Archive for Agosto 2015

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
Vocação à Vida Consagrada
 Religiosos e Religiosas
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            A solenidade deste domingo, considerada a festa principal da Virgem, recebeu, no início do século IV, o nome de “dormição” (dormitio Virginis), enquanto passagem para outra vida, e só mais tarde foi chamada de Assunção.
          Desde os primeiros séculos, conhece-se esta festa tanto no oriente como no Ocidente. Somente em 1950 foi promulgada verdade ou dogma de fé por Pio XII.
          No Brasil, a piedade popular venera Maria assunta ao céu como Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora da Abadia, Nossa Senhora do Pilar...
          Celebramos esta festa da páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, e, nela nos oferece o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo. Com a Virgem Maria, cantamos as maravilhas que o Senhor fez por nós, fazendo-nos participantes do mistério pascal do seu Filho.
          Somos chamados a celebrar esta vitória, vivendo o projeto de Jesus que vence, pelo poder da entrega da sua vida, a força enganosa do dragão, que devora e destrói todas as possibilidades duma vida humana digna e feliz.
          Cantamos com Maria a esperança dos pobres e pequenos, a quem Deus, em sua grande misericórdia, liberta e exalta. “Alegremo-nos todos no Senhor, celebrando este dia festivo em honra da Virgem Maria: os anjos se alegram pela Assunção e dão glória ao Filho de Deus”.
          A festividade da Assunção é um sinal de esperança para os que seguem o caminho da fé e alimentam a certeza de que serão ressuscitados em Cristo. E a Igreja, reunida em comunidade, contempla Maria à luz do Mistério Pascal de Cristo, professa que ela, no término da caminhada por esta terra, foi elevada ao céu, assumida por Deus e colocada na glória dos céus. É a ação de Deus fazendo grandes maravilhas na vida da mãe do Salvador.
          A Assunção de Maria brotou da ressurreição de Jesus. Maria segue o caminho novo de acesso ao Pai, aberto pelo Filho Jesus. Deus antecipa em Maria o que é, na verdade, destino de toda a humanidade. A ressurreição de Jesus é caminho de ressurreição para todo o ser humano.
          Maria havia proclamado que Deus exalta os humildes e destrói a segurança e a prepotência dos soberbos. A sua vida tem a marca da humildade e do serviço. A sua resposta ao anjo na anunciação é um juramento: eis a serva do Senhor. O fato de se tornar a mãe do Messias não a tornou orgulhosa nem vaidosa. Como mulher humilde e servidora, foi exaltada na assunção e agradecida por Deus com o sinal antecipado da glória.
          Maria, a mulher vestida de sol do Apocalipse e do Magnificat, nos ensina a seguir o projeto de Deus em favor dos pequenos. Deus encontra um espaço em Maria para agir e manifestar-se hoje e realizar suas maravilhas em favor da humanidade.
          No Salmo de Maria, tradicionalmente chamado de Magnificat, ela proclama que Deus realizou a derrubada de situações opressoras para restaurar o seu projeto de Deus: Ele subjuga a autossuficiência humana e a soberba; destitui do trono os poderosos e enaltece os humildes, e destrói as desigualdades humanas; elimina os privilégios estabelecidos pelo dinheiro e o poder. Cumula de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade e entre os povos, porque todos somos filhos de Deus.
          Deus olha a condição oprimida do pobre, o estado de desgraça, de aflição e humilhação em que vivem milhões de pessoas, e enviou Jesus para propor um jeito novo de viver que seja bom para todos. O que alegra Maria é ser parte integrante do projeto de Deus para a humanidade – salvação das opressões pessoais, mas também salvação de um povo.
          Como comunidade peregrina, grávida da salvação de Deus, nos reunimos para celebrar. Vivemos a experiência de Maria, que, vestida de sol e adornada de joias, canta a esperança oferecida aos pobres e humildes.
          Nossa ligação com Maria existe justamente por ser ela uma entre os pequenos que Deus escolhe. Se houver muita homenagem a ela e pouco compromisso com os famintos e desamparados, estaremos fora da obra que Deus realiza com Maria.
          Nesta Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao céu, agradecendo a Vocação à Vida Consagrada, a rica presença, a sublime missionariedade e discipulado de nossos Religiosos e Religiosas, na Igreja de Jesus Cristo, somos todos convidados, a exemplo da chamada pelo Papa Paulo VI, “A Estrela da Evangelização”, a sentirmo-nos também grávidos de Jesus. Mais ainda, não guardar para nós mesmos tal gravidez, mas levá-la pelo mundo, como Maria, a primeira missionária a levou à Isabel. O encontro das duas Mulheres me encanta sempre. A alegria daquele encontro deve ser sempre nossa alegria, quando nos encontramos, porque cheios da presença de Jesus e do Espírito Santo.
          Gosto, também de pensar, que a exemplo de Maria, podemos sentir-nos porta-joias do Senhor. Cada vez que O comungamos, nosso coração torna-se Seu Sacrário, Seu Tabernáculo, que deve brilhar para todos que encontramos pelo caminho, conduzindo-nos ao Senhor da Vida.
          Encerrando a Semana Nacional da Família, rezando e agradecendo a Vocação à Vida Consagrada, sintamos as mais abundantes bênçãos do Senhor que nos escolhe a dedo para a missão evangelizadora num mundo tão sedento de Deus em busca da sustentabilidade dos valores que devolvam ao ser humano sua verdadeira dignidade!
Padre Gilberto Kasper

(Ler Ap 11,19; 12,1.3-6.10; Sl 44(45); 1 Cor 15,20-27 e Lc 1,39-56)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Agosto de 2015, pp. 59-64 e Roteiros Homiléticos da CNBB de Agosto de 2015, pp. 86-93.

          

DÉCIMO OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
MÊS VOCACIONAL
MINISTÉRIOS ORDENADOS

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


            No domingo anterior, tivemos o Evangelho de João, que narrava o sinal de Jesus na multiplicação dos pães. Neste domingo, a narrativa nos traz a explicação do Mestre quanto ao significado daquele sinal: Jesus é o verdadeiro pão descido do céu, o “pão da vida” conforme Ele mesmo refere. Pão da vida eterna, pão que sacia definitivamente a fome, transforma o homem, abre o caminho da santidade para aqueles que dele se alimentam.
          Dia 6 de agosto, a Igreja celebra a festa da Transfiguração do Senhor. Recorda os apóstolos, no Tabor, quando ouvem a voz do Pai dizendo que Jesus é o Filho amado, enviado para nossa salvação. Nós, hoje, somos os destinatários dessa revelação, imantados com o brilho das roupas brancas e tocados pela mensagem carinhosa.
          Ao longo do Tempo Comum, podemos sentir a espiritualidade que brota dos sinais de Jesus, vivendo de forma significativa a Páscoa de cada domingo, reunidos ao redor da mesa da Eucaristia e junto à mesa da Palavra.
          Queremos ser, neste domingo, a multidão a quem Jesus se dirige e anuncia a vida eterna. Para isso, precisamos aceitar suas propostas, libertar-nos do homem velho que existe em nós, aceitar a transformação que pode nos tornar em homem novo, refletindo a imagem de Deus, buscando a santidade. Isso, certamente, é necessário a todos nós cristãos, discípulos missionários de Jesus.
          No entanto, inúmeras vezes queremos que isto aconteça sem nos deslocarmos até o encontro com Jesus, não queremos desacomodar-nos, passar para “o outro lado do mar”. É preciso investir tempo e disposição para caminhar até Jesus, encontrá-lo, sentar até o entardecer, ouvindo-o falar, alimentar-nos do pão da sua Palavra.
          Para fazermos isso, podemos hoje priorizar a proximidade e o tempo significativo da Sagrada Escritura. Como nos diz o Documento de Aparecida: “entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura, existe uma privilegiada, à qual todos somos convidados: a Lectio Divina, ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura”. Através da leitura orante, somos conduzidos ao encontro com Jesus, à luz de sua Palavra. Rezando com ela, mergulhamos no mistério do nosso Mestre, entramos em comunhão com Ele.
          Não deixemos que “as paixões desordenadas do mundo”, como diz São Paulo, nos desviem do caminho e da disposição de ir para o outro lado do mar, ao encontro de Jesus. Priorizemos tempo para ouvi-lo, como as multidões que o seguiam, deixemo-nos conduzir pela fome de sua Palavra.
          O evento da Multiplicação dos Pães e a incontável multidão aglomerada em torno desse, nos leva a pensar, de que continuamos sendo mais pedintes do que agradecidos. Quando aquela gente toda corre atrás de Jesus, Ele percebe que o faz porque satisfeita com o gesto espetaculoso do Mestre, que de cinco pães e dois peixinhos alimentara grande multidão. O apelo de Jesus, entretanto, vai além do espetaculoso, do milagreiro e do mero alimento material: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35).
          Em nossos dias não vemos algo semelhante? Tem-se a impressão de que multidões correm atrás do que é espetaculoso mais do que o espetacular: sermos alimentados pelo Pão da Vida, Jesus na Eucaristia, Jesus na Palavra proclamada! A Teologia da Prosperidade promete resolver os problemas, oferece milagrezinhos fáceis, como emprego, saúde, casa própria e até uma vida de certa ostentação! Tais métodos de “suposta evangelização” atraem multidões. Atraem multidões como atraem fãs de cantores e artistas famosos, enquanto forem famosos e agradarem.
          Da multiplicação dos pães remeto minha consciência à Cruz sob a qual sobram apenas três mulheres e um jovem. Logo da Cruz de onde jorra sangue e água, a mística profunda da Igreja que Jesus tanto desejou: uma Igreja comprometida com a dignidade humana, com a promoção da pessoa através da partilha e da solidariedade! Enquanto nossos compromissos sociais tiverem precedência sobre nossa vida espiritual, continuaremos anêmicos do verdadeiro alimento: aquele que não perece, porque é eterno e nos robustece diante das surras e dificuldades que o hodierno de nossa se nos impõe!
          Com o primeiro domingo do mês de Agosto, O Mês Vocacional, somos convidados a rezar pela Vocação Específica do Ministério Ordenado! Rezemos nossa gratidão pela disponibilidade de nossos Padres e do Arcebispo, rezemos para que sempre tenhamos corações generosos que acolham o convite ao Sacerdócio Ordenado, bem como pela santificação de todos que responderam ao convite do Mestre. Só uma Comunidade Orante terá um Sacerdote Santo. Só um Sacerdote Santo é capaz de santificar sua Comunidade! Sejamos solícitos e dóceis aos Padres, Bispos e Diáconos que o Senhor nos confia. Sejamos fiéis a Cristo, o Único, Eterno e Sumo Sacerdote, na pessoa de nosso Arcebispo, nossos Padres e Diáconos, configurados com Ele, o Bom Pastor!
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,
Padre Gilberto Kasper

(Ler Ex 16,2-4.12-15; Sl 77(78); Ef 4,17.20-24 e Jo 6,24-35)

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Agosto de 2015, pp. 20-22 e Roteiros Homiléticos da CNBB de Agosto de 2015, pp. 73-78.

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