quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Pe. Gilberto Kasper* “A PORTA DA FÉ (cf. At 14,27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar esse limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar essa porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Esse caminho tem início no Batismo (cf. Rm 6,4), pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna, fruto da ressurreição do Senhor Jesus, que, com o dom do Espírito Santo, quis fazer participantes da sua própria glória quantos creem nele (cf. Jo 17,22)” (cf. Carta Apostólica do Papa Bento XVI sobre o Ano da Fé, n. 1). Costumo perguntar, quando batizo, se pais e padrinhos sabem o dia do próprio batizado. A maioria não sabe. Não sabendo o dia do Batismo, dificilmente o celebramos. Não celebrando o próprio Batismo, dificilmente assumimos nossos compromissos batismais. Mas o Batismo é o primeiro Sacramento da Iniciação cristã, que afinal nos adota como filhos de Deus. Gosto de chamar nosso Batismo, o segundo parto. O primeiro é quando nascemos do útero materno. O parto do Batismo é quando nascemos do útero da Igreja, a Pia ou Bacia Batismal. Há um terceiro parto, para o qual nosso Batismo nos prepara, quando partimos do útero da terra em direção à eternidade. No Batismo recebemos o dom da fé. É dom gratuito que nos confere a dignidade de Filhos de Deus, partícipes de uma mesma Família: a Família Cristã, a Família dos Filhos de Deus. Podemos comparar tamanho dom, como um rapaz que ao pedir sua namorada em noivado, lhe oferece um lindo anel. Ao entregar o anel, que certamente estará num estojo aveludado envolvido em papel de presente, a noiva admira o invólucro, mas nem abre o estojo para ver e admirar o anel. Mais ou menos é o que fazemos com a fé recebida, como dom gratuito, no dia de nosso Batismo. Nem nos damos o trabalho de abrir o estojo. Guardamos o presente no fundinho da gaveta e lá, mofa, esclerosa, fica escondido. Mas a fé, como o anel deve ser mostrado, exibidos, e assim brilhar diante de todos que nos olham e admiram não um anel no dedo, mas uma fé vivida concretamente, produzindo frutos saborosos de amor, verdade, justiça, liberdade e dignidade. Penso que o Ano da Fé espera justamente isso de cada cristão: manifestemos nossa fé ao mundo, a fim de que todos saibam em quem cremos. De quem nos sentimos filhos, de verdade! *pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

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