segunda-feira, 28 de agosto de 2017



Antes de se tornar santo, Agostinho de Hipona teve uma fase um tanto rebelde na juventude – “fase” que, na verdade, durou até bem entrada a sua vida adulta…

O “conteúdo” dessa fase foi tão abundante que, alguns anos depois de deixá-la para trás, Agostinho conseguiu encher um livro inteiro, as Confissões, relatando as suas aventuras e desventuras como ovelha desgarrada. As Confissões são como um relato sem tarjas feito por uma celebridade sobre os seus segredos mais sórdidos e sobre os aprendizados vitais que obteve depois de atingir vários fundos do poço.

No livro, um clássico da espiritualidade cristã e universal, Agostinho reflete que esperou demais para mudar de vida; que desperdiçou tempo demais e fez mal demais para poder compensá-lo de modo suficiente. No entanto, a esperança triunfa sobre os remorsos e a misericórdia é reconhecida como mais poderosa que o pecado, desde que haja autêntica mudança de vida baseada no amor.

Como Agostinho, todos nós temos histórias do passado (ou de hoje mesmo) das quais, para dizer o mínimo, não nos orgulhamos; episódios que, se pudéssemos, corrigiríamos com decisões mais sábias.

Às vezes, pensar no passado nos desanima a ponto de nos travar no presente e impedir um novo futuro, como se já tivéssemos chegado longe demais para mudar agora. É comum dar de ombros e tentar justificar: “Eu sou assim. Só estou sendo realista”.

Essa desculpa arrasta o nosso status quo e faz o passado limitar o nosso futuro.

Mas o honesto exame de consciência de Agostinho nos demonstra que nunca é tarde demais para mudar e começar a ser a pessoa que, no fundo, almejamos ser.

Hoje conhecemos Agostinho como santo e isso pode nos induzir a relativizar o seu passado. Mas é importante saber quem ele era antes de se decidir a mudar. Além de perceber que talvez houvesse muito em comum entre a vida dele e a nossa, pode ser surpreendente saber que, possivelmente, a vida dele era pior ainda do que a nossa.

Agostinho foi ladrão
Aos 16 anos, Agostinho e amigos roubaram todas as peras de um vizinho e as jogaram aos porcos. Para alguns, pode parecer um crime de pouca monta, mas, em sua consciência, a sombra desse ato era espessa: ele não comeu as peras nem as deu a quem tinha fome. Ele só as roubou pelo puro prazer de roubar. Ele próprio escreveria que aquele ato “nos deu muito mais prazer porque era proibido”. Foi, por trás da aparência de mera travessura adolescente, uma primeira degustação do lado escuro do homem; foi o começo de uma escalada de vícios que se tornariam cada vez mais graves e danosos para ele e para as pessoas atingidas por ele.


Agostinho foi um playboy mulherengo
O Agostinho adolescente levou a obsessão pelas meninas a um nível estratosférico. Já por volta dos seus 16 anos, “o frenesi tomou conta de mim e me rendi por completo à luxúria”, conta ele mesmo. A obsessão cresceu com a idade: Agostinho continuou lutando contra os descontroles do seu apetite sexual até bem depois dos 30 anos. Ainda como estudante, ele foi viver com uma amante com quem permaneceu durante quase uma década, sem nunca assumir com ela um relacionamento sério.

Agostinho teve um filho fora do matrimônio
Ele não quis se casar com sua amante, da qual jamais revela o nome, nem sequer quando ela se tornou a mãe do seu filho, Adeodato. No fim, foi ela quem teve de tomar a difícil decisão de abandoná-lo. “Ela era mais forte do que eu”, confessou Agostinho.

Agostinho teve outra amante

O impacto de ser abandonado pela mãe do seu filho fez Agostinho arrumar um casamento com outra jovem. O problema é que ela era tão jovem que eles precisavam esperar dois anos até que ela chegasse à idade de poder casar-se. Nesse meio-tempo, Agostinho perdeu as estribeiras, para variar, e arranjou outra amante. Ele relata que estava “impaciente” e admite que era “escravo da luxúria”. A essa altura, já estava desesperado, porque percebia que tinha perdido a capacidade de diferenciar o desejo físico do amor verdadeiro.

Agostinho foi um filho altamente problemático
O impetuoso e descontrolado jovem não feriu somente a si mesmo com uma vida de libertinagem, mas também machucou as pessoas que o rodeavam – inclusive sua mãe, Santa Mônica. A escolha de Agostinho de viver fora do Evangelho doía gravemente à pobre mulher, gerando grande tensão na relação entre mãe e filho. Incapaz de controlá-lo, Mônica lhe suplicou que, pelo menos, não seduzisse nenhuma mulher casada. O rapaz chegou ao ponto de pedir a ela, durante uma viagem de barco para Roma, que fosse rezar numa capela próxima; quando Santa Mônica terminou suas orações e voltou ao porto, viu o barco zarpando sem ela: o filho não tinha apenas fugido, mas abandonado a própria mãe.

Depois de tantos desafios e muita perseverança, Santa Mônica terminou “ganhando”: como fruto de suas persistentes orações, Agostinho finalmente se converteu, superou seus vícios, fez as pazes com ela e cuidou melhor do seu filho Adeodato.

A vida desregrada e até escandalosa de Santo Agostinho e a sua sinceridade ao reconhecer seus erros constituem um exemplo encorajador: apesar dos nossos erros, do nosso passado, das nossas falhas e fraquezas, da nossa personalidade, do que desejamos que fosse diferente em nós mesmos, nunca é tarde demais para redimir-se.

Uma vez tomada a decisão, Santo Agostinho descobriu que o Verdadeiro Bem não estava nas coisas ao seu redor, às quais ele se lançava com ímpeto selvagem procurando prazer e felicidade, mas sim dentro dele, enquanto ele próprio estava fora de si.

via pt.aleteia.org

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