quarta-feira, 6 de março de 2013

A Maternidade Virginal de Maria aparece como a mais alta revelação das possibilidades oferecidas à humanidade pela graça divina, assim como a Paternidade de Deus é a revelação suprema da divindade. Que Deus seja o Pai, de fato, como nos revela o Evangelho, não é apenas uma expressão de seu relacionamento com suas criaturas, no que eles têm de mais generoso. É uma expressão que deriva do fato de que a generosidade que Ele nos testemunhou é apenas um reflexo e uma derivação da generosidade ilimitada, próprios de sua vida transcendente. Desde toda a eternidade, em sua natureza mais íntima, Deus é Pai. Isso significa que ele é Amor, Amor não somente criativo, mas doado, que se dá a si mesmo e o dom de si mesmo é a sua vida. Maria é a criatura que realiza de modo mais perfeito a imagem divina, mantendo-se no plano da criatura, porque ela é Mãe, como Deus é Pai (...) Assim como a Paternidade é própria de Deus, assim a Maternidade aparece como sendo própria da criatura. (...) Todavia, Deus é Pai no sentido da perfeição transcendente, na medida em que não precisa da colaboração de mãe alguma para gerar, e não precisa, tão pouco, de qualquer matéria para criar... Maria, ao contrário, leva ao máximo, o caráter, próprio à criatura, de total dependência de Deus. Sua Maternidade expressa esta verdade; não somente ela recebe o dom de gerar, mas recebe o dom de gerar um Filho pré-existente e ele próprio, totalmente transcendente. No entanto, o caráter virginal de sua Maternidade lhe vale esta perfeição insólita de comunicar a seu Filho, não somente como à metade da humanidade, que Ele tornará sua, mas, igualmente, da humanidade inteira. Assim, como Deus é Pai em um sentido absoluto, Maria é Mãe numa plenitude que não é acessível a qualquer outra mulher. Filho único do único Pai Celestial através da sua divindade, Jesus é o Filho de sua única Mãe terrena por meio de sua humanidade. Louis Bouyer O Trono de Sabedoria: ensaio sobre o significado da devoção mariana Paris, 1957, pp.146-148 (citado em Étienne Catta, Sedes Sapientiae, em:. Maria – estudos sobre a Virgem Maria – sob a direção de Hubert du Manoir, SJ - Volume VI, 1961, pp 836-837)

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