Archive for Junho 2013

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO APOSTOLOS


Dia do Papa

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            O Décimo Terceiro Domingo do Tempo Comum cede lugar à Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos – as duas grandes Colunas da Igreja de Jesus Cristo: “Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação” (Prefácio próprio da Festa).
            “Celebramos a Páscoa do Cordeiro na vida e na ação evangelizadora de Pedro e Paulo. Apóstolos, fundadores da Igreja, amigos e testemunhas de Jesus. Agradecemos sua fé e empenho missionário. E celebramos o Senhor que os escolheu e os enviou para serem seus principais parceiros no grande mutirão em favor da vida, assumindo na Páscoa e dinamizado pelo dom do Espírito Santo.
            Esta é uma celebração antiquíssima. Existia antes da festa do Natal. Ela ajuda a nos achegarmos à fonte da vida cristã, ou seja, à Palavra de Deus e à Eucaristia que eles viveram intensamente e que nós estamos para celebrar no espírito de Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia!
            Diferentes no temperamento e na formação religiosa, exercendo atividades diversas e em campos distintos, chegaram várias vezes, a desentender-se. Mas o amor a Cristo, a paixão pelo seu projeto, a força da fidelidade e a coragem do testemunho os uniram na vida e no martírio, acontecido em Roma sob o imperador Nero (54-68 D.C). Pedro foi crucificado e Paulo, decapitado.
            Ao celebrar a Páscoa dos dois grandes apóstolos, a Igreja lembra que em todas as comunidades estão presentes os fundamentos da missão evangelizadora: a vida eclesial, com sua dinâmica de comunhão e participação, e sua ação transformadora no mundo.
            No testemunho de Pedro e Paulo, temos duas dimensões diferentes e complementares da missão, como seguidores de Jesus. Apesar de divergirem em pontos de vista e na visão do mundo, o amor de Cristo e a força do testemunho os uniram na vida e no martírio. Neles, quer na vida, quer no martírio, prolongam-se a vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Conheceram e experimentaram Jesus de formas diferentes, mas é único e idêntico o testemunho que, corajosos, deram dele.
            Por isso, são figuras típicas da vida cristã, com suas fraquezas e forças. As contínuas prisões de Pedro fazem-no prolongar a paixão de Jesus. Não só aceita um Messias que dá a vida, mas morre por Ele e com Ele. Convertido, Paulo se torna propagador do Evangelho de Cristo, sofrendo como Ele sofreu, encarando a morte como Jesus a encarou.
            A comunidade, alicerçada no testemunho de Pedro e Paulo, nasce do reconhecimento de quem é Jesus. Esse reconhecimento não é fruto de especulação ou de teorias, e sim de vivência do seu projeto que passa pela rejeição, crucifixão, morte e ressurreição.
            Quando o testemunho cristão é pleno, o próprio Jesus age na comunidade, permitindo-lhe ‘ligar e desligar’. O poder que Jesus tem, as chaves do Reino, é entregue a nós, seus seguidores. A comunidade não é dona, apenas administra esse poder pelo testemunho e pelo serviço em favor da vida. Organiza-se como continuadora do projeto de Deus, a partir da prática do mestre, promove a vida e rejeita tudo o que provoca a morte.
            Jesus de Nazaré é para nós o mártir supremo, a testemunha fiel... Os mártires da caminhada resistiram ao poder da morte e ao aparato repressor: ‘A memória subversiva de tantos mártires será o alimento forte da nossa espiritualidade, da vitalidade de nossas comunidades, da dinâmica do movimento popular’.
            ‘Vidas pela vida, vidas pelo Reino! Todas as nossas vidas, como as suas vidas, como a vida dele, o mártir Jesus!’.
            Animados pelo testemunho de Pedro e Paulo, vamos ao encontro do Senhor que dá razão e sentido à nossa vida. Acolhendo sua Palavra, renovamos nossa adesão a Cristo e ao seu projeto.
            Professamos com alegria nossa fé na Igreja una, santa, católica, apostólica, aberta à comunhão universal e visceralmente missionária e proclamada da vida digna para todos.
            Participando a Eucaristia, somos identificados com Cristo e confirmados no seu caminho, para sermos disponíveis aos nossos irmãos e irmãs, até a morte, como marcas da identidade cristã.
            Hoje rezamos especialmente pelo Papa Francisco, Bispo de Roma, cidade onde se deu o martírio de Pedro e Paulo. A missão do Papa é zelar para que a Igreja permaneça unida, fiel a Jesus Cristo e ao seu projeto, realize com humildade e coragem o anúncio do Evangelho, cada vez mais inculturado, profético e aberto a todos.
            Supliquemos para que o Papa e todos os pastores sejam pétrus nas mãos do Senhor, fiéis ao Evangelho na condução da Igreja como servidora da vida, como sinal e instrumento da comunhão entre os povos” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 51-57).
            Com facilidade emitimos opiniões errôneas, quando não medíocres em relação à autoridade e ao serviço do Santo Padre, o Papa! Talvez a celebração de hoje seja uma oportunidade de remissão, conversão e renovação de nossa fidelidade ao sucessor de Pedro, o Papa Francisco. Frequentemente me pergunto: quem sou eu para emitir qualquer crítica, desrespeitar ou até mesmo questionar a autoridade = serviço do Papa? Homem que se despe totalmente de si mesmo. Deixa para trás até o próprio nome e toda sua liberdade, para estar totalmente a serviço da Igreja de Jesus Cristo que lhe é confiada ao coração, colocada nos ombros, como a ovelha debruçada sobre o Bom Pastor. Só o fato do sim do Papa já basta para que mereça o carinho, a ternura, a fidelidade de todo cristão, que debruça sua fé sobre o evento da “confirmação de Pedro”, continuado em nossos dias na pessoa totalmente a serviço do Reino de Deus, o amado Santo Padre o Papa Francisco. Somos, também, convidados a rezar por nosso Papa Emérito Bento XVI, que se retirou e a exemplo de João Batista, deu lugar a alguém com maior vigor, mais saúde e menos idade, a fim de conduzir não a própria, mas a Igreja amada de Jesus Cristo, da qual todos somos filhos queridos. E seu Sucessor, o Papa Francisco, é eleito como o PAPA DA TERNURA!
            Nesta solenidade, a Igreja do mundo inteiro, realiza a Coleta do Óbolo de São Pedro. Com esta coleta o Papa socorre a humanidade em suas necessidades, especialmente em situações emergenciais, em nome dos Católicos do mundo. O resultado das Coletas realizadas em todas as Celebrações deste domingo deverá ser remetido à Cúria, que dará seu verdadeiro destino, fazendo-o chegar aos cuidados do Vaticano. Por vezes há resistência à Coleta do Óbolo de São Pedro por pura ignorância. Nem sempre as pessoas conhecem o bem que fazem, sendo generosas. Todos que se sentem dignos de serem cristãos, são conclamados a partilharem de sua pobreza em favor de quem tem menos. Pois é em nome da Igreja Católica Apostólica Romana, que o Santo Padre socorre nossos irmãos que são vitimadas pela fome, pela miséria, por catástrofes, como terremotos, enchentes e tantas outras ocasiões. Sejamos sensíveis e coerentes entre o que celebramos, pregamos e doamos.
Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço sempre amigo e fiel.
Padre Gilberto Kasper
(Ler At 12,1-11; Sl 33(34); 2Tm 4,6-8,17-18 e Mt 16,13-19)
           


HOMILIA PARA O DÉCIMO-SEGUNDO DOMINGO COMUM


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Jesus perguntou: ‘E vós, quem dizeis
que eu sou’!” (cf. Lc 9,20).

          Este Décimo-Segundo Domingo Comum do Tempo Litúrgico tem sabor espiritual, eclesial e pastoral muito especial para nossa Igreja Particular, a Arquidiocese de Ribeirão Preto, enquanto acolhe em posse solene na Catedral Metropolitana de São Sebastião, às 10 horas, o novo Pastor, nosso Oitavo Arcebispo Metropolitano, DOM MOACIR SILVA!
          Escolheu a Catedral Metropolitana para ocupar a Cátedra (Cadeira do Bispo) a partir de onde tem o múnus de anunciar o Evangelho, ensinar o rebanho a ele confiado, santificando-o e presidindo o Mistério de nossa Fé, a Eucaristia e os demais Sacramentos! A Catedral Metropolitana é a Igreja do Bispo, é a Mãe de todas as Igrejas de nossa Arquidiocese. É a Sé Metropolitana de uma Província Eclesiástica que conta com outras sete Dioceses chamadas sufragâneas: Barretos, Catanduva, Franca, Jaboticabal, Jales, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto. Dia 29 de Junho, Solenidade de São Pedro e São Paulo – Dia do PapaDom Moacir receberá das mãos do Papa Francisco, o Pálio, um colar de lã que lhe é imposto sobre seus ombros, a fim de promover entre as Dioceses que formam nossa Província Eclesiástica, em nome do Santo Padre, a Comunhão, a Unidade, a Missionariedade, o Discipulado, sendo o Pastor que zele pelo rebanho todo, acolhendo-o em seu coração configurado com Cristo, o Bom Pastor! É evidente que não cabemos todos na Catedral. Mas Dom Moacir optou por uma celebração de posse modesta e não “pomposa”. Os Padres, Diáconos, Seminaristas, Religiosos e Religiosas, bem como Representações das 85 Paróquias, Pastorais, Movimentos e Serviços lotarão a mesma. O Presbitério se apresentará ao novo Arcebispo, prometendo-lhe obediência, colegialidade e ternura!  “Permanecei em mim” (Jo 15,4) é seu lema episcopal, ao qual nos queremos unir e sermos uma linda Família Arquidiocesana! Deixará para conhecer seu rebanho ao voltar de Roma, quando agendará encontros por Foranias e Paróquias, para estar mais próximo de todos e de cada um. Como já disse o Papa Francisco: “Vai cheirar as ovelhas lá onde elas estiverem! Será o Pastor no meio de seu rebanho, próximo do povo, especialmente nas periferias de nossa Arquidiocese”. Gesto magnífico e lindo, que nos enche de esperança. Certamente virá conhecer, também, nossa amada Igreja Santo Antoninho!
          Fazemos nossas as palavras do Côn. Nasser Kehdy Netto, nosso Administrador Arquidiocesano, ao acolher nosso novo Arcebispo: “Bem-vindo, Dom Moacir. Já nos queremos bem em Cristo Jesus. O senhor é para nós um presente do Ressuscitado, uma bênção, que vem para unir nossas forças, ser ponto de encontro, confirmar prioridades e impulsionar nosso compromisso. Vamos evangelizar juntos, ser felizes juntos e semear felicidade. Receba o abraço de toda nossa Arquidiocese, padres, diáconos, religiosos e leigos. Bem-vindo!” (IGREJA HOJE – Junho – Ano 2013 – Nº 252, p. 11).
          Jesus é nosso mestre. Nós somos discípulos e discípulas dele. Com ele nos retiramos hoje, como o fazemos todos os domingos, para um momento de descanso, de oração, de escuta da Palavra e, depois, de celebração da Santa ceia, memorial da vitória da Páscoa.
          Isto é obra de Deus, pois ele quer nos firmar seu amor. Por essa razão, nos conduziu para cá e aqui nos reúne. Que nunca nos falte a graça de amar e temer esse Deus tão bom que, em Jesus e no Espírito Santo, sempre nos mostra o caminho para nossa realização humana.
          ‘Esta Eucaristia nos desafia a confessar que Jesus é o Cristo de Deus, fonte do amor e da vida. Nossa fé nos impele a derrubar toda barreira discriminatória e reconhecer que em Cristo somos um. Só assim teremos condições de segui-lo na fidelidade dia a dia. Celebremos em comunhão com todos os migrantes que anseiam por melhores condições de vida.
          Por sua palavra, Deus derrama um espírito de graça e piedade sobre cada um de nós, convidando-nos a nos revestir de Cristo e reconhecer nele o ungido a quem nos cabe seguir.
          Somos chamados a nos compadecer das muitas vítimas da violência. Somos desafiados a professar nossa fé em Jesus e segui-lo com desprendimento. Somos convidados a superar, em Cristo, todas as discriminações’ (cf. Liturgia Diária de Junho de 2013 da Paulus, pp. 73-76).
          É sabido que existem distinções e até discriminações no tratamento social. Como trabalhamos esta questão na Igreja, na comunidade de Cristo? A Palavra hoje nos anuncia ‘a igualdade de todos no sistema do Senhor Jesus. Acabou o regime da lei mosaica que considerava ser judeu um privilégio, por causa da Aliança com Abraão e Moisés. A crucificação de Jesus, em nome desse regime antigo, marcou a chegada de um regime novo. Simplesmente observar a lei de Moisés já não é salvação para quem conhece Jesus, para quem sabe o que ele pregou e como ele deu sua vida por sua nova mensagem e por aqueles que nela acreditassem. Estes constituem o povo da Nova Aliança. São todos iguais perante Deus, como filhos queridos e irmãos de Jesus – filhos como o Filho e coerdeiros de seu Reino, continuadores do projeto que ele iniciou.
          Neste novo sistema, não importa mais ser judeu ou não, escravo ou livre, homem ou mulher, branco ou negro, patrão ou operário, rico ou pobre... Mesmo não tendo chances iguais em termos de competição econômica e ascensão social, todos têm chances iguais no amor de Deus. Ora, este amor deve encarnar-se na comunidade inspirada pelo Evangelho de Jesus, eliminando desigualdade e discriminação. Provocada pelas diferenças econômicas, sociais, culturais etc., a comunidade que está ‘em Cristo’ testemunhará igual e indiscriminado carinho e fraternidade a todos, antecipando a plenitude à ‘paz’ celeste para todos os destinatários do amor do Pai. Programa impossível, utopia? Talvez seja. Mas nem por isso podemos desistir dele, pois é a certeza que nos conduz! Na ‘caridade em Cristo’, o capital já não servirá para uma classe dominar a outra, mas para estar à disposição de todos que trabalham e produzem. A influência e o saber estarão a serviço do povo. O marido não terá mais ‘liberdades’ que a mulher, mas competirá com ela no carinho e dedicação” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I de 2013 da CNBB, pp. 49-54).
          Somos todos convidados, neste mês de Junho a participar, na medida do possível, das festas juninas. Já celebramos nosso Padroeiro, Santo Antoninho, Pão dos Pobres, dia 13 passado. Amanhã celebramos o nascimento de São João Batista, é a festa popular de São João. Domingo próximo celebraremos a solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, o Dia do Papa! Vivamos neste Ano da Fé não meras devoções sendo mais pedintes do que agradecidos, mas vivamos a exemplo deles uma Fé madura e comprometida com o Reino de Deus, já existente entre nós!
          Estamos também nos aproximando da Jornada Mundial da Juventude, a iniciar-se exatamente daqui a um mês, quando receberemos nosso Pastor maior, o Papa Francisco!
Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Zc 12,10-11; 13,1; Sl 62(63); Gl 3,26-29 e Lc 9,18-24).






HOMILIA PARA O DÉCIMO-PRIMEIRO DOMINGO COMUM DO TEMPO LITÚRGICO


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“E Jesus disse: ‘Teus pecados estão perdoados’.
Tua fé te salvou. Vai em paz!’” (cf. Lc 7,48.50).


          “Para entender a Palavra deste domingo, imaginemos ver em Jesus um ser humano perfeitamente integrado. Homem totalmente simples, humilde, transparente, livre, sem armaduras, sem couraças, sem preconceitos, sem complicações... Decididamente centrado apenas na essência de nossos corpos, para além dos nossos padrões egoicos, limitados, transitórios, perecíveis, cujas absolutizações ameaçam sempre comprometer a qualidade da vida das pessoas... Humano assim, só Deus mesmo! Jesus é divinamente humano.
          Não estranha, pois, que esse Jesus aceita tranquilamente tomar a refeição na casa de um ‘crítico’ fariseu. Na mesma casa, tranquilamente se deixa perfumar, banhar e beijar por uma prostituta aos prantos. Por que esta mulher estigmatizada como pecadora agiu assim? Porque sentiu em Jesus o único homem capaz de ‘tocá-la’ como ela – talvez inconscientemente – sonhava que alguém a tocasse. Tocá-la em profundidade, para além do corpo dela, em sua essência, em sua alma. No corpo de Jesus, em seu olhar, em seus gestos, ela vislumbrou aquilo que mais buscava: o verdadeiro amor, divino amor, compreensivo, acolhedor, todo perdão, fonte de paz imorredoura. De fato, neste Jesus misericordioso, que ali se deixa ‘tocar’ pelos perfumes, pelo banho das lágrimas e beijos dela, ela mesma se encontrou: experimentou-se conectada à sua própria essência, à sua ‘imagem e semelhança’ com o mistério que nos transcende, conectou-se ‘consigo’ mesma e desmoronou aos prantos...
          O fariseu, fechado em seus padrões egoístas, rigidamente identificado apenas com seu ‘papel’ religioso, portanto cego para o mistério de Deus no mistério do humano, não consegue entender a atitude da mulher. Muito menos consegue entender a de Jesus. Não percebe em Jesus o divinamente humano, a presença do amor misericordioso do próprio Deus. Por isso, no fundo, nem lhe dava muita importância, o que se traduziu no modo um tanto displicente como o acolheu em sua casa. Bem outra foi a atitude daquela prostituta, porque intuiu quem de fato era Jesus, sua atitude foi de franca, confiante e emocionante acolhida do divino amor ali presente, que não a condena, mas a perdoa totalmente e lhe resgata a verdadeira paz.
          Quantos de nós, clérigos e bons leigos, em nossas Comunidades nos revestimos do anfitrião fariseu, julgando os outros com pressa, pensando-nos “deuses” sobre aqueles que consideramos “os prostitutos e as prostitutas” de nosso tempo? Como nossa capacidade de perdoar ainda está aquém do que o Cristo espera de nós, Comunidade de Comunidades: uma nova Paróquia! Cheios de regras, normas, exigências complicadas, preconceituosos nos achamos os ‘certinhos’, só porque nossos defeitos e pecados talvez mais mal cheirosos do que os das ‘prostitutas’ de hoje continuam anônimos. Não tenho dúvida de que isso é abominável a Jesus, cheio de amor e misericórdia, que não cansa de exalar sua ternura junto aos que se arrependem e se voltam, mesmo que aos prantos diante dele.
          ‘A Eucaristia é o memorial do amor de Deus, que a todos estende seu perdão e a todos acolhe. Dispostos a deixar Cristo viver em nós, somos convidados a celebrar em comunhão com aqueles que são discriminados por motivos diversos e rezarmos por todos os sofredores de nossa comunidade.
          Diante do arrependimento e do amor que a pessoa demonstra, Deus mostra-se compassivo e disposto a perdoar o pecador. Animados pela fé em Jesus Cristo, acolhamos a palavra que nos salva.
          O amor de Deus supera nossos pecados. O amor e o perdão andam de mãos dadas. A fé em Cristo nos salva e nos leva a agir como ele” (cf. Liturgia Diária de Junho de 2013 da Paulus, pp. 54-57).
          Como vemos, pois, ‘protagonista da liturgia deste domingo é o amor de Deus que, na pessoa de Jesus, se doa como perdão para todos nós pecadores, homens e mulheres... Experimentar a misericórdia de Deus, encontrar o seu perdão, significa para o ser humano viver a alegria profunda do ‘retorno à casa do Pai’, encontrando aquela dimensão essencial de paz, de serenidade, de comunhão com Deus e de harmonia interior consigo mesmo e com as outras pessoas.
          A grande lição que hoje podemos tirar é esta: ‘São amigos de Deus (‘justos’) aqueles que reconhecem diante de Deus sua dívida de amor e dele recebem remissão. Então, abrir-se-ão em gestos de gratidão, semelhante ao gesto da pecadora’(cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I de 2013 da CNBB, pp. 43-48).
          Feliz daquele que tem a capacidade de perdoar sempre. Mesmo que a pessoa a ser perdoada não o mereça segundo nossos critérios. Mas perdoar para que eu experimente a recompensa da paz interior. Logo, perdoar não significa esquecer, mas lembrar sem rancor, nem raiva e muito menos ódio.
          Sejam todos sempre muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço fiel e amigo,
Pe. Gilberto Kasper
          (Ler 2Sm 12,7-10.13; Sl 31(32); Gl 2,16.19-21 e Lc 7,36-50-8,1-3).




          

HOMILIA PARA O NONO DOMINGO DO TEMPO COMUM


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis;
inclinai o vosso ouvido e escutai-me!” (Sl 16,6).

          “Estamos precisamente no início do mês de junho, mês de muitas festas: dia 7, celebramos a solenidade do Sagrado Coração de Jesus; depois teremos as festas juninas, pelas quais admiramos e celebramos alguns irmãos nossos, especialmente santificados pelo Espírito do Senhor: Santo Antônio, dia 13, Padroeiro de nossa Reitoria que neste ano celebra os 110 anos de sua abertura, carinhosamente conhecido por todos como Santo Antoninho, Pão dos Pobres, São João, o Batista, dia 24, São Pedro e São Paulo, dia 29, em que nosso novo Arcebispo Metropolitano, DOM MOACIR SILVA, recebe das mãos do  Santo Padre o Papa Francisco, o Pálio na Basílica de São Pedro, no Vaticano em Roma.
          Hoje, especialmente hoje, como todos os domingos, é festa. Grande festa, pois é domingo, dia semanal em que celebramos a Páscoa do Senhor e nossa Páscoa. Como, aliás, diz uma das orações do Missal: ‘Senhor, Pai santo, é nosso dever e salvação, dar-vos graças e bendizer-vos, porque, neste domingo festivo, nos acolhestes em vossa casa. Hoje, vossa família, reunida para escutar vossa Palavra e repartir o Pão consagrado, recorda a ressurreição do Senhor, na esperança de ver o dia sem ocaso, quando a humanidade inteira repousará junto de vós. Então, contemplaremos vossa face e louvaremos sem fim vossa misericórdia’.
          O Senhor nos fala, quando são proclamadas as Escrituras. Somos convidados a alimentarmo-nos dela, comungando-a como comungamos o pão consagrado, que é Seu próprio Corpo dado a nós, tornando nosso coração seu ‘Porta-Jóias’, seu ‘Sacrário’ ou seu ‘Tabernáculo’. Que tal comunhão da Palavra e da Eucaristia continue ressoando aos nossos ouvidos e aquecendo nosso coração.
          ‘Contemplamos neste Nono Domingo do Tempo Comum o exemplo de fé deixado pelo oficial romano. Seu testemunho nos anima a celebrar e fortalece nossa caminhada neste Ano da Fé. Segundo o Papa Emérito Bento XVI, ‘a fé vivida abre o coração à graça de Deus, que liberta do pessimismo’, e o Ano da Fé pode ser compreendido como ‘uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: o evangelho e a fé da Igreja’.
          A nos une na escuta da palavra de Deus. Ela reconhece fronteiras e faz de muitos povos e grupos um só povo comprometido com o evangelho de Jesus.
          Somos convidados a rezar por todas as pessoas, e todas podem ter acesso à casa que é de todos, a Igreja. A fé não conhece fronteiras nem grupos étnicos ou religiosos. Para ser fiel a Jesus Cristo, é preciso fidelidade ao evangelho em sua essência’ (cf. Liturgia Diária de Junho de 2013 da Paulus, pp. 17-19).
          A Palavra nos coloca hoje frente a uma admirada e elogiada por Jesus. Que ? ‘A fé que não conhece fronteiras nem raças. Jesus Cristo e o Pai que ele veio revelar são os mesmos em qualquer parte do mundo. Pode acontecer que, como aconteceu com Jesus, encontremos mais fé fora que dentro de ambientes religiosos. Isso nos deve manter em atitude humilde e respeitosa. O respeito é devido também a quem não crê ou professa a nossa mesma fé. Temos em comum a mesma fé no Senhor morto e ressuscitado por nós, mas cada povo deve expressar a própria fé a partir de sua cultura e realidade’.
          Os que moram mais perto da Igreja não são necessariamente os que têm mais fé. Muitos cristãos tratam a religião como tradição de família ou forma de aparecer; mas no fundo do seu coração não acreditam, não dão crédito a Deus. Dirigem-se por seu próprio nariz, sem deixar Deus se intrometer nos seus negócios... Decidem por conta própria o que lhes convêm, Deus e religião à parte. E mesmo quando estão em apuros por interesse próprios. Diferente é a fé do oficial romano pagão, que usa a magnífica imagem tirada da vida militar para reconhecer o poder de Jesus e lhe pedir pela vida de seu empregado. Este pagão reconheceu em Jesus a presença do Deus da vida.
          Então poderíamos perguntar e nos questionar: Será que também hoje se encontra tamanha fé entre os que não pertencem oficialmente à Igreja, mas talvez no coração estejam mais próximos de Jesus do que nós? Não apenas os pagãos que ainda não ouviram o Evangelho..., mas os pagãos de nossas selvas de pedra, de nossa sociedade, que abafou o Evangelho a tal ponto que, apesar dos muitos templos, ela já não chega ao ouvido das pessoas. Tal que se diz ateu, talvez porque nunca encontrou verdadeiro cristianismo, ou tal que vive dissoluto, por ter sido educado assim; ou então, tal que busca Deus com o coração irrequieto de Santo Agostinho... todos esses não receberão maior elogio de Deus do que os cristãos acomodados?
          Graças a Deus que sua Palavra hoje nos faz tomar consciência disso. É muito bom para todos nós, cristãos, discípulos e discípulas de um Mestre muito especial, Jesus Cristo. É bom e libertador, porque nos ajuda a descobrir a riqueza dos outros, o modo como Deus se manifesta em todo o universo humano. É bom e libertador, porque aprendemos a dar mais valor a esse modo único no qual Deus se dá a conhecer em Jesus Cristo.
          Que o Espírito Santo de Deus e seu santo modo de operar nos ilumine, para sermos humildes e termos a admirável fé que teve o oficial romano, não judeu, portanto pagão, que generoso e solidário com os outros, foi capaz de ver, no ser divinamente humano, Jesus de Nazaré, a presença perfeita do Deus solidário, o Deus da vida” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I de 2013 da CNBB, pp. 25-30).
          Insisto sempre comigo mesmo e com meus interlocutores, que nossa fé só amadurecerá na medida em que for comprometida com os valores essenciais ao cristão: amor gratuito, verdade, justiça, liberdade e paz. A vivência em nossas Comunidades, Pastorais e Movimentos de uma madura, logo comprometida, só será verdadeira, na medida em que tivermos coragem de profunda conversão, coerência entre o que cremos e vivemos e bom senso, que nos incentive ao zelo e sensibilidade pastorais sempre!
Sejam sempre muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler 1Rs 8,41-43; Sl 116(117); Gl 1,1-2.6-10 e Lc 7,1-10).



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