Archive for Setembro 2015

VIGÉSIMO QUINTO DOMINGO COMUM

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
Animados pela celebração do Mês da Bíblia, na qual encontramos a Palavra por excelência, que se diferencia das que normalmente ouvimos, queremos orientar nosso agir tentando entender, a cada domingo, o que Deus nos fala. À medida que celebramos o Tempo Comum o anúncio da Paixão é uma realidade muito próxima.
          A liturgia deste domingo apresenta a palavra como luz para nossa vida e nos coloca diante de duas realidades que, continuamente, nos interpelam e até exigem nossa opção: a “palavra do mundo” e a “palavra de Deus”. Convida-nos a pensar no modo como nos situamos na comunidade cristã e na sociedade e até que ponto esta palavra é capaz de orientar nosso agir.
          Discípulos dele (de Jesus) somos chamados a tomar posição, em meio aos conflitos sociais, a favor do direito e da justiça e pôr-nos a serviço de todos, principalmente dos empobrecidos, sem ambicionar honrarias. Façamos de nossa prática religiosa não um trampolim para o prestígio, mas um sinal de nosso compromisso com o reino de Deus.
          A Palavra de Deus denuncia as intenções perversas dos injustos contra os justos, ensina que a inveja e a rivalidade são causas de obras más e nos convida a abraçar Cristo no pobre e no pequeno.
          A presença do justo sempre incomoda os perversos e corruptos. Jesus anuncia novamente sua paixão e convida os discípulos para a humildade e o serviço. A inveja e a rivalidade são causa de muitos males na comunidade.
          Jesus denuncia e pede que tenhamos cuidado com o poder, com as tentativas de domínio sobre os outros, com os sonhos de grandeza, com as manobras para conquistar honras, lucros e privilégios, com a busca desenfreada por títulos e posições de prestígio, pois são atitudes que revelam uma vida segundo a “palavra do mundo”.
          Jesus nos convida a uma opção de vida que manifeste o que ele mesmo é, tendo nos deixado como testamento: um coração simples e humilde, capaz de amar e acolher a todos em especial os excluídos, sem necessidade de retribuição e reconhecimento público.
          Não há meio termo, Jesus é claro e exigente: quem quiser segui-lo deve acolher sua proposta e consequentemente seus desafios. Como Igreja devemos estar dispostos a testemunhar nossa fé por meio de atitudes que manifestem a verdadeira palavra que é Caminho, Verdade e Vida.
          Os “ímpios” descritos pelo autor da primeira leitura são que, além de não aderirem aos valores de Deus, ainda zombam dos costumes e dos valores religiosos, por considerarem essas práticas religiosas inadequadas para os dias de hoje, ou seja, não compatíveis com a modernidade. Os justos, com sua prática de vida, acabam por ser uma espécie de empecilho aos ímpios que se sentem continuamente questionados. Estes reagem, atacando os justos e colocam Deus a prova para ver até onde ele permite o sofrimento dos que o temem.
          O Livro da Sabedoria nos oferece uma palavra de ânimo, muito oportuna para nossos dias, pois todo justo será recompensado e sua vida experimentará a plena e definitiva vida que Deus reserva para aqueles que escutam suas palavras, aceitam seus desafios, trilham seus caminhos e se comprometem com a construção de um mundo mais fraterno, lutando pela justiça e pela paz.
          Quem optar viver segundo a “palavra de Deus’” não terá facilidades, nem viverá em um romantismo mágico pelo qual tudo acabará em alegrias e grandes realizações. Estará, porém, sujeito a críticas, a perseguições, a incompreensões e até ao próprio fracasso. Entretanto não serão as situações contrárias que farão com que desanimemos na prática da justiça.
          O texto que nos é proposto na carta a São Tiago leva o cristão a fazer uma sincera análise sobre a origem das discórdias que destroem a verdadeira vida das comunidades cristãs. O autor exorta a comunidade para que não perca os valores cristãos autênticos e coloque em prática a palavra de Deus, que se encontra, de maneira privilegiada, em Jesus Cristo, fazendo de suas vidas um dom de amor aos irmãos, traduzindo em gestos concretos de partilha, serviço, solidariedade e fraternidade.
          Vigiemos para que nosso coração não esteja ocupado por ambições, invejas, orgulhos, competições, egoísmos que nada mais criam que divisões e nos impedem de entrar na vida plena.
          Jesus teve dificuldade de fazer com que entendessem. Ainda hoje podemos ter essa mesma dificuldade. Não temos tempo para saborear e entender a palavra de Deus, pois nossas preocupações podem estar sobre outras realidades. Será que não ficamos falando tantas coisas que não são tão importantes ou fundamentais? Por isso, a dinâmica de Jesus é muito importante: sentou-se, chamou mais perto, tomou a criança como exemplo... Sempre vai educando os discípulos sobre que tipo de messias é e como quer que sejam os que se dispõem a segui-lo. O evangelho é um contínuo ensinamento, mas a cegueira dos discípulos persiste. Quem quiser segui-lo deve dispor-se a servir.
          Assim como no tempo de Jesus, o interesse de saber quem é maior toma conta de muitas rodas de conversas e orienta as ações de muitas pessoas hoje, determinando as prioridades e os investimentos. Neste dia, cabe uma pergunta: em que estamos investindo nosso tempo, nossas energias, nosso dinheiro, enfim, nossa própria vida? Em realidades passageiras que, aparentemente, podem ser importantes, pois vivemos em uma sociedade capitalista e imediatista, ou em ações que conscientemente constroem pessoas, famílias e um mundo que proporcione o prazer de uma vida integral? Jesus nos convida a abandonarmos nossos sonhos egoístas e orientarmos nosso agir para a essência de sua proposta.
          No Reino de Deus não há uma escala hierarquizada de pessoas que possam ser umas mais importantes que as outras, mas há uma proposta de amor que se realiza no próximo. Algo difícil para nossos dias. O próximo, neste caso, está simbolizado pela criança que é sinal dos que são os últimos. Assim, a proposta de Cristo deve começar pelos que são últimos: os sem direitos, os fracos, os pobres, os indefesos, os facilmente manipulados, tal como eram vistas as crianças em seu tempo. O maior é aquele que ama e serve”.
          Pouco tempo antes de sua páscoa, tive o privilégio de conversar longamente com o Pe. Léo da Canção Nova, enquanto aguardávamos nosso voo atrasado no aeroporto de Navegantes (SC) com destino a São Paulo. Havia muita neblina. Entre as tantas coisas profundas que ouvi do Pe. Léo, lembro a propósito da Palavra de Deus deste domingo, duas: “Sempre tive muita pena dos pobres. Depois que fiquei doente e percebi que não era de nada, passei a ter pena dos ricos. Os pobres, quando chamados à eternidade, não terão praticamente nada a deixar para trás. Mas coitados dos ricos, que acumulam coisas desnecessárias. Quando esses forem chamados a deixarem este mundo, terão de deixar tudo que acumularam para trás. De quantos projetos precisei abrir mão, desde que soube que tenho pouco tempo de vida. É doloroso demais...” “O cristão autêntico é como um bambu: vem ventos fortes que o levam ao chão e ele se reergue... vem as chuvas fortes, e ele se refresca, porque não teme as tempestades... vem os relâmpagos e ele os absorve e enterra... o bambu, como o cristão, por mais que seja surrado, nunca desiste de crescer para o alto!”
          Não desanimemos jamais. Olhemos para o alto e façamos dele nosso destino, nosso Fim Último, porque lá está a esperança de nosso futuro e de nossa felicidade verdadeira!
Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço fiel e amigo,
Padre Gilberto Kasper
(Ler Sb 2,12.17-20; Sl 53(54); Tg 3,16-4,3 e Mc 9,30-37)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Setembro de 2015, pp. 62-64 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum – Setembro de 2015, pp. 27-31.

            

VIGÉSIMO QUARTO DOMINGO COMUM


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
O Mês da Bíblia que estamos trilhando, instituído em 1971, tem como meta instruir os fiéis sobre a Palavra de Deus e difundir o conhecimento das Sagradas Escrituras. Já dizia São Jerônimo que ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo. A implantação desse mês temático colaborou na aproximação do Povo de Deus com a Bíblia. Cresce a consciência e o esforço para a necessária animação bíblica de toda a pastoral. Propondo o estudo e a reflexão do Evangelho de Marcos para este mês, a Igreja deseja reforçar a formação e a espiritualidade de seus agentes e fiéis, no seguimento de Jesus Cristo.
          Na caminhada litúrgica que fazemos nos reunimos para celebrar o Vigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum, em que os discípulos de Jesus são interrogados pelo Mestre sobre quem dizem que ele é. Pedro responde categoricamente: “Tu és o Messias!”. A partir do contato que estamos tendo com o Evangelho de Marcos, o que podemos afirmar da identidade de Jesus? Certamente já temos respostas muito oportunas.
           Pensem comigo, se a situação não se parece? Seguramente nossos políticos, a cada momento, diariamente, buscam saber de seus assessores, como estão as pesquisas oficiais e oficiosas. Imagino que a pergunta deles aos assessores deva ser muito parecida com a de Jesus aos discípulos: “O que diz o povo a meu respeito? Vocês acham que temos chance de ganhar as próximas eleições? Que pensa a sociedade que eu sou?” A resposta dos discípulos é muito precisa quanto ao que pensa o povo sobre a identidade de Jesus: totalmente equivocada! Ainda o povo não conhece bem a Jesus. A impressão que o evangelista passa, que isso para Jesus não é o que mais interessa. O interessante mesmo para Jesus é a opinião, a noção, o conhecimento dos mais próximos; daqueles escolhidos a dedo, em que Ele colocou toda sua confiança e a quem prepara para se tornarem um seguimento Seu: discípulos e missionários, outros cristos num mundo ingrato, violento, vazio de valores e oco de Deus! É onde entra a profissão de Pedro, que deverá ser sempre a de qualquer cristão autêntico, sem medo de perder sua vida, sua posição social, seu emprego, sua honra, seu prestígio por nada: “Tu és o Messias!”. Resposta que implica uma compreensão clara da cruz, do calvário, da zombaria, dos açoites daqueles que pretendem comprar nossa consciência (nosso caráter a qualquer preço). Só reconhece Jesus como o próprio Deus conosco quem faz a experiência de ser livre para amar, falar sempre a verdade, ser coerente, transparente, não decepciona, vive a justiça, promove o bom senso e a verdadeira paz.
          No dia 14 de Setembro, celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz e a Festa de Nossa Senhora das Dores no dia 15. Dor, sofrimento são coisas que os homens e mulheres de nosso tempo procuram, de muitos modos, diminuir, abreviar e até eliminar. O que dizer então do luto? Abreviam-se, em geral, cada vez mais o tempo dos velórios, misturam-se elementos diversos para tornar esses momentos o menos traumático possível. Por que temos tanto medo da morte, quando é uma das raras certezas que temos? Não seria melhor olhar a morte com mais humanidade, melhorando, cada vez, que ela passa por perto e leva de nosso convívio alguém que amamos nossa qualidade de vida? Cada vez que me encontro num velório, imagino-me confinado naquele pedacinho de madeira... E se fosse eu? O que seria de mim? Por que corremos tanto atrás de bens materiais, prestígio, poder, cargos, funções, quando todos, sem escapar ninguém, um dia teremos de responder à eternidade, quando de lá ecoar nosso nome? Não consigo compreender, como nossas pretensões, ganâncias, egoísmos, mesquinharias e desamores possam conduzir nossas relações, se um dia tudo acabará na eternidade, diante de Deus, d’Aquele que Pedro chama de Messias? Nem por último: não levamos nada conosco. Estaremos despidos de qualquer posse, mas vestidos de valores que procuramos cultivar como: humildade, mansidão, ternura e tantas outras belezas humanas! Por isso, ter medo da morte é desconhecer Jesus, estar equivocado quanto à sua identidade. É fé imatura, esclerosada, ressequida, murcha, inútil, já que nossa verdadeira fé se debruça sobre a esperança de que morrendo, veremos Deus como Deus é. E isso basta!
          O salmo 114(115) expressa a confiança em Deus que é amor-compaixão. O Senhor liberta a vida da morte, enxuga dos olhos os prantos e os pés do tropeço. Qual o limite de nossa confiança em Deus? Além das palavras do salmista, a liturgia deste domingo nos apresenta as palavras do “servo de Javé e o primeiro anúncio da Paixão feito por Jesus.
          O evangelho deste domingo constitui a parte central do Evangelho de Marcos. Jesus, no caminho, interroga os discípulos para saber o que o povo e eles mesmos conseguiram entender a seu respeito. Depois de ouvir aquilo que é opinião do povo, dirige-se diretamente a eles. Pouco antes, Jesus os repreendera porque estavam como que cegos, “têm olhos, mas não vêem” (Mc 8,18), e seus corações endurecidos não lhes permitem entender sua verdadeira identidade. Pedro é muito exato em sua resposta: “Tu és o Messias”. A imposição do silêncio por parte de Jesus se deve, certamente, à ideia distorcida que Pedro e os demais discípulos têm a seu respeito, o que se comprova mais adiante na outra reação de Pedro.
          Jesus, anunciando sua Paixão, o modo como o Pai realizará nele sua obra salvífica, deseja eliminar todo mal-entendido. Vejamos se também nós, ao basearmos o crescimento do Reino de Deus em fama, triunfo, aplausos alcançados, templos cheios, não estamos seguindo os critérios dos homens...
          Quais seriam as palavras de Jesus para nós, seus discípulos hoje?
          Hoje, torna-se cada vez mais pesada a cruz do testemunho autêntico de fé e do seguimento. Em muitos ambientes sociais, é pesada a cruz da identidade da fé católica; a cruz dos conflitos familiares; a cruz das intrigas entre lideranças (também entre políticos que ao invés de apresentarem suas propostas e capacidades, gastam seu tempo atirando pedras no telhado dos outros, mesmo tendo a maioria deles seu telhado de vidro, de alguma maneira); a cruz da incerteza e da carência de dignas condições de vida; a cruz da fome, do desemprego, da falta de saúde, da educação, da exclusão, das promessas não cumpridas...
          Finalmente, somos convidados a colocar-nos no lugar de Jesus sempre: calçar suas sandálias, pensar seus pensamentos, falar suas palavras, agir seu imensurável amor por todos, indistintamente!
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Padre Gilberto Kasper
(Ler Is 50,5-9; Sl 114(115); Tg 2,14-18 e Mc 8,27-35)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Setembro de 2015, pp. 44-46 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum (Setembro de 2015), pp. 21-26.


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