segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O ex-deputado e ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha resolveu abrir novas frentes de batalha em sua defesa na Operação Lava-Jato. Além de acusar o ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), de obstruir pedidos de liberdade e beneficiar executivos da JBS; ele disse que recorrerá ao papa para ser julgado, "apesar de ser evangélico e não acreditar que o papa é o representante de Deus na Terra". O ex-parlamentar fez tais afirmações em nota entregue a aliados dele.

Ironias à parte, há o fato de que Eduardo Cunha está com dificuldades de fechar acordo de colaboração premiada, o que o levou às acusações. Ele contou que Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS, pediram ajuda para aprovar o nome de Edson Fachin para o STF, em 2015, pois teriam "relação de amizade" com o ministro.
País
Hoje às 13h23 - Atualizada hoje às 13h26
Eduardo Cunha disse que apelará ao papa para ser julgado
Ex-deputado fez acusações de que Fachin teria sido ajudado pela JBS para ser indicado ao STF

Jornal do Brasil
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O ex-deputado e ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha resolveu abrir novas frentes de batalha em sua defesa na Operação Lava-Jato. Além de acusar o ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), de obstruir pedidos de liberdade e beneficiar executivos da JBS; ele disse que recorrerá ao papa para ser julgado, "apesar de ser evangélico e não acreditar que o papa é o representante de Deus na Terra". O ex-parlamentar fez tais afirmações em nota entregue a aliados dele.

Ironias à parte, há o fato de que Eduardo Cunha está com dificuldades de fechar acordo de colaboração premiada, o que o levou às acusações. Ele contou que Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS, pediram ajuda para aprovar o nome de Edson Fachin para o STF, em 2015, pois teriam "relação de amizade" com o ministro.
Eduardo Cunha escreveu nota entregue a aliados políticos em que critica o ministro Edson Fachin
Eduardo Cunha escreveu nota entregue a aliados políticos em que critica o ministro Edson Fachin

"Quando Joesley Batista e Ricardo Saud me procuraram para ajudar na aprovação, além da relação de amizade que declararam ter com ele (Fachin), me passaram a convicção de que o país iria ganhar com a atuação de um ministro que daria a assistência jurisdicional de que a sociedade necessitava", escreveu Cunha, que fez ilações de que Fachin concedeu "assistência célere e eficiente" aos donos da JBS, "que em apenas três dias conseguiram homologar um acordo vergonhoso, onde ficaram livres, impunes e ricos".

Eduardo Cunha declarou, ainda, na nota, que o ministro se recusa a pautar pedidos de habeas corpus da Lava Jato desde que a 2ª turma do STF decidiu libertar o ex-ministro José Dirceu, em maio. Segundo o ex-deputado, Fachin age "como uma criança que perde e leva a sua bola para casa, acabando com o jogo".

O ministro do STF afirmou que Eduardo Cunha já teve dois pedidos negados pelo relator da Lava Jato em decisões liminares e que apenas dois recursos aguardam julgamento. O gabinete de Facchin informou também que, entre maio e agosto, foram julgados na 2ª turma do STF mais de dez habeas corpus.

Quanto ao pedido de auxílio que a JBS teria feita a Cunha para sua eleição ao STF, Fachin afirmou que não contou "com o auxílio de qualquer empresa ou grupo em seu processo de indicação" e que "qualquer insinuação neste sentido é inaceitável". A JBS não comentou.

Prisão


Cunha está preso desde outubro de 2016 e já foi condenado a 15 anos e quatro meses de reclusão pelo juiz Sérgio Moro.

Abaixo, a nota escrita por Eduardo Cunha:

“Recurso ao papa

Apesar de ser evangélico e não acreditar que o papa é o representante de Deus na Terra, tenho de me render ao ditado popular e, quando não se tem mais a quem recorrer, recorra ao bispo ou ao papa. Como o papa é mais graduado, ficarei com ele.

No último dia 2 de maio, foi julgado o habeas corpus de Jose Dirceu na segunda turma do STF e contra a vontade e o voto do relator, ministro Edson Fachin, foi libertado Dirceu.

A partir desse momento, como uma criança que perde e leva a sua bola para casa acabando com o jogo, o ministro não pautou mais nenhum HC [habeas corpus] na turma. Ainda levou o HC de Palocci para o pleno do STF, sem pautá-lo, levando inclusive Palocci a impetrar um HC contra o próprio ministro Fachin pedindo julgamento.

No meu caso, houve retardamento da instrução necessária onde até o pedido de informações ao juiz de Curitiba foi feito pelo correio, ao invés do pedido eletrônico. Após essa demora, o relator ainda demorou um mês para enviar ao Ministério Público, apesar de reiteradas petições de cobrança. Mesmo após tudo isso, o HC está pronto para a pauta desde junho, a exemplo de vários outros HCs de presos da Lava Jato.

No meio do caminho, me impôs nova prisão, em decorrência da delação da JBS, sem qualquer prova da acusação feita contra mim, prisão aliás que já recorri e o relator também não pauta para deliberar.

Aliás, a acusação contra mim é de receber para ficar em silêncio para não delatar, como se delatar fosse obrigação e não delatar fosse crime.

Aliás, todos dessa operação foram soltos, incluindo a família de Aécio Neves e o ex-deputado Rocha Loures. Só eu continuo com a prisão decretada nessa operação de 18 de maio.

Só como exemplo da falta de prova, alguém ligado a mim saiu carregando alguma mala monitorada? Se até quem carregou a mala foi solto, por que continuo preso?


Quando os senhores Joesley Batista e Ricardo Saud me procuraram para ajudar na aprovação do então candidato ao STF Edson Fachin, além da relação de amizade que declararam ter com ele, me passaram a convicção de que o país iria ganhar com a atuação de um ministro que daria a assistência jurisdicional de que a sociedade necessitava.

Hoje estamos vendo que a assistência célere e eficiente foi a obtida pela JBS e seus donos, onde em apenas três dias conseguiram homologar um acordo vergonhoso, onde ficaram livres, impunes e ricos.

O que eu gostaria, assim como os demais presos preventivos de forma alongada, é ter o direito ao julgamento e não ser vítima de uma obstrução da Justiça a que todos os brasileiros têm direito. Não podemos ficar reféns de uma ditadura da República de Curitiba, do estado do ministro.

Por isso, para além de uma dúvida razoável e em cognição sumária, recorro ao papa para ser julgado.”

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