, se vive a fraternidade, se partilha os bens e se luta para melhorar a qualidade de vida de todos e para todos. Essa convicção da missão ajudará a sair do comodismo, a vencer críticas e superar todo tipo de dificuldades” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 31-37). O grande convite da Palavra de Deus proclamada neste Décimo Domingo do Tempo Comum é a retomada de nossa identidade, como criaturas prediletas e amados de um Criador louco de amor por nós. Afogados no consumismo, no egoísmo, no individualismo e no hedonismo de nosso tempo, somos desafiados a testemunhar uma comunidade humana mais configurada com nosso Criador. Jesus é nossa referência: ele nos deixa a receita aparentemente simples, mas que no hodierno de nossas relações nos desafia: o amor gratuito! Com quanta facilidade dividimos, mentimos, enganamos a nós mesmos e aos outros. Gosto de dizer que não existem pessoas feias, mas têm as se tornam feias pelas atitudes de egoísmo e de indiferença para com os que mais precisam de nosso testemunho, de nossa solicitude, nem sempre à disposição de quem está próximo e muito menos de quem não conhecemos, mas sofrem. Celebramos no mês de Junho, inúmeras festas: as Festas Juninas, que ressaltam os três Santos mais comemorados: Santo Antônio, São João e São Pedro; o Aniversário de Criação de nossa Diocese e sua Elevação à Arquidiocese; o Aniversário de nossa Cidade, as Celebrações Litúrgicas da Santíssima Trindade, Corpus Christi, o Congresso Eucarístico Internacional em Dublin, na Irlanda, Sagrado Coração de Jesus e Coração Imaculado de Maria. Incontáveis são as Quermesses e Comemorações com fins lucrativos. São, também, incontáveis as Celebrações que se utilizam da Liturgia, para explorar a dimensão psico-emocional das pessoas. Muito barulho, muito “desopilar de fígado” e pouco compromisso com a promoção da dignidade de nossos irmãos em dificuldade. A missionariedade e o discipulado de nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor esperam de cada um, compromisso concreto de conversão, coerência entre o que rezamos, cantamos, celebramos e vivemos! Enquanto não assumirmos uma Teologia da Ternura, pouco faremos para que nossa cultura de morte se transforme em verdadeira Cultura de Vida! Iniciamos, neste domingo, a preparação da Celebração do Padroeiro de nosso Espaço Cultural de Espiritualidade, Santo Antoninho. Nossa festa será a liturgia bem celebrada, a bênção e distribuição de pães aos nossos irmãos menos favorecidos e a visita sacerdotal às pérolas de nossa Reitoria: os enfermos e os idosos, que já não conseguem celebrar conosco em nossa Igrejinha, neste dia 13 de Junho. Assim seremos para eles A Igreja do Ir, levando-lhes o alimento sacramental: o Viático – Jesus em Viagem, o pão bento, nossa ternura, carinho e gratidão pela vida que dedicaram, enquanto puderam, à nossa amada Santo Antoninho! Desejando-lhes abundantes bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel, Padre Gilberto Kasper (Ler Gn 3,9-15; Sl 129 (130); 2 Cor 4,13-5,1 e Mc 3,20-35)

HOMILIA PARA SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTIS 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo entrou na liturgia da Igreja em 1247, em meio a polêmicas e dúvidas sobre a presença real de Jesus na Eucaristia. Desde o início, a solenidade é marcada por grandes concentrações populares e procissões majestosas pelas ruas. O Concílio Ecumênico Vaticano II deu-lhe novo significado, ligando-a estreitamente à Páscoa do Senhor, o mistério eucarístico por excelência. A Eucaristia como memória da Páscoa – a ceia da nova e eterna aliança -, centro da vida e da missão de Jesus entre nós. A festa de Corpus Christi recorda que o mistério pascal está todo presente na Celebração Eucarística. Celebrar a Eucaristia é renovar a aliança selada no sangue do Cordeiro, que se entregou por nós radicalmente como servo. Participando da Celebração Eucarística, somos convidados a fazer de nossa vida um serviço e dom gratuito, para o louvor de Deus e a libertação da humanidade. Uma oferenda perfeita com Cristo, pela ação amorosa e sempre fecunda do Espírito Santo. E, assim, tornar autêntica a afirmação de nossa fé: ‘Ele está no meio de nós!’. A Eucaristia é a aliança eterna e definitiva de Deus conosco, selada pelo sacrifício único de Jesus Cristo. Seu gesto de amor e entrega é para sempre e permanece atual, pela liturgia, em todo tempo e no decorrer da história da salvação da humanidade. No pão e no vinho da última refeição de Jesus, faz-se presente antecipado o dom da sua vida entregue até a morte sangrenta na cruz. ‘A entrega de Jesus, sua morte-ressurreição, que aconteceram uma única vez (Hb 10,10-18), tornam-se presentes para nós pela ação litúrgica, ou seja, toda vez que fazemos memória destes fatos e de nossa salvação, anunciamos a morte do Senhor, até que Ele venha (1Cor 11,26). Não se trata de uma repetição, mas de uma atualização’. O sacrifício é um só. Somos redimidos por um amor sacrificado, um amor que doou corpo e sangue, isto é, doou a vida. Não é o sangue por si mesmo que salva. O que salva são o amor e a fidelidade que levaram Jesus a enfrentar morte cruel e sangrenta. Depois da sua morte, não há outro sacrifício de sangue na nova aliança, pois não é o sangue em si que importa, mas a entrega, o amor de quem o derramou, e este é válido para sempre. Unindo-nos ao amor de Jesus, entregamos, no momento da Celebração Eucarística, o nosso corpo e sangue, toda nossa vida a serviço dos irmãos. Assim, nos tornamos ‘uma oferenda perfeita’ com Cristo e em Cristo. Se, na verdade, desejamos participar da mesa eucarística, agora e no banquete celeste, somos convidados a participar de seu serviço gratuito e assumir em nossa carne a sua doação radical. ‘Se queres honrar o Corpo de Cristo, não o desprezes quando ele está nu. Não o honres assim, na Igreja, com tecidos de seda, enquanto o deixas fora, sofrendo frio e carente de roupa. Com efeito, o mesmo que disse: ‘Isto é o meu corpo’ e que realizou, ao anunciar, também disse: ‘Viste-me com fome e não me deste comida (...)’. Começa por alimentar os famintos e, com o que te sobra, ornamentarás o altar’ (Catequese de São João Crisóstomo)’” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 24-30). Certa vez uma menina de apenas seis anos, vendo o pai arrumar as alfaias para a Missa, subiu num banquinho e beijou a hóstia sobre a patena. O pai lhe disse: “Sua Bobinha. Por que beija esta hóstia? Jesus nem está aí!...” A menina respondeu: “Eu sei que Jesus ainda não está aí, mas quando chegar, encontrará meu beijo!...” Somos convidados a aprender da sabedoria desta menina, tornando-nos capazes de compreender e adorar Jesus Sacramentado, remetendo tamanho mistério à maturidade de nossa fé, tornando-nos também, capazes de beijar Jesus na pessoa do Outro. Sim, porque cada vez que comungamos Jesus Eucarístico, tornamo-nos seu Sacrário. Gosto de pensar, que acabamos sendo um porta-jóias, que leva em seu interior a mais preciosa jóia que alguém possa receber. Que a Eucaristia nos capacite cada vez mais ao amor com sabor divino! Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço, Padre Gilberto Kasper (Ler Ex 24,3-8; Sl 115(116); Hb 9,11-15 e Mc 14,12-16.22-26)

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