Archive for 2013

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


QUARTO DOMINGO DO ADVENTO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Céus, deixai cair o orvalho;
Nuvens, chovei o justo;
Abrase a terra e brote o Salvador!” (Is 45,8).

“No Quarto Domingo do Advento, o último, chegando ao ponto alto de nossa espera, despontam para nós os lampejos de um novo amanhecer, anunciando a chegada do Sol da justiça, o Emanuel, o Deus conosco. Ele é a manifestação do segredo escondido em Deus, há séculos: a salvação, a vida plena e feliz para toda a humanidade.
A Palavra de Deus deste domingo nos remete ao vivo e evidente sinal do maravilhoso encontro do divino e do humano em Jesus de Nazaré.
O acendimento das quatro velas que confirma a chegada plena da luz no seio de Maria, grávida pelo Espírito Santo e na fiel obediência de José, o homem justo. Ambos, modelos do Advento, vivem ardente espera do Salvador em meio à obscuridade da fé e às ambigüidades e provas da frágil condição humana.
Mesmo na alucinação das compras natalinas, aturdidos pelos anúncios de um Natal esvaziado pelo consumismo e devotados ao ídolo mercantilista e tirano do dinheiro (como vem afirmando nosso amado Papa Francisco), a humanidade e todo o universo clamam esperançosos pelo Reino e se enternecem diante da simplicidade, da gratuidade, de relações verdadeiras, do serviço desinteressado do pequeno resto, da geração dos que buscam a Deus. Sinalizam a chegada do ‘Emanuel’ e da força de seu Espírito, gerando, com autenticidade e sem muito barulho, um mundo novo.
‘Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel’. Este domingo é de fato, uma festa de Maria. A oração do dia de hoje tornou-se a conclusão da oração do ‘Angelus’.
Deus tem um plano de bondade para a humanidade, toma a iniciativa e o cumpre de forma desconcertante. Envia seu próprio filho; repara na humildade e na fidelidade de uma jovem que aceita em si mesma a obra de Deus, que quer vir ser Deus conosco. José fica perplexo, mas se abre para compreender a ação de Deus. Deus vem habitar conosco; armou sua tenda entre nós.
Deus age, mas com a colaboração de pessoas que assumem com simplicidade e, às vezes, com dificuldade sua responsabilidade, como aconteceu com José e Maria. Deus quer salvar a humanidade, através de nós, pessoas humanas. Uma gravidez é sempre uma ocasião para pais e familiares se colocarem dentro de um mistério. A pessoa que está sendo tecida no ventre materno não é apenas obra humana, mas revela a presença do Criador.
A saudação – “Não temas!” – dita pelo mensageiro a José, no texto de Mateus, e a Maria, em Lucas, é dita hoje a nós, para nos animar na missão de colaborar com o projeto de Deus e para que ‘venham a nós’ a paz e a justiça tão sonhadas.
Neste tempo de Advento, somos convidados a viver em profunda contemplação e admiração, fé e confiança. É tempo de gestação de novas relações no silêncio do cotidiano da vida. Como José, somos encarregados de proteger as sementes de vida semeadas no ventre fecundo de nossas comunidades, nas organizações populares, entre os jovens, idosos e pequenos.
Como comunidade eclesial, recebemos a Palavra, o Verbo encarnado da Vida que nos engravida pela ação amorosa do Espírito para continuarmos a ser sinais e instrumentos da salvação e da esperança no mundo em que vivemos. Jesus é o Deus-conosco e conosco permanecerá (cf. Mt 28,20), até que a salvação se realize plenamente” (cf. Roteiros Homiléticos do Advento de 2013 da CNBB, pp. 33-38).
Gosto de atualizar o evento narrado pelo Evangelho deste domingo. Em nossos dias, quando a filha da vizinha aparece grávida, fica “mal falada”. Mesmo com o hedonismo “em alta”, os que se sentem “certinhos” julgam e condenam a gravidez fora do casamento, principalmente quando ocorre com meninas jovens (menores de idade) ou por conta de alguma traição. Se é assim entre nós hoje, imaginemos a angústia e o dilema de José, de Maria, suas famílias e parentes... O que terá dito a sociedade de Nazaré? Foi preciso muita confiança, fé madura e gratuidade para acolher o que Deus pedia àquele jovem casal. Não poucas vezes colocamos em dúvida a presença amorosa de Deus em nossas circunstâncias. Nem poucas vezes questionamos ou culpamos Deus por dissabores e eventos incompreensíveis à nossa razão, e que só podem ser acolhidos pela ternura de nosso coração! Talvez este domingo nos sugira um pouco mais de silêncio, a fim de podermos ouvir o que Deus tem a nos pedir, a fim de participarmos do profundo mistério da salvação.
Sejam todos abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 7,10-14; Sl 23(24); Rm 1,1-7 e Mt 1,18-24).

O ENCONTRO DO DIVINO E DO HUMANO, JESUS!

          O ENCONTRO DO DIVINO E DO HUMANO, JESUS!

Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

No quarto (último) Domingo do Advento, chegando ao ponto alto de nossa espera, despontam para nós os lampejos de um novo amanhecer, anunciando a chegada do Sol da justiça, o Emanuel, o Deus conosco. Ele é a manifestação do segredo escondido em Deus, há séculos: a salvação, a vida plena e feliz para toda a humanidade.
A antífona de entrada de nossas celebrações do próximo domingo, o quarto e último do Advento, inspirada no Salmo 45,8, evoca a descida do orvalho celeste que faz brotar da terra, a salvação. É um vivo sinal do maravilhoso encontro do divino e do humano em Jesus de Nazaré que a liturgia do quarto domingo do Advento evidencia.
O acendimento das quatro velas da coroa do Advento nos confirma a chegada plena da luz no seio bendito de Maria, grávida pelo Espírito Santo e na fiel obediência de José, o homem justo. Ambos, modelos do Advento, vivem ardente espera do Salvador em meio à obscuridade da fé e às ambigüidades e provas da frágil condição humana.
Mesmo na alucinação das compras natalinas, aturdidos pelos anúncios de um Natal esvaziado pelo consumismo e devotados ao ídolo mercantilista e tirano do dinheiro, a humanidade e todo o universo clamam esperançosos pelo Reino e se enternecem diante da simplicidade, da gratuidade, de relações verdadeiras, do serviço desinteressado do pequeno resto, da geração dos que buscam a Deus. Sinalizam a chegada do “Emanuel” e da força de seu Espírito, gerando, com autenticidade e sem muito barulho, um mundo novo (cf. Roteiros Homiléticos do Advento da CNBB 2013/14, pp. 33-34).
Queremos, na grandiosidade do encontro do divino com o humano, Jesus de Nazaré, celebrar seu Natal com grande humildade de coração. Nossa riqueza consistirá na presença de cada um em nossas celebrações natalinas na Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres, na Avenida Saudade, 202 nos Campos Elíseos, em Ribeirão Preto. Celebraremos a Missa do Galo, dia 24 de Dezembro de 2013 às 19h30 e a Missa Solene do Natal do Senhor, dia 25 de Dezembro, às 9 horas. Sintam-se todos convidados para, juntos, celebramos o mais rico Natal, decantado em nossa humildade e no protagonismo da Paz!


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Alegrai-vos sempre no Senhor.
De novo eu vos digo: alegrai-vos!
O Senhor está perto” (Fl 4,4s).

          “O Senhor não demora! Alegrai-vos! Deus quer renovar conosco sua aliança e nos promete novo vigor. Quer transformar nosso sofrimento e nosso choro em prazer e alegria, fazendo-nos já apreciar um ‘aperitivo’ da realidade nova que desejamos para nós e para o mundo. Por isso, ele mesmo vem para nos erguer de todo tipo de acomodação e desânimo, vem fortalecer as mãos enfraquecidas e os joelhos cansados, vem animar nossa esperança. Daí vem nossa alegria!
          Apesar da pobreza, corrupção, exclusão de tantos, das guerras, o tempo do Advento desperta nossa esperança e nos chama a viver na alegria e na perseverança cotidiana. Qual é nossa esperança?
          João Batista, mesmo preso e prestes a ser martirizado, envia dois discípulos para ouvirem de Jesus os motivos para manter viva a sua esperança: ‘Você é o Messias?’ A resposta são testemunhos da pessoa, das obras, do jeito de ser de Jesus com relação ao povo mais espezinhado e abandonado. Tudo o que ele é e faz consiste em dar a vida. Ele é o Messias que está entre nós. A esperança se cumpriu. O Reino de Deus por ele trazido se destina preferencialmente aos pobres e, através deles, a toda a pessoa. Os gestos de amor ao próximo alimentam a esperança da chegada final do Senhor. [...] João Batista se alegra profundamente por saber que seu anúncio está cumprido; sua profecia se torna realidade; seu martírio não será em vão, porque não foi conivente com a hipocrisia de seu tempo e não temeu ser invejado por Herodes que gostava de ouvi-lo, não obstante João não lhe convinha, pois apontava seus erros. Quantas vezes instauramos em nosso ministério e missão profética a Pastoral da Amizade, correndo o risco de sermos coniventes e abençoarmos as injustiças sociais, simplesmente para garantirmos nosso prestígio e uma falsa segurança de comodidade de vida, e nem por último nossa ostentação material. Não tenhamos medo de perder a cabeça, ou seja, honras, facilitações daqui e dali. Tenhamos a coragem de anunciar o Messias entre nós, mesmo que isso desagrade a quem não vive de acordo com o projeto de seu Reino, que é Justiça [...].
          O amor, a entrega da vida podem ser vistos, apalpados, testemunhados, porque são concretos: fazer ver, andar, ouvir, curar as mãos e joelhos enfermos. Jesus fez as obras do amor sem limite e nos deu a missão de continuar fazendo o mesmo. Hoje nossos gestos de solidariedade diante da fome e da pobreza devem comunicar que o Reino está em nosso meio.
          A esperança nos dá alegria confiante. A esperança fundamenta nossa firmeza permanente e a certeza de que Deus vencerá o mal, que ainda persiste na humanidade. A esperança se manifesta na celebração, expressão comunitária de nossa alegria e confiança.
          A celebração eucarística, em torno das duas mesas da Palavra e do Pão constitui momento privilegiado em que experimentamos a verdadeira alegria, uma feliz antecipação do Reino que esperamos.
          Aclamamos esperançosos o Senhor, paciente, tolerante e misericordioso para conosco. Ele nos acolhe à sua mesa apesar de nossas inúmeras fraquezas e desvios e nos convida continuamente a caminhar com ele para a páscoa, participando com fé autêntica em sua entrega total, em sua oblação pascal.
          A vinda de seu Reino se dá lentamente, o que exige paciência, determinação e nos traz também cansaço. Ao participarmos da mesa do corpo e sangue do Senhor, recebemos, já na antífona de comunhão, a missão de dizer aos que estão desanimados: ‘Coragem, não temais; eis que chega o nosso Deus, Ele mesmo vai salvar-nos’.
          Nunca nos faltará coragem e alegre esperança de atingir a meta final. Sua Palavra nos indica o caminho, como cantamos neste Domingo da Alegria no salmo: fazer justiça aos pobres e oprimidos; erradicar a fome; dar lucidez à consciência dos fracos; colocar de pé os que, pela humilhação e alienação, estão encurvados; proteger e sustentar os pequenos e marginalizados, dando-lhes dignidade; cuidar amorosamente da natureza.
          Isto deve constituir a verdadeira alegria que, brotando da celebração deste Terceiro Domingo do Advento, nos mantém mensageiros da boa nova, preparando os caminhos do Reino, como seguidores daquele que vai à nossa frente” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo do Advento de 2013 da CNBB, pp. 27-32).
          A proposta da Palavra de Deus deste domingo vem de encontro com o lançamento da primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco, no dia 26 de novembro passado: Evangelii Gaudium = A Alegria do Evangelho, que propõe uma ampla reforma na Igreja e até mesmo do Papado. A exortação fala sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. O Papa Francisco propõe “algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo”. O Pontífice toma como base a doutrina da Constituição Dogmática Lumen Gentium, e aborda, entre outros pontos, a transformação da Igreja missionária, as tentações dos agentes de pastorais, a preparação da homilia, a “guerra e inveja” entre os padres, o carreirismo clerical, a inclusão social dos pobres e as motivações espirituais para o compromisso missionário. Saibamos beber seja da Palavra seja da Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, para celebrarmos a verdadeira Alegria neste Gaudete!
          É, também, neste domingo que realizamos a Coleta da Campanha para a Evangelização, que neste ano nos apresenta o tema: “Eu vos anuncio uma grande alegria” (Lc 2,10). Combinamos guardar, ao longo do Advento, pelo menos, 1% de tudo que fôssemos gastar em enfeites, presentes e guloseimas para o Natal. Sejamos, portanto honestos, oferecendo nesta coleta algo a partilha de nossa pobreza, com profunda consciência de que ajudaremos a quem tem menos do que nós, sobretudo na Evangelização de nosso Brasil!
          Sejamos todos muito abençoados e nossa generosidade recompensada pelo Senhor que vem para nos transformar. Com ternura e gratidão, o abraço,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 35,1-6.10; Sl 145(146); Tg 5,7-10 e Mt 11,2-11).

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

   PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Bendito sejais, Deus da Esperança,
pela luz de Cristo, sol de nossa vida,
a quem esperamos com toda a ternura do coração”
(Antífona para o acendimento da 1ª vela da Coroa do Advento).
          “Iniciando o ano litúrgico, as leituras já nos apontam para o final: a vinda do Filho do Homem e nos dão uma luz orientadora para nossa caminhada até sua chegada. O salmo nos ajuda a compreender quem é o Senhor que nos mantém na caminhada: ‘Que Ele não deixe teu pé vacilar, que teu vigia não cochile! Não! Ele não cochila nem dorme, o vigia de Israel.’ Nesta confiança, vamos permanecer vigilantes à espera do Senhor que vem, a cada dia, ao nosso encontro e de toda a comunidade. ‘Acorramos com nossas boas obras ao encontro de Cristo que vem’, conforme rezamos neste domingo na oração do dia.
          A visão de Isaías nos enche de esperança de vermos a humanidade toda vivendo sob a orientação do Senhor, andando em seus caminhos e Ele mesmo nos ensinando seu projeto. A sua Palavra julgará as nações e os povos, e todos, ouvindo sua voz transformarão suas armas de guerra em instrumentos de trabalho. Não mais haverá combates uns contra os outros. Toda a humanidade sairá das trevas do ódio, da injustiça, da competição e será guiada pela luz do Senhor. Para que esse final chegue, é urgente começar agora.
          Nosso pedido ardente neste tempo é: Vem, Senhor Jesus! Ele já veio, vem e virá mostrar que é possível viver o projeto definitivo do Pai. Projeto comunitário, sociedade igualitária, de irmãos que vivem na justiça e na fraternidade. A nós cabe mudar a história da humanidade no momento atual para que ‘venha a nós’ o Reino de Deus. É com a globalização da solidariedade, do cooperativismo, da co-responsabilidade, conforme a convocação feita pelo Papa Francisco em Lampedusa, que poderemos ‘estar preparados para a hora que vem o Filho do Homem’:
          ‘A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!’
          Que o Senhor nos encontre atentos, abertos e solidários ao sofrimento dos irmãos!
          Hoje existem catástrofes provocadas por uns poucos que se sentem donos do mundo e do restante da humanidade. É preciso acordar para a questão ecológica, para o direito das águas, das plantas e dos animais. Mais ainda, acordar para os direitos dos pobres, das crianças, das mulheres, dos indígenas, dos sem água, sem terra e sem teto.
          Como peregrinos em travessia, seres inacabados em processo permanente de crescimento e maturação e, vivendo num mundo ainda não totalmente redimido, marcado por tantas discórdias, exclusões, guerras e desrespeito à vida, recebemos do Senhor, neste domingo, o dom do seu Espírito. Ele nos mantém vigilantes, firmes, confiantes, insistentes, despojando-nos das atitudes e ações das trevas para vestirmos as armas da luz.
          É necessário continuar suplicando e nos comprometendo incansavelmente com a vinda do Reino de amor, de justiça, de inclusão, de igualdade, de solidariedade e de paz em nosso tempo” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo do Advento de 2013 da CNBB, pp. 14-21).
          A Palavra de Deus do Primeiro Domingo do Advento que deverá enriquecer nossa semana nos sugere duas atitudes: Vigilância e Confiança em Deus, que será capaz de humanizar nossas relações, tornando-nos sinal de Esperança a todos os desesperançados!
          Iniciamos, certamente, os preparativos para o Natal. Músicas natalinas e luzes piscando nas Lojas, nas Praças e nas fachadas das casas, nos fazem balbuciar inconscientemente os aromas do Natal. Há uma corrida desenfreada para as compras de presentes. A figura do Papai Noel, bem maior do que a pequenina Imagem do Menino Jesus na manjedoura rouba a cena por todos os lugares, mesmo que o aniversariante seja o Menino indefeso e minúsculo reclinado entre as palhas e o feno da estrebaria de animais. Pensemos, então, na Campanha da Evangelização que a Igreja no Brasil propõe para este tempo, e que neste ano tem como lema: “Eu vos anuncio uma grande alegria” (Lc 2,10). A coleta da partilha de nossa pobreza será no Terceiro Domingo do Advento. Não levemos restos, sobras e migalhas para essa coleta. A cada presente, decoração, guloseimas que formos comprando com o 13º salário e com demais gastos, seria justo separarmos pelo menos 1% para a Coleta, que garante o êxito da Evangelização em nosso Brasil, tão pobre e carente de recursos, para anunciar essa grande alegria de Lucas: Que Jesus nasceu para nós, mesmo que nem sempre o reconheçamos entre nós ou não tenhamos preparado para Ele a manjedoura de nosso coração.
          Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 2,1-5; Sl 121(122); Rm 13,11-14 e Mt 24,37-44).

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo
Encerramento do Ano da Fé!

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele glória e poder através dos séculos" (Ap 5,12; 1,6).
"Na festa de Cristo Rei do Universo, conclusão do ano litúrgico, encerramento do Ano da Fé, também comemoramos o dia nacional do leigo e da leiga. Homens e Mulheres que, pelo batismo, são plenamente Igreja e vivem sua missão nas pastorais, nos movimentos e no tecido humano da sociedade, sobretudo na família. Na festa de Cristo Rei, reflitamos sobre quem é esse rei para o mundo de hoje. Os hebreus pedem que Davi seja seu rei, pois crêem que ele os fará felizes. Séculos depois, um grupo dentre eles zomba do rei do universo - o princípio da criação, a palavra que gerou o universo e gera continuamente a vida. As leituras de hoje nos fazem pensar sobre o reinado de Deus no mundo. Davi é ungido rei e reconhecido por todas as tribos de Israel: como acontece a escolha das nossas lideranças políticas (eclesiais e sociais) (Ler 2 Sm 5,1-3). Jesus é rei que morre para nossa salvação e ouve o clamor dos excluídos (Ler Lc 23,35-43). A humanidade de Jesus tornou visível o rosto do Deus invisível (Ler Cl 1,12-20)" (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2010 da Paulus, pp.79-82).

Gosto de pensar que desde o início da História da Salvação, Deus dribla a humanidade. Não é um rei convencional aos parâmetros de nossa sociedade. Onde já se viu um rei que escolhe um berço de madeira com palhas de feno para nascer; barcos de madeira, como cátedra para ensinar, e uma cruz de madeira, como trono definitivo de Sua realeza!?! Cruz que para os judeus significava vergonha e escândalo; para os romanos, loucura, mas para nós, tornou-se sinal de Salvação!

Somos convidados na Festa de Cristo Rei, a revermos nosso modo de sermos: pessoas, irmãos, sacerdotes, leigos e leigas coordenadores e líderes em nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor. Corremos tanto atrás de poder, cargos, funções, ambientes luxuosos (confundimos bom gosto com luxo exacerbado) e prestígio a todo custo, mesmo que para isso tenhamos de deixar nossa inveja destruir a reputação de outros. Sim, porque a inveja foi o "derramar da garrafinha" da condenação do Rei do Universo à morte mais cruel e escandalosa de sua época: a morte de Cruz! Ou convertemos o poder em serviço, os bens temporais em partilha e o prestígio em humildade, ou não nos identificamos com Jesus Cristo, Rei do Universo!

O Documento de Aparecida, no número 174, referindo-se aos leigos, assim diz: “É importante recordar que o campo específico da atividade evangelizadora leiga é o complexo mundo do trabalho, da cultura, das ciências e das artes, da política, dos meios de comunicação e da economia, assim como das esferas da família, da educação, da vida profissional, sobretudo nos contextos onde a igreja se faz presente somente por eles”.

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler 2Sm 5,1-3; Sl 121(122); Cl 1,12-20 e Lc 23,35-43)


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"Meus pensamentos são de paz e não de aflição,
diz o Senhor. Vós me invocareis, e hei de escutar-vos,
e vos trarei de vosso cativeiro, de onde estiverdes" (Jr 29,11s.14).

O Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum é o penúltimo do Ano Litúrgico, e traz consigo, na Palavra proclamada, acolhida, refletida, rezada e vivida um sabor de despedida, mas também de um maior compromisso de re-ligar = religião, nossa vida com a vida do mundo em que vivemos e onde somos ou formamos um corpo do qual somos os membros e Cristo é a cabeça. Quando faltamos ao corpo, por menor ou mais insignificantes que possamos parecer, mutilamos o mesmo. O corpo, que a Igreja não nossa, mas de Jesus Cristo, torna-se aleijada, com necessidades especiais...

"O evangelho deste domingo parece descrever cenas da vida atual: fala de violência, destruição, tragédias naturais e sociais. Tudo isso não significa o fim do mundo nem é castigo de Deus; antes, é um alerta sobre o nosso comportamento violento em relação aos outros e à natureza. Diante desse quadro sombrio, a eucaristia torna-se fonte de esperança para todos nós na luta pela vida.

Com a palavra de Deus aprendemos que nossos esforços não são inúteis, pois, permanecendo firmes, transformaremos a realidade violenta em realidade de paz, na qual nascerá e brilhará o sol da justiça.

A primeira leitura nos garante que um dia a impunidade acabará (Ler Mal 3,19-20) [...] O que não é de Deus cai. Mais cedo ou mais tarde cai: a mentira é descoberta, a inveja e a maldade sobre os outros recairá sobre nós mesmos; morreremos engolindo nosso próprio veneno preparado para prejudicar e 'puxar o tapete do outro', a ganância, prepotência e arrogância de querer ser mais do que os outros nos darão um belo tombo no tempo em que menos esperarmos [...] O fim de instituições não significa o fim do mundo (Ler Lc 21,5-19) [...] Só Deus não decepciona. As pessoas nos decepcionam porque não são perfeitas, tem seus limites. Daí a necessidade de aprendermos a compreender, acolher o pecador, sem sermos coniventes com seus pecados, mas capazes de perdoar sempre, como nós somos perdoados por Deus.

 Perguntava a uma moça nesta semana, se ela acreditava em Deus, ao que me respondeu Sim, Senhor! Quando perguntei a qual religião pertencia, respondeu: A nenhuma não, Senhor! Só acredito em Deus e não nas religiões que não me dizem nada! O número de pessoas que dizem acreditar em Deus, porém declarando-se sem religião cresce sempre mais e isso me preocupa. Porém não concordo quando a mídia diz que a Igreja Católica perde a cada ano mais fiéis. Para mim, quem deixa a Igreja Católica não é fiel, mas infiel e de infiéis a Igreja não precisa. A pessoa que diz não precisar de religião é individualista, egoísta e descomprometida, acomodada... Certamente não é tão especialista na ação de re-ligar a humanidade a Deus através dos outros. Mutila, isso sim, o Corpo, que é a Igreja de Jesus Cristo, independentemente da profissão religiosa. Mas esse tipo de comportamento individualista começa na Família, colocada de bruços, e dos demais Alicerces em Crise de nossos tempos, a Educação, O Governo e a Religião [...] O povo quer trabalho (não simples emprego) e justiça social (Ler 2Ts 3,7-12),  (que lhe devolva a dignidade roubada por um capitalismo selvagem que necessita de indigentes para sua própria sobrevivência cruel e desumana).

Reunidos pelo Espírito, formamos a assembléia de irmãos e irmãs que desejam se alimentar do Corpo de Cristo, que nos fortalece nos desafios da vivência cristã (Do contrário, além de mutilarmos o Corpo que formamos com nossa ausência, tornar-nos-emos anêmicos espiritualmente, sem o alimento que nos fortalece para enfrentarmos os desafios que o mundo se nos impõem.) (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2013 da Paulus, pp. 58-61).


"Levantai vossa cabeça e olhai,
Pois a vossa redenção se aproxima!”(Lc 21,28).



Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Mal 3,19-20; Sl 97(98); 2Ts 3,7-12 e Lc 21,5-19).


Trigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Chegue até vós a minha súplica;
Inclinai vosso ouvido à minha prece (Sl 87,3).

           
Se há alguns poucos anos falar de sexo abertamente era tabu, hoje é tabu falar em "morte". Por que medo da morte? A grande certeza que vivemos, é que um dia morreremos, no entanto "morremos de medo de morrer...". Cada vez que a morte passa por perto, ou me encontro diante dela através do exercício de meu ministério, encomendando alguma pessoa falecida, meu questionamento é em relação à vida que levo! A morte é uma excelente oportunidade de melhorar minha qualidade de vida. Geralmente deixamos para depois, as mudanças que talvez teriam de ser revistas logo. É bom não sabermos o dia e a hora de nossa morte, mas quando vier, e nosso nome ecoar na eternidade, não terá outro jeito, a não ser morrer! Há quem chama a morte de terceiro parto. O primeiro acontece quando deixamos o “útero materno”, que geralmente é aconchegante e delicioso. Talvez por isso a criança, ao nascer chora. O segundo parto é, para os cristãos, o momento em que nascemos do "útero da Igreja", a Bacia Batismal. Já o terceiro parto, é quando deixamos o “útero da terra”. Por mais difícil que seja viver, ninguém quer partir. A morte dói e nos faz chorar e traz vazio com sabor de saudade inexplicável.

Para os cristãos a morte não é a última palavra. Vivemos e convivemos com a vida e a morte. A morte e a vida além da morte sempre fizeram parte das preocupações humanas. Há uma tendência de “esticar a vida” cada vez mais. Há décadas, morrer aos 60 anos, morria-se velho. Hoje, quando as pessoas morrem aos 90 anos de idade, achamos que ainda teriam algum tempo pela frente. Isso é assim, porque a máxima aspiração do ser humano é a imortalidade.

          Nossa vida poderia ser comparada a uma viagem de ônibus. Quem ainda não andou de ônibus? Quando nascemos, entramos num ônibus, que é a vida terrena. A única certeza que temos é que há um lugar reservado para nós. Uma poltrona. Não sabemos quem serão nossos companheiros de viagem. Apenas sabemos que a poltrona reservada para nós deverá ser ocupada. Às vezes, ocupamos a poltrona do outro, e isso nos traz constrangimentos. Já assisti muitos "barracos" em ônibus cuja mesma poltrona estava reservada para duas pessoas. Não sabemos quem serão nossos pais, irmãos, amigos, parentes, enfim...
                   
Nossa única missão é tornar a viagem a mais agradável possível. Às vezes há pessoas que tornam a viagem insuportável; outras vezes a viagem é agradável!
                   
Há também o bagageiro. Nossas coisas não podem ocupar o lugar dos outros, mas devem caber em nosso próprio bagageiro do ônibus, a vida!
                  
O ônibus, de vez enquando pára na rodoviária. Se a viagem de ônibus é a vida terrena, a rodoviária é a morte. Ninguém gosta da rodoviária: há cheiro de banheiros, de óleo diesel, barulho de ônibus chegando e saindo, ninguém se conhece, muita gente se esbarrando ou até se derrubando. Há sempre uma incerteza, um friozinho na rodoviária que arrepia nossa espinha, que é a morte. Ninguém gosta da rodoviária: todos passam por ela porque precisam, mas não porque gostam. Haverá um momento em que nosso nome será chamado no alto-falante da rodoviária. Então precisaremos descer do ônibus da vida. Se tivermos enviado algum bilhete, uma carta, feito um telefonema, enviado um torpedo ou email para a eternidade, avisando nossa chegada, não precisaremos ter medo, porque Deus estará esperando por nós. O bilhete, a carta, o telefonema, o torpedo ou email são nossa maneira de viver a fé, a esperança e a caridade através de nossa relação conosco, com Deus e com os outros!
                   
Assim Deus estará esperando-nos na rodoviária da morte. Seremos identificados e acolhidos por Ele, de acordo com o que fomos e nunca com o que tivemos. Se Deus não tiver tempo, pedirá ao Seu Filho Jesus para buscar-nos e conduzir-nos à morada eterna. Se de tudo Jesus também não tiver tempo, Nossa Senhora nunca nos deixará perdidos ou esperando na rodoviária da morte. Ela estará lá, de braços abertos, para receber-nos e levar-nos à presença de Deus, colocando-nos em Seu Eterno Colo de Amor. É o que rezamos sempre: "...rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém!"

Nossa fé se debruça sobre a esperança de que morrendo, veremos Deus como Deus é, e isto nos basta. A morte é superada pela ressurreição. Foi o que o Ano da Fé tentou amadurecer na nossa relação com a vida terrena e a celeste. É preciso transcender e mergulhar no mistério que Santo Agostinho de Hipona nos propunha: “Nascemos para morrer, e morremos para viver de verdade!”. Assim que vivermos essa realidade, direcionando o olhar de nossa fé para a ressurreição, nossa vida será mais harmoniosa, feliz e cheia de novas esperanças, sentido e perspectivas!

Sintamos, todos, o carinho da bênção do Senhor da Vida! Pois “Ele é Deus não de mortos, mas de vivos” (Lc 20,38). Com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler 2Mc 7,1-2.9-14; Sl 16(17); 2Ts 2,16-3,5 e Lc 20,27-38).
                                                                                                 
                                                                                                           


SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS E SANTAS!






Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"Alegremo-nos todos no Senhor,
celebrando a festa de Todos os Santos.
Conosco alegram-se os anjos e
glorificam o Filho de Deus".

O Trigésimo primeiro Domingo do Tempo Comum cede lugar à Solenidade de Todos os Santos e Santas, celebrado, segundo o calendário litúrgico, no dia 1º de Novembro, porém no Brasil, no domingo seguinte.

"... a Igreja militante honra a Igreja triunfante 'celebrando numa única solenidade todos os santos' - são as palavras que o sacerdote pronuncia na oração da missa - para render cumulativamente homenagem àquela multidão de santos que povoam o Reino dos céus. A epístola repete as palavras de são João no Apocalipse: 'E vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as gentes e tribos e povos e línguas...'.

 Aquela grande multidão 'que está diante do Cordeiro' compreende todos os servos de Deus, a qual a Igreja decretou a canonização, e todos os que - em número imensamente superior - conseguiram a salvação, com a eterna visão beatífica de Deus.

Deus prometeu de fato dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação. Hoje todos esses santos que tiveram fé na promessa de Cristo, a despeito das fáceis seduções do mal e das aparentes derrotas do bem, 'alegram-se e exultam' pela grande recompensa dada por um Rei incompreensivelmente misericordioso e generoso. E a Igreja militante, unida pelo indissolúvel vínculo da caridade com os filhos que passaram 'à melhor vida', honra-os com particular solenidade.

A origem da festa hodierna remonta ao século IV. Em Antioquia celebrava-se uma festa por todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. A celebração foi introduzida em Roma, na mesma data, no século VI e cem anos após era fixada no dia 13 de maio pelo papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do Panteon a Nossa Senhora e a todos os mártires. O monumento pagão assumiu o nome cristão de Santa Maria dos Mártires. Naquele dia, durante a missa, fazia-se chover uma chuva de rosas vermelhas. No ano de 835 esta celebração foi transferida pelo papa Gregório IV para 1º de novembro, provavelmente por motivos de simples comodidade, como refere João Beleth no século XII, isto é, porque após a colheita do outono era mais fácil arrecadar comida e bebida para a grande multidão de peregrinos que acorriam a Roma naquela oportunidade" (cf. Sgarbossa, M & Giovannini, L - Um Santo para cada Dia - 4ª ed., Paulus, São Paulo, 1996, pp. 350-351).

"... todos são chamados à vida e vocacionados à santidade, tendo como auxílio o testemunho de tantos que são reconhecidos pela Igreja como modelo de vida. Vivendo em plenitude as bem-aventuranças, formamos comunhão com todos os que já foram glorificados com Cristo. É grande a multidão dos que buscaram o Senhor. Eles estão vivendo a plenitude da vida feliz, convivendo face a face com o Deus da vida. As leituras de hoje apontam o caminho que devemos trilhar para também conquistar essa felicidade. São vitoriosos os que se mantêm fiéis ao projeto de Jesus. As bem-aventuranças são o caminho da santidade proposto por Jesus. Já somos filhos de Deus e seremos semelhantes a ele. A Eucaristia transforma-nos, lenta e progressivamente, em seres capazes de contemplar o Pai com todos os que já são salvos. A santidade não só é possível, mas é uma realidade" (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2013 da Paulus, pp. 24-27).

Com frequência ouvimos de lábios católicos e cristãos: "Não sou santo... Não nasci para ser santo... Não sirvo para a santidade..." Tais pessoas não compreenderam ainda o próprio Batismo. Uma vez mergulhados no útero da Igreja e tornando-nos filhos de Deus, passamos a seres divinizados! Não divinos, mas divinizados, ou seja, candidatos à Santidade! Gosto de pensar que santo é todo aquele que morrendo, vê Deus como Deus é: tem coisa melhor? Todo ser divinizado procura esforçar-se para viver o Projeto de Vida de Jesus, que são as Bem-aventuranças! Se conseguirmos ou não viver tal proposta de vida, não importa. O importante para Deus é o esforço que empreendemos diariamente por vivê-lo, abrindo-nos à Sua graça. Esse esforço gosto de comparar com as características da criança. Jesus afirma, que entra no Reino dos céus, quem for como uma criança. Tais características nós perdemos facilmente quando crescemos, e penso ser necessário reconquistá-las em nossas relações com os irmãos, conosco e com o próprio Deus:
A criança é sincera, nós ao crescermos, mentimos... E como!
A criança é espontânea, nós ao crescermos, fingimos... Por conivência ou conveniência!
A criança é pura, nós ao crescermos maliciamos... Tudo e todos!
Oxalá possamos reconquistar as características da criança, tornando-nos desde já candidatos à santidade!
Dia 2 de novembro celebramos nossos Fiéis Falecidos – Dia de Finados! Falar na morte, em nossos dias, tornou-se tabu. Mas o cristão que não fala naturalmente da morte, estará disposto quando seu nome ecoar na eternidade? Costumo pensar que a morte é nosso último parto: partimos do útero da terra à eternidade. O primeiro parto, é quando nascemos do útero da mãe. A criança não quer nascer, mas permanecer no útero materno, especialmente, quando é amada e desejada. Mas aos nove meses precisa partir para o mundo. Geralmente chora. Tudo e todos são estranhos e assustam. Com o tempo ela se acostuma, se adapta e convive harmoniosamente com os seus. O segundo parto, é quando nascemos do “útero da Igreja”, a Pia Batismal! Adotados por Deus, recebemos a dignidade de pessoa, os dons da fé. Esta fé será nossa bússola orientadora ao parto definitivo, a morte, que nos devolverá ao colo de Deus, onde seremos “santos”, porque eternamente felizes! Espero muito que o Ano da Fé tenha-nos ajudado a compreender este caminho que nos faz realmente feliz e testemunhas do amor de Deus pela humanidade. Amor tão louco, que nos permite a santidade. E só querermos!

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ap 7,2-4.9-14; Sl 23(24); 1Jo 3,1-3 e Mt 5,1-12).


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


Trigésimo Domingo do Tempo Comum

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Quem se eleva será humilhado e
Quem se humilha será elevado” (Lc 18,14b).

            “Neste Trigésimo Domingo do Tempo Comum, continuamos acompanhando Lucas, que nos fala sobre a oração. Hoje a insistência é sobre ‘como orar’.
            A parábola do fariseu e do publicano, a última das parábolas próprias de Lucas, marca a centralidade da celebração e da pregação deste domingo. Certamente o merece, mas convém procurar que a assembléia penetre no sentido da parábola e não fique na superficialidade de dizer que o fariseu é mau e o publicano é bom.
            Pode ser perigosa uma interpretação mal feita: se justificaria o pecado e se desestimularia a observância dos preceitos sagrados, que são importantes, mas não bastam. A justificação por meio do reconhecimento do próprio pecado e pela fé no amor de Deus é o tema de fundo desta parábola.
            Tanto o fariseu quanto o cobrador de impostos eram pessoas de fé. Também para nós, hoje, o problema não é tanto o contraste entre fé e falta de fé, mas entre modos diversos de colocá-la em prática. Ninguém tolera que uma pessoa religiosa viva de forma errada. Todos sentimos simpatia por uma pessoa de bem, independentemente de sua religião.
            A oração do publicano torna-se um modelo não só de oração, mas também da atitude de quem reza. Nossa oração deve partir de uma atitude fundamental de humildade, reconhecendo que não podemos nos salvar a nós mesmos. E igualmente isso que ouvimos na primeira leitura do Livro do Eclesiástico: a humildade é indispensável para que a oração possa ‘atravessar as nuvens’ e obter resultado. A oração do Salmo 33 se contrapõe aos soberbos que têm o coração atribulado: o Senhor está perto de quem tem o coração ferido’.
            A salvação da pessoa humana somente poderá vir de Cristo, o qual, embora sendo de natureza divina, humilhou-se a si mesmo até a morte e morte de cruz, e, por isso, foi elevado na glória. O cristão só se pode gloriar da cruz. Foi assim que São Paulo entendeu, bem expresso no final de sua vida: ‘Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro’ (1Tm 1,15). Quando era jovem fariseu, não teria dito palavras semelhantes, porém depois ele se converteu e experimentou, em si mesmo, a obra poderosa do Senhor que o libertou do mal, ou seja, de sua orgulhosa autossuficiência.
            O centro de tudo é este: saber-se e sentir-se pecador e fraco. O farisaísmo está hoje presente no mundo cristão tanto no contexto individual quanto no comunitário. No contexto individual, devemos confessar que, muitas vezes, educamos nossos cristãos no farisaísmo: damos a eles as leis como norma fundamental de suas vidas. No contexto comunitário, o farisaísmo se manifesta em grupos da Igreja que se crêem os bons, os cumpridores, os fiéis. Estes rezam para que os que não pensam como eles se convertam, porque estão errados! Onde está radicado o mal do farisaísmo? Na nossa visão de Deus, a quem vemos como um comerciante que vende o céu em troca de obras humanas. Esta parábola prepara muito bem a teologia paulina da justificação que Deus concede a quem não pode se justificar a si mesmo. Esta justificação se obtém por meio da cruz de Cristo, e o Batismo é o seu instrumento.
            Aproximar-se de Deus consiste em abandonar o próprio egoísmo para encontrar a felicidade em Deus. Os santos sempre se consideravam pecadores: quanto mais perto da luz se está, mais se percebem as manchas do pecado em nós. Quando se toma consciência do pecado, então, e somente então, aparece Deus com a promessa da salvação.
            Deus salva os que não têm como se salvar: todos nós. Cristo, no evangelho, não louva a situação humana de pecado do publicano, nem sua indigência moral, sua escassa prática religiosa. Louva, isto sim, seu arrependimento, sua humildade, seu não julgamento dos demais. Jesus também não condena o fariseu por ser religioso, por levar uma vida moral digna, por fazer jejum e dar o dízimo. Critica sua soberba e o julgamento que faz dos outros.
            O Apóstolo Paulo frente aos que querem se salvar sozinhos lembra: a lei escraviza. Paulo foi o mestre em mostrar que o cristianismo não é a religião da lei. E a religião da liberdade em Cristo. Por isso, ele testemunha que seu êxito de vida não se deve a ter sido um bom observante da lei mosaica, mas se deve ao fato de Cristo ter estado ao seu lado e dado forças na missão. A salvação cristã vem pela fé em Cristo. Não podemos nos salvar, porque não merecemos a salvação. Participar da vida de Deus é graça, dom que recebe quem tem um coração capaz de receber. De ninguém, jamais, pode-se tirar o direito de amar! Ninguém tem o direito de não perdoar! Ninguém está acima de Deus para os outros julgar! Não há maior alegria do que perdoar, nem maior felicidade do que acolher o perdão!
            Recordemos algumas frases de três santos católicos e de um grande líder indiano: ‘Muito mal suplica a Deus quem nega aos outros o que pede para si’ (São Pedro Crisólogo). ‘Muitos vão à Igreja e recitam milhares de fórmulas de oração, mas quando saem já não sabem o que fizeram; trabalharam com os lábios, mas não compreenderam o que diziam. Então tu que não entendes a tua própria oração, como queres que Deus te ouça?’ (São João Crisóstomo). ‘Devo reduzir-me a zero. Enquanto um homem não se considera espontaneamente o último, não há para ele salvação’ (Mahatma Gandhi). ‘Só se sobe quando se desce’ (São Francisco de Sales).
 O Dia Nacional da Juventude, que, desde 1985, acontece todos os anos no último domingo de outubro, neste ano foi transferido para o próximo domingo, dia 3 de novembro. A temática de ‘Juventude e Missão’ deseja ajudar a sociedade a olhar para a juventude, refletir e acompanhar suas propostas que visam à transformação da realidade de morte em vida” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum II de 2013 da CNBB, pp. 73-79).
            Oxalá nossas Comunidades, nossos Líderes, especialmente nós, os clérigos, nos convertamos a partir da Palavra de Deus deste Trigésimo Domingo do Tempo Comum! Saibamos ouvir mais, julgar menos e amar sempre, quem quer que seja. Como é feio ouvirmos “fofocas”, falarmos mal de quem não se encontra presente, logo sem condições de se defender. Pior ainda é escondermos nossos erros, limites e pecados atrás das feridas dos outros, aqueles que geralmente excluímos e julgamos perigosos diante de nossos “cargos, funções, poder e prestígios”. Catalogamos tantas vezes, pessoas que em algum momento de suas vidas caíram, erraram e foram surradas pela vida. Mesmo depois de reerguidos, fazemos questão de apontar mais as cicatrizes do que do o esforço que as pessoas de nossas relações empreendem por serem melhores hoje do que ontem. Precisamos mudar nossa relação com Deus, começando na relação mais humana, justa e amorosa com as pessoas com quem convivemos.
            Num desses mutirões de confissões em preparação ao Natal, a fila de um dos dez padres se alongava. O Bispo chegou e perguntou as pessoas que esperavam naquela longa fila, porque não procuravam os demais padres já desocupados. A resposta que o Prelado ouviu foi a seguinte: “Estamos nesta fila, porque este Padre sabe ouvir e não tem pressa!”
            Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Eclo 35,15-17.20-22; Sl 33(34); 2Tm 4,6-8.16-18 e Lc 18,9-14).

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


Vigésimo Nono Domingo do Tempo Comum
Dia Mundial das Missões
Obra Pontifícia da Infância Missionária

“Juventude em Missão”.
A quem eu te enviar, irás” (Jr 1,7b).


            A Palavra de Deus do Vigésimo Nono Domingo do Tempo Comum, Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária nos remete ao tema da oração, nossa relação direta com Deus, do discipulado, nossa relação direta com Jesus Cristo, e da missão, nossa relação direta com o mundo, nesta mudança de época!
            Falar de oração, em nosso tempo, nem sempre é fácil. As pessoas de nosso tempo falam umas com as outras, como nunca antes. Mas como se comunicam? Basta observarmos um pouco, pessoas em encontros sociais, de trabalho ou no simples hodierno: elas (as pessoas) falam com diversas outras pessoas ao mesmo tempo. Temos diante de nós, pessoas que falam conosco, sim, porém, com um ou mais celulares ou outros aparelhos da modernidade de um mundo tecnologicamente avançado, porém virtual, conectados!
            Encontrar um sentido novo, mais burilado em nossa forma de rezar, é talvez, a intenção da Palavra de Deus deste domingo, desde Moisés no Livro do Êxodo, de Jesus no Evangelho de Lucas e dos conselhos de Paulo em sua Segunda carta a Timóteo. Afinal, a oração é o meio mais eficaz de dialogarmos com Deus. E na qualidade de nossa oração, que encontramos ou não, a confiança no amor de Deus para conosco. Só nos abrimos de todo coração, em quem confiamos de verdade. Só nos sentimos felizes e à vontade com quem amamos e queremos bem. O desabafo é sinal de confiança; significa confiar nossas aflições a alguém que sabe ouvir, entender e aceitar nossas limitações e fraquezas, que não poucas vezes nos levam a crises, angústias e depressões. Ou seja, a oração surge dos momentos nossos de todos os dias. Daí a importância da consciência de vivermos em oração sempre, dialogando com Deus que nos ama loucamente e seguramente quer estar em constante comunicação conosco.
            Para rezar, é preciso situar-nos num contexto. Como realidade absoluta de Deus; e Deus é inacessível à nossa realidade. Por isso, não devemos “negociar” com Ele; seria a mesma coisa, como falar num telefone desconectado. Se nossa realidade íntegra (total) não contém uma referência interna de Deus, e se não interferir em todas as ordens, nossa relação autêntica será impossível. Por isso, vivemos numa exigência interna de Deus (cf. Santo Agostinho de Hipona). São Paulo afirma: “Cristo é a imagem visível de Deus que é invisível” (cf. Cl ,15). A forma como Deus chega pessoalmente até nós, é o amor ao próximo; daí nunca esquecermos o novo mandamento do Amor!
            Por outro lado, na relação com Deus, não há nenhuma mediação legal, nem ritual (cf. Hb 8,8-12; Jr 31). Deus se relaciona com a pessoa através de uma lei escrita no Antigo Testamento, através de uma estrutura social, de preceitos. Agora já não está a lei fora da pessoa, e sim dentro, em seu interior. Por isso, a relação de Deus com a pessoa se faz de forma direta, profunda, em seu interior, em seu coração que significa o mais profundo do ser humano. Com Paulo VI poderíamos dizer, que Deus adentra ao “sacrário humano, a consciência da pessoa”, e mergulha aos porões de sua intimidade, para soprar-lhe do silêncio de seus dóceis lábios, uma declaração de amor ao ouvido de quem está disposto a acolhê-lo.
            Uma das formas místicas e belíssimas de dialogar com Deus é o próprio silêncio, num mundo tão conturbado e barulhento. “Deus é de longos silêncios e raras palavras...”. Não podemos correr o risco de não ouvir o que Deus tem a nos dizer.
            Conta uma pequena estória, que em determinada Igreja, por volta do meio-dia, um homem entrava na Matriz e sentava-se no último banco. Nada dizia. Apenas ficava sentado lá, olhando para frente, sem pestanejar. As zeladoras daquela Igreja, preocupadas, achando que poderia tratar-se de um mal-feitor, pediram que o padre falasse com o homem. Ao perguntá-lo o que fazia todos os dias, no mesmo horário, no último banco da Igreja, ouviu do homem simples: “Senhor Padre, venho aqui todos os dias e olho para Ele e Ele olha para mim. Tem algum problema que eu faça isso?”. O padre retrucou: “Mas o senhor olha para quem, se a Igreja está sempre vazia quando vem aqui?”. O homem concluiu: “Eu olho para Jesus! Não é ele que está naquela caixinha dourada (sacrário)?”. O padre envergonhado passou a fazer, desde aquele dia, companhia mais assídua, em espírito de oração, a Jesus Sacramentado.
            Mas a Palavra de Deus, que trata com delicadeza o tema da oração, quer mais: nossa oração não pode ser individualista, pidona ou simplesmente preceitual. A oração precisa produzir frutos com sabor de justiça, já que o Reino de Deus é um reino de justiça. Logo, onde não há justiça, não há Reino de Deus. Nossa oração deve refletir esperança aos que são oprimidos, pobres, enfermos e desolados. Oração sem confiança não produz esperança. E comunidade sem esperança é inútil. Como diz o Papa Francisco, não passa de uma ONG piedosa.  Assim sendo, nossa oração deverá trabalhar nosso discipulado e nossa missionariedade, justamente no Dia Mundial das Missões!
            Em 2007, o Santuário Nacional de Aparecida, sediou a 5ª Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, debatendo, como tema central a Missão, sob o lema: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele nossos povos tenham vida.” Marcado pelas palavras “missão” e “missionários”, o texto base resultante dessa conferência (presidido pelo Papa Francisco, o então Dom Jorge Mario Cardeal Bergoglio) constitui um grande entusiasmo para impulsionar a forma como nossa Igreja, na América Latina e no Caribe, propõe e incentiva a missão.
            E é, finalmente, o Dia da Coleta Mundial para as Missões. Distribuímos os envelopes, que deverão ser devolvidos neste domingo, contendo a partilha de nossa pobreza, em favor de nossos missionários e missionárias, dos quais não poucos passam grandes dificuldades em seu dia-a-dia, anunciando o Reino de Deus e fazendo conhecido Jesus a milhões de pessoas, muitas vezes passando fome. Enquanto em Ribeirão Preto (SP) usufruímos de mais de 200 Missas Dominicais, semanalmente, em lugares de missão, como na Amazônia, nossos irmãos passam anos sem celebrarem a Eucaristia. Um de nossos Padres, ao chegar a uma Comunidade Ribeirinha na Prelazia de Itaquatiara, na Amazônia, no início do Projeto Missionário de nossa Arquidiocese, leu uma faixa com os seguintes dizeres: “Seja bem-vindo Padre. Faz cinco anos que não vemos um!”.
            Ao distribuir os envelopes à minha Comunidade de Fé, Oração e Amor, sugeri, que durante este Mês Missionário, abríssemos mão de alguma guloseima, coisas supérfluas ou até mesmo de algum alimento ou vestuário secundários e colocássemos o resultado de tal renúncia como oferta generosa em favor de nossos missionários. Que ninguém: nem Padres e nem Conselhos Econômicos deixem de enviar à Cúria toda a coleta arrecadada neste Dia Mundial das Missões em todas as celebrações, e também fora delas. Nossa oração exige isso de nós: honestidade, justiça, transparência e generosidade. Só assim nosso amor terá cheiro de Deus. Quem retiver um único centavo, mesmo tendo rezado direitinho, cheirará a mofo, bolor e corrupção. Não sejamos, por favor, “mensaleiros eclesiásticos e pastorais”. Como exercer nossa missão profética de formar consciência crítica de justiça, de ética e de amor ao próximo, se não formos diferentes de tantos de nossos governantes (a minoria não), que tratam nosso povo, de um lado, como “galinhas” com as tais bolsas daqui e dali, mas de outro lado, tirando-lhes as mesmas migalhas da boca, com o vergonhoso desvio de verbas destinadas à saúde, saneamento básico, educação, moradia digna e oportunidades de trabalho justamente remunerado? Que Deus estampado no rosto de nossos missionários não se decepcione conosco!
            Sejam todos sempre muito abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Ex 17,8-13; Sl 120(121); 2Tm 3,14-4,2 e Lc 18,1-8).


HOMILIA PARA O 27º DOMINGO COMUM

MÊS MISSIONÁRIO

Meus queridos Amigos e Irmãos na fé!
“Somos servos inúteis; fizemos o que
devíamos fazer” (Lc 17,10b).

          “É Cristo que nos chama. É nossa que responde e nos move ao encontro com Ele e com os irmãos.
          Somos, mais uma vez, convidados a tomar parte na Ceia do Senhor. Buscando nosso aperfeiçoamento, somos chamados a encontrar, no Pão da vida eterna, força e alimento para nossa vida de . Na escuta da Palavra de Deus, confiamos a Ele nossas aflições e dificuldades, na certeza de sua presença junto a nós.
          Estamos iniciando o mês de outubro, Mês Missionário e também dedicado a Nossa Senhora e à recitação do Rosário. O testemunho de de Maria, junto à cruz, nos mostra o real valor da para aquele que crê. Sua esperança nos mostra o verdadeiro significado da espera e da confiança naquele que nos chama à vida em plenitude.
          ‘Reunimo-nos para reavivar em nós a chama do amor e da fé operante e transformadora, que nos compromete com o projeto de Jesus. O olhar da fé nos mostra o rosto sofrido de homens e mulheres desorientados pelas injustiças e necessidades do serviço e da missão da Igreja.
          As leituras nos revelam que o justo vive pela fé. Fortalecidos por ela, não  nos envergonhamos do evangelho e conseguimos cumprir com humildade e gratuidade o serviço ao reino que Jesus nos pede.
          O primeiro passo para a superação da violência é acabar com a impunidade e a injustiça. Perto do fim do Ano da Fé, somos motivados pelo evangelho a pedir ao Senhor que aumente a nossa fé, para que ela nos ajude a ser generosos e gratuitos em benefício da comunidade. O autor da segunda carta de São Paulo a Timóteo nos convida a não ter vergonha de viver e proclamar a boa-nova de Jesus.
          A eucaristia que celebramos adquire sentido e plenitude pela fé com que fazemos nossa ação de graças. A fé permite acolher o dom da libertação que Cristo nos oferece’ (cf. Liturgia Diária de Outubro de 2013 da Paulus, pp. 27-30).
          Os ensinamentos que da Palavra de Deus recebemos, neste domingo, devem ser levados e considerados com máxima atenção.  Uma vez mais Jesus fala da a seus discípulos, de sua importância, mas também e principalmente da forma como devemos tratá-la em nossa vida.
          A não é um conjunto de verdades abstratas em que devemos simplesmente acreditar, com ‘olhos fechados’. A é, antes de tudo, uma atitude fundamental diante de Deus e das situações da vida e da história.
          Para falarmos sobre a , tem um significado particular o célebre texto de Habacuc (primeira leitura), que apresenta a como resposta misteriosa e, no entanto, a única em que se pode confiar perante as injustiças e as violências do mundo, assim como face ao aparente silêncio de Deus. Só quem continua a ter pode viver e esperar, ao passo que quem não tem confiança nem retidão cai na ruína.
          No Evangelho de Lucas, a , antes de ser uma palavra de Jesus, é um pedido explícito apresentado pelos apóstolos. E o pedido é dirigido ao ‘Senhor’, título solene atribuído a Jesus ressuscitado e que Lucas aplica com antecedência a Jesus pré-pascal. Os Apóstolos pedem, por isso, ao Senhor que lhes aumente a , sem a qual não estão em condições de seguir o Mestre e de cumprir os seus preceitos. Aqui não se trata, porém, de ‘aumentar a fé’, mas de começar de verdade a crer, de não se limitar à genérica e ineficaz, mas de confiar em Deus de uma forma total e incondicional. ‘Então de verdade, tudo será possível’.
          Também a segunda leitura convida a tornar a operativa, ‘reanimando o dom de Deus’ recebido, dando ‘testemunho’ corajoso do Senhor.
          Recebemos de Deus a como dom, mas como lidamos com ela? Exigindo o agir de Deus em nossas dificuldades? Esperando ações concretas de Deus em nosso meio? [...]
          O que então dizer de nossos Deputados Federais, que contrários ao Supremo Tribunal Federal, readmitem um comprovado ladrão, o Deputado Donadan, para representar e formular leis àqueles que o elegeram e que ele comprovadamente roubou? Condenado a treze anos de prisão, nosso nobre Deputado não tem nem vergonha de sentar-se na Casa de Leis de um País que é movido pela mentira, corrupção e por atitudes diabólicas daqui e dali.
E o que pensar da Suprema Corte, que vota tecnicamente leis mal elaboradas, que só prendem os menos favorecidos, que não poucas vezes são empurrados a delitos para sobreviverem, enquanto doze dos exaustivamente condenados por um mensalão comprovado, seguramente não cumprirão suas penas em regime fechado? Quanta vergonha nos fazem sentir os nobres Ministros do Supremo Tribunal Federal! Quanta decepção desde a Presidente da República que se “blinda e se imuniza” de qualquer culpa, mesmo que seja tarefa sua, designar quem nos julga?
E o projeto maquiavélico de “Mais Médicos”, meramente politiqueiro e totalmente injusto para com os nossos bons e dedicados médicos: verdadeiros curandeiros em situações de calamidade. De repente nosso Ministro da Saúde, Alexandre Padilha remete a culpa da horrível situação da Saúde do País aos médicos! Quantos Hospitais e Postos de Saúde inacabados, sem condições mínimas de cuidar da saúde dos menos favorecidos! Não faltam médicos em nosso País: falta vergonha de nossos políticos que embolsam verbas destinadas à Saúde e que nunca chegam ao destino. E é este o homem que quer governar o Estado mais rico de nosso País. Quem tem lúcida e comprometida com a justiça, a verdade, o amor gratuito, jamais votará neste tipo de gente! A não ser que traia sua própria fé! Mas não desanimemos, porque o que não é de Deus cai. Um dia cai e o tombo de muitos de nossos maus políticos desde a Presidência da República às Prefeituras e Câmaras de Vereadores não sobreviverão uma sociedade que viva sua no Deus da justiça, do amor pelos que sofrem as conseqüências da corrupção, mentiras e maquiagens diabólicas, que subestimam a capacidade de pensar de seu povo!  
[...] ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devemos fazer’. Somos chamados a viver a plenitude do Reino, no entanto, queremos, muitas vezes, nos satisfazer com a mediocridade de grandes e visíveis ações. O chamado de Jesus é para que saibamos encontrar força na graça, dom de Deus, mas muito além disso, para buscarmos viver de forma a cooperar com Deus na construção do Reino de Amor.
Recebemos hoje, portanto, uma mensagem para valorizar a . Mas nossa não é uma espécie de ‘fundo de garantia’ para que Deus nos atenda. Assim como ele não precisa prestar contas, também não é forçado pela nossa . Nossa é necessária para nós mesmos, para ficarmos firmes na adesão a Deus em Jesus Cristo. Deus mesmo, porém, é soberano, e soberanamente nos dá mais do que ousamos pedir.
Em sintonia com a Campanha da Fraternidade (CF 2013) e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ 2013), o tema da Campanha Missionária deste ano é ‘JUVENTUDE EM MISSÃO’. A Juventude representa dinamismo e ousadia na tarefa missionária que precisa contar com todas as forças. O lema tirado do profeta Jeremias: ‘A quem eu te enviar, irás’ (cf. Jr 1,7b) recorda-nos que Deus continua a chamar e enviar pessoas para anunciar a Boa-Nova de Jesus a todos os povos.
Aproximando-nos da conclusão do ANO DA FÉ (Festa de Cristo Rei no dia 24 de novembro de 2013), a Liturgia da Palavra deste Vigésimo Sétimo Domingo do Tempo Comum nos ajudará muito a entendermos um pouco melhor este dom que recebemos” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum II de 2013 da CNBB, pp. 43-48).
Costumo pensar que no dia do nosso Batismo recebemos, como dom precioso, a na medida em que precisamos. Comparo-a a um anel de brilhantes, que o noivo oferece à noiva, para selar o compromisso, a aliança e a fidelidade, convidando a ao sacramento do Matrimônio. No evento do pedido da moça em casamento, momento do noivado, o rapaz não leva o anel sem um estojo aveludado invólucro em um lindo papel de presentes. A moça recebe o anel de brilhantes, mas fica tão encantada com o invólucro, que nem se dá o trabalho de puxar a fitinha. Guarda o presente na última gaveta de seu criado mudo, para que ninguém lhe tome o anel. Assim, também nós, fazemos com a recebida no Batismo. Então nossa oração deveria ser “Senhor, ajudai-me a cultivar e a manifestar em atitudes concretas, minha fé. Que todos, vendo-a possam encontrar-se convosco!” É a proposta do Ano da Fé. Descubramos o dia de nosso Batismo e o celebremos, testemunhando nossa fé ao mundo, sem vergonha e sem medo. Sejamos corajosos, a fim de que nossa transforme nosso mundo. Não esqueçamos que o Reino de Deus é um Reino de Justiça. Todos os batizado são responsáveis por um Reino de amor, justiça, verdade, liberdade e de paz. Brilhe nossa ao mundo decaído, como brilha um anel de brilhantes no dedo da noiva, comprometida com seu noivo, na aliança e fidelidade. Somente assim, o Ano da Fé alcançará seu objetivo!
Sejam todos muito abençoados, sentindo-se também missionários. Com ternura e gratidão, meu abraço fiel,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler  Hab 1,2-3; 2,2-4; Sl 94(95); 2Tm 1,6-8.13-14 e Lc 17,5-10).


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