domingo, 3 de agosto de 2014

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
MÊS VOCACIONAL
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“O homem não vive somente de pão,
mas vive de toda palavra que sai da boca de Deus,
e não só de pão. Amém. Aleluia, aleluia!” (Mt 4,4).


          A Palavra de Deus do Décimo-Oitavo Domingo do Tempo Comum, coloca-nos diante do evento da Multiplicação dos Pães, em que “Jesus nos convida a nos alimentar de sua palavra e da eucaristia para que ninguém vá embora com fome. Celebramos a Páscoa de Cristo, a qual se manifesta em todas as pessoas e grupos que têm compaixão dos pobres e famintos e sabem partilhar com eles.
          O reino de Deus não pode se concretizar enquanto houver fome de pão e de dignidade. Banquete com fartura é sinal do projeto de Jesus, que tem compaixão do povo e convoca seus seguidores para que alimentem as multidões famintas.
          Somos gratuitamente convidados a participar do banquete messiânico. Jesus propõe a superação da fome e da miséria. O amor de Deus é nosso aliado, ninguém pode nos separar dele. (cf. Liturgia Diária de Agosto de 2014 da Paulus, pp. 23-25).
          Deus destinou os bens da criação para todos. Mas uns poucos se apoderaram deles, conservando os demais sob férrea dependência, incapazes até de ter acesso aos bens básicos da vida. O banquete da vida se tornou privilégio de poucos, que vivem à custa do sangue dos pobres explorados. Deus subverte essa situação, convidando os pobres explorados a sair da dependência e a saborear o banquete da vida, na liberdade e fraternidade, onde o comércio é substituído pela partilha dos bens da criação. Dessa forma inicia o novo êxodo do povo de Deus em direção ao mundo novo. Jesus deu a esse mundo novo sua forma definitiva, convidando as pessoas a lutar para que ele se concretize no meio de nós.
          Para longe de todos os poderes de morte, dos Herodes que, com seus banquetes de morte, buscam ter vida, matando a esperança do povo, como fizeram com João Batista, Jesus vai para um lugar deserto e afastado. É das cidades, isto é, do espaço onde impera o domínio de Herodes e de seu sistema explorador, que o povo sai (= êxodo!), indo ao encontro do Messias libertador, precisamente no espaço da aliança, no deserto. E qual a reação de Jesus? Encheu-se de compaixão, isto é, sofreu com aquela gente sofrida.
          É neste lugar deserto e afastado, que se aprende, na prática, o segredo do Reino de Deus em oposição ao reino de Herodes. Não é indo comprar nas vilas, isto é, deixando-se explorar pelos que têm para vender, que os pobres terão comida em abundância, mas partilhando aquilo que possuem.
          A Palavra que é Jesus em sua totalidade já está em nosso meio, nada nos separa dela. Esse Jesus-Palavra é o primeiro alimento a nos fortalecer com seu segredo, a saber, a alternativa de uma sociedade de partilha fraterna, capaz de saciar a fome de todos. Ouvir, assimilar e colocar em prática esta Palavra que é Jesus, eis o desafio que temos pela frente.
          Diante da Palavra proclamada neste domingo e diante do Projeto de Jesus Cristo anunciado, somos impelidos não apenas a alimentar-nos a nós mesmos, porém, saciados, assumir o compromisso da erradicação da fome e da miséria em nossas Comunidades de Fé. Segundo a ONU, um bilhão de pessoas no mundo passa fome, diariamente. A disparidade entre pobres e ricos ainda é indecente. Vivemos na Região de Ribeirão Preto, entre uma das maiores concentrações econômicas e um incalculável número de pessoas sem nenhuma perspectiva de vida digna.
O compromisso evangélico que se espera de nós, é a promoção da dignidade da pessoa em sua totalidade. Não é jogando “migalhas” daqui  e dali que estaremos assumindo nossa missão de verdadeira partilha.
          Gosto de frisar que sempre devemos partilhar de nossa pobreza, oferecendo o que temos de melhor àqueles que dependem de nossa responsabilidade e que têm menos do que nós. Saber que possuímos um dos “lixos mais luxuosos do País”, deve no mínimo, remeter-nos a buscar soluções que não só matem a fome imediata das pessoas, oferecendo-lhes “sopas, lanches, esmolas e outros tipos de migalhas”, mas oportunidades de vida e não de sobrevivência!
          A Décima-Oitava Semana do Tempo Comum é enriquecida pelo início do Mês Vocacional. Neste primeiro domingo do mês vocacional, recordamos os vocacionados para o ministério ordenado – diáconos, padres e bispos – e rezamos de modo especial pela santificação de todos eles. Pois só um padre santo poderá santificar sua comunidade, e isso se faz possível no profundo encontro de ambos, na oração!   
          Finalmente sonhamos com o dia em que todo ser humano tenha direito, de verdade, a sentar-se à mesa comensal de nossas Comunidades!
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 55,1-3; Sl 144(145); Rm 8,35.37-39 e Mt 14,13-21).

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