sábado, 19 de agosto de 2017


Sabe quando você atinge o seu limite e sente que o copo está transbordando.  Quando se sente fraco e sem forças e parece que aquela canção do Djavan se torna a realidade mais forte na sua vida: ‘sabe lá o que não ter e ter que ter pra dar?’. Quando você diz para si mesmo: esta é a ultima missa em que toco, o ultimo grupo de oração em que está servindo no ministério de música! O que você faz nessas horas? Ou melhor, o que deve fazer?
Bem, não serei eu a dizer como um músico de Deus desgastado e desanimado deve proceder. Mas quem sabe não encontramos juntos algumas pistas do caminho que devemos percorrer.

1 – Reconheça seu momento

Reconhecer como estamos, nossos limites e reais necessidades é o primeiro passo. Jesus ao encontrar com seus próximos despertava neles o desejo de entenderem claramente qual era a sua realidade e para onde deveriam seguir para serem felizes. Foi assim com a Samaritana em Jo 4, 1-29, com Pedro em Lc 5, 1-10, com o cego em Lc 18, 41-42 e tantos outros.

Mas nem sempre temos esta clareza. Vamos varrendo para baixo do tapete nossos pequenos incômodos. Eles se repetem e vão acumulando. Um dia, tropeçamos em tanta tralha escondida e despejamos com ímpeto em quem estiver por perto.

Primeiro passo: reconhecer que o tempo é de pausa, que muita coisa se acumulou e que uma boa faxina na alma só pode trazer benefícios!



2 – Aceite o ônus e bônus de uma boa arrumação na alma!

Não é tão simples. Arrumar a alma não é simplesmente reconhecer a dor, o cansaço, a falta de entusiasmo. A faxina da alma requer o convívio temporário com o pó levantado do sofrimento vivido. Também nos exige determinação para colocar no devido lugar os sentimentos que teimaram em se projetar e deslocar. É preciso refazer os bons hábitos (oração, jejum, penitência, frequência aos sacramentos, estudo da Palavra, etc) e deixar de lado os vícios que cresceram na sujeira.
Disciplina e determinação nesta etapa são fundamentais. “Não se vence sem lutar”, diz Santo Agostinho. E a tentação é desistir, simplesmente mudar de lugar para conviver menos com a bagunça instaurada. Mas isso não resolve. Para onde formos sempre iremos nos deparar com aquilo que permitiu tanta sujeira e entulho que turva a nossa vocação.

3 – Peça ajuda e aceite ser ajudado!

Já que citei Santo Agostinho aqui vão mais algumas frases dele:

“Dor compartilhada é dor amenizada!” – portanto peça ajuda e aceite dividir o fardo, a mágoa, a fraqueza. A presença do outro ouvindo e partilhando do nosso momento nos deixa mais capazes de atravessá-lo com segurança em busca de um destino mais firme.

“Não há necessidade na amizade” – sabe aquilo que te falta? Deixe o outro completar. Somos todos um só corpo e coração! Aquilo que não temos o outro tem para me deixar inteiro novamente. Aceite. Deixe que esta onipotência se quebre e uma fortaleza mais sadia se construa a partir da unidade com a Igreja.

Cultive sempre a flor delicada da esperança!
A esperança é sustento na caminhada. Todos nós tropeçamos, todos nos sentimos, em algum momento, fatigados. Mas nosso olhar está voltado para o Cristo, ele é o norte para onde nos dirigimos. A esperança talvez não faça os nossos passos ficarem mais leves mas com certeza nos fará pisar mais determinados de que não caminhamos em vão!

“Misericórdia na misericórdia, dentro da misericórdia.” (Thomas Merton)

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