sábado, 13 de abril de 2013



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé


“O Terceiro Domingo do Tempo Pascal orienta-se à experiência da companhia do Ressuscitado que se manifesta em meio aos discípulos. O Tempo da Páscoa integra o Grande Dia Pascal, o Dia que o Senhor fez para nós. Neste período, a Igreja se deixa encontrar por seu Senhor e busca contemplá-lo e reconhecê-lo mediante os mesmos gestos que ele já realizava enquanto estava na sua companhia. A liturgia celebrada nos dá acesso a estes gestos de maneira que permaneçamos unidos a Jesus corporalmente, assumindo na história humana o posto de sacramento daquele que é Morto-Ressuscitado.
          ‘Somos convidados a reunir-nos em torno do Ressuscitado, o Cordeiro imolado que vive para sempre. A ele queremos dar graças e glorificar, pois nos alimenta com a palavra proclamada e com o pão partilhado. Desafiados pela pergunta que nos faz – vocês me amam? -, abramos o coração, para a resposta de fé e de amor.
          A Palavra de Deus encoraja os seguidores de Jesus diante dos obstáculos à missão. Ela também nos convida a reconhecer, louvar e partilhar o mesmo Cristo, que se oferece em comunhão, e nos desafia a amá-lo.
          É mais importante obedecer a Deus que aos homens. Jesus ressuscitado aparece à comunidade envolvida nos compromissos cotidianos. Cabe à comunidade cristã adorar unicamente a Deus, rejeitando toda idolatria’ (cf. Liturgia Diária de Abril de 2013 da Paulus, pp. 48-51).
          No texto-base em preparação ao 10º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, José Oscar Beozzo evocava a vida cristã como memória perigosa de Jesus. A Liturgia da Palavra deixa entrever esta perspectiva ao colocar-nos diante do testemunho dos apóstolos e, em especial, daquela incumbência dada a Pedro – que envolve a Igreja toda – de cuidar do rebanho que se estende para além dela mesma e se identifica com a humanidade. Por amor, os pastores da Igreja, mas também todos os seus membros, são encarregados pelo Senhor no cuidado para com o mundo. Neste trabalho que os cristãos realizam se cumpre o mandato do amor e se dá a oportunidade para que a criação inteira proclame seu ‘amém’ à vitória do Cordeiro.
          Na Palavra e na obra de homens e mulheres de nosso tempo – hoje lembrando-nos especialmente daqueles que assumem o pastoreio em nome de Cristo – ressoa a boa nova. Como não recordar de Dom Pedro Casaldáliga e a recente perseguição sofrida por conta de seu compromisso com os povos indígenas? Como não fazer memória de tantos bispos, padres, religiosas, leigos e leigas que, espalhados pelas diversas Igrejas Particulares, denunciaram nas recentes eleições municipais, os desmandos e corrupção do poder político? Nestas ações corriqueiras é que se manifesta a Páscoa de Cristo, vencendo a morte e fazendo brilhar a vida para sempre.
          Santo Atanásio afirmava: ‘Jesus ressuscitado converte a vida do ser humano em uma festa contínua’. E acrescenta: ‘a Páscoa rejuvenesce a vida dos fiéis’. De fato, somos ‘novas criaturas’ que entoam o ‘canto novo’ que consiste na ‘glória de seu nome’. A celebração litúrgica ao realizar a vida de Cristo, no coração da assembleia, lhe permite irradiar a glória do Senhor que não significa outra coisa que torná-lo manifesto ao mundo por meio da fidelidade ao seu mandato e à sua herança: o amor. Amar os irmãos, arriscar-se pela fraternidade universal, que toma forma nos pequenos gestos de carinho e solidariedade locais, revela o Nome de Deus em nós. Este nome é ‘Cristo’: Cristo em nós, fazendo-nos partícipes de sua ressurreição por causa de sua compaixão para com o gênero humano” ( cf. Roteiros Homiléticos da Páscoa de 2013 da CNBB, pp. 42-47).
          Há alguns dias alguém me perguntou, se a Celebração Litúrgica na Igreja é lugar de avaliar o Governo Municipal? Na medida em que a Palavra de Deus nos interpela a falarmos sobre nossa missão de servidores, e não senhores ou donos dos munícipes de uma Metrópole como é a cidade de Ribeirão Preto, não só podemos, como é nosso dever colaborar na formação de consciência crítica, ética e de cidadania de nossas assembleias celebrativas. Foi exatamente esta a missão que o Ressuscitado confiou aos seus discípulos e hoje a cada um que se sente cristão comprometido com o Reino de Deus, que é um Reino de Justiça, de Conversão, de Misericórdia e de Amor ao próximo. Enquanto houver um só cidadão de nossa cidade carente dos cuidados evangélicos que o ser cristão exige, teremos a obrigação de levar nossas celebrações espirituais à vida hodierna, da porta da Igreja para fora. O Governo que é transparente, que não maquia recursos econômicos e projetos de qualquer natureza, não teme que alguém faça uma lúcida, consciente e crítica avaliação de sua atuação.
          Triste mesmo foi constatar que no dia 2 de abril de 2013, nosso Legislativo decepcionou mais uma vez seus eleitores. Nove dos vinte e um vereadores foram fiéis e coerentes com o Projeto de Transparência vetado pela Prefeita Municipal, que pedia maior participação da Câmara de Vereadores nas licitações de volumosos valores. A Prefeita entende que deve ter “Carta Branca” para contratar quem quer que seja sem a apreciação e aprovação dos Vereadores. O Projeto foi aprovado por unanimidade pelos 21 Vereadores. Não entro em questões de quem tem razão. Certamente a Prefeita assegurou seu veto juridicamente, lembrando que o jurídico mesmo sendo politicamente correto, nem sempre é ético e contempla o bem da comunidade. Ela exerceu seu privilégio de vetar a maior participação do Povo representado pelos Vereadores eleitos pelo mesmo Povo. O que nos entristece profundamente e nos decepciona novamente, é que dos 21 Vereadores, apenas 9 mantiveram coerência, votando contra o veto da Prefeita. 10 não votaram contra, nem a favor: se abstiveram de votar, o que demonstra ainda mais claramente, de que não merecem nossa confiança. Um precisou ausentar-se durante a votação para socorrer a esposa e outro faltou à sessão. O que o cristão comprometido com o Ressuscitado e a missão que nos confia, deve pensar e fazer? Marcar bem o nome dos Vereadores que voltaram à trás de seu voto inicial; cobrar pessoalmente deles uma postura mais ousada e corajosa e ter o zelo e cuidado de nunca mais elegê-los para SERVIÇO NENHUM!
          Durante a Campanha Eleitoral o discurso é um: promissor! Na diplomação dos Eleitos, o discurso já “amarela” um pouco e depois da posse, o discurso já não é mais nem um e nem outro. A verdade não se deixa burlar, comprar, corromper e nem está à venda por conta de promessas não cumpridas. Só participa da ressurreição do Senhor quem for coerente sempre entre o que pensa, fala e faz! Portanto, é sim missão e serviço à fraternidade e à promoção da Dignidade Humana, da Igreja de Jesus Cristo Ressuscitado, começando por seus líderes e passando por cada um que se atribua a denominação de Cristão. O resto está fadado a ser diabólico, como diabólicas são as deslavadas Mentiras que ocupam nosso vocabulário politiqueiro, todos os dias! Sejamos honestos e transparentes diante de nós mesmos, de Deus e dos outros. Assim não precisaremos temer a ninguém e a nada que tente nos  desestruturar. O que é Deus não cai. A mentira nos trai!
          Desejando-lhes muitas bênçãos e que todos saibamos usufruir dos aromas que exalam do sepulcro vazio, devolvendo-nos a paz que o pecado nos rouba, com ternura e gratidão, meu abraço sempre amigo,
Padre Gilberto Kasper
(Ler At 5,27-32.40-41; Sl 29(30); Ap 5,11-14 e Jo 21,1-19).



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