Archive for Janeiro 2014

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“O Senhor é minha luz e salvação.
O Senhor é a proteção da minha vida” (Sl 26).

          “O mistério pascal, que celebramos no Terceiro Domingo do Tempo Comum, permite-nos acompanhar Jesus no início de sua missão, na Galileia e sermos chamados à conversão e à missão.
          Junto aos doentes, aos sofredores e aos mais pobres, Jesus anuncia a chegada do Reino de Deus, chama os primeiros discípulos, cura e alivia as enfermidades do povo.  Na visão de Mateus, ele realiza a profecia de Isaías, proclamada no Natal – O povo que andava nas trevas viu uma grande luz – e repetida para nós, neste domingo, na primeira leitura.
          Jesus começa sua missão entre os mais desprezados, os que são considerados pecadores. A luz que resplandeceu no Natal é para todos, não apenas para os puros, os eleitos, os melhores. Pelo contrário, a preferência de Jesus é mesmo para os que são tidos como menores. Dessa opção, nasce a espiritualidade cristã do seguimento não de uma doutrina perfeita, mas de uma pessoa e seu projeto, Jesus. Seguir Jesus é entrar em sua escola, a favor de quem se encontra na periferia do mundo, como disse o Papa Francisco em sua viagem ao Brasil.
          Na Bíblia, o mar é sinônimo do mal, da escuridão, algo caótico e forças contrárias à vida. A missão dos seguidores de Jesus é tirar as pessoas dessa situação e levá-las para a luz. O chamado de Jesus se estende até nós. Deixemos com generosidade tudo para entrar nessa caminhada.
          Seguir Jesus parece uma loucura, a loucura da cruz. Seguimento que não cria divisões, mas abraça com amor e compreensão, tudo o que é humano e que promove a dignidade de filhos e filhas de Deus. Pertencemos a Cristo que pertence a Deus. Também nós somos chamados a anunciar o evangelho sem nos determos em competições e disputas sobre quem é maior.
          Podemos nos deixar iluminar hoje também pelas palavras de ordem do Papa Francisco, quando esteve entre nós na Jornada Mundial da Juventude. Muitas vezes, ele repetiu que devemos viver a misericórdia. A misericórdia adquire o sentido amplo de ‘serviço’, ‘diálogo’, ‘proximidade’, ‘encontro’, ‘simplicidade’ e ‘transparência’. Muitas vezes, ele repetiu que é preciso ‘sair de si’ e ir para as ‘periferias existenciais’. Falando aos Bispos do CELAM – Comissão Episcopal Latino-Americana -, disse palavras que são programáticas para nós, para todos os cristãos, não só para os Bispos. São exigências feitas por Cristo para todos seus seguidores: ‘... amem a pobreza, quer a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, quer a pobreza exterior como simplicidade de vida’.
          O projeto de Jesus, sua pregação, tem seu início oficial, na Galileia das nações, entre os mais espezinhados, maltratados, pecadores, pobres em todo o sentido. Galileia das nações, periferia social, geográfica, existencial, lugar descartável, de gente descartável, considerada estorvo ao desenvolvimento global nas análises econômicas. É lá que devemos ir, ver o Senhor e permanecer com Jesus Cristo em seu projeto de salvação e libertação total.
          Como filhos e filhas da luz, somos chamados para, continuamente, vencer, pela conversão constante, as trevas e a dureza que envolvem nossa vida e a vida dos irmãos.
          Renovando hoje seu chamado, o Senhor nos revigora com seu Espírito, pela comunhão fraterna, por sua Palavra e com o sacramento de seu Corpo e Sangue, para que, mais disponíveis, prestativos e alegres, abandonemos também ‘nossas redes’ para sermos pescadores de gente em vista do Reino” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum de 2014 da CNBB, pp. 84-88).
          Segundo a Palavra de Deus deste Terceiro Domingo do Tempo Comum, bem como a Exortação do Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, somos convidados a tornar-nos discípulos e missionários do Senhor, seguindo em tudo, o modo de ser e de viver do Mestre. Penso que poderíamos levar de nosso Encontro, como alimento para a semana, dois pensamentos: sermos simples e humildes servidores do Reino de Deus e revestir-nos da ousada coragem profética de transformação de uma cultura do descartável, promovendo a cultura do encontro entre as pessoas, que lhes devolva a dignidade!
          Sejam todos sempre e muito abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço sempre amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 8,23-9,3; Sl 26(27); 1Cor 1,10-13.17 e Mt 4,12-23).

          

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Sabemos que Deus nos ama
e cremos no seu amor” (1Jo 4,16).


          “O Segundo Domingo do Tempo Comum liga a Festa do Batismo do Senhor ao seu ministério público na Galileia. Ainda em clima de epifania, o evangelho de João torna-se mais adequado que o evangelho de Mateus (evangelista do ano A), para iniciar a narração da vida pública de Jesus. Continua assim o mistério de sua manifestação que terá seu desfecho final na cruz.
          Ao recordar o testemunho de João Batista após o batismo no Jordão, celebramos o mistério da Páscoa de Jesus. João o reconhece e o apresenta como o Servo Fiel, o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo e que batiza no Espírito para que o mundo seja renovado.
          Nossa missão é participar da missão de Jesus que recebemos em nosso Batismo na água e no Espírito. O Espírito do Ressuscitado está sobre nós para colaborarmos com a luta contra todo pecado que ainda domina a humanidade. Não podemos fechar nossos lábios, mas levar a todos os lugares as boas novas da justiça de Deus. O reino de Deus, diz Jesus, é um Reino de Justiça. Logo, onde não há justiça de verdade, não pode haver Reino de Deus!
          Em Cristo, sofrem e salvam, morrem e ressuscitam todos os que aceitam romper com os ídolos, acabar com o medo e sair da ‘casa da escravidão’, porque sabem que a Palavra que os conduz não cessou de ser eficaz. Não é possível dizer-se cristão, sendo conivente com a ‘Cultura do Descartável’, como afirma o Papa Francisco. Não é possível dizer-se cristão, ignorando a corrupção, as barganhas políticas, levando os mais simples e pobres ‘no bico’ com migalhas, como Bolsas daqui e dali... Precisamos criar consciência crítica e, por onde andarmos, resgatar a dignidade de cada ser humano!
          Pelo Batismo assumimos nossa missão de seguir Jesus. Isto amplia nossa missão humana. Como filhos amados do Pai, servos de Deus, nossa fidelidade consiste em nos empenharmos, de todas as formas, para tirar o pecado do mundo, lutando contra todas as espécies de morte, e proclamarmos a vitória da vida, pelo cultivo constante da reconciliação, da justiça e da paz.
          Rezamos em nossas celebrações: ‘Cordeiro de Deus que tirais o pecado mundo, tende piedade de nós e dai-nos a paz.’ O pecado consiste na autoafirmação do ser humano, que se encerra em seu próprio poder para colocar-se contra Deus e os irmãos. O pecado a algo que atinge o mais profundo da pessoa, pois vai desumanizando, pessoalmente, socialmente, até atingir as estruturas sociais e políticas. O pecado não se trata de uma violação de leis ou de uma ofensa a Deus, mas de uma recusa ao amor gratuito de Deus, infidelidade ao seu projeto, desprezo à sua Aliança, rejeição ao reinado do Senhor. Pecar é não aceitar que Deus quer que vivamos entre nós. Pecadores somos, se formos ‘servidores’ do nosso insignificante poder físico, intelectual, econômico, político, social e não aceitarmos servir aos irmãos e nos fecharmos a Deus a à sua graça e ao futuro último que Ele nos oferece em sua misericórdia e sabedoria.
          Deixemo-nos inundar pelo Espírito de Jesus. Como água viva, seu Espírito nos penetra, impregna e transforma nossos corações. Ele é fonte de vida nova, porque é Espírito de vida! É Espírito de verdade e não nos deixa enganar por falsas seguranças. É Espírito de amor, capaz de nos libertar da covardia e do egoísmo e nos abrir à solidariedade e a compaixão. É Espírito de conversão que nos faz viver com os critérios de Deus, suas atitudes e ternura. É Espírito de renovação, despertando o melhor que há em nós e na Igreja, levando-nos à maior fidelidade ao evangelho.
          Recordamos a vocação de toda a humanidade de realização plena. Todos somos chamados para a plenitude! Como discípula de Jesus, a comunidade cristã é chamada a irradiar a luz de Cristo em todas as situações e instâncias da vida” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum de 2014 da CNBB, pp. 79-83).
          Saibamos alimentar nossa missão de transformar a realidade, comungando da Palavra e da Eucaristia, que são nosso mistério de fé, como também a fortaleza de que precisamos para mudar o que precisa ser mudado, a fim de que Deus encontre prazer e alegria em nós, seus filhos muito amados!
          Com ternura e gratidão, desejando-lhes muitas bênçãos, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 49,3.5-6; Sl 39(40); 1 Cor 1,1-3 e Jo 1,29-34).
          

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

FESTA DO BATISMO DO SENHOR

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!



          Concluindo as celebrações natalinas, festejamos o Batismo de Jesus. Embora não precisasse ser batizado, o Senhor quis se solidarizar com todo o povo que buscava o batismo de João. Esta liturgia é momento favorável para relembrarmos e renovarmos nossos compromissos batismais.
            As leituras nos revelam o servo de Deus, fortalecido pelo Espírito e enviado para proclamar a boa-nova da paz. Pelo batismo também nós recebemos o Espírito que nos anima na missão e nos dá força para perseverar no bem.
            Somos servos do Senhor a serviço da comunidade e responsáveis por construir uma sociedade justa. Jesus busca, em João, o batismo. Aí é proclamado ‘Filho amado de Deus’. A prática da caridade e da justiça deve ser nosso diferencial diante de Deus” (cf. Liturgia Diária de Janeiro de 2014 da Paulus, pp. 43-46).
            Em cada batizado que celebro, costumo fazer três perguntas aos pais e padrinhos: Sabem o dia em que foram batizados? Quem (o padre) os batizou? São de Igreja, participando de alguma Comunidade de Fé? Geralmente a reposta é “NÃO”. Quem não sabe o dia do batizado, também não o celebra, pelo menos, consciente e livremente. Talvez por tradição, ou porque é hábito da família. Sem uma Comunidade, que sustente os compromissos batismais, a fé recebida no dia de nosso batismo esclerosa, resseca, mofa. Já o Ano da Fé foi um insistente convite, de que arejemos nossa fé, cultivando-a e por meio dela, anunciemos as maravilhas que os dons do Espírito Santo realizam naqueles que se abrem a Ele. Esconder tais dons significa insensibilidade, indiferença e até omissão. Eis a hora de assumirmos nossa fé, como dom precioso que nos é dado desde o “Útero da Igreja”, a Pia ou Bacia Batismal!
            “A festa do Batismo de Jesus revela para nós mais uma dimensão de sua encarnação. É a manifestação pública da sua missão. Solidário com o povo, Jesus também entra nas águas do Jordão para receber o batismo. O seu mergulho na água se liga com seu mergulho na nossa humanidade. Jesus se faz solidário, e mais ainda, Servo e Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele assume nossa condição humana, num ato solidário, que o leva até a Cruz. É uma caminhada que vai em direção à Páscoa.
            Podemos nos perguntar se, a partir do Batismo de Jesus, procuramos entender e concretizar o nosso batismo. Se estivermos dispostos a ‘mergulhar’ no projeto de Jesus para construir relações humanas construtivas, a começar pela família, no aconchego do lar, na escola, no trabalho, na Igreja, no mundo, com atitudes solidárias, ecumênicas.
            A liturgia deste domingo, que encerra o Tempo do Natal, recorda o batismo de Jesus, por João Batista, nas águas do rio Jordão onde ele é manifestado como Filho amado do Pai. Solidário com os que buscavam a conversão e a vida nova, ele se deixou batizar, enquanto permaneceu em oração. Em sintonia com o povo e com Deus, Cristo ouviu a voz do Pai que o consagrou para cumprir o seu plano de salvação.
            Jesus havia acolhido o movimento de João Batista, a voz profética que ressoa, após anos de silêncio. Sobre ele desce a plenitude do Espírito Santo, a força do amor do Pai, para realizar a sua vontade. Assim o Reino, que se manifesta através de seu ministério, expressa o desígnio salvífico de vida plena para toda a humanidade. Quem o segue no caminho do discipulado é impelido a trilhar o seu caminho de justiça e de solidariedade.
            Deus se revelou em Jesus, confiando-lhe a missão de Servo e Filho amado. Pelo batismo, mergulhamos no mistério da morte e da ressurreição de Jesus para vivermos a vida nova. Em Cristo, recebemos o Espírito para a missão e fomos adotados/as como filhos e filhas de Deus. Somos gerados a cada dia, pelo amor misericordioso e bondade infinita do Pai, para renovarmos a nossa adesão e o nosso compromisso com o seu Reino.
            Iluminados e ‘banhados em Cristo, somos uma nova criatura! As coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo’. Unidos a Cristo, o Ungido do Pai, nos tornamos continuadores de sua missão profética, sacerdotal e régia. Ele nos confirma no anúncio e testemunho da Boa Nova do Reino, pois ‘passou a vida fazendo o bem e curando a todos os que estavam sob o poder do mal’.
            Vamos abrir o ouvido do coração para acolher a voz do Pai, que ressoa dentro de nós, e que declara nossa missão: Tu és minha filha muito amada, tu és meu filho muito amado” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 24, pp. 60-65).
            O Batismo é nosso segundo parto. Primeiro partimos do útero de nossa mãe. Quando batizados, partimos do útero da Igreja, preparando-nos à luz da fé que nele recebemos, para o parto definitivo, que se debruça sobre a esperança de que morrendo, partindo do útero da terra, veremos Deus como Deus é, e isso nos basta. Renovemos nossos compromissos batismais, buscando viver nosso Batismo na relação com Deus, que nos adota como seus de verdade, e com os outros, que se tornam nossos irmãos, para santificar-nos. Todo batizado torna-se um ser divinizado, isto é, candidato à santidade. Por isso não é nenhuma pretensão descabida, queremos ser santos. Devemos, isso sim, esforçar-nos todos os dias, para sermos santos.
            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço sempre amigo e fiel,
Pe. Gilberto kasper

(Ler Is 42,1-4.6-7; Sl 28(29); At 10,34-38 e Mt 3,13-17).

AINDA EM TEMPO DE NATAL!

          AINDA EM TEMPO DE NATAL!

Pe. Gilberto Kasper


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente da Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo Educacional da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

Nesta semana vivemos, ainda em tempo de Natal! Entre as Solenidades da Epifania e do Batismo do Senhor, continuam ressoando em nosso interior a sensibilidade e o espírito de fraternidade, que, geralmente as festas natalinas produzem na criatura humana.
Epifania significa a manifestação do Salvador, em nossa realidade humana, atingindo a todos sem discriminação. Este é o grande mistério celebrado, sob diferentes aspectos, pelo Natal e pela Visita dos três Reis Magos ao Menino de Belém, vindos do Oriente, guiados por uma estrela. Esta festa nos convoca a uma comunhão universal com todos os povos, com os diferentes jeitos de adorar a Deus e a buscar a libertação, a dignidade e a paz, a partir dos pobres.
Herodes e as autoridades eclesiásticas daquele tempo não se conformavam com o nascimento do Salvador. Ele colocava em risco tudo aquilo que os mantinha no poder. Ameaçava o prestígio, os cargos, funções e privilégios que, à custa do povo simples, alimentava a inveja e o medo de perder a vida que os embriagava de luxo, soberba, prepotência e arrogância. É parecida a realidade atual, quando fica patente a inveja nas dimensões familiares, pastorais, políticas e sociais. Os “Herodes” de hoje não pensam duas vezes para degolar qualquer pessoa que lhes represente risco de mudança. Esses, naturalmente, não vivem o mistério do Natal, porque a manjedoura de seus corações continua cheia de “coisas”, menos Jesus Cristo!
Com a festa do Batismo do Senhor encerramos o tempo de Natal. Saímos dos evangelhos da infância de Jesus e nos colocamos na vigília de sua vida pública.
Jesus não se comporta como um filho privilegiado de Deus, mas se coloca na fila dos pecadores para receber o batismo de João Batista. É solidário com os menores, os pecadores, os últimos.
Como povo sacerdotal, assembléia de batizados, somos confirmados como filhos amados de Deus com a missão de ser luz (estrela) das nações e alegres anunciadores da boa-nova do Reino. Vivendo a fé recebida em nosso batismo, seremos capazes de apontar, como estrelas, somente para Jesus!


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

FESTA DA EPIFANIA DO SENHOR

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!



          “A festa da Epifania celebra a manifestação de Jesus Cristo, luz e salvação de Deus, a todos os povos e nações. Jesus é o verdadeiro Messias, o rei justo, o libertador, esperado por todas as pessoas comprometidas em construir o Reino da justiça. Os sábios do Oriente representam os que se deixam guiar pela luz, pelo projeto de Deus a serviço da vida plena. Eles experimentaram uma grande alegria ao encontrarem Jesus, o rei dos judeus, e o adoram, oferecendo-lhe os seus presentes.
            As promessas das Escrituras acerca do Messias são compreendidas à luz da fé na ressurreição. Quem se deixa iluminar pela sabedoria de Deus, acolhe e reconhece Jesus como o Messias prometido, o portador da salvação a toda a humanidade. A ambição, o poder, como os de Herodes, leva a rejeitar a presença do Salvador desde o seu nascimento. A atitude dos reis, que chegam de longe para adorar o Menino, contrasta com a dos chefes de Jerusalém que tramam sua morte.
            ‘Somos convidados a seguir o exemplo dos magos: guiados pela estrela, caminhar ao encontro do salvador da humanidade. A páscoa de Cristo se manifesta como luz na vida de todos nós que esperamos a revelação do Senhor e ansiamos por unidade, justiça e paz.
            Contemplemos nas leituras a glória do Senhor, luz que ilumina e reúne em torno de si toda a humanidade, e acolhamos com fé a manifestação do recém-nascido, nosso salvador.
            Abandonemos o desânimo e olhemos para frente com esperança, pois a glória de Deus já se manifestou sobre a humanidade. Precisamos descobrir a estrela que nos guie de forma segura ao longo do ano. Já não há povo excluído das promessas divinas, manifestadas em Jesus. Deus se manifesta a todos os povos na pessoa frágil do menino Jesus’ (cf. Liturgia Diária de Janeiro de 2014 da Paulus, pp. 27-30).
            O episódio dos reis magos acentua o acolhimento de Jesus e sua mensagem pelos gentios e prefigura a missão universal dos discípulos de evangelizar ‘todas as nações’. É um apelo bem atual para a nossa realidade. ‘Que todos os povos, representados pelos três magos, adorem o criador do universo; Deus seja conhecido não apenas na Judéia, mas no mundo inteiro, a fim de que por toda a parte o seu nome seja grande em Israel’ (São Leão Magno). A partir da próxima terça-feira, dos dias 7 a 11, será realizado o 13º Intereclesial das CEBs, na cidade de Juazeiro do Norte (CE),  com o tema: ‘Justiça e profecia a serviço da vida’ e o lema: ‘CEBs, romeiras do reino, no campo e na cidade’.  O itinerário percorrido pelos magos propõe o caminho para encontrar Jesus. Ao descobrir os sinais (a estrela), eles se colocam no caminho, perguntam aos que conhecem as Escrituras, procuram até encontrá-lo e o adoram, aderindo a ele com a fé e a vida.
            O encontro com o Senhor transforma a nossa vida. Sua presença e palavra nos iluminam e nos convidam a levantar, comprometendo-nos a construir um caminho novo de libertação. Em Cristo nos tornamos discípulos e discípulas, participantes da mesma herança, do mesmo corpo, da mesma promessa de salvação. A ‘Epifania’ do Senhor nos proporciona viver a comunhão e a fraternidade com todos os povos do universo.
            Lá na periferia, longe do palácio real, ‘os magos viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra’ que indicam, respectivamente, a sua realeza, divindade e incorruptibilidade” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 24, pp. 54-59).
            A estrela que leva os cristãos a Jesus nos dias atuais, é a fé recebida, como dom gratuito no dia em que mergulhados no útero da Igreja, a Pia Batismal. Adotados da sabedoria divina, nosso horizonte aponta a “estrela” que nos conduz a Jesus. Além disso, todo cristão é convidado a ser estrela a qualquer pessoa que esteja à procura de Jesus. É interessante que os Magos procuram saber o itinerário com Herodes, porque nem de longe poderiam imaginar que aquele rei não soubesse do acontecido em Belém. Enganados pelo rei invejoso, tomam caminho adverso, depois de encontrar-se com Jesus. Mesmo assim não conseguem evitar que a inveja incontrolável de Herodes mande matar todos os meninos com menos de dois anos de idade. Seria insuportável conceber um rei em seu lugar, ou então, alguém superior a ele.
            Quantas vezes, entre nós, vestimos a inveja de Herodes, degolando (com nossa língua maldosa) nossos irmãos por pura inveja?
            Há quem engane o itinerário até Jesus. São aqueles que se rogam o direito de julgar, condenar e despistar, para não dizer, enxotar as pessoas de nossas Comunidades: seja por ignorância, seja por pura inveja, esta que cheira a Herodes!
            Como seria bom e agradável ao Senhor, que a Epifania fosse mais real, sincera, sentida e comprometida em nossas Comunidades Eclesiais, Políticas e Sociais. Ainda há tempo de conversão! Sejamos a Estrela que conduza nossos irmãos a Jesus o Salvador!
            Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 60,1-6; Sl 71(72); Ef 3,2-3.5-6 e Mt 2,1-12).

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

                                                                         
                                                             
                                                          FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE
                                                     JESUS, MARIA E JOSÉ




Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Vieram apressados os pastores
E encontraram Maria com José,
E o menino deitado no presépio” (Lc 2,16).

          “A Palavra de Deus nos convida à transformação das relações pessoais, familiares, comunitárias, sociais e cósmicas. A família está inserida no contexto sociopolítico-econômico-ecológico, assim os problemas sociais, políticos, econômicos, ambientais a atingem e recaem sobre ela.
          Injustiças, violências, desemprego, salário baixo, competição desmedida, falta de comunicação verdadeira entre as pessoas, exploração de gênero, desmatamento, poluição das águas e do ar atingem a família e, por isso, fazem parte do projeto de vida familiar.
          Entretanto, romanticamente, ainda existem pessoas que querem resolver problemas familiares, como se fossem problemas internos, desligados do mundo atual, caindo assim no reducionismo ingênuo, somente psicológico, sem questionamento das raízes mais profundas. Existem até pastorais que se dedicam apenas a encontros desligados da realidade global.
          A carta de Paulo aos colossenses pode ser para nós o sério apelo de Deus para uma mudança radical no modo de viver: revestir-se de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, sendo suporte uns para os outros, perdoando uns aos outros e pedindo perdão, quando for necessário. Acima de tudo ‘amem-se uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição.’ Para vivermos o que a carta aos colossenses nos diz, é necessário cultivar o diálogo, o respeito, a compreensão e a ajuda mútua; aceitar as atribuições de cada membro da família; viver a obediência responsável; ter capacidade de confrontar a vida com o projeto de Deus.
          Para nós, a sagrada família de Nazaré é o modelo de família humana. Era uma família vivendo uma situação especial dentro da história da salvação, composta de pessoas muito amadas e escolhidas por Deus, cada qual vivendo a fidelidade ao chamado do Senhor. As famílias de hoje são convocadas a serem as sagradas famílias do século XXI.
          Diante da situação cada vez mais desafiadora, inquietante, cheia de tensões e riscos em que vivem nossas famílias, suplicamos ao Pai, que lhes conceda o critério supremo do amor, do exercício da compaixão e do diálogo, verdadeira fonte da união e da paz” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo do Natal de 2013 da CNBB, pp. 51-56).
          “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (cf. Exortação apostólica do Papa Francisco “A Alegria do Evangelho” nº 1). O Papa Francisco conclama toda a Igreja e nela, a Família Cristã, a acolher, compreender e anunciar A Alegria do Evangelho, que é bússola orientadora de novo ânimo, novas perspectivas, novo sentido e grande esperança para o mundo, cuja célula é a Família!
          Enquanto a Cultura da Sobrevivência coloca a Família de bruços, engolindo-a com o tripé de contra valores: o consumismo, o hedonismo e o individualismo, a Festa da Sagrada Família nos conclama e incentiva a reerguê-la, devolvendo-lhe a necessária dignidade humana! Saibamos, a partir desta festa solene, reencontrar meios para ancorar nossa Família em valores essenciais, como o amor gratuito, a verdade, a justiça e a liberdade!
          Desejando-lhes abençoado Ano de 2014, nossa ternura, gratidão, e abraço cheio de novas esperanças!
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Eclo 3,3-7.14-17; Sl 127(128); Cl 3,12-21 e Mt 2,13-15.19-23).

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