Archive for Julho 2012

CELEBREMOS A SEMANA DA FAMÍLIA

Aproxima-se o Dia dos Pais, que abre, no mês vocacional, a SEMANA DA FAMÍLIA. A Igreja nos conclama a revermos os valores de nossa Família, colocada de bruços nas últimas décadas. Nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto, em sua 13ª Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, escolheu como uma das três prioridades a serem assumidas por todos, a Pastoral Familiar. Precisamos salvar nossa Família, engolida pelo tripé de contra-valores do consumismo, hedonismo e individualismo, devolvendo-lhe a dignidade e atribuindo-lhe a responsabilidade confiada pelo próprio Criador, que a constituiu célula da sociedade. Deus viu que era bom pertencer a uma Família, tanto que quis uma para si. O Povo de Deus, a Igreja de Jesus Cristo identificam-se em torno de um espaço sagrado, o Templo; em torno de uma mesa, a Eucaristia. A Família precisa retomar os valores que a identifiquem como tal e deixar de ser uma simples "pensão melhorada", onde ninguém se compromete com ninguém. À luz da Sagrada Família, somos convidados a promover nossas famílias, principalmente as que passam por problemas e dificuldades. Na Família pensada por Deus para nós, um é Anjo da Guarda do outro, porque Deus se manifesta Pessoa em Família. Na Festa do Dia dos Pais seria bom refletirmos a Vocação à Paternidade, que tem sido desfigurada com a ausência paterna no seio de tantas Famílias. Quantos Pais que não assumem a Paternidade, outros abandonam suas Famílias e outros ainda remetem a responsabilidade paterna às mães abandonadas à própria sorte. Outros, ainda, sentem-se engolidos pela Cultura da Sobrevivência e acabam entregues à sorte de inúmeros tipos de dependências: químicas, alcoólicas, perdendo o que Deus lhes deu de mais precioso: a própria Família. A Festa da Epifania do Senhor, é a primeira de três grandes manifestações que tratam de Deus feito Pessoa. As duas outras manifestações acontecem no Batismo de Jesus por João Batista no Rio Jordão, e na Sua Transfiguração no Monte Tabor diante de alguns discípulos, celebrada no dia 6 de agosto. Na primeira, visitam o Menino recém-nascido os Três Reis Magos: Baltazar, árabe, levando incenso que representa a divindade do Menino; Belchior, indiano, levando ouro, que representa a sua realeza e Gaspar, etíope, levando mirra, mostrando a humanidade de Deus respirando vida naquele indefeso menino junto de seus pais! Somos convidados a ser manifestação de esperança em nosso mundo turbulento, perdido em si mesmo, sem rumo, sem perspectivas, e tantas vezes sem sentido. Uma estrela que conduza as pessoas desesperadas e carentes à Jesus que salva e renova a esperança de que nossas Famílias voltem a reencontrar os verdadeiros alicerces que as sustentem. Seja a Pastoral Familiar um caminho que saiba seguir a estrela de nosso Plano Arquidiocesano de Pastoral! O tema da Semana da Família deste ano é FAMÍLIA: Trabalho e a Festa! “Que nenhuma Família comece em qualquer de repente. Que nenhuma Família termine por falta de amor. Que a mãe seja um céu de aconchego e ternura, e que o homem carregue nos ombros a graça de um pai. Que a Família comece e termine sabendo aonde vai” (cf. Oração da Família do Pe. Zezinho). Somente assim poderemos acolher o mistério, de que Deus se manifesta Pessoa em Família! Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

AGOSTO – MÊS VOCACIONAL

O mês de Agosto, no Brasil, por excelência, é o Mês Vocacional. Todo cristão é vocacionado ao amor! Pelo batismo todos participam do sacerdócio real e profético de Jesus Cristo. Os cristãos são convidados a serem discípulos e missionários do Senhor: são sacerdotes e sacerdotisas enquanto vivem os compromissos batismais, sendo no mundo a Igreja do Ir! Mas o Mês Vocacional se debruça sobre algumas vocações específicas na Igreja. Durante as quatro semanas, retoma e aprofunda, promove e reatualiza quatro grandes vocações, chamadas de específicas! O primeiro domingo é dedicado ao ministério ordenado. Rezamos e promovemos a Vocação ao Sacerdócio Ordenado. Toda a Igreja tem a responsabilidade de rezar pelas Vocações Sacerdotais, a fim de que nunca faltem Padres bons, dedicados e santos a serviço da santificação das Comunidades de Fé. O segundo domingo, dedicado ao Pais, retoma a vocação à paternidade e à maternidade. É, também, o início da Semana da Família, que em nossa Arquidiocese ocupa uma das prioridades do Plano de Pastoral. Os pais são os primeiros responsáveis para que os filhos tenham existência digna e feliz. O terceiro domingo do mês vocacional ocupa-se com a vocação à Vida Consagrada, rezando pelos Religiosos e Religiosas, imensa riqueza na evangelização da Igreja. São homens e mulheres que se consagram totalmente ao serviço do Reino de Deus, abrindo mão de constituir Família própria. Já o quarto domingo de agosto, agradece a vocação dos Catequistas e das Catequistas, bem como dos demais Ministérios Leigos que enriquecem a Igreja de Cristo presente num mundo sedento de Deus e de valores verdadeiros e essenciais à realização da humanidade. Possamos celebrar com esperança o mês vocacional, neste ano, temperado com a preparação para a XIIIª Jornada Mundial da Juventude, prevista para 2013 no Rio de Janeiro, que acolherá nosso amado Papa Bento XVI. Nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto tem ainda outro grande motivo de gratidão: a Ordenação Presbiteral de dois novos Padres, no dia 5 de agosto, às 15 horas, na Igreja Abacial de Santo Antônio de Pádua, nos Campos Elíseos. Serão ordenados “Sacerdotes para sempre” os Diáconos Carlos Eduardo Tibério e Leandro Donizete Ramos, que escolheram como lema: “Mestre, em resposta à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5). Sintam o carinho de nossa acolhida no Presbitério e em nossa Igreja particular mais estes dois irmãos no sacerdócio, chamados à generosa resposta à Vocação Específica! Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

HOMILIA PARA O DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “Interrompendo a sequência do Evangelho de Marcos, a liturgia nos propõe, nos próximos cinco domingos, o capítulo 6 de João: a multiplicação dos pães e o discurso sobre o Pão da Vida. A multiplicação dos pães concentra um simbolismo muito forte, revolucionário, e caracteriza sobremaneira a identidade dos cristãos. Não é apenas uma imagem da Eucaristia, mas revela a intimidade do Reino anunciado e aponta para o banquete messiânico, no final dos tempos, quando todos serão saciados e a morte, vencida. Este é o verdadeiro sentido da missão de Jesus, que sente as necessidades do povo e o alimenta com a Palavra e o pão partilhado. O pão é abençoado porque é um presente e alimento de Deus para todos os viventes. Repartir o pão com os pobres significa entrar e viver na dinâmica do Reino. Repartir o pão é participar na comunhão do corpo e sangue do Senhor, entregues para a vida do mundo. É o segredo maior do Reino, por isso nada pode ser perdido, mas recolhido e sempre multiplicado. [...] Nossa macro-região de Ribeirão Preto tem um dos lixos mais luxuosos do Brasil. Lixo luxuoso é o alimento manufaturado que sobra nos pratos, nas panelas e é jogado fora. Nos alimentamos mal, comemos demais, depois gastamos com Academias e Regimes Alimentares. A Obesidade, segundo o querido Nutrólogo, Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira, é uma questão muito séria, quase que epidêmica em nosso País. Enquanto nos “fartamos”, cerca de um bilhão de pessoas passam fome todos os dias no mundo. Desses, nada menos que 40 milhões são nossos irmãos brasileiros. Não são sempre os mesmos que passam fome. Os que chegam antes aos lixões comem daquilo que jogamos fora. [...] O memorial da páscoa do Senhor implica nessa memória da partilha e na profunda solidariedade com todos os que passam fome e são rejeitados e expatriados. Celebrar a Eucaristia no contexto da multiplicação dos pães é contestar o sistema de acumulação que domina o mundo e coloca milhões na miséria. Jesus saciou pessoas que tinham fome e se revelou o pão da vida eterna, levando em conta a situação concreta e real do dia a dia. O pão, a comida que Ele oferece não é só símbolo do pão sobrenatural. Nos desígnios do Pai, não é possível revelar o pão da vida eterna sem solidarizar-se com as realidades humanas. O amor aos pobres, como o amor aos inimigos, é um teste e um testemunho por excelência da nossa caridade e doação. Reconhecer aos pobres o direito de receber o pão da vida significa engajar-se de corpo e alma nas exigências do amor, e, para o cristão, fazer acontecer uma ‘nova multiplicação dos pães’. Se o povo passa fome não é tanto pela pobreza em si, mas pelo fechamento de quem não se importa com os demais. A partilha marcou profundamente as primeiras comunidades cristãs. Ao partir o pão, descobre-se a presença nova do Ressuscitado! A salvação trazida por Jesus atinge nossa vida em todas as suas necessidades, em sua totalidade, e não deixa ninguém com fome. Por isso, a atuação e responsabilidade com as questões sociais, econômicas e políticas são sinais da salvação que Deus quer realizar, hoje, através de nós. [...] Estando em ano eleitoral, é preciso formar consciência política, a fim de que elejamos homens e mulheres capazes de promover a solidariedade, a dignidade acima de interesses partidários e projetos pessoais, que tantas vezes nos envergonham. Sejam eleitas pessoas realmente comprometidas com o Bem Comum e não as que vendem suas consciências e valores que herdaram desde seus berços, porque seus partidos dominadores oprimem e sufocam a cidadania, disfarçada com meras e mesquinhas esmolas. Como uma cidade do porte de Ribeirão Preto pode suportar tantos bolsões de miséria, onde crianças passam fome e morrem precocemente por falta de sanidades básicas? Sabemos que para muitos convém continuar “favelados”, porque não faltam os que alimentam suas falsas esperanças de que um dia as coisas haverão de melhorar. Nosso povo precisa ser educado como cidadãos de oportunidades e não de migalhas. Migalhas, jogamos às galinhas e não aos nossos pobrezinhos, sem perspectivas de vida mais digna e humana. [...] Ao multiplicar os pães, Jesus nos oferece critérios evangélicos fundamentais para vivermos a fraternidade, a partilha e a solidariedade. É repartindo, sendo solidários, que realizaremos o projeto de Jesus, banquetes de fartura e de alegria entre irmãos que se amam. O dinheiro, a terra, os bens ou servem para criar a fraternidade ou acabam dividindo e matando as pessoas. Jesus ensina que a dinâmica do Reino é a arte de repartir. Somente o dinheiro do mundo não seria suficiente para comprar alimento necessário para os que estão passando fome... O problema não se soluciona comprando, mas repartindo. A dinâmica do mundo capitalista é o dinheiro. A filosofia é que, sem dinheiro, nada se pode fazer. Tudo é convertido em moeda. No mundo capitalista, não há espaço para a gratuidade. Tudo tem seu preço! Esquecemos, contudo, de que a vida nos é dada por pura gratuidade de Deus. [...] O capitalismo selvagem sobrevive à custa dos miseráveis. São os pobres que alimentam tal sistema, que joga “migalhas de bolsas daqui e dali: Bolsa Família, Bolsa Escola, Esmolas nos portões de nossas residências e nas portas de nossos templos”! É mais fácil dar esmola e ver-se livre do pobre, largando-o à própria sorte, do que comprometer-se com uma verdadeira compaixão que o promova em sua verdadeira dignidade! [...] ‘Jesus nos convida ao banquete eucarístico para nutrir nossa fé e fortalecer-nos no amor mútuo. Ele vê as necessidades do povo faminto e, por nossas mãos, quer lhe proporcionar o sustento na caminhada. A eucaristia questiona a falta de alimento em muitas famílias e nos revela que o pão, bênção de Deus, se multiplica à medida que é partilhado. Fruto do trabalho humano e da bênção divina, o pão deve ser partilhado para saciar o povo faminto. A palavra de Deus nos chama a acolher-nos uns aos outros no amor e solidarizar-nos com o necessitado. Partilhar os bens da criação é característica fundamental da Igreja. Trabalhar pela unidade de todos é outra característica importante sua. Este é o modo desejado por Jesus: uma sociedade sem famintos. Na comunhão, Jesus se oferece a todos indistintamente. Ele é o pão que alimenta aqueles que têm fome de seu amor. Por ele, com ele e nele doamos a vida para que todos tenham dignidade’ (cf. Liturgia Diária de Julho de 2012 da Paulus, pp. 85-87). Necessitados de força e de sentido para a vida, participamos da ceia do Senhor, onde se realiza entre nós a multiplicação dos pães. Jesus, o Pão da Vida sacia nossa fome com a Palavra que nos revela o sentido da vida, sacia nossa fome com a ceia eucarística, sacramento da salvação, sinal e antecipação do banquete sem fim a que somos destinados e convocados. Ele nos convida a termos compaixão das multidões famintas. Precisamos abrir as mãos e o coração para a partilha e a solidariedade, a fim de vencermos a fome e a miséria do mundo. A Eucaristia é o pão que sacia e plenifica o sonho de paz e fraternidade. É o alimento para conservar a vida. É o pão que nos dá forças para superar as atribuições que existem e atormentam a vida. É segurança de que Deus nos ama e a certeza da ressurreição. É Deus-conosco e no meio dos pobres neste mundo” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 78-83). Não poucas vezes nosso lugar à mesa començal da Eucaristia fica vazio. Faltamos com muita facilidade do grande banquete eucarístico, trocando-o por prazeres perecíveis e que nos enfraquecem interiormente. Quem não se alimenta fica anêmico. A alma do mundo anda anêmica, porque vazia do alimento que a sustenta viva, esperançosa e dinâmica na erradicação da fome espiritual, física, material e moral. Por outro lado: como podemos sentar à mesa e alimentar-nos sabendo de milhões de irmãos nossos passando necessidades básicas? Seja a Eucaristia um alimento que nos robusteça na esperança de que poderemos mudar este quadro caótico de fome e de falta de dignidade! Saiamos de nossas celebrações, como Sacrários,Tabernáculos e Porta-Jóias de Jesus Eucarístico. Só assim seremos capazes de alimentar as demais “fomes” que machucam milhões de irmãos nossos, colocados à margem e, quem sabe aguardando, pelo menos alguma migalha, que lhes sobre de tudo aquilo que de graça recebemos e nem sempre partilhamos. Sejam sempre muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo, Padre Gilberto Kasper (Ler 2 Rs 4,42-44; Sl 144(145); Ef 4,1-6 e Jo 6,1-15)

A obra-prima da misericórdia de Deus

A Santíssima Virgem Maria nos foi dada como a obra-prima da misericórdia de Deus. Ela é aquela cuja função primordial é fazer com que possamos passar através da porta estreita e real da misericórdia do Pai. Pois Maria é, verdadeiramente, a obra-prima desta misericórdia; ela é, assim podemos qualificá-la, a personificação da misericórdia do Pai. Nosso Senhor é, para nós, a fonte da misericórdia, porém, em suas relações com o Pai, ele está além da misericórdia, porque é Seu Filho único; ora, diante do Filho, o Pai não manifesta uma atitude de misericórdia, mas uma atitude de amor. Maria, por sua vez, é criatura, e pura criatura. A misericórdia a envolve, então, desde o princípio, de forma total e completa; durante toda a vida, Maria sempre recebeu a misericórdia do Pai, em plenitude. Esta misericórdia é destinada a introduzi-la no amor, contudo, trata-se de um amor cuja nuance é especial, pois quando o amor de Deus é comunicado a uma criatura, toma, necessariamente, a forma de um amor de misericórdia. Padre Marie-Dominique Philippe Trois Mystères de Miséricorde (Três Mistérios da Misericórdia) - Ed. Parole et Silence, 2000

HOMILIA PARA O DÉCIMO SEXTO DOMINGO COMUM DO ANO LITÚRGICO DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “Cristo deixou pastores instituídos para continuarem a guiar o seu povo, quer por prados e campinas verdejante, quer por vales tenebrosos. Eles são chaves indispensáveis à vida e à missão da Igreja. A preparação e o cuidado desses pastores se faz cada dia mais exigente e de responsabilidade de todos. Existem tantos pobres e famintos, abandonados e sem carinho. A comunidade eclesial, que celebra o pastoreio de Jesus Cristo, não pode cruzar os braços nem fechar os olhos diante da situação de tantos e tantos sofredores, ovelhas sem pastor. Pastor ou Pastora é quem tem responsabilidade pelo bem de outras pessoas. A atitude de Jesus nos lembra de que esta é a forma de ser de Deus, e também deve caracterizar a comunidade cristã. No seguimento de Jesus, somos ovelhas e pastores, convocados a viver a ‘compaixão/sentir com’ os pobres, a ser ‘pastores amorosos’ responsáveis pela sorte, pela vida, pela paz, pela felicidade dos irmãos e irmãs. Jesus traz a paz a todos sem exceção, porque vem da parte de Deus, e, nele, nós somos filhos de Deus. A divisão entre judeus e pagãos, crentes e não crentes, brancos e negros, homem e mulher ou qualquer outra oposição não pode ser aceita por nós. Não tem lugar na comunidade eclesial. A comunidade é chamada a exercer o pastoreio de Jesus, ajudada e animada pelos pastores convocados e instituídos. O convite de Jesus para ir a um lugar tranquilo e descansar um pouco não é detalhe que destoa no Evangelho. Criemos em nossas comunidades espaços para o descanso, o lazer, a convivência prazerosa. A vida cristã não se reduz a preceitos, pecados, orações, devoções, abstinências, jejuns, esmolas... mas proporciona também experiências fraternas na gratuidade, no aconchego, no convívio alegre e fraterno. Jesus Cristo é a misericórdia de Deus que nos acompanha ao longo da vida e nos conduz à casa do Pai, para aí habitarmos eternamente. Como rebanho, encontramo-nos no regaço de nosso Pastor para refazer as forças e ouvir sua Palavra. A celebração nos afasta da correria da missão e dos afazeres da vida, para permanecermos na intimidade do Senhor, experimentarmos o seu carinho e a sua gratuidade, e prosseguirmos mais animados em nossa caminhada pascal. Somos tocados pelo seu olhar compassivo. Sua presença amorosa se faz sentir na comunidade de irmãos que juntos celebram o sacramento de sua Palavra, que ecoa do meio dos acontecimentos, da homilia, dos cantos e do silêncio. E, num diálogo de aliança e compromisso, respondemos, professando nossa fé e suplicando, desejosos que seu Reino venha logo. Mas é no rito eucarístico que vivemos a plena comunhão da aliança com o Senhor. Agradecidos, oferecemos com Ele nossa vida ao Pai que nos brinda com a ceia, sacramento da entrega de seu Filho na cruz. Na comunhão de sua aliança, deixamo-nos tomar de compaixão pela multidão faminta, sofrida e desesperançada ao nosso redor. Pela força do Espírito, como bons pastores, assumimos doar nossa vida para que o mundo tenha vida e alegria. ‘O coração compassivo de Jesus acolhe a todos os que se aproximam dele e nunca decepciona ninguém [...] Só Deus não decepciona. Nós nos decepcionamos constantemente, por conta de nossos limites. Mas se deixarmos Jesus assumir nossas fraquezas, Ele nos ajudará a melhorarmos em nossa missão. É preciso configurar-nos com Jesus, o Bom Pastor, vivendo como Ele vive em nossas relações pessoais, comunitárias, eclesiais, políticas e sociais. [...] O Senhor é o verdadeiro Pastor que conduz por caminhos retos e cheios de compaixão. As lideranças e toda a comunidade são convidadas a orientar sua prática por Jesus, que faz cessar as divisões e leva todos ao Pai. O profeta Jeremias faz severa crítica aos responsáveis pelo povo que não cumprem seu dever [...] Aqui são contemplados os ministros ordenados e instituídos, os agentes de pastoral e coordenadores de nossos movimentos eclesiais, nossos políticos (conheçamos bem os candidatos para as próximas eleições, principalmente os que pretendem depois de inúmeras vezes reelegerem-se ao Legislativo). [...] A compaixão e a ternura de Jesus, pastor messiânico, diferenciam-se nos dos outros pastores. Deus não exclui nenhum povo, ele quer que todos sejam ‘povo de Deus’. A mesa da eucaristia nos alimenta e restaura nossas forças para sermos bons anunciadores do reino’ (cf. Liturgia Diária da Paulus de Julho de 2012, pp. 69-71). Como bom pastor, Jesus se compadece dos pobres, dos famintos, dos desempregados e abandonados à própria sorte. Solidariza-se com os nossos sofrimentos. Guia-nos, fortalece-nos e defende nossa vida em meio aos reveses e sobressaltos do dia a dia” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 71-77). O convite da Palavra deste Domingo para cada um, mergulhado em sua vocação, missão e responsabilidade, é de uma vez por todas configurar-nos com Jesus Cristo, o Bom Pastor! Isso só será possível se nos despirmos de nossa arrogância, prepotência, ganância, de nosso carreirismo, busca de prestígio e poder: o querer ser sempre melhor que os outros. Também precisaremos esforçar-nos para superar entre nós, pastores e ovelhas, a inveja, a competitividade, o individualismo e a indiferença com nossos semelhantes. Quantas situações conhecemos, em que nos alegramos com os aparentes fracassos de nossos irmãos, até mesmo no ministério? Falamos em fraternidade sacerdotal, porém mal nos cumprimentamos, e quando possível falamos mal de nossos próprios irmãos, escondendo nossos defeitos atrás dos deles. Coisa feia!... É interessante que não confiamos uns nos outros. Antes, corremos uns dos outros, julgamos mal com mais rapidez do que oferecemos nossa ajuda. A falta de fraternidade presbiteral e comunitária; a concorrência entre uma Comunidade e outra, são contratestemunhos que espantam muitos fiéis de nossas Igrejas. Tais situações escandalizam os menos evangelizados e nos garante como prêmio eterno uma pedra de moinho ao pescoço e fundo do mar. Mas nem tudo está perdido. Ainda há tempo de conversão. Eis nossa sorte: Jesus Cristo, o Bom Pastor perdoa sempre. Permite que recomecemos a cada dia novamente. Mas é preciso querer viver a ternura que Jesus vive por cada um que procura esforçar-se para ser configurado com Ele. Oxalá, nossa Igreja passe por uma profunda conversão e seja reconhecida, porque acolhedora viva a verdadeira Teologia Pastoral da Ternura! Sejam todos abundantemente abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço sempre amigo e fiel. Padre Gilberto Kasper (Ler Jr 23,1-6; Sl 22(23); Ef 2,13-18 e Mc 6,30-34)

Totus Tuus!

São Luís Maria Grignion de Monfort propôs uma doutrina mariana muito poderosa, adotada e vivida em fecundidade por muitos cristãos, principalmente pelo Papa João Paulo II, que dela ergueu a sua divisa: "Totus Tuus" (Sou inteiramente vosso, ó Maria). Esta frase resume a fórmula de consagração que se encontra no coração da doutrina de São Luís Maria. Sobre a obra de Monfort, Sua Santidade disse: "É um daqueles livros que não basta ler. Sua leitura representou, para mim, uma volta decisiva no viver. A devoção a Maria, que tomou assim uma forma determinada, continuou viva em mim. Ela tornou-se parte integrante da minha vida interior e do meu conhecimento espiritual de Deus" (Froissard: Não tenhais medo! - pp. 184-188) "Na presença de toda a Corte Celeste, eu vos escolho, hoje, ó Maria, como minha Mãe e Rainha. A vós entrego e consagro, na qualidade de um simples escravo, meu corpo e minha alma, meus bens interiores e exteriores, e até mesmo o valor das minhas boas ações passadas, atuais e futuras, dando-vos inteiro e pleno poder de dispor de mim e de tudo o que me pertence, sem exceção alguma, segundo o vosso desejo e para a maior Glória de Deus, em todos os tempos e para toda a eternidade. Amém." Com este ato de consagração à Mãe de Deus, cujo valor é imenso, São Luís Maria Grignion de Montfort nos convida a imitar Jesus, tomando Maria como Mãe e confiando-nos inteiramente a ela. Segundo São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem

Ó Virgem Imaculada

Ó doce Mãe de Deus, em vós desejo modelar a minha vida. Sois para mim, a aurora luminosa e, com alegria, em vós me abrigo e me aconchego. Ó Mãe, Virgem Imaculada, vós refletis o esplendor de Deus; sois vós a me ensinar como amar ao Senhor por meio das dificuldades. Contra o inimigo, sois meu escudo e proteção. Eu vos suplico, ó minha Mãe, Mãezinha dos Céus, a caridade de acender em mim o fogo, o ardor do Amor divino assim como Ele abrasou o vosso Coração Imaculado, no momento em que o Verbo se fez Carne... Ò Virgem, toda pureza e toda humildade, ajudai-me a obter profunda humildade. Amém. Santa Faustina

Homilia para o Décimo Quinto Domingo Comum do Ano Litúrgico de 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “A Palavra de Deus do Décimo Quinto Domingo Comum do Ano Litúrgico de 2012 indica que o seguimento acontece no cotidiano: no trabalho comunitário, realizado em mutirão, no desprendimento e na disponibilidade. O anúncio alegre da Boa Nova deve envolver toda a pessoa, não como simples funcionário, mas como profeta, em meio a tantos conflitos e situações de injustiça e exploração do povo simples. Fomos chamados para uma missão que não escolhemos, mas fomos escolhidos antes da criação do mundo para sermos enviados como servidores do povo. Escolha é graça e, por outro lado, traz exigências, como a recusa de privilégio social e econômico; um desprendimento pessoal. A vivência religiosa tem consequência social, política e econômica. Esta foi a postura de Jesus. O Evangelho que propõe leva-nos a fazer política. Não uma política segundo os interesses do ‘rei’ ou dos poderosos, mas conforme o espírito do Evangelho, segundo o interesse do amor, da fraternidade, da justiça e da opção pelos pobres. Fomos marcados por Cristo e com o Espírito Santo, para uma ação transformadora. O compromisso é fazer com que a situação de injustiça se converte numa sociedade de irmãos. Jesus sempre chamou à conversão que implica na modificação integral de nossa maneira de viver e agir. No Evangelho de Marcos, como caminho de iniciação cristã, descobrimos, passo a passo, quem é Jesus e como ser seu amigo, parceiro e discípulo. Como apóstolos, somos convocados, batizados e iluminados, para sermos enviados. O convite de Deus sempre implica num envio. Somos cristãos não para enfeitar a Igreja, nem para granjear honrarias, mas para a missão e o compromisso. O desafio é desempenhar a missão no modo de Jesus e na pedagogia dele, que veio curar e consolar. Destruir tudo o que oprime, escraviza, rebaixa e exclui as pessoas. Abrir-se para todas as possibilidades de vida feliz e abundante para todos. O Senhor nos fortalece e nos ajuda a recuperar a alegria e o entusiasmo de nossa consagração a serviço do Reino. Nos desígnios do Pai, fomos feitos seus e herdeiros desse Reino. Os filhos e herdeiros têm o direito e a responsabilidade de serem os continuares e amigos do projeto divino (cf. Roteiros Homiléticos n. 22 da CNBB, pp. 64-70). “A exemplo dos primeiros apóstolos, somos chamados a estar com Jesus. A convivência com ele renova nossa alegria e nos fortalece na missão de pregar a conversão e combater todas as formas de mal presentes no mundo. As leituras deste domingo nos mostram obstáculos que a mensagem de salvação pode encontrar. Mas também nos fazem ver que nada deve impedir a Igreja de louvar a Deus e obedecer ao mandato de Jesus. Ninguém se faz profeta; Deus é que chama a pessoa para ser profeta e missionário e a prepara para isso. Deus nos chamou para a santidade e a unidade com Cristo. Jesus chama e envia seus discípulos, dando-lhes instruções para a missão” (cf. Liturgia Diária de Julho de 2012 da Paulus, pp. 53-55). Podemos repetir neste domingo que a Igreja de Jesus é essencialmente missionária, discípula e ministerial! A Comunidade toda é chamada a ser uma verdadeira Igreja do Ir ao Encontro das pessoas todas, especialmente das mais simples, pobres e marginalizadas. Corremos, frequentemente, o risco de acolher as pessoas que nos convém. Não raras vezes somos demasiado exigentes com nossos Agentes de Pastoral e aquelas pessoas que frequentam nossas celebrações e nos ajudam em nossas atividades pastorais. Repreendemos quem veio, quando deveríamos deixar o “rebanho reunido”, indo ao encontro e à procura de quem não veio, a exemplo do Bom Pastor, que resgata a ovelha perdida. Ao lado disso, preocupa-nos o acentuado triunfalismo, o espetaculoso e o abuso do “poder da estola” sobre nossos fiéis. Precisamos superar a acepção e a discriminação das pessoas que buscam, nos ministros ordenados e nos agentes de pastoral, maior coerência entre o que pregam e vivem. Não podemos deixar de nos perguntar sempre: O que Jesus diria? Como Jesus agiria? Qual seria a atitude de Jesus? Só assim, em nossa missão de verdadeiros discípulos, em nossas Comunidades de Fé: “A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus”. Só assim todos que virem nosso ministério bem vivido e alimentado pela humildade, reconhecerão que somos de Jesus! Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel, Padre Gilberto Kasper (Ler Am 7,12-15; Sl 84(85); Ef 1,3-14 e Mc 6,7-13)

A assunção de Maria Santíssima para a Eternidade

Ao longo da história, os teólogos se dividiram na opinião se a Virgem Maria morreu de fato ou se apenas adormeceu e foi levada ao céu em corpo e alma, pelos anjos. A basílica em sua honra em Jerusalém chama-se exatamente “Dormitio Mariæ” e um dos documentos mais antigos sobre os últimos dias de Maria também leva esse título. O dogma da Assunção de Maria, proclamado em 1950, não dirimiu a questão, afirmando que “a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”. O corpo de Maria, elevado ao céu, podia já ser um corpo glorificado, como o de Jesus após a ressurreição. Tanto os que falam em morte natural de Maria quanto os que falam em sono profundo da Mãe de Deus têm seus bons argumentos. Estes últimos argumentam com sua conceição imaculada. Se a morte é consequência do pecado, Maria Santíssima, sem pecado e sem sombra de pecado, não podia morrer. Lembram também que a imortalidade é uma característica da Igreja. Ora, sendo Maria Santíssima o protótipo da Igreja, bem podia Deus realizar nela o que fará com a Igreja no final dos tempos, ou seja, ressuscitar os que morreram e “arrebatar com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares os que ainda estão vivos” (1Ts 4,16-17). Os que afirmam sua morte natural lembram que também Jesus era imaculado e santíssimo e passou pela morte, destino de todos os filhos de Adão, porta e parto necessários para a imortalidade. Maria Santíssima é o modelo de todos os resgatados por Cristo através de sua morte e ressurreição. Também Maria Santíssima, que se uniu a Ele no Calvário, ter-se-á configurado a ele na morte e na ressurreição. Assim como ela, sem pecado, passou por dores, angústias, desconfortos, perseguição, também terá passado pela prova maior: a morte corporal. Sem que com isso se afirme que seu corpo sofreu a decomposição. As duas tradições são antiquíssimas. Entretanto prevalece a tese de que Maria Santíssima passou pela morte à imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas é ainda e continuará a ser uma questão em aberto. Na dispersão dos Apóstolos, Nossa Senhora permaneceu aos cuidados de São João, como recomendara Jesus na Cruz (Jo 19,16-27). O Apóstolo São João dirigiu-se para Éfeso, hoje sudoeste da Turquia, uns 600 km ao sul de Istambul. Maria Santíssima terminou seus dias terrenos em Éfeso. Esta tradição se confirmou com as visões da alemã Ana Catharina Emmerich (1774-1824) que, em sonho ou numa revelação, “viu” no alto da montanha popularmente denominada “Colina do Rouxinol”, distante 7 km da antiga cidade portuária de Éfeso, a capela Meryem Ana Evi (Casa da Mãe de Deus), que seria a casa em que Maria Santíssima terminou seus dias. Catharina Emmerich viajou para lá, encontrou tudo como “vira” em sonho e começou a restaurar a antiga capela-casa de Maria, que até hoje os peregrinos podem visitar. Mães turcas, católicas e até mesmo muçulmanas visitam continuamente aquele santuário, para terem um bom parto e sorte na educação dos filhos. Entretanto outra tradição diz que Maria Santíssima terminou sua jornada terrena em Jerusalém, no Monte Sion, e foi sepultada no lugar onde se encontra hoje a Basílica da “Dormição de Nossa Senhora”, na região do Vale do Cedron. Foram encontradas grafites, escritas pelos primeiros cristãos, que iam honrar o local do túmulo de Maria Imaculada. Foram encontradas também algumas sepulturas judeu-cristãs, que ladeiam a câmara mais interna. Ademais os católicos sempre foram lá venerar o túmulo da Santa Mãe de Deus. Há relatórios de peregrinos (como o do famoso Etérea), que por lá passaram e registraram suas impressões sobre a visita e a liturgia celebrada no local. A Santíssima Virgem teria voltado de Éfeso para Jerusalém, onde moravam seus parentes, quando o Apóstolo São João retornou para participar do primeiro Concílio Ecumênico da Igreja (At 15,6-29). Na década de 1960, quase ao mesmo tempo em que o franciscano Frei Bellarmino Bagatti fazia as escavações científicas junto ao túmulo de Maria, foi descoberto, na biblioteca do Louvre, em Paris, um documento, em grego, que possibilitou chegar a outros documentos, sobretudo a três, muito próximos entre si tanto na informação quanto no estilo. São eles: De Transitu Mariæ (em língua etíope), Dormitio Mariæ (em grego) e Transitus Mariæ (em latim). Estes textos devem ser datados do final do segundo século até começos do século quarto. Os três textos concordam em que Maria Santíssima tenha terminado seus dias em Jerusalém. Há uma tradição, dos primeiros tempos da Igreja, que conta que, chegado o momento do trânsito de Nossa Senhora, Nosso Senhor Jesus Cristo veio buscá-la, acompanhado dos Arcanjos São Miguel e São Gabriel. São Miguel foi o vencedor de Lúcifer, no Céu, e o vencedor do dragão de sete cabeças, que quis devorar o filho da mulher revestida de sol (Ap 12,3-5). No passamento de Maria Santíssima, hora de triunfo e de vitória, o grande São Miguel, o protetor da Igreja contra Satanás, retorna para acompanhar, na entrada da glória, Aquela que é a primícia da humanidade redimida e santificada. Retorna também, com Cristo glorioso, o Arcanjo São Gabriel, o embaixador de Deus na Anunciação (Lc 1,26). O Arcanjo, presente no início da salvação trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo, retorna no momento em que Maria Santíssima entra gloriosa no seio da Trindade para ser, no tempo e na eternidade, a Mãe da Igreja, a terníssima Rainha do Céu e da Terra. Maria Santíssima esteve unida a Nosso Senhor Jesus Cristo a vida inteira: unida no corpo, fazendo uma só com ele; unida na missão redentora a ponto de ser chamada co-redentora; unida na morte e unida por toda a eternidade na glória. Passando pela morte, Nossa Senhora tornou-se para a humanidade a “feliz porta do céu, para sempre aberta”. Por Frei Clarêncio Neotti, O.F.M (Excertos) Fonte:Associação Devotos de Fátima

Homilia Para o Décimo Quarto Domingo Comum do Tempo Litúrgico de 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “A Palavra de Deus do Décimo Quarto Domingo Comum do Tempo Litúrgico de 2012 toca na vocação, no chamado recebido pelos profetas, pelos apóstolos, pelos discípulos e por todos os que se reúnem, para serem enviados na força do Espírito Santo. Jesus foi rejeitado porque se apresentou como um trabalhador que cresceu em Nazaré ao lado de parentes, amigos e conhecidos. Seus conterrâneos não descobriram nele nada de extraordinário que o identificasse com o Messias de Deus. Mas o extraordinário está justamente aí: no fato de não ter nada que possa diferir da condição humana comum. O Filho de Deus se fez como qualquer um de nós. Muitos afirmam que não creem porque não veem. Os conterrâneos de Jesus não creem justamente porque veem Jesus trabalhador, o filho de Maria, um homem do povo, que não frequentou nenhuma escola superior, um homem que vem de Nazaré, lugarejo insignificante. O escândalo da encarnação continua sendo um espinho atravessado na garganta de muitos cristãos de boa vontade. Isto faz pensar no desafio que é a encarnação do Evangelho na realidade do povo. A Palavra de Deus nos faz um apelo: não depositar nossa confiança nos grandes. Também não precisamos ter medo de nossa pequenez e fraqueza. Na trajetória de Jesus, o maior fracasso se transforma em vitória e ressurreição. Junto a Ele, há lugar para os fracos. Em Cristo, somos fortes. Jesus fica admirado com a falta de fé das pessoas de sua terra, as quais não acreditam que Deus possa falar através de pessoas simples. A Palavra de Deus se reveste de roupagem humana e vem a nós com o auxílio da história e de pessoas frágeis, enviadas por Ele. A fraqueza humana dos enviados por Deus cria um espaço de liberdade; quem ouve pode decidir a favor ou contra. Às vezes, gostaríamos que Deus se revelasse mediante atos maravilhosos e, assim, evitaríamos o trabalho de discernir quando e por meio de quem Deus se revela. Jesus se fez servo e, por isso, entra em choque com os que preferem o privilégio e o poder. A encarnação continua nos questionando e nos empurrando para a missão junto aos marginalizados e enfraquecidos. Neste ano de eleições municipais, é preciso saber distinguir os poderosos que se revestem de aparente humildade para manipular enganar o povo, em proveito próprio. É muito comum, também entre nós, considerar o poderoso como único capaz de realizar algo pelo povo. O Documento de Puebla nos fala do ‘potencial evangelizador dos pobres’. O que podem nos dizer os pobres, os deficientes de nosso país? Aceitamos a revelação de Deus vinda na fraqueza de nossos irmãos e irmãs, na simplicidade do dia a dia? A Palavra de Deus nos convida a renovar nossa adesão a Jesus, consagrando-nos mais generosamente à causa do Reino. Essa nossa profissão de fé nos leva a confirmar que seguimos aquele que foi rejeitado por ser trabalhador, filho de Maria, uma pessoa comum de seu tempo, vindo de uma aldeia e, por isso, motivo de desprezo e rejeição. Acima de qualquer expectativa humana, o Senhor manifesta sua grandeza na singeleza do pão e do vinho, frutos da terra e do nosso trabalho. Na simplicidade da partilha. Ele nos confirma no seu caminho. É em nossa fraqueza que Deus continua manifestando sua força” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB, n. 22, pp. 58-63). Todo ser humano é chamado à Vocação ao Amor! Ela é a primeira vocação e o fundamento de todas as demais, as chamadas Vocações Específicas! O cristão, tendo consciência de sua vocação ao amor, só consegue viver sua Vocação Específica, na medida em se configura com Jesus Cristo: na sua humildade, no seu espírito de serviço, na sua simplicidade e no seu total desapego de prestígio, poder, ganância, acúmulo de bens e diplomas. Não poucas vezes nossa vontade de queremos ser melhor do que os outros, bem como a acepção e discriminação de pessoas de nossas relações, desfiguram nossa missão de discípulos verdadeiros. Somos convidados a superar a inveja, a busca de prestígio, o “querer aparecer-se diante dos outros”, o “tentar esconder nossos defeitos atrás dos defeitos dos outros”, assumindo com simplicidade nossa história e nossa vida do jeito como ela é. As falsas aparências, aquelas que enganam os outros, são abomináveis ao Reino de Deus que deve ser sempre anunciado com nossa própria vida, mesmo que nem sempre compreendidos, aceitos, reconhecidos por uma sociedade que pensa sustentar sua sobrevivência sobre a hipocrisia. Quantas pessoas conhecemos que tentam comprar o prestígio, pagam preços altos, muitas vezes pisando sobre os mais fracos, para subirem na vida, aparentemente, porque se consideram superiores. Como é feio achar que os outros são feios e nós os bonitinhos! A fome de querer ser melhor nos consome e nos apodrece, enquanto a fome de ser humilde, simples e desapegado de qualquer prepotência, é saciada pelo próprio Cristo, que se dá em alimento vital, a fim de tornar-se o refúgio dos justos! Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo, Padre Gilberto Kasper (Ler Ez 2,2-5; Sl 122(123); 2Cor 12,7-10 e Mc 6,1-6)

Segunda viagem do Papa João Paulo II à Polônia, em 19 de junho 1983

Mãe! Fala com o teu Filho! Conta para Ele como os nossos dias são difíceis! Em 1983, João Paulo II retorna à Polônia, quatro anos após a sua primeira viagem, no momento em que seu país estava em estado de sítio e que os chefes de Solidarnosc estavam na prisão em circunstâncias particularmente dramáticas. Ele, então, torna a implorar à Virgem Santa, em Jasna Gora, naquele 19 de junho de 1983: Mãe! Fala com o teu Filho! Conta para Ele como os nossos dias são difíceis!" "Neste momento tão difícil de nossa história, ó Mãe, eu te confio todos os poloneses porque, de cada um deles depende a perseverança no caminho para a renovação da justiça e da paz. Mãe de nossos corações! Faze com que dessas palavras jorre e se espalhe, por toda a parte, a força do perdão, pois sem o perdão, não poderemos escapar dos grilhões do ódio. O ódio é uma força destruidora e nós não podemos nem destruir nem deixar que ela nos destrua. O perdão é forte em poder e em amor. O perdão não significa fraqueza. Perdoar significa não renunciar à verdade e à justiça por meio das vias do Evangelho. João Paulo II encerra a sua homilia com uma profecia plena de esperança: 'A vitória, quando chegar, chegará por Maria'." João Paulo II Homilia em Jasna Gora, no dia 19 de junho de 1983

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