sábado, 14 de dezembro de 2013

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Alegrai-vos sempre no Senhor.
De novo eu vos digo: alegrai-vos!
O Senhor está perto” (Fl 4,4s).

          “O Senhor não demora! Alegrai-vos! Deus quer renovar conosco sua aliança e nos promete novo vigor. Quer transformar nosso sofrimento e nosso choro em prazer e alegria, fazendo-nos já apreciar um ‘aperitivo’ da realidade nova que desejamos para nós e para o mundo. Por isso, ele mesmo vem para nos erguer de todo tipo de acomodação e desânimo, vem fortalecer as mãos enfraquecidas e os joelhos cansados, vem animar nossa esperança. Daí vem nossa alegria!
          Apesar da pobreza, corrupção, exclusão de tantos, das guerras, o tempo do Advento desperta nossa esperança e nos chama a viver na alegria e na perseverança cotidiana. Qual é nossa esperança?
          João Batista, mesmo preso e prestes a ser martirizado, envia dois discípulos para ouvirem de Jesus os motivos para manter viva a sua esperança: ‘Você é o Messias?’ A resposta são testemunhos da pessoa, das obras, do jeito de ser de Jesus com relação ao povo mais espezinhado e abandonado. Tudo o que ele é e faz consiste em dar a vida. Ele é o Messias que está entre nós. A esperança se cumpriu. O Reino de Deus por ele trazido se destina preferencialmente aos pobres e, através deles, a toda a pessoa. Os gestos de amor ao próximo alimentam a esperança da chegada final do Senhor. [...] João Batista se alegra profundamente por saber que seu anúncio está cumprido; sua profecia se torna realidade; seu martírio não será em vão, porque não foi conivente com a hipocrisia de seu tempo e não temeu ser invejado por Herodes que gostava de ouvi-lo, não obstante João não lhe convinha, pois apontava seus erros. Quantas vezes instauramos em nosso ministério e missão profética a Pastoral da Amizade, correndo o risco de sermos coniventes e abençoarmos as injustiças sociais, simplesmente para garantirmos nosso prestígio e uma falsa segurança de comodidade de vida, e nem por último nossa ostentação material. Não tenhamos medo de perder a cabeça, ou seja, honras, facilitações daqui e dali. Tenhamos a coragem de anunciar o Messias entre nós, mesmo que isso desagrade a quem não vive de acordo com o projeto de seu Reino, que é Justiça [...].
          O amor, a entrega da vida podem ser vistos, apalpados, testemunhados, porque são concretos: fazer ver, andar, ouvir, curar as mãos e joelhos enfermos. Jesus fez as obras do amor sem limite e nos deu a missão de continuar fazendo o mesmo. Hoje nossos gestos de solidariedade diante da fome e da pobreza devem comunicar que o Reino está em nosso meio.
          A esperança nos dá alegria confiante. A esperança fundamenta nossa firmeza permanente e a certeza de que Deus vencerá o mal, que ainda persiste na humanidade. A esperança se manifesta na celebração, expressão comunitária de nossa alegria e confiança.
          A celebração eucarística, em torno das duas mesas da Palavra e do Pão constitui momento privilegiado em que experimentamos a verdadeira alegria, uma feliz antecipação do Reino que esperamos.
          Aclamamos esperançosos o Senhor, paciente, tolerante e misericordioso para conosco. Ele nos acolhe à sua mesa apesar de nossas inúmeras fraquezas e desvios e nos convida continuamente a caminhar com ele para a páscoa, participando com fé autêntica em sua entrega total, em sua oblação pascal.
          A vinda de seu Reino se dá lentamente, o que exige paciência, determinação e nos traz também cansaço. Ao participarmos da mesa do corpo e sangue do Senhor, recebemos, já na antífona de comunhão, a missão de dizer aos que estão desanimados: ‘Coragem, não temais; eis que chega o nosso Deus, Ele mesmo vai salvar-nos’.
          Nunca nos faltará coragem e alegre esperança de atingir a meta final. Sua Palavra nos indica o caminho, como cantamos neste Domingo da Alegria no salmo: fazer justiça aos pobres e oprimidos; erradicar a fome; dar lucidez à consciência dos fracos; colocar de pé os que, pela humilhação e alienação, estão encurvados; proteger e sustentar os pequenos e marginalizados, dando-lhes dignidade; cuidar amorosamente da natureza.
          Isto deve constituir a verdadeira alegria que, brotando da celebração deste Terceiro Domingo do Advento, nos mantém mensageiros da boa nova, preparando os caminhos do Reino, como seguidores daquele que vai à nossa frente” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo do Advento de 2013 da CNBB, pp. 27-32).
          A proposta da Palavra de Deus deste domingo vem de encontro com o lançamento da primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco, no dia 26 de novembro passado: Evangelii Gaudium = A Alegria do Evangelho, que propõe uma ampla reforma na Igreja e até mesmo do Papado. A exortação fala sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. O Papa Francisco propõe “algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo”. O Pontífice toma como base a doutrina da Constituição Dogmática Lumen Gentium, e aborda, entre outros pontos, a transformação da Igreja missionária, as tentações dos agentes de pastorais, a preparação da homilia, a “guerra e inveja” entre os padres, o carreirismo clerical, a inclusão social dos pobres e as motivações espirituais para o compromisso missionário. Saibamos beber seja da Palavra seja da Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, para celebrarmos a verdadeira Alegria neste Gaudete!
          É, também, neste domingo que realizamos a Coleta da Campanha para a Evangelização, que neste ano nos apresenta o tema: “Eu vos anuncio uma grande alegria” (Lc 2,10). Combinamos guardar, ao longo do Advento, pelo menos, 1% de tudo que fôssemos gastar em enfeites, presentes e guloseimas para o Natal. Sejamos, portanto honestos, oferecendo nesta coleta algo a partilha de nossa pobreza, com profunda consciência de que ajudaremos a quem tem menos do que nós, sobretudo na Evangelização de nosso Brasil!
          Sejamos todos muito abençoados e nossa generosidade recompensada pelo Senhor que vem para nos transformar. Com ternura e gratidão, o abraço,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 35,1-6.10; Sl 145(146); Tg 5,7-10 e Mt 11,2-11).

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